Você poderia por favor – parar de – tirar – fotos – com a sua pequena – e irritante (suspira) porra de câmera? Isso está acontecendo em tempo real. Você está tendo a experiência. Não faz muito sentido verificar que você estava no evento quando você está realmente aqui” - Dylan Moran para um membro da audiência de “What It Is”
É comum assistirmos um filme e identificarmos facilmente as “marcas registradas” de seu diretor. Hitchcock, Guy Ritchie, Michael Bay, Tarantino, Spilberg, Wes Anderson… todos possuem suas manias, formas de dirigir e estilo. Poucos no entanto possuem a qualidade do cineasta Billy Wilder de criar filmes de valor incontestável sem ser lembrado durante suas exibições. Talvez o maior mérito de Billy Wilder seja esse: não deixar seu estilo afetar sua obra. Entre os cômicos de stand-up, Dylan Moran é um dos únicos que possui essa qualidade.
Dylan trabalha com humor observacional com interrupções esparsas, fortes e bem dosadas de surrealismo. Seu texto é entregue sem polidez ou exibições de genialidade em algum comentário específico, no entanto você esquece que ele foi decorado por um comediante profissional e é recitado várias noites por semana durante meses. Na verdade você só lembra que é um texto decorado quando ele finge que esqueceu alguma parte.
Com o passar dos anos seu estilo tem se distanciado da comédia de resposta rápida (como em “Monster”) e se aproximando mais dos monólogos críticos e ácidos sobre a sociedade ocultando seu humor em questões ligeiramente mais profundas (“What It Is”). Eu comparo essa mudança de estilo como uma jornada entre o stand-up de Jerry Seinfeld e o de George Carlin. Dois tipos bem diferentes dentro da escola do humor observacional.
Provavelmente para combater sua timidez, após suas primeiras turnês de stand-up, Dylan criou para si uma espécie de ‘quase personagem’. Talvez uma versão sua. Mãos trêmulas segurando o microfone, a voz de quem parece ter tomado algumas doses na coxia (o sotaque com certeza ajuda aí) e um comportamento ligeiramente confuso. Essa interpretação também foi se diluindo com a sua mudança de estilo. Tive a oportunidade de assistir no ano passado o “What It Is” em Londres e a “sobriedade” do comediante no palco já era bem aparente comparado com suas apresentações anteriores (“Monster” e “Like, Totally”).
Independente da época ou do estilo de comédia nos palcos, Dylan continua sendo um excelente comediante dos que veste o manto de filósofos populares. Assim como Carlin, ele instiga sua audiência e nos obriga a olhar para nós e para o próximo de maneira diferente. É claro que por mais notável que seja, isso é um bônus. A comédia não possui obrigações a não ser a de entreter. De qualquer forma é um bônus valiosíssimo que deveria ser mais empregado por comediantes em todas as partes do mundo. A crítica e auto-crítica sempre é necessária e inspiradora. Gostaria de ver mais exemplos assim no Brasil.
Mini-Bio
Então, sim, morte. Quando você é jovem, você pensa sobre isso… Bem, você não pensa realmente sobre isso, você sabe – você tem a inteligência de uma geléia de framboesa, você não pensa sobre nada. Mas está lá, como um tipo de força – fazendo você fazer coisas. Arrume um emprego. Arrume um apartamento. Ache uma pessoa. Coloque ela no apartamento. Faça ela ficar. Arrume uma torradeira. Vá trabalhar. Pegue ônibus. Olhe o seu patrão. Diga “merda!”. Sente-se. Arrume aquela coisa. Esqueça o que ia fazer. Grite internamente. Vá para casa. Ouça o rádio. Olhe para aquela pessoa. Pense “Por que? Por que isso aconteceu?”. Vá para a cama. Deite acordado! De noite! Levante-se. Sinta-se grogue. Preencha os bolsos da calça com aquelas coisas – seja lá o que elas forem. Saia pela porta e vá trabalhar – a mesma coisa! As mesmas pessoas novamente. É real e está acontecendo com você. Vá para casa novamente! Sente-se. Rádio. Jantar -mmm JARDINAGEM, JARDINAGEM, JARDINAGEM, morte. - Dylan Moran (“What It Is”)
Irlandês nascido em 71, Dylan Moran optou pela carreira de cômico de stand-up aos vinte anos por duas razões: parecia divertido e não era necessário ampresentar um currículo.
Depois de quatro anos desempregado e escrevendo poesias ruins, Dylan conseguiu seu primeiro reconhecimento em 1993, ao vencer a competição So You Think You’re Funny no Edinburgh Festival e sendo o mais jovem vencedor do Perrier Comedy Award aos vinte anos de idade. Durante esse período foi colunista do The Irish Times e em 1997 colocou o pé na estrada com sua primeira tour pelo Reino Unido.
Em 1998 teve seu primeiro papel na TV, no sitcom de humor leve “How Do You Want Me?” e em seguida um pequeno papel no filme “Notting Hill“, onde interpretou um ladrão de livros na livraria do protagonista Hugh Grant.
Seu maior sucesso na TV foi sem dúvida o seriado “Black Books” (2000), onde os papéis se inverteram e Dylan interpretou por três temporadas o antisocial e misógeno Bernard Black, dono de uma pequena livraria em Londres, ao lado do também comediante Bill Baley. “Black Books” recebeu o BAFTA por melhor sitcom em 2001 e 2005.

Dylan e Caine em The Actors
Além de personagens secundários em filmes de Simon Pegg como “Shaun of The Dead” e “Run Fat Boy Run“, Dylan protagonizou o filme “The Actors” ao lado de Michael Caine e teve um papel de destaque no filme “A Film With Me In It”. Ao mesmo tempo continua com sua carreira principal: o stand-up com shows como “Monster I”, “Monster II”, “Like, Totally” e “What It Is”.
Dylan vive com sua família em Merchistonm, área de Edinburgh, e evita entrevistas e holofotes sobre sua vida pessoal.
Blues?
Descobri recentemente em uma entrevista que seu gênero musical preferido é o blues! Fico feliz com essa identificação.
“There’s a track called ‘Help Me’ by Sonny Boy Williamson and it was covered by Jimmy Wells, among other people, which seems to sum up the spirit of all of that music; a man banging a stick on the floor, elemental, bone shaking.
(…) A lot of it is a cry of pain, or a cry of boredom. A lot of the lyrics are fantastic, I’m thinking of Leadbelly and stuff. ‘I went to bed last night, and started turning from side to side, the blues is walking around my bed, the blues is all in my bread’, it’s raw and simple, no irony or anything like that, it’s completely unaffected.”
Obviamente não é razão para sacanear também o tema (e também o Rap), como vemos aqui:

Mais Dylan Moran: Sobre O Que Acreditar (What It Is)
Fairy = Deus, ok?
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O Flaming Circus é meu repositório de roteiros, vídeos, textos e outras produções envolvendo comédia. Uma espécie de portfolio online com criações em sub-gênero de humor e algumas homenagens. Sei lá... é o que eu mais gosto de fazer, sabe?
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- RT @juliana_cunha: John Cusack fará o escritor Edgar Allan Poe no cinema http://ow.ly/2w1rl // :0 medo (por razões erradas) 1 week ago
- @ronaldrios E aí? Decidiu em que cidade vai residir? Já estou montando as coisas no apê. 1 week ago
- @FabioPorchat Eu estava e fiz a fina de não tietar ninguém e só protestar mesmo. :) 2 weeks ago
- @ronaldrios Se tivesse avisado antes eu teria dado um pulo aí pra fazer merda pela cidade com vocês. 2 weeks ago
- Sério que tem um candidato do PT do B chamado Cláudio Henrique Barack Obama? Porra... não tem Colbert Report melhor do que horário eleitoral 3 weeks ago
- E a bolha imobiliária em São Paulo começa a estourar. http://bit.ly/b6Ck2e Já era tempo. 3 weeks ago
- @ReneFraga Pois é... mas as pessoas curtem um lance ruim. Ruim é pop. Eu curtia o Pownce, mas ninguém queria usar. 3 weeks ago
- Tu achas que só a propaganda política no Brasil é constrangedora? Saca os vídeos do Basil Marceaux. http://bit.ly/abHyIF 1 month ago
- @ReneFraga Sim... eu te falei isso em 2007 e você tá repetindo agora. 1 month ago
- @danidias heh Eu já sabia. ;) 1 month ago



