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	<title>Flaming Circus</title>
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		<title>ESTOU AQUI</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 19:09:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Planejamento]]></category>

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		<description><![CDATA[www.primeirabase.com Não abandonei o blog. A questão toda é que no momento estou produzindo mais do que escrevendo e o que escrevo não posso publicar porque será produzido. Quero ser produtor? Diretor? Técnico de pós-produção? Editor? Stand-up comic?Não. Quero escrever, mas como ninguém me contrata para isso, estou tomando o caminho longo e tortuoso daqueles [...]]]></description>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.primeirabase.com"><img class="aligncenter" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2011/11/loguinho_primeirabase3.png" alt="" width="308" height="308" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.primeirabase.com">www.primeirabase.com</a></p>
<p>Não abandonei o blog. A questão toda é que no momento estou produzindo mais do que escrevendo e o que escrevo não posso publicar porque será produzido.</p>
<p>Quero ser produtor? Diretor? Técnico de pós-produção? Editor? Stand-up comic?Não. Quero escrever, mas como ninguém me contrata para isso, estou tomando o caminho longo e tortuoso daqueles que não possuem contatos quentes ou parentes na indústria: estou fazendo tudo o que posso e o que sei&#8230; às vezes até o que não sei. Tenho aprendido muita coisa que espero não precisar usar no futuro novamente.</p>
<p>Criei um coletivo e estamos produzindo. E em algum momento começarei a produzir meus textos. Ainda não é a realização do meu sonho, mas é um caminho.</p>
<p>&nbsp;</p>

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		<title>O que você acha engraçado?</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2011 14:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[Texto]]></category>

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		<description><![CDATA[Um artigo em quatro partes sobre a imposição de limites para a comédia,  seu papel na sociedade, minhas observações sobre a diferença entre humor e comédia e minhas opiniões sobre o caso do esquete &#8220;Casa dos Autistas&#8221; veiculado pela MTV através do programa &#8220;Comédia MTV&#8221;. &#160; I &#8211; O Culto Ao Tosco Quando conto para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><center><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2011/04/jesus.jpg" ></center></p>
<p style="text-align: justify;">Um artigo em quatro partes sobre a imposição de limites para a comédia,  seu papel na sociedade, minhas observações sobre a diferença entre humor e comédia e minhas opiniões sobre o caso do esquete &#8220;Casa dos Autistas&#8221; veiculado pela MTV através do programa &#8220;Comédia MTV&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>I &#8211; O Culto Ao Tosco</strong></h2>
<blockquote><p>Quando conto para as pessoas que sou uma comediante eles dizem, &#8220;Ah, você é engraçada?&#8221; e eu digo &#8220;Não. Não é esse tipo de comédia.&#8221; &#8211; Susan Sarandon</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A arte é subjetiva. Cada um tem a sua leitura e opinião daquilo que lhe agrada ou não. É preciso respeitar os gostos individuais e até se regozijar com o fato de que as pessoas podem exercer seu direito de escolha. No entanto acredito que primeiro é preciso ter escolhas, desejar entender suas opções e, em terceiro lugar, tentar compreender suas razões.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que a ignorância é tolerável e irremediável, mas estupidez não tem muito conserto. A diferença entre as duas condições está nas decisões de cada ser um. Tirando os casos de limitação intelectual resultante de traumas, doenças ou deficiências adquiridas, é triste saber que a maioria das pessoas abraça de bom grado a causa da limitação cultural. Não querer saber sobre o que nos cerca e o que existe além de onde sua vista alcança deveria ser crime inafiançável.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não gosto de ouvir Maria Bethânia cantar porque seu estilo e principalmente seu repertório não me causam nenhuma sensação agradável ou estímulo intelectual. Ignorar no entanto que ela é uma excelente intérprete e experiente cantora seria estúpido da minha parte. Essa é a minha opinião e,  por coincidência ou não, a de muitos que conhecem seu trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Defendo que esse tipo de posição é muito mais edificante do que <em>&#8220;Acho Maria Bethânia um porre. Simplesmente acho e não vou refletir sobre isso. Só acho e pronto.&#8221;</em> O que seduz nesse tipo de pensamento tacanho é a facilidade de se lidar com o assunto. Os que compartilham com essa linha de pensamento ficam felizes de opinar sem conhecer quase nada à respeito do que dizem. Nunca ouviram um álbum inteiro da cantora, nunca foram a um show sequer dela. Isso exigiria um esforço mínimo, portanto é melhor não se interessar e ficar na sua caverna olhando as suas sombras.</p>
<p style="text-align: justify;">Pior do que esses são os que olharam para fora da caverna, deram uma rodadinha rápida e voltaram correndo tentando se convencer e convencer os outros que o bom mesmo é a escuridão e seus agradáveis grilhões.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Ah, exposição grátis no MAM que se foda! Bom mesmo é Chaves!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Se alguém discorda, ele buscará apoio em seus semelhantes para a aprovação de uma opinião sem embasamento intelectual: <em>&#8220;Queísso! É muito bom! Engraçadão! <em>Não é, gente?</em>&#8220;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Para ingressar no culto ao banal basta sentar-se em cima da própria mediocridade e  consumir apenas o conteúdo regurgitado que a mídia considera popular e acessível à todos.  O cultista do banal recebe automaticamente um passe para a mega tribo conhecida como &#8220;a massa&#8221;.  O ingresso ainda dá desconto em outras tribos de associadas: times de futebol, religiões, ceninhas pseudo-undergrounds e até fã-clubes de celebridades fabricadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Suas &#8220;opções&#8221; se restringirão a como deseja adornar seu antolho de acordo em busca de aceitação do resto da tribo através do menor denominador comum. Ele assim vende sua condição de indivíduo para pagar a mensalidade da tribo que sustenta suas inseguranças e carências. Desejo do fundo do coração uma morte rápida à esse movimento. Afinal vivemos em sociedade e esse tipo de conduta é prejudicial à todos.</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>II &#8211; A Comédia</strong></h2>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que é a comédia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.wired.com/magazine/2011/04/ff_humorcode/">Uma matéria publicada na revista Wired</a> dia 14 de abril de 2011 reportou as tentativas de um professor norte-americano de concluir uma fórmula universal da comédia. A sua teoria, <em>&#8220;Violações Benignas: Fazendo O Comportamento Imoral Engraçado&#8221; </em>resumidamente assume que &#8220;o  riso e a diversão resulta das violações que simultaneamente são vistas como benignas &#8211; Percebe-se a violação da dignidade pessoal (ex.: slapstick, deformidades físicas ou mentais), normas linguísticas (ex: sotaques incomuns, malapropismos) e até normas morais (ex.: bestialidade, comportamentos desrespeitáveis) enquanto simultâneamente se reconhece que essa violação não apresenta uma ameaça a si ou a sua visão de mundo.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Até agora essa parece ser a melhor síntese sobre como a comédia funciona ou não funciona e me satisfaz como explicação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O Objetivo da Comédia</strong></p>
<p><center><small><div id="attachment_801" class="wp-caption alignnone" style="width: 338px"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2011/04/molica.jpg"><p class="wp-caption-text">Molière</p></div></small></center></p>
<p style="text-align: justify;">Considero o humor a raiz da comédia. Não existe para mim comédia sem humor, mas é possível o contrário. O humor pode ser sintetizado basicamente como &#8220;tragédia + timing&#8221; e possui o simples objetivo de fazer rir.</p>
<p style="text-align: justify;">A comédia no entanto possui um papel mais complexo, como sintetizou Molière: <em>&#8220;O propósito da comédia é corrigir os vícios do homem. Eu não vejo razão pela qual alguém deveria ser isentado. A tarefa da comédia é corrigir o homem entretendo-o.&#8221;</em></p>
<h2 style="text-align: justify;">III &#8211; Não Acho A Menor Graça</h2>
<p style="text-align: justify;">É um direito seu de não achar a menor graça em uma anedota, sitcom, rotina de stand-up ou qualquer manifestação artística de caráter humorístico no plano da ficção.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora do caráter puramente ficcional estaremos navegando por outros mares, como foi nos dado o exemplo pelo artista costarriquenho Guillermo Habacuc Vargas que realizou uma obra de arte em uma galeria que consistia de um cachorro acorrentado deixado ali para morrer de fome. Por ser um cão real e não uma representação (pintura, escultura etc) de um cão morrendo de fome, Guillermo esbarrou sim em um limite artístico.</p>
<p style="text-align: justify;">Se uma obra artística ficcional lhe ofende devido ao tema abordado, essa é uma questão pessoal e deveria ser isenta de qualquer discussão sobre ética pois essas são sobrepujadas pela liberdade de expressão. </p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: justify;">IV &#8211; A Casa dos Autistas</h2>
<p><center><iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/-1sFU_b9bt0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Quando o esquete humorístico apresentado no programa &#8220;Comédia MTV&#8221; causou ojeriza pelo seu tema central (autistas), levantando a discussão sobre a ética na produção de humor na TV, ironicamente o esquete deixou de ser um quadro de humor sobre autistas e passou, sem querer, a ganhar um contexto similar ao da comédia: a crítica. O tema não é mais o autismo e sim os limites de ética sobre a veiculação de uma representação de autistas feita em um quadro humorístico na TV.</p>
<p style="text-align: justify;">Um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=N_jtsfMU90w">esquete transmitido nos anos 80 por uma rede de TV canadense</a> mostrava um pistoleiro covarde atirando em uma criança e sua mãe pelas costas. Eu achei engraçado e não achei ofensivo porque sei que isso não representa uma ameaça real à mulher, à criança, à mim ou minha forma de ver o mundo. Desconfiei no entanto que poderia ser ofensivo para outras pessoas. Ao descrever esse esquete para minha mãe ela reagiu de maneira negativa declarando que eu era doente ou estava doente por achar aquilo engraçado.</p>
<p style="text-align: justify;">Repare que novamente o cerne da questão foi desviado. Ela não se preocupou se o esquete funcionava ou não como quadro humorístico. Minha mãe apenas coletou o tema e reagiu com repulsa à possibilidade de eu achar engraçado, discutindo com revolta essa questão. Eis a comédia.</p>
<p><center><br />
<iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/N_jtsfMU90w" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></center></p>
<p style="text-align: justify;">Quando penso que um quadro cômico pode ofender alguém, associo novamente que o humor nada mais é do que <em>tragédia + timing</em> e me pergunto: e se fosse um drama? A reação seria a mesma? Acredito que não.</p>
<p style="text-align: justify;">Por ter sido empregado o uso do humor (paródia, sátira, etc.) o esquete incomodou certas pessoas, incluindo uma conhecida minha que tem um filho autista. Eu realmente sinto muito que ela tenha se sentido incomodada e que tem todo o direito de manifestar seu incômodo junto com as vozes dos outros que se sentiram ofendidos. Feliz é o país onde todos podem exercer sua liberdade de expressão e que exista espaço para cada um&#8230; o problema, como sempre nessas questões, é quando o direito de um entra em conflito com o do outro.</p>
<p style="text-align: justify;">A polêmica que tomou força essa semana me parece apontada exclusivamente aos limites de tema na comédia ou no humor. A reação de Adnet e a MTV foram se desculpar e investir em ações sociais e vinhetas promocionais sobre o autismo. Acho excelente o investimento e seria fantástico se tivessem começado no mesmo dia que veicularam o esquete, mas a desculpa é desprezível.</p>
<blockquote><p><em>&#8220;O quadro apresentado tinha a minha participação, assim como de mais cinco atores. Somos contratados da emissora. Acredito na responsabilidade coletiva, incluindo principalmente os roteiristas, diretores e a própria emissora. Ainda assim, não seria justo eu lavar as mãos e me eximir de qualquer responsabilidade.&#8221;</p>
<p>&#8220;Fui muito atacado. Estou triste de ter que carregar essa culpa. Assim como os outros atores, estou de coração aberto. Acho que o quadro foi de mau gosto e estou do lado das famílias. Não sou um monstro&#8221;</em>  &#8211; Marcelo Adnet</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Adnet informou pelo Twitter que o esquete lhe havia sido sugerido há um ano, mas ele o recusara por temer justamente a reação polêmica do público. Continuou declarando que, dessa vez em 2011, não conseguiu evitar a sua produção. Ora&#8230; se o esquete foi criado por um roteirista para ser produzido, Adnet exerceu o poder de veto por achar antiético, mas finalmente acabou cedendo, ele se mostrou antiético por não optar simplesmente em bater o pé ou até pedir demissão. Ele não é um escravo da MTV. Se o próprio Adnet escreveu o esquete, por consequência ele não pode considerá-lo antietico. Descartá-lo primeiramente para evitar polêmicas e agora pedir desculpas pelo que criou é no mínimo repulsivo, pois mostra que Adnet deixou de defender sua obra, lhe dando o status de defeituosa e falha, quando deveria ser amada e aceita como todos os outros esquetes do seu programa.</p>
<blockquote><p>
<em>&#8220;(&#8230;)Houve desconhecimento na abordagem sobre o transtorno global de desenvolvimento, uma infelicidade, em que foram ultrapassados os <strong>limites aceitáveis do humor</strong>&#8220;, </em>explicou em comunicado Angela Rehm, diretora de relações governamentais do Grupo Abril.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Tenho a absoluta convicção de que a partir de agora uma censura reinará na criação dos quadros da MTV e possivelmente a polêmica ecoará em outras emissoras que produzem programas de humor. A auto-censura será também empregada minando a integridade artística dos roteiristas e impulsionando a produção de humor do país ladeira abaixo na direção do politicamente correto e do culto ao tosco, onde o menor denominador é a baliza para o sucesso. Se existe algo nessa história toda que me ofende é isso: sem humor (que funcione ou não), é impossível que se produza a comédia e qualquer limite imposto à comédia equivale a rejeição completa do gênero.</p>

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		<title>Cavernas e Correntes Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 08:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Esquete em 3 partes com dois cenários. Um é composto de duas paredes de caverna o outro é uma sala de roteiro onde dois roteiristas discutem sobre a primeira parte do esquete como se ele ainda estivesse pendente para ser produzido ou não. A segunda e terceira parte é um meta-esquete e creio que esses [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p><center><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2011/04/Platos-allegory-of-the-cave2.jpg" ></center></p>
<p>Esquete em 3 partes com dois cenários. Um é composto de duas paredes de caverna o outro é uma sala de roteiro onde dois roteiristas discutem sobre a primeira parte do esquete como se ele ainda estivesse pendente para ser produzido ou não. A segunda e terceira parte é um meta-esquete e creio que esses dois personagens retornarão em outros esquetes. :)</p>
<p>PARTE 1<br />
Personagens: Rialto, Júlio, Marcos, Amanda e Elisa.</p>
<p>PARTES 2 e 3<br />
Personagens: Ronaldo e Arthur</p>
<div class="scrippet">
<p class="character">PARTE 1/3</p>
<p class="dialogue">INSERT VINHETA animada do programa parodiando Big Brother Brasil
<p class="sceneheader">INT. CAVERNA &#8211; DIA</p>
</p>
<p class="action">Obs.: TODOS os diálogos serão O.S. com eco pois só as sombras dos atores aparecem. </p>
<p class="action">Em uma parede de pedra da caverna é projetada a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(Empolgado)</p>
<p class="dialogue">Estamos de volta com o Cavernas e Correntes Brasil. Vamos dar uma espiadinha no que os acorrentados da caverna mais famosa do Brasil estão fazendo.</p>
<p class="action">CORTA para outra parede da caverna. As sombras de JÚLIO, MARCOS, AMANDA e ELISA se projetam. Eles estão acorrentados pelo pescoço sem poder mover muito a cabeça e pelos pulsos, podendo mexer os braços. Não vemos mais a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Marcos, você está acordado?</p>
<p class="character">MARCOS</p>
<p class="dialogue">Acho que não e você?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Era o que eu ia te perguntar em seguida.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Bom dia, acorrentados!</p>
<p class="action">MARCOS, JÚLIO e AMANDA </p>
<p class="action">Bom dia, Rialto!</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(acanhada) </p>
<p class="dialogue">É dia?</p>
<p class="action">RIALTO ri.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Sim, Elisa. É dia sim. Dia maravilhoso! Dia de paredão!</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(triste)</p>
<p class="dialogue">Mas todo dia é dia de paredão, Rialto. Tudo é paredão.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Elisa! Você parece triste! Desse jeito o Brasil vai achar que você quer ir sair da caverna.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Como assim? Sair da onde? O que significa a palavra &#8220;caverna&#8221;?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Ah! Essa é a grande surpresa! Um de vocês vai descobrir, mas primeiro está na hora do confessionário. Quem vai ser o primeiro?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Eu, Rialto.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Então rapidinho! Já para o confessionário.</p>
<p class="action">Todos tapam os ouvidos com exceção de Júlio.</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Meu voto vai para a Elisa porque ela é a mais distante de mim e eu tenho a tendência de ridicularizar ou temer aquilo que não conheço.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Ok, Júlio. Seu voto está anotado e como sempre não fará diferença alguma. Cutuca aí a Amanda que é a vez dela.</p>
<p class="action">JÚLIO cutuca AMANDA que tira as mãos dos ouvidos. JÚLIO tapa os ouvidos com as mãos.</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Oi, Rialto. Meu voto hoje vai vai para a Elisa. Eu não sei o que vai acontecer se ela for a mais votada. Na verdade ninguém aqui entende direito porque está aqui em primeiro lugar, mas se algo ruim acontecer com ela eu acho que vai ser algo bom para o resto do grupo porque ela tem apresentado um comportamento diferente.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(preocupado)</p>
<p class="dialogue">Diferente como, Amanda?</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Eu não sei explicar, mas outro dia ela disse uma coisa aburda. Disse que as correntes estavam incomodando o pescoço dela. Vê se pode!</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Beleza, Amanda. Seu voto foi como sempre ignorado. Pode cutucar todo mundo.</p>
<p class="character">AMANDA</p>
<p class="dialogue">Mas a Elisa e o Marcos não vão votar?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="parenthetical">(sério)</p>
<p class="dialogue">Não será necessário.</p>
<p class="action">AMANDA cutuca todos. </p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Rialto, eu queria dizer que tenho pensado sobre essa história de voto e cheguei à conclusão que não me agrada vot&#46;&#46;&#46; ué? Porque ninguém mais está com os ouvidos tapados?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Porque não será necessário mais confessionários hoje, Elisa. A produção do programa decidiu que você vai atender o Caverna Fone. Atende porque está tocando.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Eu não estou ouvindo.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Não importa. Estou dizendo que está tocando. Atende.</p>
<p class="action">ELISA coloca ao ouvido uma lata com um barbante amarrado na ponta.</p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="dialogue">Alô?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Elisa, você tem mostrado um comportamento estranho do resto dos seus companheiros. Você tem feito perguntas pertinentes e ponderado se existe algo além do que consegue ver. Aqui vai o seu desafio: as correntes não estão trancadas&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">ELISA</p>
<p class="parenthetical">(bestificada)</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">As correntes de vocês não estão trancadas. O desafio é que se você desejar você pode simplesmente se levantar, virar para outro lado e caminhar em qualquer outra direção. Mas você não pode tirar as correntes dos seus colegas.</p>
<p class="action">CORTA PARA a outra parede da caverna com a sombra de RIALTO.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">E agora? Será que Elisa vai aceitar o desafio do Caverna Fone? Será que ela vai contar para os outros sobre o segredo do desafio? E se contar como os outros reagirão?</p>
<p class="character">JÚLIO</p>
<p class="dialogue">Nós ainda não sabemos, Rialto. Ela tá decidindo ainda.</p>
<p class="action">CORTA PARA ângulo aberto onde se revela que a parede que a sombra de RIALTO está é a mesma que os outros estão. Ele só não está tão próximo.</p>
<p class="character">RIALTO</p>
<p class="dialogue">Por enquanto é só, mas fiquem ligados porque já já estaremos de volta xeretando mais um pouco do Caverna e Correntes Brasil.</p>
<p class="character">MARCOS</p>
<p class="dialogue">Ele tá falando com a gente?</p>
<p class="action">INSERT VINHETA animada do programa parodiando Big Brother Brasil</p>
<p class="action">FIM DA PARTE 1/3</p>
<p class="character">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;-</p>
<p class="action">PARTE 2/3</p>
<p class="character">FADE IN</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. SALA DOS ROTEIRISTAS &#8211; INDIFERENTE.</p>
</p>
<p class="action">ARTHUR e RONALDO sentados à mesa, revisando roteiros. Ao fundo uma bancada com uma TV desligada, pastas de papéis e uma estante com um monte de capas de fitas de vídeo, DVDs e livros.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Arthur, esse esquete aqui sobre a caverna&#46;&#46;&#46; não sei se vai funcionar.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">O que tem de errado nele? Você mesmo disse que o esquete é ótimo.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu achei muito bem bolado, mas as pessoas vão entender a referência do Mito da Caverna? Não acho que seja um tema muito popular.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Ronaldo, o Mito da Caverna é uma das alegorias mais populares do Platão. Acho difícil alguém conhecer Platão e não conhecer o Mito da Caverna.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu concordo, mas é que não sei se muita gente ouviu falar de Platão. E se ouviram é provável que possam achar que é o nome de um planeta. Acho que a gente deveria escrever uma coisa popular sobre o cotidiano.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Mas é um esquete sobre o mito e sobre um reality show. Ele vai agradar os fãs de reality show e os de filosofia grega&#46;&#46;&#46; e principalmente os fãs das duas coisas.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É que provavelmente existe gente no Brasil que acha que alegoria é algo relacionado apenas à escolas de samba e parábolas servem para captar sinais de TV do espaço&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(interrompendo)</p>
<p class="dialogue">Provavelmente do planeta Platão. Desculpa. Piada sem graça.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Não. Talvez seja esse tipo de chiste atraia a audiência enquanto uma sátira que nem essa espante. Se perdermos a audiência nosso programa pode ser cancelado.</p>
<p class="action">Os dois ficam pensativos.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Se você se deparasse com alguma referência sobre Platão pela primeira vez na vida. Você não sentiria vontade de pesquisar a respeito para poder aprender mais sobre o assunto?</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Lógico, mas eu desconfio que a maioria das pessoas não faz isso. Pesquisas mostram que a maioria das pessoas não pesquisa. E eu li também que elas não costumam ler.  Arthur&#46;&#46;&#46; eu começo a desconfiar que a gente não representa muito bem os interesses de entretenimento do brasileiro com o nosso programa.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bobagem! Quase todos os nossos amigos acham engraçado o que a gente escreve.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu não tenho certeza de que essa  amostragem é representativa para todas as classes sociais entre as mais de cento e noventa milhões de pessoas que podem assistir nosso programa.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bem, se levarmos em conta milhões de pessoas, podemos ficar tranquilos que muita gente conhece Platão.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Tudo me leva a crer que a o povo em geral não se interessa em aprender mais do que o necessário para sobreviver por acharem o processo de estudar e pesquisar desagradável e difícil ao invés de encará-lo como um desafio para seu crescimento pessoal como indivíduo. Lances assim, saca?</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Pôxa. Se isso for verdade é uma lástima. Se pelo menos houvesse uma forma do povo aprender coisas de forma agradável.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É. Se houvesse alguma forma de passar a informação de maneira leve e divertida estimulando a procura de conhecimento&#46;&#46;&#46; e teria de ser algo que pudessem acessar diariamente em casa de preferência.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Algo que transmitisse imagens e sons. Que pudesse prover uma experiência de imersão para toda a família.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É. Mas enquanto esse aparelho mágico não aparece, temos de trabalhar mais. Afinal fazemos televisão.</p>
<p class="action">FIM DA PARTE 2/3</p>
<p class="character">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;-</p>
<p class="dialogue">PARTE 3/3</p>
<p class="sceneheader">INT. SALA DOS ROTEIRISTAS &#8211; INDIFERENTE.</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; a gente poderia alterar o esquete.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Como?</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; em vez de cavernas e sombras os personagens poderiam zanzar por uma pracinha e ao invés de um apresentador que nem o do reality show a gente coloca um senhorzinho sentado num banco no meio da praça lendo o jornal enquanto umas gostosas passam&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Não acho que vai funcionar. Que tal uma escola noturna onde a maioria dos atores sejam velhos comediantes esquecidos interpretando os alunos. Tem esse professor que faz perguntas sobre ciências e história do Brasil e os alunos respondem contando uma série de piadas curtas de duplo sentido.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="dialogue">Isso é completamente ridículo. Daqui a pouco você vai querer que cada personagem repita uma frase de efeito ou algo assim.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">A gente coloca uma gostosa também fazendo caras e bocas. Ah, esquece! Você tem razão. É ridículo mesmo. Não consigo imaginar alguém que possa achar isso engraçado.</p>
<p class="action">Os dois ficam pensativos e voltam a escrever, mas são interrompidos pela SECRETÁRIA ALICE, que entra vestindo trajes sumários e fazendo poses sensuais exageradas enquanto traz uma bandeja com duas xícaras de café. Ela deixa a bandeja na mesa e serve o café para RONALDO de forma que ao se inclinar para ele, exibe seu decote a poucos centímetros do rosto dele.</p>
<p class="character">SECRETÁRIA ALICE</p>
<p class="parenthetical">(com voz infantilizada)</p>
<p class="dialogue">Trouxe um cafézinho para você, Rorôzinho lindinho!</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="parenthetical">(cômicamente envergonhado faz caras e bocas)</p>
<p class="dialogue">Dona Alice! Desse jeito eu fico até fraaaaacooo.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(olhando marotamente para a câmera)</p>
<p class="dialogue">Ai, essa aí não precisa nem me servir que já me serve! Ô, que absurdo!</p>
<p class="action">SONS DE CLAQUE (RISADAS DE AUDITÓRIO).</p>
<p class="action">CORTA para plano onde vemos SECRETÁRIA ALICE no colo de RONALDO que está constrangido.</p>
<p class="action">CORTA para plano fechado em ARTHUR que está OLHANDO PARA A CÂMERA.</p>
<p class="character">ARTHUR</p>
<p class="parenthetical">(dando uma piscadela)</p>
<p class="dialogue">Ô! Que absurdo!</p>
<p class="action">SOM CÔMICO de TROMBONE</p>
<p class="action">FIM</p>
</div>

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		<title>Iscariote &amp; Himmler Associados</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/23/iscariote-himmler-associados/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Apr 2011 08:05:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Provavelmente meu esquete preferido dessa coleção. Quatro personagens, três homens e uma mulher na sala de reunião de uma empresa. Um dos colegas revela que é um consultor de RH contratado por uma firma especializada em para analisar secretamente aquele setor. Situação bizarra do início, muito &#8220;corporativês&#8221;, referências aos traidores históricos e surrealismo no final. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/03/himmler.jpg">
</p>
<p style="text-align: justify;">Provavelmente meu esquete preferido dessa coleção. Quatro personagens, três homens e uma mulher na sala de reunião de uma empresa. Um dos colegas revela que é um consultor de RH contratado por uma firma especializada em para analisar secretamente aquele setor. Situação bizarra do início, muito &#8220;corporativês&#8221;, referências aos traidores históricos e surrealismo no final.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. SALA DE REUNIÃO / TARDE</p>
<p class="action">MARCUS está sentado na mesa de reunião quando DIANA, EDUARDO e RONALDO entram conversando alguma coisa.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="parenthetical">(descontraído)</p>
<p class="dialogue">E aí, Carlinhos? Reunião a essa hora? Deve ser coisa séria!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Bom dia. Convoquei essa reunião com autorização do Seu Evaristo para anunciar que a partir do fim do expediente não estarei mais trabalhando nesse escritório.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Nossa! Você foi despedido ou se demitiu?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Nenhum dos dois. O segundo tópico dessa reunião é para anunciar que amanhã haverá uma reunião as dez da manhã aqui, quando serão discutidas as mudanças que ocorrerão na cultura organizacional da empresa. Por favor, sentem-se.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Não foi despedido nem se demitiu, mas tá marcando reunião? Espera aí, gente! O Carlinhos virou sócio da firma! Parabéns, Carlinhos! Quer dizer, Seu Carlos! Hahahah! </p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="parenthetical">(sorrindo para MARCUS)</p>
<p class="dialogue">Acho muito merecido. O Carlinhos é o primeiro a chegar todo dia e sempre o último a sair! Trabalha o tempo todo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Ih! Agora como patrão a Diana já está te vendo com outros olhos, rapaz! </p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Não enche, Eduardo! Vocês sabem que eu estou noiva.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Essa é difícil mesmo.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Acho merecido também o Carlinhos virar sócio. Se dá bem com todo mundo aqui. Até com Seu Evaristo, que não é um patrão fácil&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Não é nada disso, gente. Vocês não estão compreendendo, mas é natural que tudo isso possa parecer confuso. Eu estou aqui para explicar toda a situação e falar sobre a reunião de amanhã&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Mas Carlinhos&#46;&#46;&#46; sem você aqui quem é que vai conseguir tocar aquele projeto para semana que vem?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Marcus Junius.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Quem?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Meu nome é Marcus Junius.</p>
<p class="action">Os três se entreolham em silêncio.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="parenthetical">(Cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Carlos foi o codinome escolhido para meu trabalho aqui. Na verdade sou um consultor de uma empresa de recursos humanos.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Que?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Meu nome é Marcus Junius. Eu trabalho para uma companhia que é contratada por outras empresas, como essa, para fazer um acompanhamento entre os funcionários e avaliar de maneira pró-ativa o operacional diário. </p>
<p class="action">Silêncio novamente.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Você quer dizer que todo esse tempo você era um consultor de uma empresa de RH?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Exatamente.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">E você nunca falou nada para a gente?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Era necessário manter a discrição. Eu precisava conhecer a fundo todos os detalhes da empresa e compreender as motivações dos funcionários no ambiente de trabalho.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Mas e fora do trabalho? Podia ter mencionado no choppinho de sexta-feira&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Fui contratado para realizar um acompanhamento discreto, completo e detalhado também fora do ambiente de trabalho. Hoje em dia o status social de cada funcionário é importante para os donos de uma empresa&#46;&#46;&#46; A partir daí podemos definir as mudanças necessárias que deverão ser realizadas pelo nosso cliente para redimensionar seus esforços em áreas específicas e otimizar cada uma delas em prol do crescimento da sua empresa.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Você está aqui para demitir a gente? É isso?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Não necessariamente. Um relatório sobre o desempenho de cada um de vocês foi produzido e cabe apenas ao cliente, no caso o Seu Evaristo, decidir quais as medidas a serem tomadas baseado nas nossas pesquisas. É provável que um de vocês tenha de passar por um processo de outplacement durante o operacional do downsizing que a empresa está passando&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Desempregado! A essa hora amanhã serei estatística do IBGE!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Olha, não é bem assim. É comum nesses casos alguns funcionários serem desligados ou realocados. No processo de rotatividade vocês terão outros colaboradores recém-chegados. E além disso é provável que um de vocês possa ser promovido ou ganhar um aumento. Tudo depende de cada caso&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Eu não tô acreditando nisso! A gente é amigo, cara!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; você é meu amigo. Ou pelo menos era até agora. É muito comum esses vínculos sociais se partirem quando termina uma consultoria. É parte do trabalho.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Mas você trabalha aqui há&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Cinco anos e três dias.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Como pode isso? Que empresa faz uma consultoria de cinco anos?</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">E três dias. Nós da Iscariote &#038; Himmler Associados acreditamos em um acompanhamento de longo prazo em todo ambiente colaborativo em busca de resultados diferenciados&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">Inacreditável! Só pode ser piada!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">De jeito nenhum! Nós e seu patrão levamos muito a sério todo esse processo. A Iscariote &#038; Himmler Associados se orgulha de um treinamento especializado e sem paralelos no mercado de consultoria. Somente funcionários altamente qualificados conseguem atingir a posição de consultores plenos depois de rigorosa preparação.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="parenthetical">(Atordoada)</p>
<p class="dialogue">Consultores plenos&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Lembra que eu disse que alguém aqui poderia ser promovido? Pois bem, depois desse trabalho com vocês eu imagino que vá conseguir a promoção para consultor pleno. Afinal já trabalho como consultor júnior há cinco anos&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">E três dias.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Ai meu Deus! E quem vai terminar o projeto na sexta-feira? Você era o que melhor fechava os projetos!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Fechava. Dessa vez vocês terão de confiar na capacitação interna de vocês para atingirem essa meta.</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">O que vai ser da gente sem você? Você é nosso melhor centro-avante no futebol da firma.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Obrigado. Era. Mas como em toda equipe auto-gerida, vocês não sofrerão com a saída de apenas um colaborador.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">E faz o melhor café daqui.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Agradecido. Fazia. Isso realmente agregava valor no clima organizacional do escritório&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Você me ajudou quando meu relacionamento com o Cléberson Carlos estava por um fio! Ele ia te convidar para ser nosso padrinho de casamento!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Eu gostaria de pessoalmente agradecê-los pela hospitalidade no ambiente de trabalho, nas eventuais visitas às suas casas e todas as reuniões de caráter social. Vocês devem entender que com as oscilações do mercado foram necessários ajustes na folha&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Todo esse tempo&#46;&#46;&#46; um consultor! Eu até cheguei a pensar que todo seu interesse na minha vida era porque você tinha uma queda por mim!</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Por favor, Carlinhos, não vai embora! </p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">É. Esquece isso! Fica com a gente! Você conta sempre as melhores piadas nas festas de fim de ano!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Gente, não é para tanto! Pensem como uma transferência em sintonia com uma mudança de estratégia&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Eu não aguento o café que esses dois fazem! A gente precisa de você!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Infelizmente não será possível.</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="parenthetical">(desabotoando a blusa)</p>
<p class="dialogue">A gente precisa de você! Eu preciso de você! Você quer ter um caso comigo no escritório? Todo homem quer ter um caso com uma colega de trabalho! </p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="parenthetical">(fechando as persianas da janela)</p>
<p class="dialogue">Aproveita, Carlinhos! </p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Que isso? Dona Diana!</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">Me abraça! Me beija! Me toma!</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Beija ela, cara! Pega ela! Vai lá!</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Está bem! Eu sempre quis ter você, Diana! Desde a primeira vez que te vi!</p>
<p class="action">MARCUS ataca de beijos DIANA, mas é interrompido por ela e EDUARDO.</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="parenthetical">(desapontado)</p>
<p class="dialogue">Marcus, Marcus&#46;&#46;&#46; por favor sente-se.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">O que? </p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">Infelizmente sou obrigado a notificá-lo de que você não correspondeu às nossas avaliações de desempenho e portanto, não temos outra alternativa que não seja rescindir nosso termo contratual com você.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Hã? </p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="parenthetical">(abotoando a camisa)</p>
<p class="dialogue">Você não está compreendendo, mas é natural que tudo isso possa parecer confuso. Seu desligamento será oficializado amanhã na reunião das dez horas. Inicialmente pretendíamos promovê-lo para funcionário pleno&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Mas&#46;&#46;&#46; mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">EDUARDO</p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46; porém assédio sexual é uma acusação séria que nós não podemos nos arriscar a sofrer. Como você mesmo disse, o jurídico e o financeiro estarão amanhã aqui com Seu Evaristo. </p>
<p class="action">EDUARDO, RONALDO e DIANA começam a sair da sala.</p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Mas o Seu Evaristo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">RONALDO</p>
<p class="dialogue">É o nosso consultor sênior encarregado do seu treinamento. </p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Treinamento?</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="parenthetical">(no vão da porta)</p>
<p class="dialogue">A Iscariotes &#038; Himmler Associados se orgulha de um treinamento especializado e sem paralelos no mercado de consultoria. </p>
<p class="character">MARCUS</p>
<p class="dialogue">Mas eu te amo, Diana!</p>
<p class="character">DIANA</p>
<p class="dialogue">É muito comum esses vínculos sociais se partirem quando termina uma consultoria. É parte do trabalho. Amanhã, às dez! Beijos!</p>
<p class="action">DIANA fecha a porta. FADE OUT.</p>
</div>
</div>
<p>target=&#8221;_blank&#8221;>NenadK</a>.</p>

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		<title>Cílios</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Apr 2011 13:17:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>

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		<description><![CDATA[O menor e mais antigo esquete dessa coleção. Feito especialmente para duas atrizes. Baseado em uma cena que vi em um café onde duas mulheres repetiam uma brincadeira de criança. Acho interessante que esse esquete pode ser interpretado (e produzido) como uma obra de terror dependendo da direção, trilha sonora e, é claro, da atuação. [...]]]></description>
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<div align="center">
<img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/03/cilios.jpg"></p>
<p>O menor e mais antigo esquete dessa coleção. Feito especialmente para duas atrizes. Baseado em uma cena que vi em um café onde duas mulheres repetiam uma brincadeira de criança. Acho interessante que esse esquete pode ser interpretado (e produzido) como uma obra de terror dependendo da direção, trilha sonora e, é claro, da atuação.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. BAR/RESTAURANTE &#45;&#45; DIA</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">Duas amigas sentadas a mesa terminando de comer a sobremesa, quando uma repara nos óculos da outra. Ela aproxima uma das mãos da lente do óculos da amiga, que levemente se retrai assustada.</p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Calma aí que tem um cílio nos seus óculos. </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Ai&#46;&#46;&#46; tira. </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Aperta ele com o seu dedo no meu e a gente faz um pedido.</p>
<p class="action">As duas unem um de seus polegares em torno do cílio e o pressionam.</p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Pronta?</p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Pronta.</p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Tira!</p>
<p class="action">Elas afastam as mãos e examinam os polegares à procura do cílio. Ele está no polegar da MULHER 1.</p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Iêii! O desejo é meu!</p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="parenthetical">(fingindo tristeza)</p>
<p class="dialogue">Ah&#46;&#46;&#46; nem meu cílio me ajuda. Que sorriso é esse?</p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Estou pensando no meu desejo. </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Huummm&#46;&#46;&#46; não pode contar né? Se não, não se realiza. </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Pois é. Hihihi </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Olha! Caiu outro cílio meu! </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Oba! </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Poxa! Dessa vez tem de ser meu o pedido! </p>
<p class="action">Elas repetem o ritual.</p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Pronta? </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Pronta! E você? </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Tira! </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Iêi! Outro pedido! Vivaaaa! </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Sacanagem! Isso é injusto! </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">E o melhor é que o primeiro pedido se realizou. </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Como assim? </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Pedi que todos os seus cílios caíssem. Olha outro ali! Peguei. </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Como é? </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Pedi que todos os seus cílios caíssem. Assim a gente teria um monte de desejos para gente! </p>
<p class="character">MULHER 1</p>
<p class="dialogue">Cacete! Caiu outro! Como você me faz um pedido desse? </p>
<p class="character">MULHER 2</p>
<p class="dialogue">Não esquenta não! Quando cair o último a gente pede pra todos crescerem de novo bem rapidinho, ok? Tá pronta?</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>
</div>

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		<item>
		<title>O Assassino do Alfabeto</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/21/177/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 13:24:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
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		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
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		<category><![CDATA[professor pasquale]]></category>
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		<description><![CDATA[Na verdade eu só queria um pretexto para imaginar o Professor Pasquale atuando em um esquete. Ele tem uma cara ótima para papel de coitado. Obviamente isso nunca acontecerá. Uma coisa que não aprecio nesse roteiro é que ele tem data de validade. Fazer o que? Existem piadas datadas. Já reassistiu TV Pirata? É brabo. [...]]]></description>
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</p>
<div class="scrippet">
<p class="action">Na verdade eu só queria um pretexto para imaginar o Professor Pasquale atuando em um esquete. Ele tem uma cara ótima para papel de coitado. Obviamente isso nunca acontecerá. Uma coisa que não aprecio nesse roteiro é que ele tem data de validade. Fazer o que? Existem piadas datadas. Já reassistiu TV Pirata? É brabo. :(</p>
<p class="sceneheader">INT. APARTAMENTO &#45;&#45; Indiferente</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(abrindo a porta)</p>
<p class="dialogue">Quem é?</p>
<p class="action">ASSASSINO entra com duas mulheres sob a mira de um revólver.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Professor Pasquale! Boa tarde!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">O que é isso?</p>
<p class="character">ASSASSINO </p>
<p class="dialogue">Não se preocupe, professor. Vocês duas! Fiquem juntas com o Professor Pasquale!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Olha, está aqui minha carteira&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não quero o seu dinheiro! Eu quero saber qual das duas irá morrer primeiro. Só isso.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Elas estão doentes? Eu não sou médico&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não é nada disso. Quero saber qual das duas mato primeiro.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Deve haver algum engano! Eu nem conheço essas moças! </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Kelly e Letícia: Professor Pasquale. Professor Pasquale:  Kelly e Letícia. </p>
<p class="character">KELLY E LETÍCIA</p>
<p class="dialogue">Prazer. Muito prazer.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Oi. E quem é você?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Eu sou&#46;&#46;&#46; o Assassino do Alfabeto. </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Aquele que escolhe a vítima pela sequência alfabética dos nomes? </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Exatamente. O que o senhor esperava? Que eu matasse letrinhas? </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Chega de papo. Então? Qual das duas morre primeiro?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu não estou entendendo.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Se o senhor não está, imagine eu! Vim aqui para confirmar com um especialista as novas regras  da língua portuguesa. É verdade que incluíram K, W e Y no alfabeto português? Isso já está em vigor?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Sim. Está, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Então é a Kelly!</p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="dialogue">AAaaahhh! Não me mata!</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(corrigindo)</p>
<p class="dialogue">Não me &#8220;mate&#8221;!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não importa, professor! Essa inculta nunca mais cometerá esse erro. </p>
<p class="action">ASSASSINO mira na cabeça de KELLY.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não! Espera! Ainda não é obrigatório!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Como é?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Ainda não é obrigatória a mudança. O Brasil tem até 2012 para efetuar a transição das novas regras da língua.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Até 2012? Assim não dá. E agora?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não sei! Por que você não esquece isso e se entrega para a polícia?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Mas eu seria preso! Não seria muito prático para mim. Imagine ter de continuar meu trabalho na cadeia para chegar na letra ípsolon e não encontrar nenhum detento chamado Yuri. Não, não&#46;&#46;&#46; nada prático.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Então volta para sua casa e esquece a gente aqui. Em 2012 você pode retornar às suas atividade. Tire umas férias prolongadas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(pondera por um momento)</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; não, não. Tem toda essa história do mundo acabar em 2012. Não sou homem de deixar serviço por fazer. Tem de haver outra maneira.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; não dá para matar as duas ao mesmo tempo!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Genial, professor! O senhor é um gênio. Como posso fazer isso?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu disse que não dá par&#46;&#46;&#46;Eu não sei. Eu estou nervoso. Por favor não me mate!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não vou matá-lo.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não?</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Quer dizer&#46;&#46;&#46; ainda não. Em algumas semanas talvez. O seu nome começa com a letra “P”&#46;&#46;&#46; eu costumo matar uma pessoa por semana (com exceção as duas de hoje, que será serviço dobrado)&#46;&#46;&#46; o senhor tem aí mais umas cinco semanas de vida! Até lá a gente resolve toda essa questão antes que eu chegue no “w”.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Você é louco!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Não vou te matar, mas posso atirar nas suas duas pernas. Não crie um ambiente hostil, professor! Estamos todos aqui para colaborar com um problema em comum, entendeu?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Sim. Perdão.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Então? Como matar as duas ao mesmo tempo? Se eu enfileirar as duas e  atirar, uma vai receber a bala antes da outra. Poderia ser tanto a Kelly quanto a Letícia.</p>
<p class="action">ASSASSINO aproxima o revólver da cabeça de LETÍCIA.</p>
<p class="character">LETÍCIA</p>
<p class="dialogue">Não! Por favor! Não me mata!</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(olha para PROFESSOR)</p>
<p class="dialogue">Não é irritante? O senhor acabou de explicar&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Olha&#46;&#46;&#46; se você atirar nas duas não significa que as elas morrerão ao mesmo tempo. Uma pode sobreviver por mais um segundo ou dois.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">É verdade&#46;&#46;&#46; não posso deixar esse furo. Já sei! Coloco as duas em uma banheira cheia d´água e jogo uma televisão em cima delas. O choque vai matar as duas ao mesmo tempo. </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Mas eu não tenho uma banheira.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Uma bacia serve.</p>
<p class="character">PROFESSOR	</p>
<p class="dialogue">Eu também não tenho televisão. </p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Por que todo intelectual cisma Com essa mania? Água pelo menos você tem?</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Com o salário de professor&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Eu poderia jogar as duas ao mesmo tempo pela janela&#46;&#46;&#46; a velocidade de queda é sempre constante.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Não funcionaria.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Você tem razão. Uma está de vestido e a outra de calça jeans. Perderiam a sincronia durante a queda por causa da aerodinâmica e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="dialogue">Eu moro no segundo andar.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Ah é.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="parenthetical">(cont’d)</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; não tem outro jeito. Coloco uma bala na cabeça das duas e sequestro o senhor até que se passe cinco semanas. Aí te mato e ninguém saberá o que aconteceu exatamente aqui. Minha reputação como Assassino do Alfabeto continuará intacta. Resolvido.</p>
<p class="action">ASSASSINO aponta o revólver para KELLY e LETÍCIA, que se desesperam ainda mais. </p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="parenthetical">(aos prantos)</p>
<p class="dialogue">Eu não quero morrer! </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(se coloca na frente da arma, junto às moças)</p>
<p class="dialogue">Não faça isso, meu amigo! Elas são jovens! Possuem toda uma vida pela frente! </p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Essa é praticamente uma criança. Qual é o seu nome mesmo?</p>
<p class="character">KELLY</p>
<p class="parenthetical">(enxugando as lágrimas)</p>
<p class="dialogue">Kelly&#46;&#46;&#46; Kelly Luisa.</p>
<p class="character">PROFESSOR</p>
<p class="parenthetical">(saindo rapidamente da frente de KELLY)</p>
<p class="dialogue">Kelly Luisa. &#8220;K&#8221;, &#8220;L&#8221;. Odeio nome composto. Paciência&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">FADE OUT com som de tiro disparado.</p>
<p class="character">COLD TAG</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. Quarto &#45;&#45; Noite</p>
</p>
<p class="action">Sentado em uma mesa iluminada por uma luminária, ASSASSINO consulta a lista telefônica ao som de “ABC” dos Jacksons Five.</p>
<p class="character">ASSASSINO</p>
<p class="dialogue">Wellington Vaz&#46;&#46;&#46; Wellington Vieira&#46;&#46;&#46; Wellington Xavier!</p>
<p class="action">
<p class="action">FADE OUT</p>
</p>
</div>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jMhKXWvAJoo&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/jMhKXWvAJoo&#038;hl=en_US&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object>
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		<title>O Day After de JC</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Apr 2011 02:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>

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		<description><![CDATA[Gosto de pensar que se JC realmente realizou o milagre na multiplicação dos pães, teria afetado a economia da região de maneira terrível. Na época, cada vilarejo possuía no máximo algumas dezenas de pessoas. Juntar mil pessoas para uma festa já seria um milagre por si só. Outro detalhe: os pães eram feitos para durarem [...]]]></description>
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<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/jc_depois_da_festa.jpg"></div>
</p>
<p>Gosto de pensar que se JC realmente realizou o milagre na multiplicação dos pães, teria afetado a economia da região de maneira terrível. Na época, cada vilarejo possuía no máximo algumas dezenas de pessoas. Juntar mil pessoas para uma festa já seria um milagre por si só. Outro detalhe: os pães eram feitos para durarem uma semana ou mais. Imagine se de uma hora para outra o mercado panificador fosse inundado por uma superprodução de mil pães. Colapso econômico total. </p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">EXT- Deserto ou ravina &#8211; Tarde</p>
<p class="action">Doze homens reunidos em torno de JC.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Chamei vocês hoje aqui para discutir a festa da noite passada. </p>
<p class="action">TODOS murmuram entre si.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Certos eventos ocorreram, a situação ficou meio fora de controle. Sei que bebi demais e, para que não seja a última festa, preciso esclarecer alguns pontos porque sinceramente, não lembro de mais da metade do que aconteceu.</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="parenthetical">(receoso)</p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; do que exatamente o senhor lembra?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">De muito pouco, Pedro. Sei que vocês querem seu lugar ao meu lado e que não esconderiam nada de mim, portanto quero a verdade. Eu fiz alguma bobagem?</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Nããão! Imagina! O senhor foi um gentleman!</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Se você não falasse agora, eu nem saberia que o senhor tinha ficado bêbado.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Sem puxar o saco, Matheus. Eu sei que bebi demais. André?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Hã?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Você ficou encarregado dos convites. Você pode me explicar como é que tanta gente apareceu por lá? Devia ter umas três mil pessoas!</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; acho que a notícia se espalhou e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">E você pode me explicar então porque essa notícia não foi junto com &#8220;Meninas trazem comida e meninos as bebidas?&#8221; Não tinha isso no convite? Como é que aquele monte de gente chega sem trazer nada? </p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Tinha&#46;&#46;&#46; quer dizer&#46;&#46;&#46; no começo tinha, mas eu tive um problema na gráfica.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Que problema?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Eu tive que riscar essa parte porque ficou &#8220;Meninos tragam bebidas e meninas comidas&#8221;. Não ia pegar bem, sabe?</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">É. Não ia. Tá certo. Isso eu posso perdoar, mas&#46;&#46;&#46; nem umas coxinhas, pô? Mil pessoas! Precisei pedir a Madá pra fazer um PF improvisado. Sorte que ela é ótima na cozinha.</p>
<p class="action">TODOS fazem uma expressão de nojo, mas tentam esconder.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">O que foi? Alguém discorda de mim?</p>
<p class="action">Todos negam ao mesmo tempo e repetidamente sem convicção.</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Imagina! Aquele peixe com pão tava delicioso.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Também achei. E harmonizava maravilhosamente com o vinho que ela trouxe. Você provou o vinho, André?</p>
<p class="character">ANDRÉ</p>
<p class="dialogue">Ma-ra-vi-lho-so! Néctar divino!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Ela mesmo amassou aquelas uvas, como vocês sabem. Pedro?</p>
<p class="character">PEDRO</p>
<p class="dialogue">Oh sim! Ambrosia dos céus!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Matheus, você bebeu também, não é?</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Claro! Como não? O vinho da senhorita Madalena, a que o senhor tanto preza! Que todos nós prezamos imensamente! Vinho das uvas amassadas pelos celestiais e formosos&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="action">TODOS concordam desconcertados. MATHEUS tapa rapidamente a boca, dá uma golfada e engole.</p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="parenthetical">(con&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Perdão, vomitei um pouco dentro da boca. Uhh&#46;&#46;&#46; ufa&#46;&#46;&#46; uh.. já passou. Desculpa. Como ia dizendo&#46;&#46;&#46; amassada pelos celestiais e formosos pézinhos de Madalena! Nada poderia ser mais&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">JC </p>
<p class="dialogue">Chega, Matheus! Deixa ver se eu entendi. Todos na festa beberam o vinho?</p>
<p class="action">TODOS concordam.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Todos, e digo todo mundo mesmo, comeram peixe e pão?</p>
<p class="character">TODOS</p>
<p class="parenthetical">(ao mesmo tempo)</p>
<p class="dialogue">Errr&#46;&#46;&#46; </p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Comeram?</p>
<p class="action">TODOS concordam fingindo ainda mais.</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="parenthetical">(pensativo)</p>
<p class="dialogue">Mas, espera! Se eram apenas um garrafão de vinho, uns cinco pães e dois peixes&#46;&#46;&#46; um bando de gente esfomeada&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="character">TODOS</p>
<p class="parenthetical">(gritam e se ajoelham)</p>
<p class="dialogue">Milagre! É um milagre! Aleluia!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">É&#46;&#46;&#46; só pode. Deve ter sido isso mesmo. Tá certo, mas da próxima vez quero uma reuniãozinha mais intimista. No máximo doze convidados e a gente vai manerar no pão e no vinho. Não quero ficar doidão de novo e fazer besteiras. </p>
<p class="character">MATHEUS</p>
<p class="dialogue">Este é verdadeiramente o Profeta que há de vir ao mundo!</p>
<p class="character">JC</p>
<p class="dialogue">Chega, Matheus!</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Cigarros Eternos</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/18/cigarros-eternos/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Apr 2011 03:58:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[cerveja]]></category>
		<category><![CDATA[céu]]></category>
		<category><![CDATA[cigarros]]></category>
		<category><![CDATA[purgatório]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual seria o seu paraíso e qual seria seu inferno? Nesse esquete dois atores em dois cenários (uma pequena sala de espera e um bar) interpretam uma versão do que seria a vida após a morte. Um ser que pode ser um anjo ou um demônio entrevista o recém falecido Tenório sobre o que ele [...]]]></description>
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</div>
</p>
<p>Qual seria o seu paraíso e qual seria seu inferno? Nesse esquete dois atores em dois cenários (uma pequena sala de espera e um bar) interpretam uma versão do que seria a vida após a morte. Um ser que pode ser um anjo ou um demônio entrevista o recém falecido Tenório sobre o que ele deseja para a eternidade. Ele pode escolher três coisas.</p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">INT. SALA de ESPERA &#8211; INDIFERENTE</p>
<p class="action">Em uma sala de paredes e móveis cinzas, um homem vestindo roupas formais da mesma cor está sentado atrás de uma mesa observando papéis. Há uma cadeira vazia na frente da mesa. A sala possui duas portas. Uma está fechada e pela porta aberta entra TENÓRIO tossindo. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(olhando curiosamente a sala)</p>
<p class="dialogue">Com licença? Por favor&#46;&#46;&#46; que lugar é esse?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Você morreu. Sinto muito, sua hora chegou. Você está no purgatório. Eu sou um agente encarregado no auxílio das almas para seu destino final. Sente-se por favor.</p>
<p class="action">TENÓRIO continua olhando para o AUXILIAR.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(organizando papéis na mesa)</p>
<p class="dialogue">Não. Isso não é uma piada, sonho, pesadelo, pegadinha do malandro ou delírio lisérgico. Você morreu. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas, mas&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">AUXILIAR aponta para a cadeira sem tirar os olhos dos papéis.</p>
<p class="action">TENÓRIO se senta olhando atentamente para o AUXILIAR que depois de alguns segundos termina de preencher algumas partes dos papéis de sua prancheta.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Tenório, certo?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sim, mas como foi que&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Câncer de pulmão. Aqui diz que o senhor fumou por mais de vinte anos, foi diagnosticado a tempo, mas insistiu em fumar. Eu acho que isso resume tudo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu, quer dizer&#46;&#46;&#46; então eu morri mesmo.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">E-xa-ta-men-te. Fico feliz que tenha aceitado isso de maneira positiva e com rapidez. Almas como a sua facilitam o meu trabalho e consequentemente se facilitam nesse momento delicado e decisivo da sua existência.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas eu não vou reencarnar?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(verificando os papéis)</p>
<p class="dialogue">Humm, aqui diz que você não acreditava em reencarnação.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">É, mas eu não tinha morrido ainda. </p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Mesmo assim eu temo que não é uma opção possível. É preciso ter fé nas coisas, Tenório, e você não tinha fé em muita coisa.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Bem, para um ex-agnóstico até que você possuia umas crenças fantásticas! Por exemplo: você acreditava no América como campeão e no Brasil como o país do futuro. O que mais? Ah&#46;&#46;&#46; que o Tancredo morreu de causas naturais e que a gordurinha da picanha faz, de acordo com suas próprias palavras: &#8220;um mal danado para a saúde&#8221;.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não faz?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Nada tão gostoso e natural pode ser tão maléfico. Deus não permitiria.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Então Ele existe!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É claro! Foi por isso que lhe chamei de ex-agnóstico. Não faz muito sentido a essa altura do campeonato ficar em cima do muro, não é? De qualquer forma você terá todo o tempo do universo para filosofar e negá-lo se ainda desejar, mas primeiro temos que determinar para onde você vai.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Como assim? Se vou para o céu ou para o inferno?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Mais ou menos isso. Na verdade só existe nessa sala uma porta de entrada e uma porta de saída, que é para onde você irá daqui a instantes. É só esperar um pouquinho e me dizer três coisas que você quer deseja para sempre.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Tipo dinheiro, saúde e amigos?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Ah, queridinho&#46;&#46;&#46; infelizmente não. Você passará a eternidade sozinho, tadinho. É por isso que você tem de escolher muito bem quais são as coisas que vão fazer companhia. Dinheiro só se você gostar muito (mas muito mesmo!) de colecionar notas e moedas. Saúde você pode ignorar, morte obviamente também. Amigos eu vou ficar te devendo, tá?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Que coisa mais tensa.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Um pouquititito! Mas logo vai passar. O importante agora é que fique bem claro que estamos falando aqui do resto da eternidade. É bastante tempo isso, sabe? Tempo para chuchu mesmo, compreende?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sim&#46;&#46;&#46; é para sempre.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Ma-ra-vi-lho-so! Compreender o conceito é tudo o que pedimos. Não se preocupe se a coisa toda for demais para a sua cabecinha linda. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu preciso de um cigarro. Você tem&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Excelente! A primeira coisa já foi determinada. Você terá cigarros eternamente. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sério?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Sim. Sua marca preferida, claro. A não ser que você queira mudar. Ainda está em tempo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Não. Sem isso eu não fico. Pode colocar aí na ficha os cigarros infinitos.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(anotando)</p>
<p class="dialogue">Fico feliz que tenha ficado satisfeito com a sua primeira escolha. Agora é a minha vez.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Como é?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Você escolhe uma coisa que você acha &#8220;ótima&#8221; ou &#8220;sensacional&#8221; e eu escolho uma que, bem&#46;&#46;&#46; digamos que seja no mínimo desagradável. </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Por que?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É uma questão de equilíbrio, compreende? Para nós seria mais fácil que você simplesmente ficasse vagando eternamente em um limbo sem nada para ver, fazer ou passar a eternidade&#46;&#46;&#46; mas onde está a diversão nisso?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">É. Deve ser muito chato um limbo todo vazio pra sempre. Mas o que foi que você anotou aí?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Eu preferia que você não se preocupasse com isso, afinal não é como se você não fosse descobrir logo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas se for uma coisa horrível demais? Eu não quero trocar uma eternidade recebendo ligações de telemarketing em troca de cigarros eternos. Eu quero ter uma idéia para saber o que vou pedir!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(faz um muxoxo, triste)</p>
<p class="dialogue">Ah, Tenório! Você não confia em mim?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Eu nem sei seu nome! </p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(volta ao normal)</p>
<p class="dialogue">Muito justo. Vamos dizer que todos os desprazeres anotados são igualmente proporcionais ao prazer obtido pela última escolha que você fez.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Hummm&#46;&#46;&#46; certo. Câncer eu já sei que não terei&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Exato. Doenças e morte estão fora de questão. Pense em uma coisa positiva, Tenório! Pense em fadinhas! Filhotinhos de gato fofinhos acordando! Que coisa chata isso de pensar em doença! Já foi! É passado! Morreu e está enterrado.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Tá certo. Deixa eu ver&#46;&#46;&#46; ah! Já sei! Quero que o lugar seja do jeito que eu gosto. Um lugar legal que me agrade e sem capeta com tridente, caldeirões, queimação no fogo eterno. Também não quero um céu infinito cheio de anjos chatos tocando lira e pulando nuvenzinhas.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Isso, Tetê! Borbulhei de emoção agora! Deixa eu anotar aqui o revés&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(preocupado)</p>
<p class="dialogue">Ai, o revés!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Não vale espiar, coisa fofa. E o último pedido? </p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Sei, sei. Espera um pouco. Deixa eu pensar&#46;&#46;&#46; já sei!</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Sim?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Cerveja! Muita cerveja! A melhor cerveja já criada para sempre.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(anotando)</p>
<p class="dialogue">Ceeerto. Lager? Pilsen?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Pilsen.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(se levantando)</p>
<p class="dialogue">Bem estereotipado isso, não é? Felizmente não estou aqui para julgar. Tenório, meu caro! Terminamos por aqui! Venha comigo. Vamos conhecer seu novo lar!</p>
<p class="action">AMBOS atravessam a porta de saída.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
<p class="character">FADE IN</p>
<p class="dialogue">
<p class="sceneheader">INT. BAR &#8211; INDIFERENTE</p>
</p>
<p class="action">AMBOS entram por uma porta no fundo do bar, no balcão há um maço de cigarros e uma tulipa cheia de cerveja. Marteladas e outros sons são ouvidos.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Que barulho é esse?</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(olhando para o bar)</p>
<p class="dialogue">É a obra aqui do lado. Está aí! É como você imaginava?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">O bar é excelente, mas que barulho de obra é esse?</p>
<p class="action">Os sons de obra cessam por um momento. Ambos pausam para prestar atenção. O som de obra reinicia.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">É uma obra eterna. São só os sons, claro. Não há nada além do bar.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(anda na direção do balcão)</p>
<p class="dialogue">Que horror! Só mesmo ficando bêbado o tempo todo pra aguentar isso.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Bem&#46;&#46;&#46; você já está no seu devido lugar. Eu tenho de atender outra almas que precisam ir para o inferno.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Inferno? </p>
<p class="action">Os sons de obra cessam por um momento e reiniciam.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="dialogue">Claro, imbecil! Você acha que ter causado câncer em centenas de pessoas por fumo passivo nas últimas décadas, cortar o barato de todo mundo nos churrascos por onde passou e torcer para o América te levariam aonde?</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Mas eu achei&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(imitando com voz fina de choro)</p>
<p class="dialogue">&#8220;Mas eu achei&#46;&#46;&#46;&#8221; Ora! pelo menos você escolheu a sua danação! Não reclama, seu bosta!</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(olha em volta)</p>
<p class="dialogue">Bem, até que para o inferno isso aqui não é tão ruim.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(andando em direção a porta)</p>
<p class="dialogue">Sei.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Pelo menos eu tenho cerveja.</p>
<p class="action">Os sons de obra cessam. AUXILIAR abre a porta enquanto TENÓRIO dá um gole na cerveja.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="parenthetical">(cospe um pouco da cerveja de volta no copo)</p>
<p class="dialogue">Pô! Tá quente!</p>
<p class="action">CLOSE EM AUXILIAR que está fechando a porta atrás de si. Ele e se inclina, exibindo apenas a parte superior do tronco para imitar novamente TENÓRIO.</p>
<p class="character">AUXILIAR</p>
<p class="parenthetical">(imitando) </p>
<p class="dialogue">&#8220;Isso não é tão ruim!&#8221; Você deveria ter ficado com o fogo eterno, palhaço!</p>
<p class="action">CLOSE em TENÓRIO olhando para a ponta do cigarro apagado em sua boca. SOM em OFF de porta batendo.</p>
<p class="character">TENÓRIO</p>
<p class="dialogue">Puta merda!</p>
<p class="action">O som de obra reinicia.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<item>
		<title>Detetive Caruso e o mistério do chapéu com véu</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/17/detetive-caruso-e-o-misterio-do-chapeu-com-veu/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 09:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[detetive]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[investigador]]></category>

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		<description><![CDATA[Um esquete para dois atores eu uma atriz. Um detetive soturno, amargo e pessimista inspirado nos detetives de filmes noir. O detetive Caruso enxerga a insanidade das situações surreais que se apresentam e a combate sendo mais insano ainda. Imagino o escritório dele em Copacabana. Parte de mim torce para que tal personagem exista. :) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<div align="center"><img src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/chapeu.jpg" alt="" title="chapeu" ></div>
</p>
<p>Um esquete para dois atores eu uma atriz. Um detetive soturno, amargo e pessimista inspirado nos detetives de filmes <em>noir</em>. O detetive Caruso enxerga a insanidade das situações surreais que se apresentam e a combate sendo mais insano ainda. Imagino o escritório dele em Copacabana. Parte de mim torce para que tal personagem exista. :)</p>
<div class="scrippet">
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">|INSERT vidro fosco de uma porta com os dizeres pintados &#8220;DETETIVE CARUSO &#8211; INVESTIGADOR PARTICULAR&#8221;.</p>
<p class="action">FADE para</p>
<p class="sceneheader">INT. Escritório da agência de detetives &#8211; DIA</p>
<p class="action">MÚSICA de jazz estilo noir.</p>
<p class="action">O DETETIVE Caruso está em pé atrás de sua mesa olhando a rua através das persianas. O ASSISTENTE está sentado em sua mesa distraído com uma revista de palavras cruzadas. Um ventilador de teto gira lentamente e há um copo de whiskey pela metade na mesa do DETETIVE.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Catinga, odor ruim&#46;&#46;&#46; cinco letras.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(sem tirar os olhos da janela)</p>
<p class="dialogue">Fedor.</p>
<p class="action">ASSISTENTE conta com a caneta os espaços para preencher a palavra e a anota na revista.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Essa cidade fede! Fede a desespero, insanidade e luxúria. Todos os dias milhões de almas desamparadas aguardam no limbo e observam mudas e desesperançosas as suas carcaças se arrastarem pelas ruas, escritórios e apartamentos emprestados por terceiros para atividades das mais sórdidas.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Ô! Sei de uma garçoniere no Lido onde as paredes só não falam por vergonha. Amparo, arrimo, oito letras.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Sustento.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Isso. Você jogou no bicho ontem?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(cont&#8217;d)</p>
<p class="dialogue">Animais se arrastando, se roçando e finalmente apodrecendo no esquecimento coletivo. O arrependimento e o desalento de cada uma dessas almas são o nosso maldito sustento.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Sei. Eu disse para você jogar no macaco e cercar! Depois fica aí, todo borocochô. Já falei! Quando eu sonho com o Charlton Heston é batata!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">São suas vozes que me despertam e que me amaldiçoam. O azedo, o negrume e a carniça é o que me faz querer dormir e não acordar. As almas pelo menos não tem o menor odor, mas os corpos estão aí trapaceando, mentindo, traindo e pecando. Todos os dias alguém acorda nessa cidade e decide destruir a vida de outra pessoa. Muitas vezes, se possível, antes da hora do almoço. Dá para sentir até com a janela fechada.</p>
<p class="action">Uma batida na porta é ouvida. O ASSISTENTE oculta a revista de palavras cruzadas, o DETETIVE se senta e se apruma na cadeira.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Lá vamos nós de novo. Entre!</p>
<p class="action">MULHER bem vestida com um chapéu com véu entra no escritório. O ASSISTENTE faz sinal para que ela se sente em uma cadeira. O DETETIVE a observa de sua mesa.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Em que podemos ajudar?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(se sentando)</p>
<p class="dialogue">Estou atrás de uma pessoa.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Homem? Mulher?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Um homem. O homem que me deu isso!</p>
<p class="action">MULHER tira o chapéu e revela seu rosto. ASSISTENTE observa sua face por um instante.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Herpes?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(coloca a mão sobre a boca)</p>
<p class="dialogue">Não! O chapéu!</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">É. Eu ia dizer que não parece herpes. Parecia mais uma espinha. A senhora andou espremen&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Perdão! Ele é meu assistente. Chegou semana passada. Normalmente só limpa apontadores por aqui. Posso examinar o chapéu?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(entrega o chapéu para o DETETIVE)</p>
<p class="dialogue">Por favor.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="parenthetical">(consigo mesmo)</p>
<p class="dialogue">Amanhã é pavão na certa.</p>
<p class="action">DETETIVE inspeciona o chapéu por vários ângulos, pega uma lupa e observa um detalhe, observa a MULHER por um momento e volta a observar o interior do chapéu.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Posso perguntar qual é o seu número de chapéu?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">36.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Esse chapéu é tamanho 38. Você está mentindo para nós. Não é, mocinha?</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não! Ele é meu, mas não foi comprado por mim.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="parenthetical">(devolve o chapéu)</p>
<p class="dialogue">Fale mais sobre esse homem.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">O nome dele é Moreira. Eu não sei o seu primeiro nome. Apenas isso: Moreira. Eu o conheci por causa de um cruzeiro em Havana.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Conheço muito bem o tipo. Garoto de programa expatriado que não acompanhou a revolução monetária brasileira, cobrando preços módicos&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não é isso. Foi um cruzeiro de navio!</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Ah! Faz sentido.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Perdão novamente. Deixe ver se completo o quebra-cabeças. Vocês se apaixonaram, ele quis lhe comprar um chapéu. Vocês estavam em alto mar e não havia o seu número na loja do navio.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">É exatamente isso. Como você descobriu?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Qualquer um poderia descobrir isso pela etiqueta. Ela possui o nome da loja e essa loja só existe em um transatlântico que ancorou no porto de Santos faz uma semana antes de parar por um dia aqui na cidade.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">É incrível!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Ainda tem mais. O chapéu também é um modelo muito especial. O véu é bordado a mão nas filipinas por criancinhas carentes e o tecido é linho marroquino.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Eu não fazia idéia.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Há duas marcas distintas de impressões na aba. Uma é fina, longa e delicada. A sua mão segurou esse chapéu por alguns momentos, mas a outra é evidentemente mais acentuada e provocou uma ligeira saliência na lateral. Um homem sem dúvida. Forte e impetuoso.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Como você pode saber tanto só olhando para um chapéu?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">É extraordinariamente simples: eu te dei esse chapéu. Eu sou o Moreira.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Isso&#46;&#46;&#46; isso é ridículo!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Será mesmo? Você não se lembra da noite no convés? Bebemos três dry-martinis. Você reclamou que o seu joanete doía. A Orquestra Tabajaras cover tocava o Luan e Vanessa  e eu disse que sob a lua seus olhos pareciam com os de minha tia Dolores quando ela assistia o jornal e discutia com o Cid Moreira sobre as notícias do dia.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="dialogue">Não é possível! O Moreira que conheci era moreno, forte, jovem e tinha uma covinha no queixo.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Delírios de martini, querida! Tenho sessenta anos, sou caucasiano e mal tenho queixo.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Praticamente um Noel Rosa reencarnado.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Cale-se.</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(começa a chorar)</p>
<p class="dialogue">Eu não acredito!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">É melhor acreditar&#46;&#46;&#46; aceitar os fatos de uma vez e desistir de mim. Você sabe muito bem que sou casado e ambos sabemos que aquilo tudo, por mais maravilhoso que tenha sido, foi apenas uma louca aventura sobre o Atlântico! Um delírio fantástico porém irreal e fugaz!</p>
<p class="character">MULHER</p>
<p class="parenthetical">(Chorando)</p>
<p class="dialogue">Moreira! Moreira!</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Vá! Vá e aceite o tempo como remédio. O tempo é teu único amigo e o láudano da tua alma. Só ele poderá aliviar nosso cruel destino! Carrasco vil que aprisiona nossos corações. O tempo romperá teus grilhões, mulher! Não eu! Não o Moreira que você conheceu! </p>
<p class="action">MULHER grita de dor e chora encurvada sobre a cadeira. O ASSISTENTE faz menção de amparada, mas é detido por um gesto dramático do DETETIVE que continua a olhar para a MULHER.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Vai te! Tua presença, por mais doce e febrilmente ansiada, compursca nossa única memória bela e irremediavelmente perdida! Se ainda tem algum apreço pelo que ela representa, vai te agora e corra veloz de volta para as sombras da minha vida!</p>
<p class="action">MULHER sai chorando pela porta do escritório.</p>
<p class="character">ASSISTENTE</p>
<p class="dialogue">Desde quando você é Moreira?</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Moreira é o caralho! Mulher maluca! Usando chapéu com véu em pleno século vinte e um. Corre lá e cobra  a porra os honorários antes que ela chegue no elevador. Vai te!</p>
<p class="action">ASSISTENTE sai correndo pela porta.</p>
<p class="action">DETETIVE bebe um gole de whiskey e afasta com os dedos as persianas da janela para olhar para a rua.</p>
<p class="character">DETETIVE</p>
<p class="dialogue">Mais um dia nessa cidade suja e insandecida&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Idéias recusadas para programas de TV #1</title>
		<link>http://flamingcircus.com/2011/04/16/ideias-recusadas-para-programas-de-tv-1/</link>
		<comments>http://flamingcircus.com/2011/04/16/ideias-recusadas-para-programas-de-tv-1/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 11:44:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[Roube essa idéia]]></category>
		<category><![CDATA[idéias de programas de tv]]></category>

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		<description><![CDATA[Idéias que não entendo porque foram recusadas pelas redes de TV, mas agora publico pra vocês. Vila do Amparo Tema: Série de TV dramática que explora as relação de arquétipos genéricos da ficção em versões humanizadas e contemporâneas. Argumento: Um grupo de ex-colegas de escola se reúne depois de anos através de uma rede social [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<p>Idéias que não entendo porque foram recusadas pelas redes de TV, mas agora publico pra vocês.</p>
<h3 style="text-align: justify;"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/vila.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-378" title="vila" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/vila.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a></h3>
<h5 style="text-align: justify;">Vila do Amparo</h5>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tema:</strong> Série de TV dramática que explora as relação de arquétipos genéricos da ficção em versões humanizadas e contemporâneas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Argumento: </strong>Um grupo de ex-colegas de escola se reúne depois de anos através de uma rede social na internet (pegada moderna) e descobrem que cada um está passando uma fase difícil na vida. Todos resolvem unir suas forças e se mudam para uma vila na Mooca, São Paulo, onde precisam lidar com suas diferenças, seus problemas e seus sonhos pessoais. Os episódios se focarão na procura de emprego, amor e companheirismo dentro e fora da vila.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Personagens: </strong>Um detetive estilo noir e com impedimento na fala, um pirata boa praça e homossexual, um piloto de caças interestelares  que é viciado em crack, um cowboy com Mal de Parkinson em estado avançado e o Fábio Júnior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas extras: </strong>Só uma idéia, mas acho que o papel do Fábio Júnior poderia ser interpretado pelo Wagner Moura que tá super bombando. A direção tem de ser do Jayme Monjardim pra deixar a coisa com um tom mais épico. Sonhei com isso tudo ontem e até vi os comerciais. Só anunciante forte!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/aredoma.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-379" title="aredoma" src="http://flamingcircus.com/wp-content/uploads/2010/04/aredoma.jpg" alt="" width="500" height="239" /></a></p>
<h3 style="text-align: justify;">A Redoma</h3>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tema:</strong> Novela de época passada no século XXIII. Uma revolução de conceito para atingir um público novo e jovem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Argumento:</strong> Em um futuro pós-apocalíptico, três corporações controlam todo o planeta. Em uma cidadezinha praiana no interior da Bahia, personagens convivem com os malefícios da radiação, a opção única por alimentos da marca Qualitá enquanto lutam para que suas casas não sejam demolidas por uma das coorporações que pretende construir ali um bairro distopiano coberto por uma redoma de pau-a-pique retrô.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Núcleos: </strong>pobre radioativo, miseráveis mutantes (vilões ocasionais), homens de preto (corporações), pescadores (também muito pobres, mas humildes, bons e felizes na miséria) e o clone de Inri Cristo que deverá entrar na trama apenas nos capítulos finais como messias de uma nova era de muito amor e luz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Notas extras: </strong>A novela deverá abordar com alusões discretas e subjetivas os temas: MST,  especulação imobiliária, ecologia, prática excessiva de merchandising na tv, a fusão das Casas Bahia com o Grupo Pão de Açúcar e de como os Maias estavam errados.</p>
<p style="text-align: justify;">A redoma nunca deverá ser mostrada, só sugerida em níveis emocionais. Minha sugestão de diretor é o Wolf, que manda benzaço com pobreza na TV. Eu tenho o telefone dele e posso ligar se vocês quiserem.</p>

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		<title>Possui Título</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 02:58:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[instalação]]></category>

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		<description><![CDATA[Guillermo Habacuc Vargas, artista costarriquenho expôs um cão vadio faminto em uma galeria de artes de Manágua em agosto de 2007. Muitos acreditam que ele passou dos limites éticos e a história toda causou uma polêmica enorme. Esse esquete expressa minha opinião sobre o assunto. Meus esquetes são pouco surreais comparado com a cabeça de [...]]]></description>
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</div>
</p>
<p>Guillermo Habacuc Vargas, artista costarriquenho expôs um cão vadio faminto em uma galeria de artes de Manágua em agosto de 2007. Muitos acreditam que ele passou dos limites éticos e a história toda causou uma polêmica enorme. Esse esquete expressa minha opinião sobre o assunto.  Meus esquetes são pouco surreais comparado com a cabeça de certos artistas que passeiam por aí em mostras e exposições. Acho na verdade fascinante como a loucura no meio é aceita e até incentivada. É tão absurdo alguns papos que ouvi que fiz dois esquetes com esse personage (o &#8220;Artista&#8221;). O primeiro eu divulgo aqui. </p>
<div class="scrippet">
<p class="sceneheader">EXT. Restaurante ao ar livre &#8211; Noite</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">As mesas estão vazias com exceção de uma, onde o ARTISTA distraidamente observa uma garrafa de bebida vazia em sua mesa e bebe de uma lata de refrigerante. Dobrado, no encosto da cadeira ao seu lado, há um casaco longo e espalhafatoso. Após um gole de refrigerante, ele repousa a lata sobre a mesa. </p>
<p class="action">ENTRA em cena a CATADORA.</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="parenthetical">(apontando para a lata de refrigerante)</p>
<p class="dialogue">Tá vazia?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(volta a si bruscamente)</p>
<p class="dialogue">O que foi? </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O senhor terminou de beber?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Que interessante!</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">A latinha tá vazia, moço? Posso pegar?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Claro, claro.</p>
<p class="action">ARTISTA pega a latinha para dar para a CATADORA, mas se refreia e a coloca de volta na mesa.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Me desculpe. Pode pegar.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(ligeiramente desconfiada)</p>
<p class="dialogue">Pode?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Oh sim, sim. Por favor. Eu quase a interrompi. Perdão.</p>
<p class="action">CATADORA pega a latinha, a coloca no seu saco e começa a se afastar dali.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Obrigada moço, que Deus lhe ajude.</p>
<p class="action">ARTISTA bate palmas e CATADORA para e o observa.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Maravilhoso isso! Eu gostei muito de você.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O que foi, moço? É comigo?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Me diz&#46;&#46;&#46; há quanto tempo você faz isso?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ah, moço. Não tem muito tempo não. Comecei tem dois dias.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Magnífico! Você tem representação?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ah. Não sei, seu moço. O que que é isso? Documento?</p>
<p class="character">ARTISTA </p>
<p class="parenthetical">(bate palmas)</p>
<p class="dialogue">Olha que coisa! E as falas são improviso?</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Moço&#46;&#46;&#46; eu vou me indo porque o preciso&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(pegando o casaco da cadeira)</p>
<p class="dialogue">Não, não! Espera. Toma esse casaco!</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O senhor tá me dando esse casaco?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Sim, sim. Vista ele por favor.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">É de graça?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Você pode ficar com ele. </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(pegando o casaco e vestindo)</p>
<p class="dialogue">O senhor é muito bondoso. Deus vai te ajudar muito nessa vida. Nem todo mundo tem a consideração pelos menos afortunados.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(exaltado)</p>
<p class="dialogue">Sim.. sim! Ficou perfeito! </p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(distraída com o casaco)</p>
<p class="dialogue">Cor diferente, né?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(pensativo)</p>
<p class="dialogue">Eu tenho uma apresentação hoje e gostaria que você viesse comigo.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(ainda observando os detalhes do casaco)</p>
<p class="dialogue">Olha moço, eu agradeço muito o senhor, mas daqui eu tenho que catar mais latinhas e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">ARTISTA pega uma garrafa da mesa e a quebra violentamente na cabeça da CATADORA. Ela fica zonza e tenta não tombar. Sangue começa a verter acima de sua têmpora. ARTISTA lhe tira um sapato e a segura momentaneamente para que ela não caia. Depois ARTISTA sai de cena com o sapato da CATADORA.</p>
<p class="action">CATADORA larga o saco e coloca as mãos na ferida</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="parenthetical">(desnorteada)</p>
<p class="dialogue">Aaaahh&#46;&#46;&#46; o que?</p>
<p class="action">ARTISTA volta à cena com um copo d&#8217;água, oferece para a CATADORA e segura o saco de latas para ela.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(tirando uma pílula do bolso)</p>
<p class="dialogue">Toma esse remédio com a água. Vai ajudar a dor.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Ai minha cabeça! O que aconteceu?</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Já vai passar. Toma o remédio. Você vai se sentir melhor.</p>
<p class="action">CATADORA  toma o remédio e bebe a água e deixa o copo cair. O copo se estilhaça no chão.</p>
<p class="character">CATADORA </p>
<p class="dialogue">Meu sapato&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(entusiasmado)</p>
<p class="dialogue">Sim&#46;&#46;&#46; sem ele você ficará perfeita. Você será especial hoje.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">O que? Minha cabeça&#46;&#46;&#46; sangue&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="parenthetical">(amparando)</p>
<p class="dialogue">Sim. É importante também. Venha comigo&#46;&#46;&#46; por aqui. Vou te ajudar.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="parenthetical">(pisa nos cacos de vidro com o pé descalço)</p>
<p class="dialogue">Aaaii! Meu sapato. Cadê meu&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Está no carro. Vem. Eu te levo. </p>
<p class="action">CATADORA se apóia no ARTISTA durante a SAÍDA de cena.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
<p class="action">FADE IN.</p>
<p class="sceneheader">INT. SALÃO DE EXPOSIÇÃO &#8211; Noite</p>
<p class="action">Um salão de gala com pinturas na paredes, estátuas e dezenas de convidados vestidos à rigor. No meio do salão, sobre um pequeno pedestal, está a CATADORA aparentemente dopada e presa à uma coluna de mármore. Ela veste o casaco espalhafatoso, possui uma bandagem na cabeça em forma de chapéu côco, uma mancha de sangue lhe cobre metade do rosto e é possível ver outra escorrendo pelo pedestal na altura do seu pé descalço. Ao lado do pedestal está o ARTISTA sorrindo polidamente segurando o saco de latas atrás do corpo.</p>
<p class="action">Um SENHOR se aproxima dos dois.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="parenthetical">(observando a CATADORA)</p>
<p class="dialogue">A obra é&#46;&#46;&#46; sublime.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">De nada.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Materialização desfragmentada&#46;&#46;&#46; e tão equilibrada com rompimento das propostas conceituais e operacionais.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">É claro.</p>
<p class="action">CATADORA geme de dor.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Com licença.</p>
<p class="action">ARTISTA alcança o saco e leva até os convidados. Cada um pega uma latinha de dentro dele. Ele retorna à sua posição ao lado do pedestal. Agora todos os convidados observam a CATADORA.</p>
<p class="action">pausa</p>
<p class="action">CATADORA começa a recobrar a consciência.</p>
<p class="character">CATADORA</p>
<p class="dialogue">Onde&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">ARTISTA dá um pequeno salto de pés juntos rodopiando 360º no ar e para no mesmo lugar. Imediatamente todos os convidados arremessam suas latas na CATADORA que começa a chorar com as latas atingindo seu corpo.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Magnífico.</p>
<p class="character">ARTISTA</p>
<p class="dialogue">Foi também minha opinião.</p>
<p class="character">SENHOR</p>
<p class="dialogue">Possui título?</p>
<p class="action">ARTISTA coloca a mão dentro do saco, retira o sapato da CATADORA, e o exibe sobre as palmas da mão.</p>
<p class="action">SENHOR murmura algo incompreensível enquanto enxuga com a mão uma lágrima que escorre sob sua face.</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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		<title>Teatro Na TV</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 23:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nix</dc:creator>
				<category><![CDATA[comédia e humor]]></category>
		<category><![CDATA[esquete]]></category>
		<category><![CDATA[roteiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Inspirado na época do teatro de tv ao vivo transmitido pela TV Tupi antes do advento do playback e no jeito estranho que atores tem de falar seus diálogos na TV&#8230; sempre tem uma afetação doida, sabe? Nunca parece alguém de verdade falando. Esse esquete tem três atores principais e dois coadjuvantes. Utiliza o gênero [...]]]></description>
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</p>
<p>Inspirado na época do teatro de tv ao vivo transmitido pela TV Tupi antes do advento do playback e no jeito estranho que atores tem de falar seus diálogos na TV&#8230; sempre tem uma afetação doida, sabe? Nunca parece alguém de verdade falando. Esse esquete tem três atores principais e dois coadjuvantes. Utiliza o gênero wordplay (jogo de palavras) como base e me faz pensar nos personagens da corte de &#8220;Que Rei Sou Eu?&#8221;. </p>
<div class="scrippet">
<p class="action">INSERT TEXTUAL &#8211; &#8220;A discussão sobre a incrível história a respeito da escapada do Barão, fidalgo de muitas honras, que arriscou sua vida ao tentar sair de sua alva e terrível prisão para ir ao encontro de sua amada.”</p>
<p class="sceneheader">INT. CENÁRIO de SALÃO ORNAMENTADO &#45;&#45; DIA</p>
<p class="action">FADE IN</p>
<p class="action">Dois atores vestidos como nobres europeus do séc. XVII se preparam rapidamente para uma apresentação ao vivo de um sketch. Verificam suas marcações de palco, ajustam roupa, conferem o figurino, recebem intruções em off da equipe de filmagem. ENTRA EM CENA UM CONTRA-REGRA segurando dálias de cartolina com as falas dos atores, que os informa sua posição durante as filmagens, depois ajoelha em primeiro plano, se posicionando de frente para os atores.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Ouvi dizer que o produtor-chefe vem assistir hoje o programa.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Não estou sabendo de nada e também não me importo muito. Eu sei que não dá tempo de decorar nada, ele sabe, a audiência sabe. É normal. Só relaxar e atuar.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Ouvi dizer que ele pode despedir alguém a qualquer momento e&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="parenthetical">(V.O.)</p>
<p class="dialogue">Atenção! Ao vivo! Teatro na TV! A Incrível História do Barão. No ar em 5, 4, 3&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE  </p>
<p class="dialogue">Conte-me então a história do Barão! Apenas sei que fora trancafiado num casebre para que não pudesse alcançar a tempo a candidatura a pretendente da princesa.</p>
<p class="action">MARQUÊS nota que o CONTRA-REGRA ainda não exibiu sua dália e improvisa de maneira natural.</p>
<p class="character">MARQUÊS  </p>
<p class="dialogue">História magnífica! Magnífica! </p>
<p class="action">CONTRA-REGRA arruma as dálias.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="parenthetical">(improvisando)</p>
<p class="dialogue">Mas conte por favor. Estou ansioso.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sim. Por onde começar? Pelo comÉço. Arrann.. o comÊço! Voltava de uma caçada para casa, onde pretendia vestir-se apropriadamente para o baile real quando fora capturado por bandidos. Quando deu por si percebeu que havia sido nocauteado e jogado em um casebre longe das muralhas da cidade.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Que maldade! Que perfídia!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sem dúvida! Lá estava o Barão aprisionado em meio sua sÉde pela retomada&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA </p>
<p class="dialogue">Sêde!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Arran.. em meio sua sÊde pela retomada de sua sÊde.</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA </p>
<p class="dialogue">Séde!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Séde! A retomada de sua Séde! Sua Sêde pela retomada de sua Séde na cÓrte.  </p>
<p class="character">CONTRA-REGRA E MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(juntos)</p>
<p class="dialogue">CÔrte!</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="parenthetical">(improvisando nervoso) </p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; continue Marquês! Eu sei que é um tema difícil. </p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(improvisando)</p>
<p class="dialogue">Não&#46;&#46;&#46; está tudo bem Duque. Lá estava o Barão aprisionado em meio sua SÊ-DE pela SÉ-DE da CÔR-TE. E não era apenas sua ganância abraçada ao desespero. Fôra também o terrível&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">FÓra!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(confuso)</p>
<p class="dialogue">O que?</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">FÓra!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(percebendo o erro, mas vacilante)</p>
<p class="dialogue">Sim! FÓra também o terrível Côrte!</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA E MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(Juntos)</p>
<p class="dialogue">CÓrte!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(nervoso e falando mais pausadamente)</p>
<p class="dialogue">CÓrte! Córte! Eu sei! FÓ-RA também o terrível CÓR-TE em sua alma. O olhar de desprezo da princesa na noite anterior ao baile.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que coisa horrível!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(saindo do personagem) </p>
<p class="dialogue">Nem me fale. Quem escreveu essas linhas?</p>
<p class="action">CONTRA-REGRA confuso examina suas Dálias.</p>
<p class="action">DUQUE pigarrea exageradamente.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(improvisando ao voltar ao personagem)</p>
<p class="dialogue">Foi Deus, claro. E ele&#46;&#46;&#46; ele&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="parenthetical">(nervoso)</p>
<p class="dialogue">Err&#46;&#46;&#46; escreve certo por linhas tortas.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Perfeitamente.</p>
<p class="action">O DUQUE e o MARQUÊS se olham constrangidos e nervosos sem saber o que dizer, até que o CONTRA-REGRA parece encontrar a dália certa e faz um sinal para os dois.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Mas vossa excelência contava&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Oh sim! Perdão! É que a experiência do Barão é terrível demais até para recordar.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Não imagino o que faria em seu lugar.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Sim! Em tal situação de extremo frio, gÊlo em pensar.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">GÉlo!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(quase caindo em prantos) </p>
<p class="dialogue">GÉlo em pensar no que poderia fazer a respeito, se não me desesperar.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Acalme-se!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(saindo do personagem)</p>
<p class="dialogue">Não dá, Gustavo! Desse jeito eu largo essa por&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Marquês! Acalme-se marquês! Por favor!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Tá&#46;&#46;&#46; sim.. sim. Me desculpe. Peço perdão.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Conte-mais por favor. Ele estava aprisionado no casebre&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Ele&#46;&#46;&#46; estava aprisionado no casebre. Não havia ferramentas, apenas uma modesta mesa rudimentar com louças e talheres toscos. Lá fora o alvo cobertor de gelo&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Ao mencionar a palavra “gelo”, o CONTRA-REGRA faz menção de dizer algo, mas se refrea.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(cont’d) </p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46;erquia-se acima do telhado e desprovido de luvas, suas mãos queimavam ao contato da neve. Ao mesmo tempo, há quase um dia e uma noite sem beber uma gota de líquido qualquer, sua sede&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">Ao mencionar a palavra “sede”, o CONTRA-REGRA faz menção de dizer algo, mas se refrea novamente.</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(cont’d) </p>
<p class="dialogue">&#46;&#46;&#46; aumentava lhe trazendo um sofrimento insuportável.</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que atrocidade! Que carrasco implacável pode ser a natureza!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">Sim, meu caro Duque! Entretanto a luz de uma idéia pôde-se mostrar ainda mais brilhante que a alvura da neve. Em cima da rústica e parca mobília o Barão identificou um copo e uma colher. Resolveu então abrir um túnel através do gelo com aquela colher!</p>
<p class="character">DUQUE </p>
<p class="dialogue">Que homem genial! </p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="dialogue">E sua idéia foi maior! Se utilizar da neve para beber! Iria colhÉr!</p>
<p class="character">CONTRA-REGRA</p>
<p class="dialogue">ColhÊr!</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Cacete! De novo? Eu não tenho como adivinhar, Não é? Parece sacanagem isso! </p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Calma! Falta pouco! Respira!</p>
<p class="character">MARQUÊS</p>
<p class="parenthetical">(perdendo a compostura e saindo do personagem)</p>
<p class="dialogue">Aaaarrrh!!! O Barão! Esperto pra caramba, né? Filho da&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="parenthetical">(interrompe apressado) </p>
<p class="dialogue">Condessa de Gergelim!</p>
<p class="action">Beat</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="dialogue">Gergelim??? De onde você&#46;&#46;&#46;</p>
<p class="action">O ÂNGULO DE VISÃO SE ABRE e podemos ver agora o DIRETOR sentado numa cadeira de costas para a câmera e com a cabeça apoiada nas mãos, como se estivesse chorando.</p>
<p class="character">DUQUE</p>
<p class="dialogue">Foi&#46;&#46;&#46; foi o melhor que&#46;&#46;&#46; o pai do Barão conseguiu na época. Mas você dizia?</p>
<p class="action">beat</p>
<p class="action">PRODUTOR ENTRA EM CENA no primeiro plano e pára lado a lado com o DIRETOR enquanto observa os atores.</p>
<p class="character">MARQUÊS </p>
<p class="parenthetical">(falando pausadamente em voz alta e irritado) </p>
<p class="dialogue">GÉ-LO em pensar no GÊ-LO e na idéia de CO-LHÊR com a CO-LHÉR a neve! Sua SÊ-DE pela SÉ-DE da CÔR-TE FÔ-RA sua motivação, FÓ-RA o CÓR-TE em sua alma para CO-MÊ-ÇO de conversa! Pronto? Satisfeitos?</p>
<p class="action">MARQUÊS sai de cena irritado.</p>
<p class="character">PRODUTOR </p>
<p class="parenthetical">(cochichando para o DIRETOR)</p>
<p class="dialogue">Impressionante. Esse povo que vem do teatro não consegue ler um texto de maneira natural!</p>
<p class="action">FADE OUT</p>
</div>

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