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	<title>Flaming Circus &#187; esquete</title>
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		<title>Cavernas e Correntes Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 08:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Esquete em 3 partes com dois cenários. Um é composto de duas paredes de caverna o outro é uma sala de roteiro onde dois roteiristas discutem sobre a primeira parte do esquete como se ele ainda estivesse pendente para ser produzido ou não. A segunda e terceira parte é um meta-esquete e creio que esses [...]]]></description>
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<p><center><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2011/04/Platos-allegory-of-the-cave2.jpg" ></center></p>
<p>Esquete em 3 partes com dois cenários. Um é composto de duas paredes de caverna o outro é uma sala de roteiro onde dois roteiristas discutem sobre a primeira parte do esquete como se ele ainda estivesse pendente para ser produzido ou não. A segunda e terceira parte é um meta-esquete e creio que esses dois personagens retornarão em outros esquetes. :)</p>
<p>PARTE 1<br />
Personagens: Rialto, Júlio, Marcos, Amanda e Elisa.</p>
<p>PARTES 2 e 3<br />
Personagens: Ronaldo e Arthur</p>
<div class="scrippet">
<p class="character">PARTE 1/3</p>
<p class="dialogue">INSERT VINHETA animada do programa parodiando Big Brother Brasil
<p class="sceneheader">INT. CAVERNA &#8211; DIA</p>
</p>
<p class="action">Obs.: TODOS os diálogos serão O.S. com eco pois só as sombras dos atores aparecem. </p>
<p class="action">Em uma parede de pedra da caverna é projetada a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(Empolgado)</p>
<p class="dialogue">Estamos de volta com o Cavernas e Correntes Brasil. Vamos dar uma espiadinha no que os acorrentados da caverna mais famosa do Brasil estão fazendo.</p>
<p class="action">CORTA para outra parede da caverna. As sombras de JÚLIO, MARCOS, AMANDA e ELISA se projetam. Eles estão acorrentados pelo pescoço sem poder mover muito a cabeça e pelos pulsos, podendo mexer os braços. Não vemos mais a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Marcos, você está acordado?</p>
<p class="character">MARCOS</p>
<p class="dialogue">Acho que não e você?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Era o que eu ia te perguntar em seguida.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Bom dia, acorrentados!</p>
<p class="action">MARCOS, JÚLIO e AMANDA </p>
<p class="action">Bom dia, Rialto!</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(acanhada) </p>
<p class="dialogue">É dia?</p>
<p class="action">RIALTO ri.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Sim, Elisa. É dia sim. Dia maravilhoso! Dia de paredão!</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(triste)</p>
<p class="dialogue">Mas todo dia é dia de paredão, Rialto. Tudo é paredão.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Elisa! Você parece triste! Desse jeito o Brasil vai achar que você quer ir sair da caverna.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Como assim? Sair da onde? O que significa a palavra &#8220;caverna&#8221;?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Ah! Essa é a grande surpresa! Um de vocês vai descobrir, mas primeiro está na hora do confessionário. Quem vai ser o primeiro?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Eu, Rialto.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Então rapidinho! Já para o confessionário.</p>
<p class="action">Todos tapam os ouvidos com exceção de Júlio.</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Meu voto vai para a Elisa porque ela é a mais distante de mim e eu tenho a tendência de ridicularizar ou temer aquilo que não conheço.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Ok, Júlio. Seu voto está anotado e como sempre não fará diferença alguma. Cutuca aí a Amanda que é a vez dela.</p>
<p class="action">JÚLIO cutuca AMANDA que tira as mãos dos ouvidos. JÚLIO tapa os ouvidos com as mãos.</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Oi, Rialto. Meu voto hoje vai vai para a Elisa. Eu não sei o que vai acontecer se ela for a mais votada. Na verdade ninguém aqui entende direito porque está aqui em primeiro lugar, mas se algo ruim acontecer com ela eu acho que vai ser algo bom para o resto do grupo porque ela tem apresentado um comportamento diferente.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(preocupado)</p>
<p class="dialogue">Diferente como, Amanda?</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Eu não sei explicar, mas outro dia ela disse uma coisa aburda. Disse que as correntes estavam incomodando o pescoço dela. Vê se pode!</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Beleza, Amanda. Seu voto foi como sempre ignorado. Pode cutucar todo mundo.</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Mas a Elisa e o Marcos não vão votar?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(sério)</p>
<p class="dialogue">Não será necessário.</p>
<p class="action">AMANDA cutuca todos. </p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Rialto, eu queria dizer que tenho pensado sobre essa história de voto e cheguei à conclusão que não me agrada vot&#46;&#46;&#46; ué? Porque ninguém mais está com os ouvidos tapados?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Porque não será necessário mais confessionários hoje, Elisa. A produção do programa decidiu que você vai atender o Caverna Fone. Atende porque está tocando.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Eu não estou ouvindo.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Não importa. Estou dizendo que está tocando. Atende.</p>
<p class="action">ELISA coloca ao ouvido uma lata com um barbante amarrado na ponta.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Alô?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Elisa, você tem mostrado um comportamento estranho do resto dos seus companheiros. Você tem feito perguntas pertinentes e ponderado se existe algo além do que consegue ver. Aqui vai o seu desafio: as correntes não estão trancadas&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(bestificada)</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">As correntes de vocês não estão trancadas. O desafio é que se você desejar você pode simplesmente se levantar, virar para outro lado e caminhar em qualquer outra direção. Mas você não pode tirar as correntes dos seus colegas.</p>
<p class="action">CORTA PARA a outra parede da caverna com a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">E agora? Será que Elisa vai aceitar o desafio do Caverna Fone? Será que ela vai contar para os outros sobre o segredo do desafio? E se contar como os outros reagirão?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Nós ainda não sabemos, Rialto. Ela tá decidindo ainda.</p>
<p class="action">CORTA PARA ângulo aberto onde se revela que a parede que a sombra de RIALTO está é a mesma que os outros estão. Ele só não está tão próximo.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Por enquanto é só, mas fiquem ligados porque já já estaremos de volta xeretando mais um pouco do Caverna e Correntes Brasil.</p>
<p class="character">MARCOS</p>
<p class="dialogue">Ele tá falando com a gente?</p>
<p class="action">INSERT VINHETA animada do programa parodiando Big Brother Brasil</p>
<p class="action">FIM DA PARTE 1/3</p>
<p class="character">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;-</p>
<p class="action">PARTE 2/3</p>
<p class="character">FADE IN</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. SALA DOS ROTEIRISTAS &#8211; INDIFERENTE.</p>
</p>
<p class="action">ARTHUR e RONALDO sentados à mesa, revisando roteiros. Ao fundo uma bancada com uma TV desligada, pastas de papéis e uma estante com um monte de capas de fitas de vídeo, DVDs e livros.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Arthur, esse esquete aqui sobre a caverna&#46;&#46;&#46; não sei se vai funcionar.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">O que tem de errado nele? Você mesmo disse que o esquete é ótimo.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu achei muito bem bolado, mas as pessoas vão entender a referência do Mito da Caverna? Não acho que seja um tema muito popular.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Ronaldo, o Mito da Caverna é uma das alegorias mais populares do Platão. Acho difícil alguém conhecer Platão e não conhecer o Mito da Caverna.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu concordo, mas é que não sei se muita gente ouviu falar de Platão. E se ouviram é provável que possam achar que é o nome de um planeta. Acho que a gente deveria escrever uma coisa popular sobre o cotidiano.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Mas é um esquete sobre o mito e sobre um reality show. Ele vai agradar os fãs de reality show e os de filosofia grega&#46;&#46;&#46; e principalmente os fãs das duas coisas.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É que provavelmente existe gente no Brasil que acha que alegoria é algo relacionado apenas à escolas de samba e parábolas servem para captar sinais de TV do espaço&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(interrompendo)</p>
<p class="dialogue">Provavelmente do planeta Platão. Desculpa. Piada sem graça.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Não. Talvez seja esse tipo de chiste atraia a audiência enquanto uma sátira que nem essa espante. Se perdermos a audiência nosso programa pode ser cancelado.</p>
<p class="action">Os dois ficam pensativos.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Se você se deparasse com alguma referência sobre Platão pela primeira vez na vida. Você não sentiria vontade de pesquisar a respeito para poder aprender mais sobre o assunto?</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Lógico, mas eu desconfio que a maioria das pessoas não faz isso. Pesquisas mostram que a maioria das pessoas não pesquisa. E eu li também que elas não costumam ler.  Arthur&#46;&#46;&#46; eu começo a desconfiar que a gente não representa muito bem os interesses de entretenimento do brasileiro com o nosso programa.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bobagem! Quase todos os nossos amigos acham engraçado o que a gente escreve.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu não tenho certeza de que essa  amostragem é representativa para todas as classes sociais entre as mais de cento e noventa milhões de pessoas que podem assistir nosso programa.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bem, se levarmos em conta milhões de pessoas, podemos ficar tranquilos que muita gente conhece Platão.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Tudo me leva a crer que a o povo em geral não se interessa em aprender mais do que o necessário para sobreviver por acharem o processo de estudar e pesquisar desagradável e difícil ao invés de encará-lo como um desafio para seu crescimento pessoal como indivíduo. Lances assim, saca?</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Pôxa. Se isso for verdade é uma lástima. Se pelo menos houvesse uma forma do povo aprender coisas de forma agradável.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É. Se houvesse alguma forma de passar a informação de maneira leve e divertida estimulando a procura de conhecimento&#46;&#46;&#46; e teria de ser algo que pudessem acessar diariamente em casa de preferência.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Algo que transmitisse imagens e sons. Que pudesse prover uma experiência de imersão para toda a família.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É. Mas enquanto esse aparelho mágico não aparece, temos de trabalhar mais. Afinal fazemos televisão.</p>
<p class="action">FIM DA PARTE 2/3</p>
<p class="character">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;-</p>
<p class="dialogue">PARTE 3/3</p>
<p class="sceneheader">INT. SALA DOS ROTEIRISTAS &#8211; INDIFERENTE.</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; a gente poderia alterar o esquete.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Como?</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; em vez de cavernas e sombras os personagens poderiam zanzar por uma pracinha e ao invés de um apresentador que nem o do reality show a gente coloca um senhorzinho sentado num banco no meio da praça lendo o jornal enquanto umas gostosas passam&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Não acho que vai funcionar. Que tal uma escola noturna onde a maioria dos atores sejam velhos comediantes esquecidos interpretando os alunos. Tem esse professor que faz perguntas sobre ciências e história do Brasil e os alunos respondem contando uma série de piadas curtas de duplo sentido.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Isso é completamente ridículo. Daqui a pouco você vai querer que cada personagem repita uma frase de efeito ou algo assim.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">A gente coloca uma gostosa também fazendo caras e bocas. Ah, esquece! Você tem razão. É ridículo mesmo. Não consigo imaginar alguém que possa achar isso engraçado.</p>
<p class="action">Os dois ficam pensativos e voltam a escrever, mas são interrompidos pela SECRETÁRIA ALICE, que entra vestindo trajes sumários e fazendo poses sensuais exageradas enquanto traz uma bandeja com duas xícaras de café. Ela deixa a bandeja na mesa e serve o café para RONALDO de forma que ao se inclinar para ele, exibe seu decote a poucos centímetros do rosto dele.</p>
<p class="character">SECRETÁRIA ALICE</p>
<p class="parenthetical">(com voz infantilizada)</p>
<p class="dialogue">Trouxe um cafézinho para você, Rorôzinho lindinho!</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="parenthetical">(cômicamente envergonhado faz caras e bocas)</p>
<p class="dialogue">Dona Alice! Desse jeito eu fico até fraaaaacooo.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(olhando marotamente para a câmera)</p>
<p class="dialogue">Ai, essa aí não precisa nem me servir que já me serve! Ô, que absurdo!</p>
<p class="action">SONS DE CLAQUE (RISADAS DE AUDITÓRIO).</p>
<p class="action">CORTA para plano onde vemos SECRETÁRIA ALICE no colo de RONALDO que está constrangido.</p>
<p class="action">CORTA para plano fechado em ARTHUR que está OLHANDO PARA A CÂMERA.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(dando uma piscadela)</p>
<p class="dialogue">Ô! Que absurdo!</p>
<p class="action">SOM CÔMICO de TROMBONE</p>
<p class="action">FIM</p>
</div>

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		<title>O Assassino do Alfabeto</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/21/177/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 13:24:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[assassino]]></category>
		<category><![CDATA[cipro]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[professor pasquale]]></category>
		<category><![CDATA[serial killer]]></category>
		<category><![CDATA[tv]]></category>

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		<description><![CDATA[Na verdade eu só queria um pretexto para imaginar o Professor Pasquale atuando em um esquete. Ele tem uma cara ótima para papel de coitado. Obviamente isso nunca acontecerá. Uma coisa que não aprecio nesse roteiro é que ele tem data de validade. Fazer o que? Existem piadas datadas. Já reassistiu TV Pirata? É brabo. [...]]]></description>
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<div align="center">
<img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/03/pasquale.jpg">
</p>
<div class="scrippet">
<p class="action">Na verdade eu só queria um pretexto para imaginar o Professor Pasquale atuando em um esquete. Ele tem uma cara ótima para papel de coitado. Obviamente isso nunca acontecerá. Uma coisa que não aprecio nesse roteiro é que ele tem data de validade. Fazer o que? Existem piadas datadas. Já reassistiu TV Pirata? É brabo. :(</p>
<p class="sceneheader">INT. APARTAMENTO &#45;&#45; Indiferente</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(abrindo a porta)</p>
<p class="dialogue">Quem é?</p>
<p class="action">ASSASSINO entra com duas mulheres sob a mira de um revólver.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Professor Pasquale! Boa tarde!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">O que é isso?</p>
<p class="character">ASSASSINO </p>
<p class="dialogue">Não se preocupe, professor. Vocês duas! Fiquem juntas com o Professor Pasquale!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Olha, está aqui minha carteira&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não quero o seu dinheiro! Eu quero saber qual das duas irá morrer primeiro. Só isso.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Elas estão doentes? Eu não sou médico&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não é nada disso. Quero saber qual das duas mato primeiro.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Deve haver algum engano! Eu nem conheço essas moças! </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Kelly e Letícia: Professor Pasquale. Professor Pasquale:  Kelly e Letícia. </p>
<p class="character">KELLY E LETÍCIA</p>
<p class="dialogue">Prazer. Muito prazer.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Oi. E quem é você?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Eu sou&#46;&#46;&#46; o Assassino do Alfabeto. </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Aquele que escolhe a vítima pela sequência alfabética dos nomes? </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Exatamente. O que o senhor esperava? Que eu matasse letrinhas? </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Chega de papo. Então? Qual das duas morre primeiro?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu não estou entendendo.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Se o senhor não está, imagine eu! Vim aqui para confirmar com um especialista as novas regras  da língua portuguesa. É verdade que incluíram K, W e Y no alfabeto português? Isso já está em vigor?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Sim. Está, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Então é a Kelly!</p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="dialogue">AAaaahhh! Não me mata!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(corrigindo)</p>
<p class="dialogue">Não me &#8220;mate&#8221;!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não importa, professor! Essa inculta nunca mais cometerá esse erro. </p>
<p class="action">ASSASSINO mira na cabeça de KELLY.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não! Espera! Ainda não é obrigatório!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Como é?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Ainda não é obrigatória a mudança. O Brasil tem até 2012 para efetuar a transição das novas regras da língua.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Até 2012? Assim não dá. E agora?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não sei! Por que você não esquece isso e se entrega para a polícia?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Mas eu seria preso! Não seria muito prático para mim. Imagine ter de continuar meu trabalho na cadeia para chegar na letra ípsolon e não encontrar nenhum detento chamado Yuri. Não, não&#46;&#46;&#46; nada prático.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Então volta para sua casa e esquece a gente aqui. Em 2012 você pode retornar às suas atividade. Tire umas férias prolongadas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(pondera por um momento)</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; não, não. Tem toda essa história do mundo acabar em 2012. Não sou homem de deixar serviço por fazer. Tem de haver outra maneira.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; não dá para matar as duas ao mesmo tempo!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Genial, professor! O senhor é um gênio. Como posso fazer isso?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu disse que não dá par&#46;&#46;&#46;Eu não sei. Eu estou nervoso. Por favor não me mate!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não vou matá-lo.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Quer dizer&#46;&#46;&#46; ainda não. Em algumas semanas talvez. O seu nome começa com a letra “P”&#46;&#46;&#46; eu costumo matar uma pessoa por semana (com exceção as duas de hoje, que será serviço dobrado)&#46;&#46;&#46; o senhor tem aí mais umas cinco semanas de vida! Até lá a gente resolve toda essa questão antes que eu chegue no “w”.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Você é louco!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não vou te matar, mas posso atirar nas suas duas pernas. Não crie um ambiente hostil, professor! Estamos todos aqui para colaborar com um problema em comum, entendeu?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Sim. Perdão.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Então? Como matar as duas ao mesmo tempo? Se eu enfileirar as duas e  atirar, uma vai receber a bala antes da outra. Poderia ser tanto a Kelly quanto a Letícia.</p>
<p class="action">ASSASSINO aproxima o revólver da cabeça de LETÍCIA.</p>
<p class="character">LETÍCIA</p>
<p class="dialogue">Não! Por favor! Não me mata!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(olha para PROFESSOR)</p>
<p class="dialogue">Não é irritante? O senhor acabou de explicar&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Olha&#46;&#46;&#46; se você atirar nas duas não significa que as elas morrerão ao mesmo tempo. Uma pode sobreviver por mais um segundo ou dois.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">É verdade&#46;&#46;&#46; não posso deixar esse furo. Já sei! Coloco as duas em uma banheira cheia d´água e jogo uma televisão em cima delas. O choque vai matar as duas ao mesmo tempo. </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Mas eu não tenho uma banheira.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Uma bacia serve.</p>
<p class="character">PROFESSOR	</p>
<p class="dialogue">Eu também não tenho televisão. </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Por que todo intelectual cisma Com essa mania? Água pelo menos você tem?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Com o salário de professor&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Eu poderia jogar as duas ao mesmo tempo pela janela&#46;&#46;&#46; a velocidade de queda é sempre constante.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não funcionaria.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Você tem razão. Uma está de vestido e a outra de calça jeans. Perderiam a sincronia durante a queda por causa da aerodinâmica e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu moro no segundo andar.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Ah é.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(cont’d)</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; não tem outro jeito. Coloco uma bala na cabeça das duas e sequestro o senhor até que se passe cinco semanas. Aí te mato e ninguém saberá o que aconteceu exatamente aqui. Minha reputação como Assassino do Alfabeto continuará intacta. Resolvido.</p>
<p class="action">ASSASSINO aponta o revólver para KELLY e LETÍCIA, que se desesperam ainda mais. </p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="parenthetical">(aos prantos)</p>
<p class="dialogue">Eu não quero morrer! </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(se coloca na frente da arma, junto às moças)</p>
<p class="dialogue">Não faça isso, meu amigo! Elas são jovens! Possuem toda uma vida pela frente! </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Essa é praticamente uma criança. Qual é o seu nome mesmo?</p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="parenthetical">(enxugando as lágrimas)</p>
<p class="dialogue">Kelly&#46;&#46;&#46; Kelly Luisa.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(saindo rapidamente da frente de KELLY)</p>
<p class="dialogue">Kelly Luisa. &#8220;K&#8221;, &#8220;L&#8221;. Odeio nome composto. Paciência&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">FADE OUT com som de tiro disparado.</p>
<p class="character">COLD TAG</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. Quarto &#45;&#45; Noite</p>
</p>
<p class="action">Sentado em uma mesa iluminada por uma luminária, ASSASSINO consulta a lista telefônica ao som de “ABC” dos Jacksons Five.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Wellington Vaz&#46;&#46;&#46; Wellington Vieira&#46;&#46;&#46; Wellington Xavier!</p>
<p class="action">
<p class="action">FADE OUT</p>
</p>
</div>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jMhKXWvAJoo&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jMhKXWvAJoo&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object>
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		<title>O Day After de JC</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/20/o-day-after-de-jc/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 02:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto de pensar que se JC realmente realizou o milagre na multiplicação dos pães, teria afetado a economia da região de maneira terrível. Na época, cada vilarejo possuía no máximo algumas dezenas de pessoas. Juntar mil pessoas para uma festa já seria um milagre por si só. Outro detalhe: os pães eram feitos para durarem [...]]]></description>
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<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/jc_depois_da_festa.jpg"></div>
</p>
<p>Gosto de pensar que se JC realmente realizou o milagre na multiplicação dos pães, teria afetado a economia da região de maneira terrível. Na época, cada vilarejo possuía no máximo algumas dezenas de pessoas. Juntar mil pessoas para uma festa já seria um milagre por si só. Outro detalhe: os pães eram feitos para durarem uma semana ou mais. Imagine se de uma hora para outra o mercado panificador fosse inundado por uma superprodução de mil pães. Colapso econômico total. </p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">EXT- Deserto ou ravina &#8211; Tarde</p>
<p class="action">Doze homens reunidos em torno de JC.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Chamei vocês hoje aqui para discutir a festa da noite passada. </p>
<p class="action">TODOS murmuram entre si.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Certos eventos ocorreram, a situação ficou meio fora de controle. Sei que bebi demais e, para que não seja a última festa, preciso esclarecer alguns pontos porque sinceramente, não lembro de mais da metade do que aconteceu.</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="parenthetical">(receoso)</p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; do que exatamente o senhor lembra?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">De muito pouco, Pedro. Sei que vocês querem seu lugar ao meu lado e que não esconderiam nada de mim, portanto quero a verdade. Eu fiz alguma bobagem?</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Nããão! Imagina! O senhor foi um gentleman!</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Se você não falasse agora, eu nem saberia que o senhor tinha ficado bêbado.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Sem puxar o saco, Matheus. Eu sei que bebi demais. André?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Hã?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Você ficou encarregado dos convites. Você pode me explicar como é que tanta gente apareceu por lá? Devia ter umas três mil pessoas!</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; acho que a notícia se espalhou e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">E você pode me explicar então porque essa notícia não foi junto com &#8220;Meninas trazem comida e meninos as bebidas?&#8221; Não tinha isso no convite? Como é que aquele monte de gente chega sem trazer nada? </p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Tinha&#46;&#46;&#46; quer dizer&#46;&#46;&#46; no começo tinha, mas eu tive um problema na gráfica.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Que problema?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Eu tive que riscar essa parte porque ficou &#8220;Meninos tragam bebidas e meninas comidas&#8221;. Não ia pegar bem, sabe?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">É. Não ia. Tá certo. Isso eu posso perdoar, mas&#46;&#46;&#46; nem umas coxinhas, pô? Mil pessoas! Precisei pedir a Madá pra fazer um PF improvisado. Sorte que ela é ótima na cozinha.</p>
<p class="action">TODOS fazem uma expressão de nojo, mas tentam esconder.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">O que foi? Alguém discorda de mim?</p>
<p class="action">Todos negam ao mesmo tempo e repetidamente sem convicção.</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Imagina! Aquele peixe com pão tava delicioso.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Também achei. E harmonizava maravilhosamente com o vinho que ela trouxe. Você provou o vinho, André?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Ma-ra-vi-lho-so! Néctar divino!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Ela mesmo amassou aquelas uvas, como vocês sabem. Pedro?</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Oh sim! Ambrosia dos céus!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Matheus, você bebeu também, não é?</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Claro! Como não? O vinho da senhorita Madalena, a que o senhor tanto preza! Que todos nós prezamos imensamente! Vinho das uvas amassadas pelos celestiais e formosos&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="action">TODOS concordam desconcertados. MATHEUS tapa rapidamente a boca, dá uma golfada e engole.</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="parenthetical">(con&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Perdão, vomitei um pouco dentro da boca. Uhh&#46;&#46;&#46; ufa&#46;&#46;&#46; uh.. já passou. Desculpa. Como ia dizendo&#46;&#46;&#46; amassada pelos celestiais e formosos pézinhos de Madalena! Nada poderia ser mais&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">JC </p>
<p class="dialogue">Chega, Matheus! Deixa ver se eu entendi. Todos na festa beberam o vinho?</p>
<p class="action">TODOS concordam.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Todos, e digo todo mundo mesmo, comeram peixe e pão?</p>
<p class="character">TODOS</p>
<p class="parenthetical">(ao mesmo tempo)</p>
<p class="dialogue">Errr&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Comeram?</p>
<p class="action">TODOS concordam fingindo ainda mais.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="parenthetical">(pensativo)</p>
<p class="dialogue">Mas, espera! Se eram apenas um garrafão de vinho, uns cinco pães e dois peixes&#46;&#46;&#46; um bando de gente esfomeada&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="character">TODOS</p>
<p class="parenthetical">(gritam e se ajoelham)</p>
<p class="dialogue">Milagre! É um milagre! Aleluia!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">É&#46;&#46;&#46; só pode. Deve ter sido isso mesmo. Tá certo, mas da próxima vez quero uma reuniãozinha mais intimista. No máximo doze convidados e a gente vai manerar no pão e no vinho. Não quero ficar doidão de novo e fazer besteiras. </p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Este é verdadeiramente o Profeta que há de vir ao mundo!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Chega, Matheus!</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Cigarros Eternos</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/18/cigarros-eternos/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Apr 2011 03:58:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[céu]]></category>
		<category><![CDATA[cigarros]]></category>
		<category><![CDATA[purgatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual seria o seu paraíso e qual seria seu inferno? Nesse esquete dois atores em dois cenários (uma pequena sala de espera e um bar) interpretam uma versão do que seria a vida após a morte. Um ser que pode ser um anjo ou um demônio entrevista o recém falecido Tenório sobre o que ele [...]]]></description>
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<div align="center">
<img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/sozim.jpg">
</div>
</p>
<p>Qual seria o seu paraíso e qual seria seu inferno? Nesse esquete dois atores em dois cenários (uma pequena sala de espera e um bar) interpretam uma versão do que seria a vida após a morte. Um ser que pode ser um anjo ou um demônio entrevista o recém falecido Tenório sobre o que ele deseja para a eternidade. Ele pode escolher três coisas.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. SALA de ESPERA &#8211; INDIFERENTE</p>
<p class="action">Em uma sala de paredes e móveis cinzas, um homem vestindo roupas formais da mesma cor está sentado atrás de uma mesa observando papéis. Há uma cadeira vazia na frente da mesa. A sala possui duas portas. Uma está fechada e pela porta aberta entra TENÓRIO tossindo. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(olhando curiosamente a sala)</p>
<p class="dialogue">Com licença? Por favor&#46;&#46;&#46; que lugar é esse?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Você morreu. Sinto muito, sua hora chegou. Você está no purgatório. Eu sou um agente encarregado no auxílio das almas para seu destino final. Sente-se por favor.</p>
<p class="action">TENÓRIO continua olhando para o AUXILIAR.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(organizando papéis na mesa)</p>
<p class="dialogue">Não. Isso não é uma piada, sonho, pesadelo, pegadinha do malandro ou delírio lisérgico. Você morreu. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">AUXILIAR aponta para a cadeira sem tirar os olhos dos papéis.</p>
<p class="action">TENÓRIO se senta olhando atentamente para o AUXILIAR que depois de alguns segundos termina de preencher algumas partes dos papéis de sua prancheta.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Tenório, certo?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sim, mas como foi que&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Câncer de pulmão. Aqui diz que o senhor fumou por mais de vinte anos, foi diagnosticado a tempo, mas insistiu em fumar. Eu acho que isso resume tudo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu, quer dizer&#46;&#46;&#46; então eu morri mesmo.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">E-xa-ta-men-te. Fico feliz que tenha aceitado isso de maneira positiva e com rapidez. Almas como a sua facilitam o meu trabalho e consequentemente se facilitam nesse momento delicado e decisivo da sua existência.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas eu não vou reencarnar?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(verificando os papéis)</p>
<p class="dialogue">Humm, aqui diz que você não acreditava em reencarnação.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">É, mas eu não tinha morrido ainda. </p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Mesmo assim eu temo que não é uma opção possível. É preciso ter fé nas coisas, Tenório, e você não tinha fé em muita coisa.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Bem, para um ex-agnóstico até que você possuia umas crenças fantásticas! Por exemplo: você acreditava no América como campeão e no Brasil como o país do futuro. O que mais? Ah&#46;&#46;&#46; que o Tancredo morreu de causas naturais e que a gordurinha da picanha faz, de acordo com suas próprias palavras: &#8220;um mal danado para a saúde&#8221;.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não faz?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Nada tão gostoso e natural pode ser tão maléfico. Deus não permitiria.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Então Ele existe!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É claro! Foi por isso que lhe chamei de ex-agnóstico. Não faz muito sentido a essa altura do campeonato ficar em cima do muro, não é? De qualquer forma você terá todo o tempo do universo para filosofar e negá-lo se ainda desejar, mas primeiro temos que determinar para onde você vai.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Como assim? Se vou para o céu ou para o inferno?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Mais ou menos isso. Na verdade só existe nessa sala uma porta de entrada e uma porta de saída, que é para onde você irá daqui a instantes. É só esperar um pouquinho e me dizer três coisas que você quer deseja para sempre.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Tipo dinheiro, saúde e amigos?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Ah, queridinho&#46;&#46;&#46; infelizmente não. Você passará a eternidade sozinho, tadinho. É por isso que você tem de escolher muito bem quais são as coisas que vão fazer companhia. Dinheiro só se você gostar muito (mas muito mesmo!) de colecionar notas e moedas. Saúde você pode ignorar, morte obviamente também. Amigos eu vou ficar te devendo, tá?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Que coisa mais tensa.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Um pouquititito! Mas logo vai passar. O importante agora é que fique bem claro que estamos falando aqui do resto da eternidade. É bastante tempo isso, sabe? Tempo para chuchu mesmo, compreende?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sim&#46;&#46;&#46; é para sempre.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Ma-ra-vi-lho-so! Compreender o conceito é tudo o que pedimos. Não se preocupe se a coisa toda for demais para a sua cabecinha linda. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu preciso de um cigarro. Você tem&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Excelente! A primeira coisa já foi determinada. Você terá cigarros eternamente. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sério?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Sim. Sua marca preferida, claro. A não ser que você queira mudar. Ainda está em tempo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não. Sem isso eu não fico. Pode colocar aí na ficha os cigarros infinitos.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(anotando)</p>
<p class="dialogue">Fico feliz que tenha ficado satisfeito com a sua primeira escolha. Agora é a minha vez.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Como é?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Você escolhe uma coisa que você acha &#8220;ótima&#8221; ou &#8220;sensacional&#8221; e eu escolho uma que, bem&#46;&#46;&#46; digamos que seja no mínimo desagradável. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Por que?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É uma questão de equilíbrio, compreende? Para nós seria mais fácil que você simplesmente ficasse vagando eternamente em um limbo sem nada para ver, fazer ou passar a eternidade&#46;&#46;&#46; mas onde está a diversão nisso?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">É. Deve ser muito chato um limbo todo vazio pra sempre. Mas o que foi que você anotou aí?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Eu preferia que você não se preocupasse com isso, afinal não é como se você não fosse descobrir logo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas se for uma coisa horrível demais? Eu não quero trocar uma eternidade recebendo ligações de telemarketing em troca de cigarros eternos. Eu quero ter uma idéia para saber o que vou pedir!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(faz um muxoxo, triste)</p>
<p class="dialogue">Ah, Tenório! Você não confia em mim?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu nem sei seu nome! </p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(volta ao normal)</p>
<p class="dialogue">Muito justo. Vamos dizer que todos os desprazeres anotados são igualmente proporcionais ao prazer obtido pela última escolha que você fez.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; certo. Câncer eu já sei que não terei&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Exato. Doenças e morte estão fora de questão. Pense em uma coisa positiva, Tenório! Pense em fadinhas! Filhotinhos de gato fofinhos acordando! Que coisa chata isso de pensar em doença! Já foi! É passado! Morreu e está enterrado.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Tá certo. Deixa eu ver&#46;&#46;&#46; ah! Já sei! Quero que o lugar seja do jeito que eu gosto. Um lugar legal que me agrade e sem capeta com tridente, caldeirões, queimação no fogo eterno. Também não quero um céu infinito cheio de anjos chatos tocando lira e pulando nuvenzinhas.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Isso, Tetê! Borbulhei de emoção agora! Deixa eu anotar aqui o revés&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(preocupado)</p>
<p class="dialogue">Ai, o revés!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Não vale espiar, coisa fofa. E o último pedido? </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sei, sei. Espera um pouco. Deixa eu pensar&#46;&#46;&#46; já sei!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Sim?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Cerveja! Muita cerveja! A melhor cerveja já criada para sempre.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(anotando)</p>
<p class="dialogue">Ceeerto. Lager? Pilsen?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Pilsen.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(se levantando)</p>
<p class="dialogue">Bem estereotipado isso, não é? Felizmente não estou aqui para julgar. Tenório, meu caro! Terminamos por aqui! Venha comigo. Vamos conhecer seu novo lar!</p>
<p class="action">AMBOS atravessam a porta de saída.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
<p class="character">FADE IN</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. BAR &#8211; INDIFERENTE</p>
</p>
<p class="action">AMBOS entram por uma porta no fundo do bar, no balcão há um maço de cigarros e uma tulipa cheia de cerveja. Marteladas e outros sons são ouvidos.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Que barulho é esse?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(olhando para o bar)</p>
<p class="dialogue">É a obra aqui do lado. Está aí! É como você imaginava?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">O bar é excelente, mas que barulho de obra é esse?</p>
<p class="action">Os sons de obra cessam por um momento. Ambos pausam para prestar atenção. O som de obra reinicia.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É uma obra eterna. São só os sons, claro. Não há nada além do bar.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(anda na direção do balcão)</p>
<p class="dialogue">Que horror! Só mesmo ficando bêbado o tempo todo pra aguentar isso.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; você já está no seu devido lugar. Eu tenho de atender outra almas que precisam ir para o inferno.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Inferno? </p>
<p class="action">Os sons de obra cessam por um momento e reiniciam.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Claro, imbecil! Você acha que ter causado câncer em centenas de pessoas por fumo passivo nas últimas décadas, cortar o barato de todo mundo nos churrascos por onde passou e torcer para o América te levariam aonde?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas eu achei&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(imitando com voz fina de choro)</p>
<p class="dialogue">&#8220;Mas eu achei&#46;&#46;&#46;&#8221; Ora! pelo menos você escolheu a sua danação! Não reclama, seu bosta!</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(olha em volta)</p>
<p class="dialogue">Bem, até que para o inferno isso aqui não é tão ruim.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(andando em direção a porta)</p>
<p class="dialogue">Sei.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Pelo menos eu tenho cerveja.</p>
<p class="action">Os sons de obra cessam. AUXILIAR abre a porta enquanto TENÓRIO dá um gole na cerveja.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(cospe um pouco da cerveja de volta no copo)</p>
<p class="dialogue">Pô! Tá quente!</p>
<p class="action">CLOSE EM AUXILIAR que está fechando a porta atrás de si. Ele e se inclina, exibindo apenas a parte superior do tronco para imitar novamente TENÓRIO.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(imitando) </p>
<p class="dialogue">&#8220;Isso não é tão ruim!&#8221; Você deveria ter ficado com o fogo eterno, palhaço!</p>
<p class="action">CLOSE em TENÓRIO olhando para a ponta do cigarro apagado em sua boca. SOM em OFF de porta batendo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Puta merda!</p>
<p class="action">O som de obra reinicia.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Detetive Caruso e o mistério do chapéu com véu</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 09:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[detetive]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[investigador]]></category>

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		<description><![CDATA[Um esquete para dois atores eu uma atriz. Um detetive soturno, amargo e pessimista inspirado nos detetives de filmes noir. O detetive Caruso enxerga a insanidade das situações surreais que se apresentam e a combate sendo mais insano ainda. Imagino o escritório dele em Copacabana. Parte de mim torce para que tal personagem exista. :) [...]]]></description>
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<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/chapeu.jpg" alt="" title="chapeu" ></div>
</p>
<p>Um esquete para dois atores eu uma atriz. Um detetive soturno, amargo e pessimista inspirado nos detetives de filmes <em>noir</em>. O detetive Caruso enxerga a insanidade das situações surreais que se apresentam e a combate sendo mais insano ainda. Imagino o escritório dele em Copacabana. Parte de mim torce para que tal personagem exista. :)</p>
<div class="scrippet">
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">|INSERT vidro fosco de uma porta com os dizeres pintados &#8220;DETETIVE CARUSO &#8211; INVESTIGADOR PARTICULAR&#8221;.</p>
<p class="action">FADE para</p>
<p class="sceneheader">INT. Escritório da agência de detetives &#8211; DIA</p>
<p class="action">MÚSICA de jazz estilo noir.</p>
<p class="action">O DETETIVE Caruso está em pé atrás de sua mesa olhando a rua através das persianas. O ASSISTENTE está sentado em sua mesa distraído com uma revista de palavras cruzadas. Um ventilador de teto gira lentamente e há um copo de whiskey pela metade na mesa do DETETIVE.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Catinga, odor ruim&#46;&#46;&#46; cinco letras.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(sem tirar os olhos da janela)</p>
<p class="dialogue">Fedor.</p>
<p class="action">ASSISTENTE conta com a caneta os espaços para preencher a palavra e a anota na revista.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Essa cidade fede! Fede a desespero, insanidade e luxúria. Todos os dias milhões de almas desamparadas aguardam no limbo e observam mudas e desesperançosas as suas carcaças se arrastarem pelas ruas, escritórios e apartamentos emprestados por terceiros para atividades das mais sórdidas.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Ô! Sei de uma garçoniere no Lido onde as paredes só não falam por vergonha. Amparo, arrimo, oito letras.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Sustento.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Isso. Você jogou no bicho ontem?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Animais se arrastando, se roçando e finalmente apodrecendo no esquecimento coletivo. O arrependimento e o desalento de cada uma dessas almas são o nosso maldito sustento.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Sei. Eu disse para você jogar no macaco e cercar! Depois fica aí, todo borocochô. Já falei! Quando eu sonho com o Charlton Heston é batata!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">São suas vozes que me despertam e que me amaldiçoam. O azedo, o negrume e a carniça é o que me faz querer dormir e não acordar. As almas pelo menos não tem o menor odor, mas os corpos estão aí trapaceando, mentindo, traindo e pecando. Todos os dias alguém acorda nessa cidade e decide destruir a vida de outra pessoa. Muitas vezes, se possível, antes da hora do almoço. Dá para sentir até com a janela fechada.</p>
<p class="action">Uma batida na porta é ouvida. O ASSISTENTE oculta a revista de palavras cruzadas, o DETETIVE se senta e se apruma na cadeira.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Lá vamos nós de novo. Entre!</p>
<p class="action">MULHER bem vestida com um chapéu com véu entra no escritório. O ASSISTENTE faz sinal para que ela se sente em uma cadeira. O DETETIVE a observa de sua mesa.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Em que podemos ajudar?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(se sentando)</p>
<p class="dialogue">Estou atrás de uma pessoa.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Homem? Mulher?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Um homem. O homem que me deu isso!</p>
<p class="action">MULHER tira o chapéu e revela seu rosto. ASSISTENTE observa sua face por um instante.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Herpes?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(coloca a mão sobre a boca)</p>
<p class="dialogue">Não! O chapéu!</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">É. Eu ia dizer que não parece herpes. Parecia mais uma espinha. A senhora andou espremen&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Perdão! Ele é meu assistente. Chegou semana passada. Normalmente só limpa apontadores por aqui. Posso examinar o chapéu?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(entrega o chapéu para o DETETIVE)</p>
<p class="dialogue">Por favor.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="parenthetical">(consigo mesmo)</p>
<p class="dialogue">Amanhã é pavão na certa.</p>
<p class="action">DETETIVE inspeciona o chapéu por vários ângulos, pega uma lupa e observa um detalhe, observa a MULHER por um momento e volta a observar o interior do chapéu.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Posso perguntar qual é o seu número de chapéu?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">36.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Esse chapéu é tamanho 38. Você está mentindo para nós. Não é, mocinha?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não! Ele é meu, mas não foi comprado por mim.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(devolve o chapéu)</p>
<p class="dialogue">Fale mais sobre esse homem.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">O nome dele é Moreira. Eu não sei o seu primeiro nome. Apenas isso: Moreira. Eu o conheci por causa de um cruzeiro em Havana.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Conheço muito bem o tipo. Garoto de programa expatriado que não acompanhou a revolução monetária brasileira, cobrando preços módicos&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não é isso. Foi um cruzeiro de navio!</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Ah! Faz sentido.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Perdão novamente. Deixe ver se completo o quebra-cabeças. Vocês se apaixonaram, ele quis lhe comprar um chapéu. Vocês estavam em alto mar e não havia o seu número na loja do navio.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">É exatamente isso. Como você descobriu?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Qualquer um poderia descobrir isso pela etiqueta. Ela possui o nome da loja e essa loja só existe em um transatlântico que ancorou no porto de Santos faz uma semana antes de parar por um dia aqui na cidade.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">É incrível!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Ainda tem mais. O chapéu também é um modelo muito especial. O véu é bordado a mão nas filipinas por criancinhas carentes e o tecido é linho marroquino.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Eu não fazia idéia.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Há duas marcas distintas de impressões na aba. Uma é fina, longa e delicada. A sua mão segurou esse chapéu por alguns momentos, mas a outra é evidentemente mais acentuada e provocou uma ligeira saliência na lateral. Um homem sem dúvida. Forte e impetuoso.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Como você pode saber tanto só olhando para um chapéu?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">É extraordinariamente simples: eu te dei esse chapéu. Eu sou o Moreira.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Isso&#46;&#46;&#46; isso é ridículo!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Será mesmo? Você não se lembra da noite no convés? Bebemos três dry-martinis. Você reclamou que o seu joanete doía. A Orquestra Tabajaras cover tocava o Luan e Vanessa  e eu disse que sob a lua seus olhos pareciam com os de minha tia Dolores quando ela assistia o jornal e discutia com o Cid Moreira sobre as notícias do dia.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não é possível! O Moreira que conheci era moreno, forte, jovem e tinha uma covinha no queixo.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Delírios de martini, querida! Tenho sessenta anos, sou caucasiano e mal tenho queixo.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Praticamente um Noel Rosa reencarnado.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Cale-se.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(começa a chorar)</p>
<p class="dialogue">Eu não acredito!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">É melhor acreditar&#46;&#46;&#46; aceitar os fatos de uma vez e desistir de mim. Você sabe muito bem que sou casado e ambos sabemos que aquilo tudo, por mais maravilhoso que tenha sido, foi apenas uma louca aventura sobre o Atlântico! Um delírio fantástico porém irreal e fugaz!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(Chorando)</p>
<p class="dialogue">Moreira! Moreira!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Vá! Vá e aceite o tempo como remédio. O tempo é teu único amigo e o láudano da tua alma. Só ele poderá aliviar nosso cruel destino! Carrasco vil que aprisiona nossos corações. O tempo romperá teus grilhões, mulher! Não eu! Não o Moreira que você conheceu! </p>
<p class="action">MULHER grita de dor e chora encurvada sobre a cadeira. O ASSISTENTE faz menção de amparada, mas é detido por um gesto dramático do DETETIVE que continua a olhar para a MULHER.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Vai te! Tua presença, por mais doce e febrilmente ansiada, compursca nossa única memória bela e irremediavelmente perdida! Se ainda tem algum apreço pelo que ela representa, vai te agora e corra veloz de volta para as sombras da minha vida!</p>
<p class="action">MULHER sai chorando pela porta do escritório.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Desde quando você é Moreira?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Moreira é o caralho! Mulher maluca! Usando chapéu com véu em pleno século vinte e um. Corre lá e cobra  a porra os honorários antes que ela chegue no elevador. Vai te!</p>
<p class="action">ASSISTENTE sai correndo pela porta.</p>
<p class="action">DETETIVE bebe um gole de whiskey e afasta com os dedos as persianas da janela para olhar para a rua.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Mais um dia nessa cidade suja e insandecida&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Possui Título</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 02:58:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[instalação]]></category>

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		<description><![CDATA[Guillermo Habacuc Vargas, artista costarriquenho expôs um cão vadio faminto em uma galeria de artes de Manágua em agosto de 2007. Muitos acreditam que ele passou dos limites éticos e a história toda causou uma polêmica enorme. Esse esquete expressa minha opinião sobre o assunto. Meus esquetes são pouco surreais comparado com a cabeça de [...]]]></description>
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<div align="center">
<img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/catadora.jpg">
</div>
</p>
<p>Guillermo Habacuc Vargas, artista costarriquenho expôs um cão vadio faminto em uma galeria de artes de Manágua em agosto de 2007. Muitos acreditam que ele passou dos limites éticos e a história toda causou uma polêmica enorme. Esse esquete expressa minha opinião sobre o assunto.  Meus esquetes são pouco surreais comparado com a cabeça de certos artistas que passeiam por aí em mostras e exposições. Acho na verdade fascinante como a loucura no meio é aceita e até incentivada. É tão absurdo alguns papos que ouvi que fiz dois esquetes com esse personage (o &#8220;Artista&#8221;). O primeiro eu divulgo aqui. </p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">EXT. Restaurante ao ar livre &#8211; Noite</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">As mesas estão vazias com exceção de uma, onde o ARTISTA distraidamente observa uma garrafa de bebida vazia em sua mesa e bebe de uma lata de refrigerante. Dobrado, no encosto da cadeira ao seu lado, há um casaco longo e espalhafatoso. Após um gole de refrigerante, ele repousa a lata sobre a mesa. </p>
<p class="action">ENTRA em cena a CATADORA.</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="parenthetical">(apontando para a lata de refrigerante)</p>
<p class="dialogue">Tá vazia?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(volta a si bruscamente)</p>
<p class="dialogue">O que foi? </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O senhor terminou de beber?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Que interessante!</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">A latinha tá vazia, moço? Posso pegar?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Claro, claro.</p>
<p class="action">ARTISTA pega a latinha para dar para a CATADORA, mas se refreia e a coloca de volta na mesa.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Me desculpe. Pode pegar.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(ligeiramente desconfiada)</p>
<p class="dialogue">Pode?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Oh sim, sim. Por favor. Eu quase a interrompi. Perdão.</p>
<p class="action">CATADORA pega a latinha, a coloca no seu saco e começa a se afastar dali.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Obrigada moço, que Deus lhe ajude.</p>
<p class="action">ARTISTA bate palmas e CATADORA para e o observa.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Maravilhoso isso! Eu gostei muito de você.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O que foi, moço? É comigo?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Me diz&#46;&#46;&#46; há quanto tempo você faz isso?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ah, moço. Não tem muito tempo não. Comecei tem dois dias.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Magnífico! Você tem representação?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ah. Não sei, seu moço. O que que é isso? Documento?</p>
<p class="character">ARTISTA </p>
<p class="parenthetical">(bate palmas)</p>
<p class="dialogue">Olha que coisa! E as falas são improviso?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Moço&#46;&#46;&#46; eu vou me indo porque o preciso&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(pegando o casaco da cadeira)</p>
<p class="dialogue">Não, não! Espera. Toma esse casaco!</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O senhor tá me dando esse casaco?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Sim, sim. Vista ele por favor.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">É de graça?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Você pode ficar com ele. </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(pegando o casaco e vestindo)</p>
<p class="dialogue">O senhor é muito bondoso. Deus vai te ajudar muito nessa vida. Nem todo mundo tem a consideração pelos menos afortunados.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(exaltado)</p>
<p class="dialogue">Sim.. sim! Ficou perfeito! </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(distraída com o casaco)</p>
<p class="dialogue">Cor diferente, né?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(pensativo)</p>
<p class="dialogue">Eu tenho uma apresentação hoje e gostaria que você viesse comigo.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(ainda observando os detalhes do casaco)</p>
<p class="dialogue">Olha moço, eu agradeço muito o senhor, mas daqui eu tenho que catar mais latinhas e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">ARTISTA pega uma garrafa da mesa e a quebra violentamente na cabeça da CATADORA. Ela fica zonza e tenta não tombar. Sangue começa a verter acima de sua têmpora. ARTISTA lhe tira um sapato e a segura momentaneamente para que ela não caia. Depois ARTISTA sai de cena com o sapato da CATADORA.</p>
<p class="action">CATADORA larga o saco e coloca as mãos na ferida</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="parenthetical">(desnorteada)</p>
<p class="dialogue">Aaaahh&#46;&#46;&#46; o que?</p>
<p class="action">ARTISTA volta à cena com um copo d&#8217;água, oferece para a CATADORA e segura o saco de latas para ela.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(tirando uma pílula do bolso)</p>
<p class="dialogue">Toma esse remédio com a água. Vai ajudar a dor.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ai minha cabeça! O que aconteceu?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Já vai passar. Toma o remédio. Você vai se sentir melhor.</p>
<p class="action">CATADORA  toma o remédio e bebe a água e deixa o copo cair. O copo se estilhaça no chão.</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="dialogue">Meu sapato&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(entusiasmado)</p>
<p class="dialogue">Sim&#46;&#46;&#46; sem ele você ficará perfeita. Você será especial hoje.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O que? Minha cabeça&#46;&#46;&#46; sangue&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(amparando)</p>
<p class="dialogue">Sim. É importante também. Venha comigo&#46;&#46;&#46; por aqui. Vou te ajudar.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(pisa nos cacos de vidro com o pé descalço)</p>
<p class="dialogue">Aaaii! Meu sapato. Cadê meu&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Está no carro. Vem. Eu te levo. </p>
<p class="action">CATADORA se apóia no ARTISTA durante a SAÍDA de cena.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
<p class="action">FADE IN.</p>
<p class="sceneheader">INT. SALÃO DE EXPOSIÇÃO &#8211; Noite</p>
<p class="action">Um salão de gala com pinturas na paredes, estátuas e dezenas de convidados vestidos à rigor. No meio do salão, sobre um pequeno pedestal, está a CATADORA aparentemente dopada e presa à uma coluna de mármore. Ela veste o casaco espalhafatoso, possui uma bandagem na cabeça em forma de chapéu côco, uma mancha de sangue lhe cobre metade do rosto e é possível ver outra escorrendo pelo pedestal na altura do seu pé descalço. Ao lado do pedestal está o ARTISTA sorrindo polidamente segurando o saco de latas atrás do corpo.</p>
<p class="action">Um SENHOR se aproxima dos dois.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="parenthetical">(observando a CATADORA)</p>
<p class="dialogue">A obra é&#46;&#46;&#46; sublime.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">De nada.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Materialização desfragmentada&#46;&#46;&#46; e tão equilibrada com rompimento das propostas conceituais e operacionais.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">É claro.</p>
<p class="action">CATADORA geme de dor.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Com licença.</p>
<p class="action">ARTISTA alcança o saco e leva até os convidados. Cada um pega uma latinha de dentro dele. Ele retorna à sua posição ao lado do pedestal. Agora todos os convidados observam a CATADORA.</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="action">CATADORA começa a recobrar a consciência.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Onde&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">ARTISTA dá um pequeno salto de pés juntos rodopiando 360º no ar e para no mesmo lugar. Imediatamente todos os convidados arremessam suas latas na CATADORA que começa a chorar com as latas atingindo seu corpo.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Magnífico.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Foi também minha opinião.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Possui título?</p>
<p class="action">ARTISTA coloca a mão dentro do saco, retira o sapato da CATADORA, e o exibe sobre as palmas da mão.</p>
<p class="action">SENHOR murmura algo incompreensível enquanto enxuga com a mão uma lágrima que escorre sob sua face.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<item>
		<title>Teatro Na TV</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/14/teatro-na-tv/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 23:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Inspirado na época do teatro de tv ao vivo transmitido pela TV Tupi antes do advento do playback e no jeito estranho que atores tem de falar seus diálogos na TV&#8230; sempre tem uma afetação doida, sabe? Nunca parece alguém de verdade falando. Esse esquete tem três atores principais e dois coadjuvantes. Utiliza o gênero [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/0.jpg" /></div>
</p>
<p>Inspirado na época do teatro de tv ao vivo transmitido pela TV Tupi antes do advento do playback e no jeito estranho que atores tem de falar seus diálogos na TV&#8230; sempre tem uma afetação doida, sabe? Nunca parece alguém de verdade falando. Esse esquete tem três atores principais e dois coadjuvantes. Utiliza o gênero wordplay (jogo de palavras) como base e me faz pensar nos personagens da corte de &#8220;Que Rei Sou Eu?&#8221;. </p>
<div class="scrippet">
<p class="action">INSERT TEXTUAL &#8211; &#8220;A discussão sobre a incrível história a respeito da escapada do Barão, fidalgo de muitas honras, que arriscou sua vida ao tentar sair de sua alva e terrível prisão para ir ao encontro de sua amada.”</p>
<p class="sceneheader">INT. CENÁRIO de SALÃO ORNAMENTADO &#45;&#45; DIA</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">Dois atores vestidos como nobres europeus do séc. XVII se preparam rapidamente para uma apresentação ao vivo de um sketch. Verificam suas marcações de palco, ajustam roupa, conferem o figurino, recebem intruções em off da equipe de filmagem. ENTRA EM CENA UM CONTRA-REGRA segurando dálias de cartolina com as falas dos atores, que os informa sua posição durante as filmagens, depois ajoelha em primeiro plano, se posicionando de frente para os atores.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Ouvi dizer que o produtor-chefe vem assistir hoje o programa.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Não estou sabendo de nada e também não me importo muito. Eu sei que não dá tempo de decorar nada, ele sabe, a audiência sabe. É normal. Só relaxar e atuar.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Ouvi dizer que ele pode despedir alguém a qualquer momento e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="parenthetical">(V.O.)</p>
<p class="dialogue">Atenção! Ao vivo! Teatro na TV! A Incrível História do Barão. No ar em 5, 4, 3&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE  </p>
<p class="dialogue">Conte-me então a história do Barão! Apenas sei que fora trancafiado num casebre para que não pudesse alcançar a tempo a candidatura a pretendente da princesa.</p>
<p class="action">MARQUÊS nota que o CONTRA-REGRA ainda não exibiu sua dália e improvisa de maneira natural.</p>
<p class="character">MARQUÊS  </p>
<p class="dialogue">História magnífica! Magnífica! </p>
<p class="action">CONTRA-REGRA arruma as dálias.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="parenthetical">(improvisando)</p>
<p class="dialogue">Mas conte por favor. Estou ansioso.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sim. Por onde começar? Pelo comÉço. Arrann.. o comÊço! Voltava de uma caçada para casa, onde pretendia vestir-se apropriadamente para o baile real quando fora capturado por bandidos. Quando deu por si percebeu que havia sido nocauteado e jogado em um casebre longe das muralhas da cidade.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Que maldade! Que perfídia!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sem dúvida! Lá estava o Barão aprisionado em meio sua sÉde pela retomada&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA </p>
<p class="dialogue">Sêde!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Arran.. em meio sua sÊde pela retomada de sua sÊde.</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA </p>
<p class="dialogue">Séde!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Séde! A retomada de sua Séde! Sua Sêde pela retomada de sua Séde na cÓrte.  </p>
<p class="character">CONTRA-REGRA E MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(juntos)</p>
<p class="dialogue">CÔrte!</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="parenthetical">(improvisando nervoso) </p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; continue Marquês! Eu sei que é um tema difícil. </p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(improvisando)</p>
<p class="dialogue">Não&#46;&#46;&#46; está tudo bem Duque. Lá estava o Barão aprisionado em meio sua SÊ-DE pela SÉ-DE da CÔR-TE. E não era apenas sua ganância abraçada ao desespero. Fôra também o terrível&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">FÓra!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(confuso)</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">FÓra!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(percebendo o erro, mas vacilante)</p>
<p class="dialogue">Sim! FÓra também o terrível Côrte!</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA E MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(Juntos)</p>
<p class="dialogue">CÓrte!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(nervoso e falando mais pausadamente)</p>
<p class="dialogue">CÓrte! Córte! Eu sei! FÓ-RA também o terrível CÓR-TE em sua alma. O olhar de desprezo da princesa na noite anterior ao baile.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que coisa horrível!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(saindo do personagem) </p>
<p class="dialogue">Nem me fale. Quem escreveu essas linhas?</p>
<p class="action">CONTRA-REGRA confuso examina suas Dálias.</p>
<p class="action">DUQUE pigarrea exageradamente.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(improvisando ao voltar ao personagem)</p>
<p class="dialogue">Foi Deus, claro. E ele&#46;&#46;&#46; ele&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="parenthetical">(nervoso)</p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; escreve certo por linhas tortas.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Perfeitamente.</p>
<p class="action">O DUQUE e o MARQUÊS se olham constrangidos e nervosos sem saber o que dizer, até que o CONTRA-REGRA parece encontrar a dália certa e faz um sinal para os dois.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Mas vossa excelência contava&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Oh sim! Perdão! É que a experiência do Barão é terrível demais até para recordar.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Não imagino o que faria em seu lugar.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sim! Em tal situação de extremo frio, gÊlo em pensar.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">GÉlo!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(quase caindo em prantos) </p>
<p class="dialogue">GÉlo em pensar no que poderia fazer a respeito, se não me desesperar.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Acalme-se!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(saindo do personagem)</p>
<p class="dialogue">Não dá, Gustavo! Desse jeito eu largo essa por&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Marquês! Acalme-se marquês! Por favor!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Tá&#46;&#46;&#46; sim.. sim. Me desculpe. Peço perdão.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Conte-mais por favor. Ele estava aprisionado no casebre&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Ele&#46;&#46;&#46; estava aprisionado no casebre. Não havia ferramentas, apenas uma modesta mesa rudimentar com louças e talheres toscos. Lá fora o alvo cobertor de gelo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Ao mencionar a palavra “gelo”, o CONTRA-REGRA faz menção de dizer algo, mas se refrea.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(cont’d) </p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46;erquia-se acima do telhado e desprovido de luvas, suas mãos queimavam ao contato da neve. Ao mesmo tempo, há quase um dia e uma noite sem beber uma gota de líquido qualquer, sua sede&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Ao mencionar a palavra “sede”, o CONTRA-REGRA faz menção de dizer algo, mas se refrea novamente.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(cont’d) </p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46; aumentava lhe trazendo um sofrimento insuportável.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que atrocidade! Que carrasco implacável pode ser a natureza!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Sim, meu caro Duque! Entretanto a luz de uma idéia pôde-se mostrar ainda mais brilhante que a alvura da neve. Em cima da rústica e parca mobília o Barão identificou um copo e uma colher. Resolveu então abrir um túnel através do gelo com aquela colher!</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que homem genial! </p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">E sua idéia foi maior! Se utilizar da neve para beber! Iria colhÉr!</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">ColhÊr!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Cacete! De novo? Eu não tenho como adivinhar, Não é? Parece sacanagem isso! </p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Calma! Falta pouco! Respira!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(perdendo a compostura e saindo do personagem)</p>
<p class="dialogue">Aaaarrrh!!! O Barão! Esperto pra caramba, né? Filho da&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="parenthetical">(interrompe apressado) </p>
<p class="dialogue">Condessa de Gergelim!</p>
<p class="action">Beat</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Gergelim??? De onde você&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">O ÂNGULO DE VISÃO SE ABRE e podemos ver agora o DIRETOR sentado numa cadeira de costas para a câmera e com a cabeça apoiada nas mãos, como se estivesse chorando.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Foi&#46;&#46;&#46; foi o melhor que&#46;&#46;&#46; o pai do Barão conseguiu na época. Mas você dizia?</p>
<p class="action">beat</p>
<p class="action">PRODUTOR ENTRA EM CENA no primeiro plano e pára lado a lado com o DIRETOR enquanto observa os atores.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(falando pausadamente em voz alta e irritado) </p>
<p class="dialogue">GÉ-LO em pensar no GÊ-LO e na idéia de CO-LHÊR com a CO-LHÉR a neve! Sua SÊ-DE pela SÉ-DE da CÔR-TE FÔ-RA sua motivação, FÓ-RA o CÓR-TE em sua alma para CO-MÊ-ÇO de conversa! Pronto? Satisfeitos?</p>
<p class="action">MARQUÊS sai de cena irritado.</p>
<p class="character">PRODUTOR </p>
<p class="parenthetical">(cochichando para o DIRETOR)</p>
<p class="dialogue">Impressionante. Esse povo que vem do teatro não consegue ler um texto de maneira natural!</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<item>
		<title>Frango Kiev</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/13/223/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 02:33:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[sinestesia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Uma conhecida minha possui essa condição neurológica estranha e fascinante que é a sinestesia. Ela pode sentir o gosto das mais diversas coisas quando ouve certas notas musicais ou canção. Quando me revelou isso, fui direto para o computador e escrevi esse pequeno esquete em sua homenagem. Ela gostou muito. Espero que vocês gostem. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/teclado2.jpg" alt="" /></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Uma conhecida minha possui essa condição neurológica estranha e fascinante que é a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sinestesia">sinestesia</a>. Ela pode sentir o gosto das mais diversas coisas quando ouve certas notas musicais ou canção. Quando me revelou isso, fui direto para o computador e escrevi esse pequeno esquete em sua homenagem. Ela gostou muito. Espero que vocês gostem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. RESTAURANTE &#8211; NOITE</p>
<p class="action">Um TECLADISTA termina os últimos acordes de uma música e uma MOÇA se aproxima.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Com licença.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Sim? Você quer pedir uma música?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não exatamente. Eu queria, se não fosse pedir muito, que você parasse de tocar enquanto eu como.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Olha, eu sinto muito se você não aprecia minha música, mas muita gente gosta e eu fui contratado para isso. Portanto me desculpe mas eu tenho de tocar.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Eu que peço desculpas. Não é que eu não goste. Você toca muito bem.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Então você não gosta dos estilos que eu toco? É isso? Bem&#46;&#46;&#46; tem um restaurante tailandês no shopping aqui do lado e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não. A sua seleção musical é ótima. Me arrepiei toda quando você tocou &#8220;Saigon&#8221; do Emílio Santiago com o teclado fazendo som de banjo. Achei super corajoso.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Obrigado. Eu também uso som de teclado em algumas.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Eu notei&#46;&#46;&#46; mas como ia dizendo, eu tenho um problema. Uma condição médica que me impede de comer quando estou ouvindo música.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">O senhor já ouviu falar em sinestesia?</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">É alguma coisa a ver com adenóide? Tratamento nasal?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não. É uma condição rara onde pessoas associam involuntariamente números ou letras com cores, ou sons com formas ou cores. Uma pessoa ao ouvir, por exemplo, a nota ré pode ter a visão de uma onda amarela seguindo na sua direção.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Que loucura.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não chega a tanto, mas é uma condição neurológica mesmo.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Ou coisa do capeta. Você sofre mesmo disso?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Desde que nasci.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">E vê cores no lugar dos números?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Vê o capeta?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não! Eu não vejo nada. Quer dizer&#46;&#46;&#46; eu não sou cega. Eu vejo as coisas normalmente.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Para que os óculos então?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Tá. Tirando um pouco de miopia eu vejo tudo bem. Meu problema é que tenho uma sinestesia mais rara ainda. Eu sinto gostos diferentes quando escuto músicas.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Como é?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Eu estava jantando ali e o senhor começou a tocar &#8220;Que Sera, Sera&#8221; agora a pouco, lembra?</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Lembro. Toco toda semana. Uso sons de helicóptero no fim para dar uma idéia de partida ou chegada&#46;&#46;&#46; depende da interpretação de quem ouve, claro.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Pois é. A minha interpretação foi experimentar o frango e sentir gosto de sabão.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Por que você não vai falar com o chef então? Ou o garçom. Pede para trocar por um medalhão.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não. Eu te juro que foi a música. Logo em seguida você tocou &#8220;Guantanamera&#8221;&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Exatamente.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Então&#46;&#46;&#46; aí passou para côco.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Côco não é tão ruim. Podia ter raspas de côco no seu prato.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não é isso. Passou de sabão neutro para sabão de côco. Mas ainda era gosto de sabão.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="parenthetical">(começa a arrumar as partituras em cima do teclado)</p>
<p class="dialogue">Olha, eu sinto muito pelo seu problema, mas tenho de voltar a tocar agora se não vão me mandar embora. Espero que compreenda.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Espera. O que você vai tocar?</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="parenthetical">(consultando suas partituras)</p>
<p class="dialogue">Deixa eu ver aqui&#46;&#46;&#46; &#8220;Ìndia&#8221;, do Roberto.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não, por favor! Eu tô morrendo de fome e essa música tem gosto de fronha usada.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Fronha usada?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">É. Com uma semana de uso e alguns dias sem lavar a cabeça.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Tá bom, eu pulo essa. Que tal &#8220;Oceano&#8221;, do Djavan?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Tampa de caneta.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Tampa de caneta?</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Bic.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Sei.</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">A cor eu não vejo, como disse, mas tenho impressão que é verde.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Tá. Tem essa do Jorge Vercilo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Não! Todas tem gosto de Novalgina.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Argh!</p>
<p class="character">MOÇA</p>
<p class="dialogue">Pois é.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Bem, mocinha&#46;&#46;&#46; você conhece alguma música que harmonize bem com seu frango?</p>
<p class="action">beat</p>
<p class="action">A MOÇA volta para a mesa enquanto o TECLADISTA faz uma introdução ao piano</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="parenthetical">(com voz empolgada)</p>
<p class="dialogue">Essa é em homenagem à todos vocês que pediram Frango Kiev!</p>
<p class="action">O TECLADISTA começa a tocar Titãs.</p>
<p class="character">TECLADISTA</p>
<p class="dialogue">Peste bubônica, câncer, pneumonia, raiva, rubéola, tuberculose e anemia. Rancor, cisticircose, caxumba, difteria, encefalite, faringite, gripe e leucemia&#46;&#46;&#46; e o pulso ainda pulsa&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Corta para plano fechado da MOÇA se deliciando com seu prato.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Gentileza Na Fila do Banco</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 22:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[banco]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[fila]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Esse é um esquete com um tom mais diferente do resto.  Talvez uma pegada mais popular? É difícil saber ou calcular essas coisas. Escrevi isso pensando em Zorra Total na verdade. Seria possível um esquete desse no Zorra?  Acredito que sim, mas você tem toda o direito de discordar, claro. Humor é subjetivo. :) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/fila22.jpg" alt="" width="502" height="230" /></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse é um esquete com um tom mais diferente do resto.  Talvez uma pegada mais popular? É difícil saber ou calcular essas coisas. Escrevi isso pensando em Zorra Total na verdade. Seria possível um esquete desse no Zorra?  Acredito que sim, mas você tem toda o direito de discordar, claro. Humor é subjetivo. :)</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. BANCO / FILA DOS CAIXAS &#45;&#45; TARDE</p>
<p class="action">Uma fila em forma de zigue e zague. Caixas trabalhando ao fundo e pessoas esperando sua vez. O MOÇO é o último da fila até a chegada do HOMEM que ao tomar seu lugar percebe no chão uma nota dobrada de cem reais. Rapidamente pisa nela com força, esticando a perna exageradamente e provocando barulho. O MOÇO à sua frente se assusta e olha para o HOMEM.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(fingindo alongar-se)</p>
<p class="dialogue">Opa! Alongamento, sabe? Eu tenho circulação ruim nas pernas e essas filas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="parenthetical">(se virando novamente)</p>
<p class="dialogue">Sei.</p>
<p class="action">O HOMEM faz menção de se agachar para pegar a nota, mas uma MULHER chega na fila e ele se apruma.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Oi. Pode passar. Não estou com pressa não.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Que gentileza!</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">O que não é a gentileza se não um dever natural de todo o ser humano, não é verdade?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Agradecida.</p>
<p class="action">A MULHER toma o lugar na fila, ficando de costas para ele. O HOMEM novamente tenta alcançar a nota, agachando-se e posicionando a cabeça muito próximo da bunda da MULHER, quando ela se vira subitamente.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Sabe que&#46;&#46;&#46; ué? Que isso?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(se levantando assustado)</p>
<p class="dialogue">O que? Não. Eu&#46;&#46;&#46; só parei para&#46;&#46;&#46;para&#46;&#46;&#46; amarrar o sapato.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Mas o seu sapato não tem cadarço.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">É mesmo? É mesmo!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Por acaso o senhor é um pervertido desses que ficam filmando as calcinhas das moças com o celular e depois coloca na internet? Olha que eu chamo a polícia!</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Existe esse tipo de coisa na internet?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não se faça de inocente! O que o senhor estava fazendo aí agachado atrás de mim?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">A senhorita entendeu errado. É apenas um mal entendido. Eu abaixei porque tenho má circulação nas pernas. Só isso. É que na hora que a senhora virou eu fiquei nervoso.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Má circulação?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Justamente. Quando venho pra fila do banco faço até uns alongamentos. Pode perguntar pro moço aí da frente. Antes da senhorita chegar eu estava me alongando.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não. Não precisa não. Deixa quieto. Mas vê lá, heim?</p>
<p class="action">A MULHER se vira novamente.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">A senhorita ia dizer alguma coisa?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Quando a senhora se virou. A senhorita ia me dizer alguma coisa.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Ah&#46;&#46;&#46; ia comentar sobre esse senhor na minha frente. Acho que ele perdeu alguma coisa.</p>
<p class="action">Os dois olham para o MOÇO da frente procurando algo no chão.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Ih. Acho que perdeu mesmo.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Será que foi dinheiro?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Nããão! Se fosse, alguém já teria achado.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Isso é. De repente é uma caneta.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(Tirando uma caneta do bolso)</p>
<p class="dialogue">Uma caneta! Deve ser isso mesmo. Eu tenho uma aqui. Oferece para ele emprestado se ele tiver perdido.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Eu acho que te julguei mal. É a segunda vez que o senhor faz uma gentileza desde que eu cheguei na fila. Me desculpe.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Imagina. Quem não vive para servir não serve para viver.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Profundo isso. Espera um minutinho que eu vou falar com ele.</p>
<p class="action">MULHER pega a caneta e vai falar com o MOÇO da frente (em off / segundo plano).</p>
<p class="action">HOMEM olha para os lados para se certificar que ninguém o observa quando nota o SEGURANÇA do banco passando por perto.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Ai meu ca&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">MULHER surge do outro lado do zigue e zague da fila, supreendendo o  HOMEM.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Tá aqui a caneta!</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(assustado)</p>
<p class="dialogue">O que? Ah! Obrigado. Ele já terminou de usar?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não. Ele disse que não precisa. Deve ter perdido outra coisa.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Ah!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">A fila andou finalmente.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">É mesmo? É mesmo!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(gracejando)</p>
<p class="dialogue">O senhor vai ficar parado aí que nem um dois de paus?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Eu? Ah, hahaha.. sabe o que é? Me deu uma dormência na perna&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Ah que chato! Mas é só andar que passa. Se ainda fosse câimbra&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Aaai!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">O que foi?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Câimbra!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(saindo de cena)</p>
<p class="dialogue">Nossa! Deixa eu chamar alguém para te ajudar!</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não precisa!</p>
<p class="action">O MOÇO percebe novamente o HOMEM, desconfia do que está acontecendo e se aproxima.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Está tudo bem com o senhor?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Ah. Sim sim&#46;&#46;&#46; é só uma câimbra. Dói horrores.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Sei. Na perna direita, né?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">É. Dizem que é falta de potássio.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Dizem que se levantar a perna, melhora.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não. Não dizem não!</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Sempre ouvi dizer.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">É tudo boato! Crendice popular sem fundamento.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Eu tenho quase certeza que se o senhor levantar a perna, seu problema termina.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Bobagem. Ainda corro o risco de me apoiar na perna esquerda e ela ficar também com câimbra.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Segurança!</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">O que é isso? Segurança para que?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Para&#46;&#46;&#46; auxiliar o senhor. Ele vai saber lidar com o seu caso. Assim é capaz do senhor até ir para a fila do atendimento especial. Pode deixar que quando ele chegar eu explico tudinho.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não é preciso tanto também. Olha! A fila andou. Você vai ficar parado aí que nem um dois de paus?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Agora estou preocupado com o senhor.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">É muita gentileza sua.</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="parenthetical">(fingindo amabilidade)</p>
<p class="dialogue">Culpamos as pessoas das quais não gostamos pelas gentilezas que nos demonstram&#46;&#46;&#46; Friedrich Nietzsche.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(resmungando)</p>
<p class="dialogue">Ai, cacete&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Entram a MULHER e o SEGURANÇA. Ele empurra uma cadeira de rodas.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(apontando para o HOMEM)</p>
<p class="dialogue">Está aí! Não consegue nem andar.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Também não é para tanto, minha gente.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">O senhor não se preocupe. É só sentar aqui. Eu te ajudo.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não devo.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Não deve?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Deve sim.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">O senhor é enfermeiro treinado?</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46;não, mas eu posso ajudar&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Sem querer lhe faltar com o respeito, mas dá para ver que o senhor é forte e sem conhecimento técnico em enfermagem ou medicina é capaz do senhor me machucar. Pode acabar deslocando meu ombro, quebrando meu braço, rompendo uma artéria&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Imagina. Ele é pago para isso.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Pago para machucar os clientes?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Não. Para ajudar clientes que se recusam a andar na fila.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Ai meu deus! A fila! O senhor guardou o meu lugar?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Infelizmente agora é tarde. Vim em socorro desse senhor e só saio daqui quando ele voltar a andar.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(se senta na cadeira de rodas)</p>
<p class="dialogue">Ah, cansei! Vou esperar a fila terminar sentada aqui mesmo.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Na verdade não.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Na verdade eu não sou pago para isso.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Exato! E aposto que ainda assim não te dão o merecido valor pelo seu serviço aqui, não é mesmo?</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">O sindicato está até discutindo salário com os donos do banco&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não é momento de discussão. É momento de ação!</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">Exatamente. Se move aí.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Não me interrompa. Meu colega segurança&#46;&#46;&#46; é o momento das massas se levantarem e defenderem seu lugar.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">É?</p>
<p class="character">MOÇO</p>
<p class="dialogue">O que diabos você tá dizendo?</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">O que eu estou dizendo é que o nosso colega aqui não é pago para ser enfermeiro e que poderia me machucar se resolvesse me sentar nessa cadeira. Isso causaria uma ação na justiça da minha pessoa, o cliente, para com essa instituição, o banco, que acarretaria no mínimo a demissão desse funcionário modelo. Imagine vocês. Mesmo munido das melhores intenções, o simples ato de me auxiliar a sentar na cadeira de rodas faria com que&#46;&#46;&#46; o senhor é casado?</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Sou.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Tem filhos?</p>
<p class="action">MULHER (em segundo plano) apóia a cabeça na mão e começa a dormir na cadeira.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Duas meninas.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46; faria com que suas meninas e sua mulher não tivessem mais comida na mesa ou até um teto sob suas cabeças. Uma desgraça!</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="dialogue">Vendo por esse ângulo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">MOÇO (em segundo plano) aponta a câmera do celular para as pernas da MULHER.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Leve essa cadeira daqui, meu bom homem! Não é necessário o senhor colocar em jogo seu futuro, o futuro da sua esposa e o futuro das suas filhas.</p>
<p class="character">SEGURANÇA</p>
<p class="parenthetical">(saindo de cena com a cadeira e a MULHER sentada nela)</p>
<p class="dialogue">Eu agradeço muito o senhor por ter me informado disso tudo. Obrigado pela gentileza&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="dialogue">Gentileza gera gente ilesa.</p>
<p class="action">MOÇO, indignado, vai atrás do SEGURANÇA tentando impedí-lo de abandonar a cena.</p>
<p class="action">O HOMEM abaixa para pegar o dinheiro e percebe que confundiu-se. A nota é de dois reais.</p>
<p class="character">HOMEM</p>
<p class="parenthetical">(Faz menção de andar, mas sente a perna doendo)</p>
<p class="dialogue">Ai, cacete! E dois reais não cobre nem meu couvert artístico.</p>
</div>

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		<title>Floricultura Genciana</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Apr 2011 07:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[flores]]></category>
		<category><![CDATA[significados]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Esquete para dois atores em uma floricultura. Esquetes em lojas com balcão são quase um sub-gênero de comédia. Inspirado em esquetes de Monty Python, Fry &#38; Laurie e Mitchell and Webb, &#8220;Floricultura Genciana&#8221; tem a mesma pegada básica: um personagem esnobe e outro meio idiota/nervoso/enfurecido. É uma fórmula que gosto muito e acho funcional. [...]]]></description>
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<div><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/floriculltura.jpg" alt="" /></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esquete para dois atores em uma floricultura. Esquetes em lojas com balcão são quase um sub-gênero de comédia. Inspirado em esquetes de Monty Python, Fry &amp; Laurie e Mitchell and Webb, &#8220;Floricultura Genciana&#8221; tem a mesma pegada básica: um personagem esnobe e outro meio idiota/nervoso/enfurecido. É uma fórmula que gosto muito e acho funcional.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. FLORICULTURA &#8211; TARDE</p>
<p class="action">Loja repleta de arranjos e vasos com flores diversas. Atrás do balcão está o FLORISTA borrifando água em um cactus. Entra pela porta da rua o FREGUÊS.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Boa tarde.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Boa tarde. Você poderia me ajudar a escolher um arranjo de flores?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Será um prazer. Ela tem alguma flor preferida?</p>
<p class="parenthetical">(desconfiado)</p>
<p class="dialogue">Como o senhor sabe que é uma &#8220;ela&#8221; a  presenteada e não &#8220;ele&#8221;?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(sorrindo com tom paternal)</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; normalmente mulheres são as mais presenteadas com flores. O senhor costuma ver homens recebendo flores?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">É&#46;&#46;&#46; acho que você tem razão.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Pois bem. O senhor sabe qual é flor preferida da presenteada?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Crisântemos!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(chocado)</p>
<p class="dialogue">Crisântemos?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Sim! Meu pai é um homem e costuma receber crisântemos de aniversário! Arrá! As flores poderiam ser para ele.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(formal)</p>
<p class="dialogue">E ele gosta de crisântemos?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Não sei. Espero que goste.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(suspira)</p>
<p class="dialogue">Entendo. Me perdôe por perguntar, mas seu pai está morto, não é?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Está.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Certo. Mas não é o caso da moça presenteada, correto?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Não! Minha noiva está bem viva!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Uma noiva! E viva ainda por cima! Excelente! Então podemos riscar crisântemos, palmas, cravos de defunto,  antúrios, alstroemérias, bocas-de-leão, molucelas, gérberas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Eu lembro de uma flor. Não lembro o nome dela, mas tinha um cheiro muito bom, pétalas finas, brancas&#46;&#46;&#46; eu acho que dessa ela gostaria.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tentando adivinhar)</p>
<p class="dialogue">Jasmim?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Exatamente!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Ótimo! Quantas?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Como assim? Não estou entendendo.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Jasmim! Significa volúpia. Quero saber&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Não fala essas coisas da Jamin!</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Ah! Jasmim é o nome da sua noiva&#46;&#46;&#46; entendi a confusão. Eu estava falando do significado da flor de jasmim.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Aaah! A flor! Eu achei que&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; que bom que esclarecemos isso logo. O senhor então provavelmente desejará outra flor.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Jacinto.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(confuso)</p>
<p class="dialogue">Jacintos?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Não a flor. Meu nome é Jacinto. Achei melhor me apresentar logo também.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(ligeiramente incrédulo)</p>
<p class="dialogue">O senhor se chama Jacinto e sua noiva se chama Jasmim?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Exatamente.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">É uma bela coincidência.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(segurando um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Sim. Ambos nomes começam com a letra jota. Que tal essas?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Acácias? Representam elegância.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Todas as flores representam algo?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Exatamente. Cada uma tem um significado próprio. Carregam em si uma mensagem personalizada.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Até esses copos de leite?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Que copos de leite?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(apontando para um arranjo de copos de leite)</p>
<p class="dialogue">Esses.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">&#8220;Indiferença&#8221;. Ignore-os por favor.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(cansado)</p>
<p class="dialogue">Eu não tinha idéia de que isso era tão importante. Eu só pensei em dar umas flores&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Mas é para isso que eu estou aqui. Para ajudá-lo com a escolha da flor perfeita para ser presenteada. Que tal um buquê de acácias?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">E acácias significam o que?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Ah! Acácias quando em buquê têm o significado de &#8220;prova de amor&#8221;. Que tal?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; não sei&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">bem, temos dezenas de outras opções&#46;&#46;&#46;. vou expor sobre o balcão cada vaso se o senhor me permite.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(em tom cansado)</p>
<p class="dialogue">Quem inventa esse tipo de coisa?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="dialogue">Hum?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Quem inventa esses significados?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(ignorando)</p>
<p class="dialogue">Eu poderia sugerir a flor de laranjeira? Ela representa noivado.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Não é o que quero saber.</p>
<p class="action">longa pausa</p>
<p class="action">FLORISTA finge estar distraido, ignorando a pergunta. FREGUÊS finge limpar a garganta. FLORISTA tira de trás do balcão um vaso de flores.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(esnobe)</p>
<p class="dialogue">Brinco de princesa significa superioridade, sabe?</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(sério)</p>
<p class="dialogue">Quero saber quem criou essa barbaridade.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão outro vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Cravo amarelo: “desdém”</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(levemente irritado)</p>
<p class="dialogue">Eu te fiz uma pergunta!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Cardo:  &#8220;Desprazer&#8221;.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="parenthetical">(pega o vaso de flores de cardo e o levanta sobre a cabeça)</p>
<p class="dialogue">Eu quebro esse vaso se você não me responder!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Alfazema: &#8220;Calma&#8221;.</p>
<p class="action">FREGUÊS pega o vaso e espatifa no chão.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Eu estou falando sério. Quem é o monstro por trás disso?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Dormideira: “Me deixe&#8221; ou &#8220;Vá embora”</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">O próximo eu quebro na sua cabeça!</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Açucena: “Tristeza e Angústia”</p>
<p class="action">FREGUÊS joga o vaso e FLORISTA se esquiva.</p>
<p class="character">FREGUÊS</p>
<p class="dialogue">Quem inventa essas merdas?</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(tira de trás do balcão um vaso de flores)</p>
<p class="dialogue">Mimosa! &#8220;Segurança&#8221;!</p>
<p class="action">FREGUÊS dá um soco na cara do FLORISTA, que cai no chão. FREGUÊS sai da loja.</p>
<p class="character">FLORISTA</p>
<p class="parenthetical">(com a mão no olho atingido)</p>
<p class="dialogue">AAaah! A genciana! A genciana!</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Alcoólicos Anômalos</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/09/alcoolicos-anomalos/</link>
		<comments>http://flamingcircus.com/2011/04/09/alcoolicos-anomalos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 13:12:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[nonsense]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Esquete de cinco atores em uma sala. Acho importante exercitar o nonsense e esse roteiro tem bastante disso. Também trabalha com o absurdo em escala onde as ideia extravagantes e loucas de um personagem começam a contaminar os outros criando uma espécie de realidade própria de mundo para os personagens. Os personagens ainda ganharam uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p>Esquete de cinco atores em uma sala. Acho importante exercitar o nonsense e esse roteiro tem bastante disso. Também trabalha com o absurdo em escala onde as ideia extravagantes e loucas de um personagem começam a contaminar os outros criando uma espécie de realidade própria de mundo para os personagens. Os personagens ainda ganharam uma sequência em um longo esquete que fiz na seção Sketcheorama.</p>
<div>
<p><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/colonel-mustard.jpg" alt="" width="505" height="682" /></p>
</div>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. SALA &#8211; INDIFERENTE</p>
<p class="action">Reunião em uma sala com 5 pessoas, SENHOR X está de pé. Os outros sentados, olham para ele. Um dos homens em uma cadeira a parte é o COORDENADOR de orientação do grupo e tem um bloco e uma caneta na mão.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Oi, Eu sou o Senhor X e faz seis meses que eu&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Espera!</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">O que foi?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Como assim, &#8220;Senhor X&#8221;?</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">&#8220;Senhor X&#8221;, oras. Sou eu.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Mas seu nome é X?</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Claro que não, mas não é para revelar minha identidade, correto?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">É importante para criar um clima de confiança que cada um compartilhe&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Olha&#46;&#46;&#46; é minha primeira vez aqui. Eu não sei bem as regras. Eu achei que cada um escolhia o pseudônimo.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Não é assim que funciona.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Você que escolhe então? Por que se for, eu prefiro ter um nome legal. &#8220;Senhor X&#8221; eu achei que causava um certo respeito. Passa uma noção de mistério também&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Ninguém escolhe pseudônimos. Você tem dizer seu nome real. É importante para o grupo e para você que cada um possa compartilhar de maneira honesta&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Eu não vou dizer meu nome. Espera aí. Aqui não é a reunião dos Alcoólicos Anônimos?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">É, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Então não faz muito sentido eu dizer meu nome, não é? Afinal não vim aqui para autopromoção ou para fazer contatos. Estou aqui por causa da bebida.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Sim. Você está no lugar certo, mas o anonimato&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Perdão! Quando disse que estou aqui por causa da bebida, não quis dizer que vim aqui para beber. Não é como se vocês tivessem um open-bar por aqui&#46;&#46;&#46; vocês tem?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Não.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Claro que não! É bom que isso fique esclarecido. Pois bem, eu sou o Senhor X e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Espera&#46;&#46;&#46; o anonimato que temos aqui é da porta para fora. Aqui dentro não somos anônimos um para o outro.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Mas tem uma placa na porta dizendo &#8220;Alcoólicos Anônimos&#8221;. Eu entrei e o jornaleiro ali na calçada ficou me olhando como quem pensa &#8220;Mais um bebum!&#8221;. Não acho que é muito anônimo todo esse negócio se você coloca uma placa na porta dizendo o que se passa por aqui.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; pode ser, mas mesmo assim não é nenhuma vergonha ser alcoólatra. Todos aqui somos..</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Você também?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Sim.</p>
<p class="action">SENHOR X se senta pensativo.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">De qualquer forma aqui não usamos pseudônimos, codinomes, apelidos ou qualquer outro tipo de&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">E o Zé?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">O Zé sempre usou apelido. Nunca soube o nome dele. Só chamo ele de &#8220;Zé&#8221;</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">É verdade.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Se vale para um, tem de valer para todos. Prazer, Zé.</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Prazer, Sr. X!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Mas todo mundo sabe que Zé é apelido para..</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Pode parar! Não quero saber! Zé pode ser apelido para Ezequiel, Josevaldo, Zeferino, Zerbini, Zeus&#46;&#46;&#46; ninguém deve tirar conclusões apressadas.</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Zerbini?</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Sem especulações. Para mim Zé é o suficiente.</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Mister Black!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Quem disse isso?</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Eu quero ser o Mr. Black. Falei logo para ninguém pegar o apelido antes.</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">Droga! Então eu sou o Coronel Mostarda!</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Muito prazer, Coronel!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Gente, isso é ridículo. Vocês sabem o nome de cada um.</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Na verdade eu vivo esquecendo.</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">Eu também. Andei tendo umas recaídas e, sabe como é&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Não importa. Eu sei o nome de cada um de vocês e é importante&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Não ouse abrir a boca e revelar nossas identidades!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Peguem ele! Ele sabe demais!</p>
<p class="action">CORONEL MOSTARDA e MISTER BLACK agarram o COORDENADOR pelos braços.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Você pensou que poderia nos trair, não é mesmo?</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Ele pensou sim, Senhor X!</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Vamos ter de nos livrar dele!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Isso é loucura!</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Não é loucura! É a bebida!</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">Ninguém irá desconfiar. E para parecer que foi um acidente atearemos fogo em você. Alguém tem álcool?</p>
<p class="action">PAUSA</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; isso é um bom sinal, não é?</p>
<p class="character">CORONEL</p>
<p class="dialogue">Acho que sim. Essas reuniões estão me fazendo bem. Faz 5 meses que não toco em uma gota de álcool.</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Eu também. Morro de medo de pegar a nova gripe inclusive.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Nesse caso é melhor continuarmos com as reuniões. Quando é a próxima?</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Eu&#46;&#46;&#46; eu não sei.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Arrá! Escondendo segredos agora? O que aconteceu com a importância de se manter o grupo unido revelando suas informações secretas, heim? Não importa! Zé!</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Sim, Senhor X!</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="parenthetical">(dá um bolo de dinheiro na mão de ZÉ)</p>
<p class="dialogue">Tome esse dinheiro, alugue uma sala comercial para o nosso novo encontro. Procure algum lugar pouco movimentado. Seja discreto. Chegando lá aguarde novas instruções!</p>
<p class="character">ZÉ</p>
<p class="dialogue">Entendido!</p>
<p class="action">ZÉ sai de cena.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Mister Black, siga o Zé sem que ele perceba. Precisamos descobrir o local secreto da próxima reunião. Retorne para reportar tudo imediatamente.</p>
<p class="character">MISTER BLACK</p>
<p class="dialogue">Sim, Senhor X!</p>
<p class="action">MISTER BLACK sai de cena.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Coronel Mostarda, corra de encontro com Zé e o informe que ele está sendo seguido! Corra como o vento!</p>
<p class="character">CORONEL MOSTARDA</p>
<p class="dialogue">É para já, senhor!</p>
<p class="action">CORONEL MOSTARDA sai de cena.</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">E você, fique por aqui para interceptar o retorno de Mister Black e mate o traidor antes que ele revele a localização secreta do encontro!</p>
<p class="character">COORDENADOR</p>
<p class="dialogue">Mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">SENHOR X</p>
<p class="dialogue">Nada de &#8220;mas&#8221;! É uma ordem! Enquanto isso vou para casa e ligar para o CVV. Eles serão os únicos que poderão impedir meu suicídio! O futuro do nosso grupo depende de você!</p>
<p class="action">SENHOR X sai de cena.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>É aquele que não quer&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 03:03:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>

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		<description><![CDATA[Esquete para um casal de atores e um cachorro (por favor, lembrem-se que há um cachorro o tempo todo com eles). Todos estão a beira de uma piscina tomando sol e começam a discutir a relação. É o típico de diálogo de DR apresentado em vários programas de humor só que com um pouco mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<div><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/05/pes.jpg" alt="" /></div>
<p>Esquete para um casal de atores e um cachorro (por favor, lembrem-se que há um cachorro o tempo todo com eles). Todos estão a beira de uma piscina tomando sol e começam a discutir a relação. É o típico de diálogo de DR apresentado em vários programas de humor só que com um pouco mais de nonsense, claro.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">EXT. JARDIM COM PISCINA &#8211; DIA</p>
<p class="action">MÁRCIO e a ESPOSA estão sentados em cadeiras reclinadas tomando sol no jardim da casa ao lado da piscina. Um cão pastor alemão está descansando aos pés da ESPOSA. Ambos estão de roupas de banho e óculos escuros.</p>
<p class="action">MÁRCIO dá um gole em um copo de suco e o coloca ao seu lado. Olha para o corpo da esposa. PAN do joelho para cima</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="parenthetical">(hesitante)</p>
<p class="dialogue">Môr?</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Fala, baby.</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Sabe&#46;&#46;&#46; em todos esses anos de casado&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">O que tem?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46;eu nunca havia reparado numa coisa.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Você não tem o pé esquerdo, né?</p>
<p class="action">beat</p>
<p class="action">ESPOSA se apruma na cadeira e continua o diálogo sem virar a cara para MÁRCIO.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="parenthetical">(surpresa)</p>
<p class="dialogue">Você está de sacanagem?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Não, sério. Lembra ontem quando tava passando a novela e eu caí do sofá?</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">O que tem? Você ia se sentar e teve uma vertigem.</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Pois é. Não foi bem uma vertigem. Me desiquilibrei porque reparei no seu cotoco.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Márcio? Na boa? Pára, tá! Já é difícil ter esse problema e a gente nunca falou disso antes. Você sempre encarou numa boa e sempre achei nobre da sua parte.</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Mas é que&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Por que agora, depois de oito anos vivendo juntos você vem com essas brincadeiras? Que coisa infantil! Tá regredindo, é?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Meu amor&#46;&#46;&#46; eu nem sei como explicar isso, mas é verdade. Nunca havia reparado!</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Te juro! Nunca mesmo. Você sabe que homem não repara em nada. Você mesmo vive dizendo.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Porra, Márcio! Não repara se a gente faz as unhas, não repara se a gente faz luzes ou corta mais curtinho o cabelo! Como assim você nunca reparou no meu pé esquerdo?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Mas você não tem pé esquerdo! Como você quer que eu repare também em algo que eu nunca vi?</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">A gente faz sexo há dez anos, Márcio! Dois como namorado e oito como marido e mulher! Eu não tô acreditando nisso!</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Mas é verdade! Só reparei ontem. Fiquei na hora em choque e não consegui nem falar contigo. Passei a noite inteira acordado só pensando no seu pé e hoje não aguentei mais. Tive de falar.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Ai, cara&#46;&#46;&#46; é surreal isso. Você é surreal, Márcio!</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Mas você nunca mancou! Como eu&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Eu uso prótese, Márcio! Eu tenho 12 pares de próteses de madeira no armário! Você saberia se não fosse um inútil e tivesse aberto um dia meu armário! Nunca nem reparou no meu pé esquerdo.</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Você não tem p&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Vai tomar no cu, Márcio! Eu não vou ficar ouvindo essa sandice!</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Mas eu tinha de falar alguma coisa, né? Finalmente entendi porque você gasta tanto dinheiro com óleo de peroba&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Você tinha de falar da primeira vez que me viu sem roupa! Como assim você não notou?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Eu tinha outras coisas pra focar minha atenção, amor! Eu não tenho tara por pés, se não&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="parenthetical">(se levanta)</p>
<p class="dialogue">Ah, é? Ainda bem, né? Você tem o que? Horror por pés? Porque se for esse o caso, você não precisa se preocupar muito, querido! Resolvi metade de seus problemas!</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Não fica nervosa, amor. É que isso tudo me pegou de surpresa&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">E eu achando que você não tinha falado nada porque não era importante pra você. Achei você um cavalheiro! Tudo não passava de desatenção retardada! É impressionante!</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Olha. Desculpa, mas é que&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">&#8220;É que&#8221; o que? Você já não falou o que tinha pra falar? Já não me machucou o suficiente?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Amor&#46;&#46;&#46; desculpa. Desculpa mesmo.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Eu não ter o pé esquerdo vai mudar nosso relacionamento? Você vai me amar menos?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Não! De jeito nenhum!</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="parenthetical">(se senta)</p>
<p class="dialogue">Então vamos encerrar esse assunto, tá?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Claro, claro. Não tá mais aqui quem falou.</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="parenthetical">(surpresa)</p>
<p class="dialogue">Como assim? Quem falou então?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">Olha, já pedi desculpas! Você não tá vendo minha cara vermelha de vergonha? Não tá vendo?</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="dialogue">Você tá de sacanagem! De novo, Márcio?</p>
<p class="character">MÁRCIO</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">ESPOSA</p>
<p class="parenthetical">(tateando o chão sem olhar)</p>
<p class="dialogue">Porra, Márcio! Cadê a porra da minha bengalinha? Vou te encher de porrada!</p>
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