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	<title>Flaming Circus &#187; Minhas influências</title>
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		<title>Minhas influências – II: Dylan Moran</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 05:16:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas influências]]></category>

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		<description><![CDATA[Você poderia por favor &#8211; parar de &#8211; tirar &#8211; fotos &#8211; com a sua pequena &#8211; e irritante (suspira) porra de câmera? Isso está acontecendo em tempo real. Você está tendo a experiência. Não faz muito sentido verificar que você estava no evento quando você está realmente aqui&#8221; - Dylan Moran para um membro [...]]]></description>
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<p><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/05/Dylan_Moran_cocando_a_cabeca.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-424" title="Dylan_Moran_cocando_a_cabeca" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/05/Dylan_Moran_cocando_a_cabeca.jpg" alt="" width="350" height="268" /></a></p>
<blockquote><p><em>Você poderia por favor &#8211; parar de &#8211; tirar &#8211; fotos &#8211;  com a sua pequena &#8211; e irritante (suspira) porra de câmera? Isso está  acontecendo em tempo real. Você está tendo a experiência. Não faz muito  sentido verificar que você estava no evento quando você está realmente  aqui&#8221; </em>- Dylan Moran para um membro da audiência de &#8220;What It Is&#8221;</p></blockquote>
<p>É comum assistirmos um filme e identificarmos facilmente as &#8220;marcas registradas&#8221; de seu diretor. Hitchcock, Guy Ritchie, Michael Bay, Tarantino, Spilberg, Wes Anderson&#8230; todos possuem suas manias, formas de dirigir e estilo. Poucos no entanto possuem a qualidade do cineasta Billy Wilder de criar filmes de valor incontestável sem ser lembrado durante suas exibições. Talvez o maior mérito de Billy Wilder seja esse: não deixar seu estilo afetar sua obra. Entre os cômicos de <em>stand-up</em>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dylan_Moran" target="_blank"><strong>Dylan Moran</strong></a> é um dos únicos que possui essa qualidade.</p>
<p>Dylan trabalha com humor observacional com interrupções esparsas, fortes e bem dosadas de surrealismo. Seu texto é entregue sem polidez ou exibições de genialidade em algum comentário específico, no entanto você esquece que ele foi decorado por um comediante profissional e é recitado várias noites por semana durante meses. Na verdade você só lembra que é um texto decorado quando ele finge que esqueceu alguma parte.</p>
<p>Com o passar dos anos seu estilo tem se distanciado da comédia de resposta rápida (como em &#8220;Monster&#8221;) e se  aproximando mais dos monólogos críticos e ácidos sobre a sociedade ocultando seu humor em questões ligeiramente mais profundas (&#8220;What It  Is&#8221;). Eu comparo essa mudança de estilo como uma jornada entre o <em>stand-up</em> de<strong> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jerry_Seinfeld">Jerry Seinfeld</a> </strong>e o de <strong><a href="http://www.georgecarlin.com/">George Carlin</a></strong>. Dois tipos bem diferentes dentro da escola do humor observacional.</p>
<p>Provavelmente para combater sua timidez, após suas primeiras turnês  de stand-up, Dylan criou para si uma espécie de &#8216;quase personagem&#8217;. Talvez uma versão sua. Mãos trêmulas segurando o microfone, a voz de quem parece ter tomado algumas doses na coxia (o sotaque com certeza ajuda aí) e um comportamento ligeiramente confuso. Essa interpretação também foi se diluindo com a sua mudança de estilo. Tive a oportunidade de assistir no ano passado o &#8220;What It Is&#8221; em Londres e a &#8220;sobriedade&#8221; do comediante no palco já era bem aparente comparado com suas apresentações anteriores (&#8220;Monster&#8221; e  &#8220;Like, Totally&#8221;).</p>
<p>Independente da época ou do estilo de comédia nos palcos, Dylan  continua sendo um excelente comediante dos que veste o manto de  filósofos populares. Assim como Carlin, ele instiga sua audiência e nos  obriga a olhar para nós e para o próximo de maneira diferente. É claro  que por mais notável que seja, isso é um bônus. A comédia não possui  obrigações a não ser a de entreter. De qualquer forma é um bônus  valiosíssimo que deveria ser mais empregado por comediantes em todas as  partes do mundo. A crítica e auto-crítica sempre é necessária e  inspiradora. Gostaria de ver mais exemplos assim no Brasil.</p>
<div align="center"><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ncvQkwKImfI&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ncvQkwKImfI&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object><small> observação e surrealismo</small></div>
<h3>Mini-Bio</h3>
<blockquote><p><em>Então, sim, morte. Quando você é jovem, você pensa sobre isso&#8230; Bem, você não pensa realmente sobre isso, você sabe &#8211; você tem a inteligência de uma geléia de framboesa, você não pensa sobre nada. Mas está lá, como um tipo de força &#8211; fazendo você fazer coisas. Arrume um emprego. Arrume um apartamento. Ache uma pessoa. Coloque ela no apartamento. Faça ela ficar. Arrume uma torradeira. Vá trabalhar. Pegue ônibus. Olhe o seu patrão. Diga &#8220;merda!&#8221;. Sente-se. Arrume aquela coisa. Esqueça o que ia fazer. Grite internamente. Vá para casa. Ouça o rádio. Olhe para aquela pessoa. Pense &#8220;Por que? Por que isso aconteceu?&#8221;. Vá para a cama. Deite acordado! De noite! Levante-se. Sinta-se grogue. Preencha os bolsos da calça com aquelas coisas &#8211; seja lá o que elas forem. Saia pela porta e vá trabalhar &#8211; a mesma coisa! As mesmas pessoas novamente. É real e está acontecendo com você. Vá para casa novamente! Sente-se. Rádio. Jantar -mmm JARDINAGEM, JARDINAGEM, JARDINAGEM, morte. -</em> Dylan Moran (&#8220;What It Is&#8221;)</p></blockquote>
<p>Irlandês nascido em 71, Dylan Moran optou pela carreira de cômico de stand-up aos vinte anos por duas razões: parecia divertido e não era necessário ampresentar um currículo.</p>
<p>Depois de quatro anos desempregado e escrevendo poesias ruins, Dylan conseguiu seu primeiro reconhecimento em 1993, ao vencer a competição <em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/So_You_Think_You%27re_Funny" target="_blank">So You Think You&#8217;re Funny</a></em> no <em>Edinburgh Festival</em> e sendo o mais jovem vencedor do<em> Perrier Comedy Award</em> aos vinte anos de idade. Durante esse período foi colunista do <em>The Irish Times</em> e em 1997 colocou o pé na estrada com sua primeira tour pelo Reino Unido.</p>
<p>Em 1998 teve seu primeiro papel na TV, no sitcom de humor leve &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/How_Do_You_Want_Me%3F" target="_blank">How Do You Want Me?</a>&#8221; e em seguida um pequeno papel no filme &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Notting_Hill_(film)" target="_blank">Notting Hill</a>&#8220;, onde interpretou um ladrão de livros na livraria do protagonista Hugh Grant.</p>
<p>Seu maior sucesso na TV foi sem dúvida o seriado &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Black_Books" target="_blank">Black Books</a>&#8221; (2000), onde os papéis se inverteram e Dylan interpretou por três temporadas o antisocial e misógeno Bernard Black, dono de uma pequena livraria em Londres, ao lado do também comediante<strong> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bill_Bailey" target="_blank">Bill Baley</a></strong>. &#8220;Black Books&#8221; recebeu o BAFTA por melhor sitcom em 2001 e 2005.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img style="margin: 5px;" title="Dylan e Caine em The Actors" src="http://www.lovefilm.com/lovefilm/images/products/9/20019-large.jpg" alt="Dylan e Caine em The Actors" width="225" height="321" /><p class="wp-caption-text">Dylan e Caine em The Actors</p></div>
<p>Além de personagens secundários em filmes de <strong><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Pegg" target="_blank">Simon Pegg</a> </strong>como &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Shaun_of_the_Dead" target="_blank">Shaun of The Dead</a>&#8221; e &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Run_Fatboy_Run">Run Fat Boy Run</a>&#8220;, Dylan protagonizou o filme &#8220;<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Actors" target="_blank">The Actors</a>&#8221; ao lado de<strong> Michael Caine</strong> e teve um papel de destaque no filme &#8220;A Film With Me In It&#8221;. Ao mesmo tempo continua com sua carreira principal: o stand-up com shows como &#8220;Monster I&#8221;, &#8220;Monster II&#8221;, &#8220;Like, Totally&#8221; e &#8220;What It Is&#8221;.</p>
<p>Dylan vive com sua família em Merchistonm, área de Edinburgh, e evita entrevistas e holofotes sobre sua vida pessoal.</p>
<h3>Blues?</h3>
<p>Descobri recentemente em uma <a title="Entrevista com Dylan sobre música" href="http://thequietus.com/articles/03283-dylan-moran-interview-on-music-loved-loathed" target="_blank">entrevista</a> que seu gênero musical preferido é o blues! Fico feliz com essa identificação.</p>
<p><em>&#8220;There&#8217;s a track called &#8216;Help Me&#8217; by Sonny Boy Williamson and it was  covered by Jimmy Wells, among other people, which seems to sum up the  spirit of all of that music; a man banging a stick on the floor,  elemental, bone shaking. <br /> (&#8230;) A lot of it is a cry of pain, or a cry of boredom. A lot of the lyrics are fantastic, I&#8217;m thinking of Leadbelly and stuff. &#8216;I went to bed last night, and started turning from side to side, the blues is walking around my bed, the blues is all in my bread&#8217;, it&#8217;s raw and simple, no irony or anything like that, it&#8217;s <strong>completely unaffected</strong>.&#8221;</em></p>
<p>Obviamente não é razão para sacanear também o tema (e também o Rap), como vemos aqui:
</p>
<div align="center"><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4QIsX9PnvOk&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/4QIsX9PnvOk&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object>
</p>
<p><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/05/Dylan_em_pe.jpg" ></p>
<p>Mais Dylan Moran: Sobre O Que Acreditar (What It Is)</p>
<p><object width="640" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/odFJr3Krr3A&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/odFJr3Krr3A&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="640" height="385"></embed></object><br />
<small> Fairy = Deus, ok? </small>
</div>

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		<title>Minhas influências &#8211; I : Antônio Maria</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2010/04/22/minhas-influencias-i-antonio-maria/</link>
		<comments>http://flamingcircus.com/2010/04/22/minhas-influencias-i-antonio-maria/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 20:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas influências]]></category>
		<category><![CDATA[antonio maria]]></category>
		<category><![CDATA[cronista]]></category>
		<category><![CDATA[multimídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Da guarita do Forte do leme à guarita do Forte de Copacabana, de sentinela a sentinela, são 121 postes de iluminação, formando o &#8220;colar de pérolas&#8221;, tantas vezes invocado em sambas e marchinhas. Cada edifício tem uma média de 50 janelas, por trás das quais se escondem estatisticamente, três casos de adultério, cinco de amor [...]]]></description>
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<div class="topsy_widget_data topsy_theme_blue" style="float: right;margin-left: 0.75em; background: url(data:,%7B%20%22url%22%3A%20%22http%253A%252F%252Fflamingcircus.com%252F2010%252F04%252F22%252Fminhas-influencias-i-antonio-maria%252F%22%2C%20%22style%22%3A%20%22big%22%2C%20%22title%22%3A%20%22Minhas%20influ%C3%AAncias%20-%20I%20%3A%20Ant%C3%B4nio%20Maria%22%20%7D);"></div>
<div style="text-align: center;"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/324_1722-alt-AntonioMaria.jpg" alt="" /></div>
<blockquote><p><em>Da                              guarita do Forte do leme à guarita do Forte                              de Copacabana, de sentinela a sentinela, são                               121 postes de iluminação, formando o                              &#8220;colar de pérolas&#8221;, tantas vezes                              invocado em sambas e marchinhas. Cada  edifício                              tem uma média de 50 janelas, por trás                              das quais se escondem estatisticamente, três                               casos de adultério, cinco de amor avulso e                              solteiro, seis de casal sem bênção                              e dois entre cônjugues que se uniram,  legalmente,                              no padre e no juiz. Por trás das 34 janelas                              restantes, não acontece nada, mas muita  coisa                              está por acontecer. É só continuar                              comprando os jornais e esperar.</em></p>
<p><em><br />
Na calçada preta e branca da praia, um  vai-e-vem                              de príncipes, ladrões, banqueiros,  pederastas,                              estrangeiros que puxam cachorros, mulheres  de vida                              fácil ou difícil, vendedores de pipocas,                              milionários, cocainômanos, diplomatas,                              lésbicas, bancários, poetas, assassinos                              e book-makers. Passam estômagos vazios e  outros                              empanturrados, em lenta digestão. No  asfalto,                              deslizem automóveis cada vez mais novos,  compridos                              e mais conversíveis. Mão no cogote da                              namorada, outra na direção, cabelos                              louros esvoaçando. Freada súbita, baque                              de pára-choques, dois palavrões já                              muito batidos e o trânsito continua.  Enquanto                              isso a vida está acontecendo dentro dos  bares                              e restaurantes&#8230;</em>&#8221; (Roteiro  Copacabana)</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/am.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-328" style="margin: 10px;" title="am" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/am.jpg" alt="" width="133" height="200" /></a>Cronista,                              compositor, locutor esportivo, publicitário,                               cartunista (tosco, mas cartunista) e  apresentador                              de TV&#8230; Antônio Maria  foi tudo menos uma figura                              para ser esquecida. Para ajudar a sanar parte dessa  injustiça,                              mesmo tendo noção dos meus poucos leitores,                              resolvi me utilizar desse espaço para  apresentar                              esse artista que merecia especiais da Globo,  filmes                              sobre sua vida e qualquer tipo de homenagem  sincera                              que pudesse relembrar ao país mais um  talento                              que teima em ser esquecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Antônio                              Maria Araújo de  Morais nasceu em 17 de março                              de 1921, em Recife. Seu pai era dono de uma  usina                              de cana-de-açúcar e pôde prover                              uma infância rica e feliz repleta de  aventuras                              com seus inúmeros primos, banhos de rio e  lições                              de música e francês. A sorte mudou quando                              seu pai perdeu todo seu dinheiro da noite  pro dia                              na especulação do preço do açúcar.</p>
<p style="text-align: justify;">No                              começo dos anos 30, após se formar em                              agronomia, Maria  começou a trabalhar como locutor                              e apresentador de programas musicais na  Rádio                              Clube de Pernambuco. Depois se mudou para o  Rio de                              Janeiro para trabalhar como locutor  esportivo da Rádio                              Ipanema. A experiência durou pouco. Foi  dispensado                              por conta do seu estilo irreverente e  inovador. Maria                              cunhou expressões como &#8220;Bola no fotógrafo!&#8221;                              (quando a pelota saía de campo) que causavam                               surpresa e estranhamento.</p>
<p>Do                              seu caderno de notas:</p>
<blockquote><p><em><strong>RIO,                              Edifício Souza, 1940.</strong> Queria muito                              ser poeta e sou speaker esportivo. Speaker esportivo, com sotaque e só até o dia em que Erik Cerqueira sarar dos pulmões. Minha situação é difícil. Tenho que pedir a Deus para                              que ele fique bom, mesmo sabendo que vou  ficar sem                              emprego.</em>&#8220;</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/antoniomaria2.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-329" style="margin: 10px;" title="antoniomaria2" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/antoniomaria2.jpg" alt="" width="130" height="375" /></a>Tomou                              gosto pela boemia carioca, mas foi obrigado a  abandonar                              o Rio de Janeiro, pois os empregos não  apareciam                              e o dinheiro minguava (igualzinho como  acontece agora).                              Casou-se e foi trabalhar em Fortaleza, como  locutor                              esportivo da Rádio Clube do Ceará. Depois                              disso tornou-se diretor de produção                              das Emissoras Associadas em Salvador e  começou                              uma amizade duradoura com <strong>Dorival  Caymmi</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">Em                              1948, volta a morar no Rio de Janeiro (dessa  vez em                              definitivo) para trabalhar como o diretor de  produção                              na Rádio Tupi e das Emissoras Associadas. Ao                               mesmo tempo começa a assinar a coluna  &#8220;Jornal                              de Antônio Maria&#8221; em  O Jornal, onde publica                              crônicas diárias sobre os mais diversos                              assuntos. A partir daí o trabalho não                              parou mais. Maria  começou a jogar para todos                              os lados na tentativa hercúlea de sustentar                              sua mulher, filhos e sua vida boêmia.</p>
<blockquote><p><em>Há                              que escrever, Antônio. Esquece Cabo Frio,  esquece                              Petrópolis, esquece-te. É preciso ganhar                              mais alguns cruzeiros. Não é que sejas                              ambicioso. Mas os governos, vários,  desvalorizam                              teus salários. (&#8230;)&#8221;</em> &#8211; <strong>Há                               de Escrever</strong></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A                              partir de 1951 é contratado como o primeiro                              diretor de produção da TV Tupi e começa                              a receber alguma atenção por suas  composições.                              Maria não sabia  tocar nenhum instrumento e                              nunca soube escrever música. Cantarolava a                              canção, escrevia a letra e pedia para                              algum amigo músico &#8220;formalizar&#8221; a                              obra numa partitura. Compôs frevos e  samba-canções                              gravados por muitos cantores e cantoras da  época                              e teve parceiros como <strong>Fernando Lobo</strong> e <strong>Vinícius de Moraes</strong>. Esse                              último, amigo que volta e meia era alvo de                              suas piadas em suas crônicas.</p>
<p>Contando sobre seu nascimento na crônica Evangelho Segundo Antônio:</p>
<blockquote><p><em>&#8230; Em março nascia Antônio e, após o momento dramático em que lhe foi cortado o cordão umbilical, precisou adquirir oxigênio por seu próprio esforço (a respiração) e seu alimento, pelo ato da lactação. Coitado!<br />
Como sabeis, a lactação não é simplesmente o prazeroso processo de sugar (chupar) leite e, sim, um período transitório entre a total dependência e a separação também total, entre o filho e a mãe. E que fazia Antônio? Agarrava-se, amorosamente, a sua confortável &#8216;máter&#8217;, vivendo, em desespero, os últimos dias do contato geral com o ser materno.<br />
Isto aconteceu a todas as crianças, exceto a Vinícius de Moraes, que foi sempre amamentado e amado pelas jovens mães dos outros.&#8221;</em></p></blockquote>
<div id="attachment_330" class="wp-caption aligncenter" style="width: 509px"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/carmen2472.jpg"><img class="size-full wp-image-330" title="Dançando com Carmem Miranda nos anos 50" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/carmen2472.jpg" alt="" width="499" height="470" /></a><p class="wp-caption-text">Dançando com Carmem Miranda nos anos 50</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p>Em 1952, a ainda estreante Nora Ney grava o maior sucesso de Maria: &#8220;Ninguém Me Ama&#8221;, que reverbera mundialmente garantindo pelo menos as castanhas de fim de ano do autor pelos próximos dez anos. Mal sabia ele que, cinco anos depois, a composição feita em parceria com Fernando Lobo seria capa de revistas e jornais. Em uma matéria na Revista Manchete, Fernando Lobo declarava que a composição era exclusivamente dele. A polêmica cresceu nos dias seguintes, citando até outras celebridades como possíveis compositores. Maria, respondeu em suas crônicas:</p>
<blockquote><p><em>(&#8230;) Devo explicar, todavia, que os versos onde estão as palavras &#8216;de fracasso em fracasso&#8217; não são de Fernando. E é fácil provar, porque a palavra &#8216;fracasso&#8217; está escrita corretamente, isto é, como dois &#8216;ss&#8217;. Caso fosse, em verdade, uma colaboração sua, eu juro que lhe respeitaria as cedilhas (çç) habituais.<br />
Que espíritos pouco ambiciosos! Enquanto estão querendo ser Antônio Maria e ter feito o Ninguém Me Ama, eu gostaria de ter sido Exupéry e ter escrito o Petit Prince&#8230;&#8221;</em></p>
<p><em>As declarações do senhor Fernando Lobo são de causar espanto. Estou certo de que esse compositor, longe de me odiar, quer-me um bem estranho e ciumoso, que ainda o levará a cometer sérios desatinos. Não é normal uma tão aflita explosão de injúrias e falsos testemunhos. Depois de lê-las, senti-me amado perigosamente.<br />
(&#8230;)<br />
Meu caro leitor, posso asseverar-lhe que o Ninguém Me Ama não é lá essas coisas. Ponha o seu disco na vitrola. Ouça-o até o fim. Merece essa agonia? Imaginem se eu, em vez dessa choradeira, houvesse escrito o Summertime? Aliás, o Gershwin não está livre de uma parceria daqui pra 7 de setembro.&#8221; </em></p></blockquote>
<div id="attachment_331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/AntniomariaEVinicius.jpg"><img class="size-full wp-image-331" title="Antônio Maria e amigo" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/AntniomariaEVinicius.jpg" alt="" width="338" height="232" /></a><p class="wp-caption-text">Antônio Maria e amigo</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p>Sua vida, repleta de casos interessantíssimos ou até beirando a ficção, eram um prato cheio para suas crônicas diárias. Maria escrevia o que vivia e nos momentos em que pouco acontecia, preenchia as linhas com suas inúmeras memórias de infância ou viagens. Sempre tinha assunto e quando esse era pouco interessante, o cronista convidava o leitor a olhar o caso por um prisma diferente e sem dúvida mais agradável. Leve, satírico, crítico e irônico, Antonio Maria recheou mais de 3000 crônicas com bom humor ou reflexões muito particulares. Nunca escreveu um livro e talvez este seja um dos motivos porque é tão pouco lembrado.</p>
<p>Antônio Maria morreu em 15 de outubro de 1964, na esquina da Av. Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Fernando Mendes. Fulminado pelo seu segundo e derradeiro ataque cardíaco, caiu na rua e deixou músicas, crônicas, expressões populares e frases que até hoje são repetidas sem que se saiba a autoria. Junto com Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, forjaram um estilo de crônica rápida, sagaz e elegante. Merecia no mínimo fazer parte da nossa história. Merecia mais do que essa pequena lembrança.<br />
<a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/anotnio_chutando_coracao.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-332" title="anotnio_chutando_coracao" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/anotnio_chutando_coracao.jpg" alt="" width="492" height="315" /></a></p>
<h2><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"><strong>BIBLIOGRAFIA</strong></span></h2>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>Crônicas</strong> (Paz e Terra) &#8211;  2006<br />
Perfeito para quem nunca leu nada do autor. Um  livrinho de bolso barato e com boa seleção de crônicas. Já dei de  presente umas quatro vezes esse aí.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Você pode comprar na <a href="http://www.travessa.com.br/CRONICAS/artigo/55b44d62-fed5-4f85-a97f-48d8b94b9461" target="_blank">Livraria  da Travessa</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=73685&amp;sid=89110110312424607943713460&amp;k5=1DC3CACE&amp;uid=" target="_blank">Livraria  Cultura</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Bendita Sejam                              As Moças </span></strong><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">(Civilização                              Brasileira) &#8211; 2002<br />
Seleção muito bem cuidada de Joaquim                              Ferreira dos Santos, que é um fã muuuito                              mais<em> hard-core</em> do que eu. Não sei nem como                              agradecer esse cronista por sua dedicação                              à obra de Antônio Maria.  São crônicas                              inéditas em sua maioria. Duas delas já                              havia lido no &#8220;Com Vocês, Antônio                              Maria&#8221; se não me  engano. Esse é                              o livro que recomendo todo mundo comprar (e  ler, se                              possível). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Você pode comprar a coletânea no site da <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3103953&amp;sid=89110110312424607943713460&amp;k5=1DC3CACE&amp;uid=">Livraria Cultura</a>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>Seja Feliz e Faça os Outros Felizes</strong> (</span><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Civilização                               Brasileira</span><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">) &#8211;  2006<br />
Da mesma coleção de Bendita Sejam As Moças.<del datetime="2010-05-20T13:45:33+00:00"> Esse foi o único da lista que ainda não li</del>, mas não pode ser ruim. Estou lendo (ganhei de aniversário).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Meu aniversário está aí e você poderia me comprar via <a href="http://www.travessa.com.br/SEJA_FELIZ_E_FACA_OS_OUTROS_FELIZES_CRONICAS_DE_HUMOR_DE_ANTONIO_MARIA/artigo/39b52a2c-fcfb-434e-9c38-ce385604e2be" target="_blank">Livraria da Travessa</a> ou <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=949061&amp;sid=89110110312424607943713460&amp;k5=1DC3CACE&amp;uid=">Livraria Cultura</a>, né? Me faria feliz.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>O                              Diário de Antônio Maria</strong> (Civilização                              Brasileira) &#8211; 2002<br />
Joaquim Ferreira dos Santos apresenta a  compilação                              dos dois cadernos de diário onde Maria registrou                              os acontecimentos de sua vida entre março e                              abril de 1957. Apesar da teórica intenção                              do autor de não desejar capricho no que  escrevia                              ali, seu diário funciona de forma parecida                              com as suas crônicas. Só não entendi                              porque a Record (pelo selo da Civilização                              Brasileira) demorou dois anos para lançar  esse                              livro depois de conseguir o material e os  direitos.                              Pedi explicação e como resposta ganhei                              mais mala-direta. Típico.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Você pode  comprar o livro no site da <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=669740&amp;sid=89110110312424607943713460&amp;k5=1DC3CACE&amp;uid=">Livraria da Cultura</a>.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>Um Homem Chamado Maria</strong> (Objetiva) &#8211;  2006<br />
A mesma biografia ampliada e revista com a adição de mais fotos e um capítulo sobre o romance de Maria com Danusa Leão que até então havia sido omitido pelo autor por (acredito eu) discrição. Com a publicação da autobiografia de Danusa que incluia suas histórias sobre o relacionamento com o cronista, o caso mudou e a reedição foi produzida. Aconselho a compra dessa versão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Você pode comprar o livro no site da <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=89110110312424607943713460&amp;nitem=1201858" target="_blank">Livraria Cultura</a> ou da <a href="http://www.travessa.com.br/UM_HOMEM_CHAMADO_MARIA/artigo/5738bdd0-33a7-4243-9242-5e63ef309ceb">Livraria da Travessa</a>.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>Com                              Vocês, Antônio Maria</strong> (Paz e Terra)                              &#8211; 1994<br />
<span style="color: #ff0000; font-size: xx-small;">Fora de  catálogo<br />
</span>Capa rosa com silhueta preto e branco  de Antônio                              Maria datilografando. A melhor e mais completa                              seleção de suas crônicas que já                              tive o prazer de ter em mãos. Já o encontrei algumas vezes em sebos, mas é raro. Organização temática,                              textos com data de publicação, caricaturas                              do cronista e uma bela apresentação                              de José Aparecido de Oliveira.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><strong>Pernoite                              &#8211; Crônicas </strong>(Martins Fontes/FUNARTE)                               &#8211; 1989<strong><br />
</strong><span style="font-size: xx-small;">(Acho que está <span style="color: #ff0000;">fora                              de catálogo</span>)<br />
</span></span><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">Capa                              cinza com ilustração preto e branco.                              Traz umas fotos bacanas, mas como um todo  não                              é lá muito agradável. Parece                              uma reunião das piores crônicas de Maria.                              Salvam-se apenas algumas como &#8220;A Gripe/ A  Multa&#8221;,                              &#8220;Sede&#8221;, &#8220;Gerente do Banco&#8221; e &#8220;Gurilândia&#8221;.                              A apresentação, de José Aparecido                              de Oliveira, é boa conta causos divertidos.                              Depois segue-se uma nota explicativa de  Hermínio                              Bello de Carvalho que aponta como culpados  da seleção                              os professores Leonardo Castilho e Sônia  Mota.                              Na falta de conhecimento do material que <strong>não                               entrou</strong> nesse livro, resta apenas o  pensamento                              positivo que poderia ter sido pior. Só  recomendo                              para fãs <em> </em>ou para quem já possui                              o &#8220;<strong>Com Vocês, Antônio Maria</strong>&#8220;,                              pois serve de complemento.</span></p>
<div id="attachment_333" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/estatua_na_rua_do_bom_jesus_recife.jpg"><img class="size-full wp-image-333" title="Estátua na Rua do Bom Jesus em Recife" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/estatua_na_rua_do_bom_jesus_recife.jpg" alt="Estátua na Rua do Bom Jesus em Recife" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estátua na Rua do Bom Jesus em Recife</p></div>
<p><span style="font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"><br />
</span></p>

]]></content:encoded>
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