ARGUMENTO 3: PEGÁ MULÉ!

Está aí a última parte do primeiro episódio da série Rompantes!

Pensando novamente em você, meu caro jovem festeiro, multitarefa e cheio do DDA, eu compactei ainda mais essa parte. Falei o mais rápido que pude (mantendo o mínimo de dicção permitido por mim) e reduzi em UM minuto essa parte do episódio. São dois minutos e cinquenta segundos apenas!

Se você curtiu a série, o primeiro episódio está no portal da MTV e aguarda seu voto (ao final do vídeo) para que ele possa, quem sabe, ir ao ar na TV. Foi dica da amiga Sarah. Vamos ver se dá em algo isso. :)
Update: Acho que esse site do FIZ tá bugado. :(

Esse post seria um publieditorial se eu ganhasse algum tostão com esse blog. Não é o caso. E só faço porque o Tatu é um cara engraçado pra cacete. O Tatu é a única pessoa que conheço que mistura uma boa bagagem cultural internacional e um jeito brasileiro bem povão. Tatu é povão como nunca serei e admiro para cacete. Queria ser mais povão, mas não tenho jeito para a coisa.

O gordinho tenso já teve um blog de histórias reais hilárias e agora voltou com um outro que promete ser fonte obrigatória de diversão se o puto ganhar esse concurso de “Repórter Brasileirão Petrobrás”. O que a Petrobrás fará com o Tatu se ele vencer eu não faço idéia, mas vou acompanhar o blog COM CERTEZA.

Aí está o vídeo do nosso gordinho tenso. Ele convence. Momento dramático. Salve uma vida.

Para votar é fácil: clique aqui, coloque o captcha (aquelas letrinhas) e tecle enter. Pronto!

Vote porque será bom pra mim, para você que gosta de ler bobagens e para ele.

Não escrevi hoje, não editei vídeo, mas pô… passei o dia viajando de ônibus, tive uma idéia excelente que colocarei na gaveta para o futuro (envolve Turing, Kurt Gödel, infinito e maiores infinitos, lógica tentando provar a lógica, George Clinton and the Funkenstein e um portal na web. É só o que posso falar por enquanto)… e voltei do Rio para fechar uma parceria com uma dubladora foda profissa e gente fina para um possível projeto de animação que quero fazer.

Ainda não sei quem vai animar o lance, mas estou prospectando minha primeira e preferida opção.

Ou seja… coisas estão rolando. Amanhã caio no Rompantes 3/3 e isso deve durar até o final da semana. Dá trabalho. :P

Abraços e obrigado pelos comentários. Vocês são fantásticos.

Você poderia por favor – parar de – tirar – fotos – com a sua pequena – e irritante (suspira) porra de câmera? Isso está acontecendo em tempo real. Você está tendo a experiência. Não faz muito sentido verificar que você estava no evento quando você está realmente aqui” - Dylan Moran para um membro da audiência de “What It Is”

É comum assistirmos um filme e identificarmos facilmente as “marcas registradas” de seu diretor. Hitchcock, Guy Ritchie, Michael Bay, Tarantino, Spilberg, Wes Anderson… todos possuem suas manias, formas de dirigir e estilo. Poucos no entanto possuem a qualidade do cineasta Billy Wilder de criar filmes de valor incontestável sem ser lembrado durante suas exibições. Talvez o maior mérito de Billy Wilder seja esse: não deixar seu estilo afetar sua obra. Entre os cômicos de stand-up, Dylan Moran é um dos únicos que possui essa qualidade.

Dylan trabalha com humor observacional com interrupções esparsas, fortes e bem dosadas de surrealismo. Seu texto é entregue sem polidez ou exibições de genialidade em algum comentário específico, no entanto você esquece que ele foi decorado por um comediante profissional e é recitado várias noites por semana durante meses. Na verdade você só lembra que é um texto decorado quando ele finge que esqueceu alguma parte.

Com o passar dos anos seu estilo tem se distanciado da comédia de resposta rápida (como em “Monster”) e se aproximando mais dos monólogos críticos e ácidos sobre a sociedade ocultando seu humor em questões ligeiramente mais profundas (“What It Is”). Eu comparo essa mudança de estilo como uma jornada entre o stand-up de Jerry Seinfeld e o de George Carlin. Dois tipos bem diferentes dentro da escola do humor observacional.

Provavelmente para combater sua timidez, após suas primeiras turnês de stand-up, Dylan criou para si uma espécie de ‘quase personagem’. Talvez uma versão sua. Mãos trêmulas segurando o microfone, a voz de quem parece ter tomado algumas doses na coxia (o sotaque com certeza ajuda aí) e um comportamento ligeiramente confuso. Essa interpretação também foi se diluindo com a sua mudança de estilo. Tive a oportunidade de assistir no ano passado o “What It Is” em Londres e a “sobriedade” do comediante no palco já era bem aparente comparado com suas apresentações anteriores (“Monster” e “Like, Totally”).

Independente da época ou do estilo de comédia nos palcos, Dylan continua sendo um excelente comediante dos que veste o manto de filósofos populares. Assim como Carlin, ele instiga sua audiência e nos obriga a olhar para nós e para o próximo de maneira diferente. É claro que por mais notável que seja, isso é um bônus. A comédia não possui obrigações a não ser a de entreter. De qualquer forma é um bônus valiosíssimo que deveria ser mais empregado por comediantes em todas as partes do mundo. A crítica e auto-crítica sempre é necessária e inspiradora. Gostaria de ver mais exemplos assim no Brasil.

observação e surrealismo

Mini-Bio

Então, sim, morte. Quando você é jovem, você pensa sobre isso… Bem, você não pensa realmente sobre isso, você sabe – você tem a inteligência de uma geléia de framboesa, você não pensa sobre nada. Mas está lá, como um tipo de força – fazendo você fazer coisas. Arrume um emprego. Arrume um apartamento. Ache uma pessoa. Coloque ela no apartamento. Faça ela ficar. Arrume uma torradeira. Vá trabalhar. Pegue ônibus. Olhe o seu patrão. Diga “merda!”. Sente-se. Arrume aquela coisa. Esqueça o que ia fazer. Grite internamente. Vá para casa. Ouça o rádio. Olhe para aquela pessoa. Pense “Por que? Por que isso aconteceu?”. Vá para a cama. Deite acordado! De noite! Levante-se. Sinta-se grogue. Preencha os bolsos da calça com aquelas coisas – seja lá o que elas forem. Saia pela porta e vá trabalhar – a mesma coisa! As mesmas pessoas novamente. É real e está acontecendo com você. Vá para casa novamente! Sente-se. Rádio. Jantar -mmm JARDINAGEM, JARDINAGEM, JARDINAGEM, morte. - Dylan Moran (“What It Is”)

Irlandês nascido em 71, Dylan Moran optou pela carreira de cômico de stand-up aos vinte anos por duas razões: parecia divertido e não era necessário ampresentar um currículo.

Depois de quatro anos desempregado e escrevendo poesias ruins, Dylan conseguiu seu primeiro reconhecimento em 1993, ao vencer a competição So You Think You’re Funny no Edinburgh Festival e sendo o mais jovem vencedor do Perrier Comedy Award aos vinte anos de idade. Durante esse período foi colunista do The Irish Times e em 1997 colocou o pé na estrada com sua primeira tour pelo Reino Unido.

Em 1998 teve seu primeiro papel na TV, no sitcom de humor leve “How Do You Want Me?” e em seguida um pequeno papel no filme “Notting Hill“, onde interpretou um ladrão de livros na livraria do protagonista Hugh Grant.

Seu maior sucesso na TV foi sem dúvida o seriado “Black Books” (2000), onde os papéis se inverteram e Dylan interpretou por três temporadas o antisocial e misógeno Bernard Black, dono de uma pequena livraria em Londres, ao lado do também comediante Bill Baley. “Black Books” recebeu o BAFTA por melhor sitcom em 2001 e 2005.

Dylan e Caine em The Actors

Dylan e Caine em The Actors

Além de personagens secundários em filmes de Simon Pegg como “Shaun of The Dead” e “Run Fat Boy Run“, Dylan protagonizou o filme “The Actors” ao lado de Michael Caine e teve um papel de destaque no filme “A Film With Me In It”. Ao mesmo tempo continua com sua carreira principal: o stand-up com shows como “Monster I”, “Monster II”, “Like, Totally” e “What It Is”.

Dylan vive com sua família em Merchistonm, área de Edinburgh, e evita entrevistas e holofotes sobre sua vida pessoal.

Blues?

Descobri recentemente em uma entrevista que seu gênero musical preferido é o blues! Fico feliz com essa identificação.

“There’s a track called ‘Help Me’ by Sonny Boy Williamson and it was covered by Jimmy Wells, among other people, which seems to sum up the spirit of all of that music; a man banging a stick on the floor, elemental, bone shaking.
(…) A lot of it is a cry of pain, or a cry of boredom. A lot of the lyrics are fantastic, I’m thinking of Leadbelly and stuff. ‘I went to bed last night, and started turning from side to side, the blues is walking around my bed, the blues is all in my bread’, it’s raw and simple, no irony or anything like that, it’s completely unaffected.”

Obviamente não é razão para sacanear também o tema (e também o Rap), como vemos aqui:

Mais Dylan Moran: Sobre O Que Acreditar (What It Is)


Fairy = Deus, ok?

Para não incomodar meus followers que não se interessam pelo Flaming Circus (curto eles mesmo assim) e os interessados pelo site que não se interessam pela minha vida pessoal (extremamente sábios), estou organizando a casa.

Canal de vídeo do site: http://videolog.uol.com.br/flamingcircus (estou subindo os vídeos ainda)
Tweeter do site: www.twitter.com/fcircus
Email do site: contato ARROBA flamingcircus PONTO com

Por que o Videolog? Porque, até segunda ordem, eles merecem.
Underdogs of the world unite and take over.

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PARTE 1

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INSERT de EXIBIÇÃO DE SLIDES em preto e branco. Cada slide é uma foto de um dos agentes. O INSTRUTOR lê em OFF as informações sobre cada um deles.

INSTRUTOR

Senhor X. Líder da equipe, estrategista brilhante e neurótico com regras e procedimentos. Meses atrás fracassou ao tentar o suicídio utilizando o fio de telefone como forca. No momento da tentativa ele ainda falava ao telefone com o CVV. Temos a gravação de áudio, mas ela não nos dá nenhuma pista sobre seus passos após tal evento.

INSTRUTOR

Coronel Mostarda: tudo leva a crer que se trata de um ex-escoteiro. Possui treinamento avançado de combate a dengue. É a força bruta da equipe.

INSTRUTOR

Mr. Black: a figura mais misteriosa do grupo. Possui amnésia seletiva e fora isso não sabemos nada a seu respeito e nem sua função na equipe. Acredita-se que nem ele saiba também.

INSTRUTOR

Zé: especulações sobre sua verdadeira identidade foram abandonadas. Zé é o braço direito de Senhor X. Leal e não muito inteligente, Zé possui também uma corcunda. É o contínuo da equipe.

LUZES se acendem. FADE para BRANCO.

FADE IN DE BRANCO para INSERT do sol a pino.

EXT. – TRILHA NA FLORESTA AMAZÔNICA – TARDE

SENHOR X, CORONEL MOSTARDA, ZÉ e MR. BLACK caminham em fila indiana com suas bagagens sendo carregadas no lombo de guanacos. CORONEL MOSTARDA lidera. Logo atrás dele na fila está o SENHOR X.

SENHOR X

Falta muito, Coronel?

CORONEL

Já disse que a fronteira fica a trezentos metros daqui.

SENHOR X

Mas falta muito?

CORONEL

Não. Em minutos estaremos no Perú.

SENHOR X

Já? Achei que ainda era a fronteira da Amazônia com o Acre.

CORONEL

(ligeiramente confuso)

O que é o Acre?

CORTE SECO para

INT – SALA DE REUNIÕES – TARDE.

INSTRUTOR exibindo uma foto de satélite na tela. A foto mostra a fila indiana dos personagens e os guanacos.

INSTRUTOR

Essa é uma foto tirada ontem pelo nosso satélite espião. O grupo está em uma trilha no Acre que os levará até a fronteira do Perú. Lá eles deverão encontrar um contato que os levará até a Universidad de Lima.

Ouve-se o clique do projetor mudando o slide, mas o não vemos a imagem projetada. Apenas PLANOS FECHADOS nos AGENTES e no INSTRUTOR.

AGENTE 1

(olhando assustado para a tela)

Mas esse aí é o...

INSTRUTOR

Exatamente. Ele é o contato do grupo. Felizmente eles não sabem que seu contato é na verdade um agente duplo. É ele que está encarregado da contra-inteligência no Perú.

AGENTE 1

Perdão, mas ele...

INSTRUTOR

Você já reparou como ele não aparece mais na mídia? É o difarce perfeito. Ninguém nota sua ausência desde aquela minissérie em 1993. Desde então ele trabalha para nós.

AGENTE 1

Mas ele é um ator!

INSTRUTOR

Vamos esperar que o governo peruano continue acreditando nisso. Para nós ele é o Agente BR-3!

CORTE SECO para

EXT. FLORESTA, FRONTEIRA DO BRASIL COM O PERU – TARDE

Em uma estrada que desemboca em uma clareira está um jipe parado. PLANO FECHADO nos pés de um homem ao lado do jipe que usa botas e anda de um lado para o outro. Ouve-se o barulho de pessoas andando no mato.

CORTE em PLANO ABERTO para SENHOR X, CORONEL MOSTARDA, ZÉ e MR. BLACK surgindo com seus guanacos vindos da floresta.

CLOSE em MR. BLACK que avista o homem ao lado do jipe.

MR. BLACK

(surpreso)

Mas esse é o...

CORTE para TONY TORNADO, de braços cruzados e olhar ameaçador.

TONY TORNADO

Agente BR-3!

FADE OUT

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PARTE 2

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NARRADOR

No capítulo anterior...

EXT. FLORESTA, FRONTEIRA DO BRASIL COM O PERÚ -- TARDE

CLOSE em MR. BLACK que avista o homem ao lado do jipe.

MR. BLACK

(surpreso)

Mas esse é o...

CORTE para TONY TORNADO, de braços cruzados e olhar ameaçador.

TONY TORNADO

Agente BR-3!

SENHOR X

(cumprimentando TONY TORNADO)

Bom ver você novamente, BR-3!

TONY TORNADO

(sorrindo)

Podes crer, amizade. É melho colocarem logo bagagens no carro. As lhamas terão de ficar por aqui.

São guanacos.

SENHOR X

Não interrompa o homem, Zé! Amarre esses camelos subdesenvolvidos em algum lugar. Não precisaremos mais deles.

ZÉ e CORONEL MOSTARDA começam a mover as bagagens para o jipe.

MR. BLACK

(sussura para Senhor X)

Mas ele não é um cantor?

SENHOR X

(sorrindo)

É o que todos acreditam. O Agente BR-3 não grava um álbum desde 1972 e ninguém nunca notou. É o disfarce perfeito. Na verdade ele é veterano da guerra no Canal de Suez. Isso foi em 57, não foi?

TONY TORNADO

Egito, 1957. Corretíssimo, Dom.

SENHOR X

(suspira)

Tempos negros.

TONY TORNADO

Black is beautiful, Dom!

SENHOR X e TONY TORNADO se cumprimentam com um high-five e rodopiam imitando James Brown.

MÚSICA Funk incidental.

CORTE SECO para

INT – SALA DE REUNIÕES – TARDE.

INSTRUTOR

Vocês deverão interceptar às mil quinhentas e dezesseis horas o veículo do Agente BR-3. Sua missão é deter o grupo antes que eles consigam chegar no Peru. O jipe estará parado a quatrocentos metros da fronteira.

AGENTE 2

Qual é o objetivo do grupo, senhor?

INSTRUTOR

A invasão de um laboratório da Universidad de Lima onde experiências científicas estão sendo realizadas. O resto da informação é secreta. Alguma outra pergunta?

AGENTE 1

Você pode contar a informação secreta?

INSTRUTOR

Negativo, agente. São dados sigilosos.

AGENTE 1

E se eu pedir por favor?

INSTRUTOR

Nesse caso a coisa muda de figura. O Senhor X acredita que poderá conseguir recursos e conhecimentos que poderão lhe tornar o homem mais poderoso da Terra. Satisfeito?

AGENTE 1

Tão satisfeito com essa explicação como as da última temporada de Lost.

INSTRUTOR

Por falar em Lost, por incrível que pareça o homem acredita que poderá construir uma máquina do tempo.

AGENTE 2

(constrangido)

Certo. Por falar em tempo, o que são “mil quinhentas e dezesseis horas”?

INSTRUTOR

Três horas e dezesseis minutos.

AGENTE 1

Ah, tá. Da tarde, né?

INSTRUTOR

É. Mais alguma pergunta?

AGENTE 2

Humm... 4, 8, 15, 16... você é fã de Lost?

INSTRUTOR

Essa informação é secreta.

CORTE para...

INT. JIPE – TARDE

TONY TORNADO dirige o carro. Senhor X está no banco do carona e o resto do grupo se espreme nos bancos traseiros junto com as bagagens e um guanaco. O rádio toca Chitãozinho e Xororó.

SENHOR X

(desliga o rádio)

Você tinha de trazer essa alpaca?

Guanaco. É praticamente um filhote. Seria crueldade demais. Podia aparecer uma jaguatirica, um tigre siberiano...

MR. BLACK

Não existe nenhum tigre siberiano na floresta amazônica.

TONY TORNADO

Na verdade existe sim, Dom.

MR. BLACK

Que negócio é esse de “Dom”? Mr. Black por favor.

TONY TORNADO

É Agente BR-3, Dom.

MR. BLACK

Não. Eu sou o Mister Black.

TONY TORNADO

Você é oriental, Dom. Eu sou negro. I’m black!

O guanaco geme.

Vocês estão irritando o Malcom.

CORONEL MOSTARDA

Malcom?

Eu chamo ele de “Malcom X”. É em homena...

TONY TORNADO

Vou parar o carro! Eu sou negro e vocês vão ter de se ligar em mim!

SENHOR X

Não pare o carro, por favor. Ele não é preconceituoso. É só uma anta.

Assim eu mudo o nome. O “X” é em sua homenagem, Senhor X.

SENHOR X

Para o carro! Eu vou matar essa vicunha!

(sussura)

Guanaco.

CORONEL MOSTARDA

Calma, gente! Vamos cantar uma canção?

SENHOR X

(liga o rádio)

Não!

O rádio toca “Rock Lobster” do B52′s. CORTE para carro seguindo por estrada em meio a selva.

O Guanaco geme.

FADE OUT

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Nota 1: Ao que tudo indica Tony Tornado realmente lutou nessa guerra, portanto eu tinha de incluir. Assim como o “Dom” que ele tem mania de falar e pedaços de suas letras de música para construir seus diálogos.
Nota 2: Já foram: guanaco, lagosta, Chitãozinho, Tony Tornado, Intriga Internacional, Jaguatirica e uma menção ao xará. Provavelmente não deve dar pra colocar tudo sem forçar demais a barra, mas vou tentando. ;)

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PARTE 3

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Ação! Intriga! Tiros! Perseguição! Tecnologia!

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EXT. FLORESTA, FRONTEIRA DO BRASIL COM O PERÚ – TARDE

PLANO ABERTO do jipe seguindo por estrada em meio a selva. CORTE para uma curva da estrada. O Jipe atravessa a curva. Segundos depois um carro importado preto com janelas fumê atravessa o mesmo trecho.

CORTE para

INT. JIPE – TARDE

SENHOR X no banco do carona, TONY TORNADO (ao volante). Nos bancos traseiros: ZÉ (entretido com seu celular), CORONEL MOSTARDA, o guanaco e MR. BLACK (observando os detalhes do interior do carro).

CORONEL MOSTARDA olha para trás.

CORONEL MOSTARDA

Essa estrada é muito utilizada?

TONY TORNADO

Não, Dom. É uma estrada abandonada.

CORONEL MOSTARDA

Não parece.

TONY TORNADO olha pelo retrovisor

TONY TORNADO

Estamos sendo seguidos.

TODOS olham para trás com exceção de ZÉ que manuseia seu celular.

Você também tem Twitter?

SENHOR X

(olhando para trás)

É o governo brasileiro!

MR. BLACK

Devemos temê-lo?

Eu criei uma conta para o Malcom agora. É “guanacoX”. Podem seguir.

CORONEL MOSTARDA

Precisamos alcançar a fronteira. Falta muito, BR-3?

TONY TORNADO

Já estamos chegando. Basta atravessarmos a ponte do Rio Moa.

(entretido com o celular)

Catorze seguidores! Sigo ou não sigo o Bruno Mazzeo?

SONS DE TIROS, SENHOR X observa pelo retrovisor da sua porta o AGENTE 1 atirando pela janela do passageiro do carro preto. Um dos tiros destrói o espelho retrovisor da porta do carona.

SENHOR X

Coronel Mostarda, algum plano estratégico?

CORONEL MOSTARDA

Esse jipe possui algum tipo de dispositivo para uma manobra evasiva? Foguetes no escapamento? Cortina de fumaça? Lasers?

TONY TORNADO

Isso é um Jipe, Dom. Não é uma turnê de rock.

SENHOR X

Você terá de improvisar, Coronel!

CORONEL MOSTARDA

Entendido, senhor!

CORTA PARA

INT. CARRO PRETO – TARDE

AGENTE 1 acaba de disparar alguns tiros pela janela e se senta novamente no banco do carona. O AGENTE 2 dirige o veículo. Ambos estão de terno preto e óculos escuros.

AGENTE 1

(empolgado)

Acertei o espelhinho, viu só?

AGENTE 2

Que tal mirar nos pneus para variar?

AGENTE 1

Você tem noção de como é difícil acertar o espelhinho de outro carro em uma perseguição por uma estrada de terra?

AGENTE 2

Toda estrada é de terra.

AGENTE 2

O que é isso? Letra de música?

AGENTE 1

Tecnicamente toda estrada é de terra. Quando uma estrada ou rua é asfaltada ela é automaticamente considerada uma rodovia pelo código de trânsito brasileiro.

AGENTE 1

Sério?

AGENTE 2

Não discuta comigo! Eu sou o motorista. Fiz curso! Acerta os pneus deles!

AGENTE 1

Tá certo.

AGENTE 1 começa a se debruçar na janela quando vê algo a frente do carro e se assusta.

AGENTE 1

O que é aquilo?

AGENTE 2 tenta uma manobra rápida, pisa no freio, gira o volante. Ambos gritam aterrorizados.

FADE OUT

Som de batida de carro e vidro quebrando.

Um guanaco geme.

FADE TO

INT. JIPE – TARDE

Janela traseira do jipe aberta, CORONEL MOSTARDA se senta.

CORONEL MOSTARDA

Pronto. Eles não vão mais nos seguir.

(ainda entretido com o celular)

Deu block neles?

CORONEL MOSTARDA

Exatamente.

SENHOR X

Parabéns, Coronel! Bem na hora. Já estamos chegando na ponte.

(olhando para os lados)

Ei! Cadê o Malcom X?

MR. BLACK

(aproxima de TONY TORNADO)

É melhor parar o carro.

TONY TORNADO

Só depois da ponte, Dom!

MR. BLACK encosta o cano de um revólver na cabeça de TONY TORNADO

MR. BLACK.

Não. Você vai parar o carro agora.

SENHOR X

Mr. Black! Que loucura é essa?

TONY TORNADO para o carro no início da ponte.

TONY TORNADO

Calma aí, Dom!

MR. BLACK

Engula esse Dom! Esse seu Agente BR-3 é um agente duplo, Senhor X.

SENHOR X

O que?

MR. BLACK

Ele trabalha na verdade para o governo brasileiro. Não é, Agente BR-3.

TONY TORNADO faz um movimento rápido se esquivando do cano do revólver, abre a porta do carro e sai correndo pela floresta.

SENHOR X

Eu não acredito!

ZÉ coloca a cabeça para fora da janela.

(chamando em voz alta)

Malcom? Tchup-tchup-tchup! Malcom?

MR. BLACK

Acredite no que quiser, senhor, mas aquele homem era um verme infiltrado.

SENHOR X

Como você soube?

beat

MR. BLACK

Chutei.

SENHOR X

Excelente!

MR. Black assume o volante.

CORTA Para plano aberto de jipe atravessando a ponte. Segundos depois um guanaco corre gemendo na mesma direção.

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PARTE 4

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INT. CORREDORES da UNIVERSIDADE – TARDE

MR. BLACK está na frente de uma porta fechada conversando com um vigia idoso (EM OFF). MR. BLACK dá uma nota de dinheiro para o VIGIA, que se despede dele com um aperto de mão e dobra a esquina de uma interseção em “T” do corredor. Do outro lado da interseção surgem ZÉ, CORONEL MOSTARDA e SENHOR X.

CORONEL MOSTARDA

Missão cumprida?

MR. BLACK

Sim. O que estamos fazendo aqui mesmo?

SENHOR X

Estamos aqui para conseguir o artefato mais poderoso do mundo!

MR. BLACK

Em uma universidade peruana?

SENHOR X

Qual é o problema? Você tem algo contra os peruanos?

MR. BLACK

Não tenho preconceito nenhum, mas é que sei lá... achei que um artefato poderoso assim deveria estar no Forte Knox ou a Área 51, nos Estados Unidos.

Eu ouvi dizer que a Área 51 real fica em Quixeramobim.

SENHOR X

O caso é que atrás dessa porta está a o capacitor mnemônico temporal!

Uau!

MR. BLACK

Mesmo assim! Imaginei que haveria uma defesa hi-tech, homens armados, lasers, alarmes. Só tinha um vigia na porta e eu dei vinte reais pra ele para um cafezinho.

SENHOR X

Não importa! À missão, senhores!

SENHOR X abre a porta do laboratório.

CORTA PARA

INT. LABORATÓRIO – TARDE

TODOS param na porta para ver o laboratório. Uma sala pequena com alguns computadores, três mesas e uma espécie de liquidificador sobre uma delas.

SENHOR X

(aponta para o liquidificador)

Tolos! Lá está! Lá está o fluxocapacitor mnemônico temporal!

TODOS entram na sala e se aproximam da mesa do centro.

Uau!

MR. BLACK

Parece um liquidificador.

SENHOR X

Coincidência. Na verdade o design do fluxocapacitor mnemônico faz muito mais sentido do que o do liquidificador. Coronel, cuide da porta! Podem ainda estar atrás da gente.

CORONEL

Sim, senhor!

CORONEL vai para a porta, deixando-a entreaberta e vigia o corredor.

MR. BLACK

Você sabe como isso funciona?

SENHOR X

(gradativamente se empolgando)

É claro. Eu fiz parte dos primórdios desse projeto. Eles nunca conseguiriam completá-lo sem mim e nem conseguirão! Só eu sei como ativá-lo! Eles chegaram perto, é verdade, mas não possuem o meu gênio! Meu intelecto! Minha sagacidade!

CORONEL MOSTARDA

Alguém vem vindo!

SENHOR X

Já? Mas como?

MR. BLACK

Rápido! Encondam-se!

TODOS se escondem atrás de uma mesa. ZÉ está entretido com o celular.

SENHOR X

(para Zé)

O que você está fazendo?

Twittando em tempo real a nossa aventura.

SENHOR X

Maldito!

A porta se abre. Todos ficam em silêncio e imóveis. Som de passos lentos se aproximando. Os passos param. O guanaco geme.

Malcom!

Todos se levantam e vêem o guanaco ensanguentado com alguns órgãos vitais aparentes.

Nossa! O que aconteceu com ele?

CORONEL MOSTARDA

(sem jeito)

Err.. provavelmente foi atacado por uma jaguatirica.

Ou um rinoceronte! Olha só quanto sangue!

SENHOR X

Como foi que esse bicho... não quero saber! Agora tenho a máquina e o mundo me pertence!

MR. BLACK

O que você vai fazer com isso?

SENHOR X

(triunfante)

Tudo em seu tempo! Primeiro teremos de retornar ao nosso QG.

MR. BLACK

Podemos ir de avião dessa vez? Já perdi dois programas da Hebe.

E eu não vi o último da Maísa!

SENHOR X

Ok.

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PARTE 5

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INT. SALA DE REUNIÕES – DIA

INSTRUTOR entra apressadamente na sala onde se encontram o AGENTE 1 e AGENTE 2.

INSTRUTOR

Senhor X acaba de nos contactar. Qual é a situação do Agente 3?

AGENTE 1

Até agora ao que tudo indica sua missão foi um sucesso, senhor!

INSTRUTOR

Ótimo! Vou transferir a ligação para cá. Observem e aprendam.

INSTRUTOR tira do bolso um controle remoto e aponta para o telão que se ilumina e inicia a comunicação em vídeo. Na tela surge o SENHOR X.

INSTRUTOR

Senhor X. Os canais estão abertos. Aguardamos sua comunicação!

SENHOR X

Excelente! Bom dia, cavalheiros!

beat

SENHOR X

(levemente irritado)

Eu disse “bom dia”!

TODOS

(em coro)

Bom dia, Senhor X!

SENHOR X

Assim é melhor! Como vocês sabem eu possuo o poder de viajar no tempo! O poder de um deus! Se vocês não obedecerem minhas demandas, eu destruirei o mundo!

SENHOR X dá uma gargalhada diabólica.

INSTRUTOR

O que você acha que pode conseguir com isso, X?

SENHOR X

Senhor X! Senhor! Eu quero o telefone da Viviane Araújo!

INSTRUTOR

O que?

SENHOR X

É isso mesmo! Eu quero o telefone dela! Se não eu voltarei no tempo e a vida como vocês conhecem nunca terá existido!

INSTRUTOR

O que você pretende, Senhor X?

SENHOR X

Muito simples! Eu voltarei ao período cretáceo e pisarei em uma borboleta! Isso acarretará, de acordo com a teoria do caos, mudanças climáticas em uma reação em cadeia que irá destruir o mundo inteiro!

SENHOR X gargalha novamente.

CORTE SECO PARA

INT. SALA DO QG – DIA

SENHOR X está sentado em uma poltrona de aspecto estranho. A sua frente há um monitor com a imagem da transmissão. É possível ver o rosto do INSTRUTOR no vídeo. A sala é uma espécie de ante-sala de atendimento médico com sofás simples, um revisteiro, um abajur e quadros de mal gosto. Uma das paredes é de compensado e há uma porta nela. MR. BLACK, ZÉ e CORONEL MOSTARDA estão sentados no SOFÁ. O guanaco está comendo uma revista do revisteiro. ZÉ está entretido com seu celular. MR. BLACK folheia uma revista cuja a capa há uma imagem do fantasma da ópera. CORONEL MOSTARDA veste um uniforme de pioneiro norte-americano no estilo Daniel Boone, com um revólver em um coldre e um chapéu de pele de castor.

SENHOR X gargalha e logo é interrompido por MR. BLACK, que larga a revista e se aproxima.

MR. BLACK

Com licença, mas o senhor já tentou pisar em um borboleta?

SENHOR X

(se vira para MR. BLACK)

O que?

SENHOR X vira-se novamente para a tela exibindo o INSTRUTOR.

SENHOR X

Um momento.

SENHOR X

(cont’d – para MR. BLACK)

O que você está dizendo?

MR. BLACK

Não é fácil pisar em uma borboleta. Não são animais que costumam passar suas vidas no solo.

SENHOR X

Eu não tinha pensado nisso.

MR. BLACK

E sobre o período cretáceo... parece perigoso isso. Se for que nem os filmes essa borboleta pode ter uns três metros de largura.

SENHOR X

Meu Deus! Você tem razão!

INSTRUTOR

(V.O.)

Senhor X? Você ainda está aí?

SENHOR X

(se vira para a tela momentaneamente)

Um minutinho! Estamos discutindo coisas importantes aqui! Fim do mundo, pô!

MR. BLACK

Se eu puder sugerir uma coisa... o senhor poderia levar uma borboleta para o período cretáceo e pisar nela por lá.

SENHOR X

E isso funcionaria?

MR. BLACK

Acho que vale e tentativa, né?

SENHOR X

Coronel Mostarda!

CORONEL MOSTARDA

Sim, senhor!

SENHOR X

Eu preciso de uma borboleta! Me traga uma! Viva!

CORONEL MOSTARDA

É para já, senhor!

CORONEL MOSTARDA sai pela porta da sala.

SENHOR X

(se voltando para o monitor)

Muito bem... vocês têm seis horas para me revelarem o telefone da Viviane Araújo. Não deve ser difícil. Liga para uma dessas revistas masculinas e perguntem.

INSTRUTOR

Você está blefando! Se você mudar a história não haverá humanidade e nem a Viviane Araújo! Nem o senhor é tão louco!

SENHOR X

(surpreso)

Não haverá a Viviane?

INSTRUTOR

Claro que não! Provavelmente o senhor será o único ser humano no planeta quando voltar para o presente.

SENHOR X

(regateando)

Sabe que eu não tinha pensado por esse ângulo? Bem... se vocês me passarem o telefone dela a gente não terá de passar por tudo isso, né? Pelo menos os quatro primeiros dígitos e o DDD, vai!

INSTRUTOR

Nunca!

SENHOR X

Hummm, ok! Que tal então uma receita decente de Polvo a Fricassé? Eu já tentei de tudo e fica uma porcaria. Não sei se é o azeite ou a banha...

INSTRUTOR

(pensando)

Bem...

CORONEL MOSTARDA entra em cena pela porta da sala segurando uma borboleta enorme ntre os dedos.

CORONEL MOSTARDA

Consegui a borboleta! Eu batizei de Átila!

SENHOR X

Meu Deus! Ela é enorme! Um monstro!

CORONEL MOSTARDA

Não é uma gracinha?

O guanaco geme.

Esse morcego colorido está assustando o Malcom!

SENHOR X

Malcom! Átila! Vocês não podem ver um bicho que já se apegam e dão nome! Que saco!

MR. BLACK

(examina a borboleta)

Eu nunca vi essa espécie. Onde você a conseguiu?

CORONEL MOSTARDA

Período cretáceo. Eu usei a máquina do tempo!

SENHOR X

(para o monitor)

Com licença.

SENHOR X desliga o monitor e se vira para o CORONEL MOSTARDA. MR. BLACK se afasta para longe dos dois.

SENHOR X

(gritando)

Você fez o que?

CORONEL MOSTARDA

Eu ouvi o senhor falando sobre borboletas e a máquina. Resolvi tentar.

SENHOR X

Como você conseguiu fazer a máquina funcionar? Só eu sei como...

CORONEL MOSTARDA

A chave estava em duzentos e vinte. Mudei para cento e dez volts e funcionou.

SENHOR X

(suspira com as mãos na cabeça)

Eu preciso de um chá de camomila...

AGENTE 3

(V.O.)

Eu ouvi o suficiente!

ZÉ olha aterrorizado para o guanaco e pula assustado para longe dele.

(gritando)

AAAAAH! Ele fala!

CORONEL MOSTARDA tenta alcançar uma arma na sua cintura, mas a borboleta foge e voa em seu rosto. Ele se desespera tentando afastá-la.

CORONEL MOSTARDA

Sai, Àtila! “Stay”! ‘Stay”!

O guanaco se contorce e revela-se que o animal é apenas uma fantasia. De dentro sai um anão, o AGENTE 3, com uma pistola em punho.

Malcom? Você é um anão?

AGENTE 3

Não! Sou a Dercy Gonçalves! Podem entrar rapazes!

Vários agentes armados entram pela porta e rendem ZÉ, SENHOR X e CORONEL MOSTARDA. A sala agora está lotada e ninguém consegue se mover direito. ZÉ, SENHOR X e CORONEL MOSTARDA levantam os braços para o alto esbarrando nos que estão a sua volta.

AGENTE 3

Onde está o MR. BLACK?

SENHOR X

Eu sei lá! Estou em choque ainda com o fato de você ser um anão!

CORONEL MOSTARDA

Vocês nunca o pegarão! Ele é mais esperto que vocês!

AGENTE 3

É o que veremos! Levem eles daqui!

TODOS saem da sala.

MR. BLACK surge no monitor. PLANO ABERTO no vídeo. Ele está andando sozinho na sala de reuniões dos agentes, com uma chicara de chá nas mãos e olha para as paredes com curiosidade.

MR. BLACK

Que lugar é esse? Acho que desci no andar errado.

FADE OUT

FIM!

Quiz bônus: deixei UM item faltando e não é um gênero cinematográfico.

Agora a sua contribuição no Twitter ganhou um nome: Sketcheorama.

Para quem não conhece o processo, ele é simples: Eu peço sugestões no Twitter e tenho de escrever um sketch em menos de 24h (as vezes em menos de 5h) utilizando pelo menos três sugestões sortidas com a tag #sketcheorama.

Os meus pedidos de ontem foram: Um animal, um gênero de filme e uma celebridade brasileira. Eis a sugestões:

Algumas sugestões não são utilizadas, mas isso não significa que eu não tenha curtido. Simplesmente pego a primeira idéia que vem à cabeça. Às vezes utilizo mais de um tipo de sugestão. Nesse caso, por exemplo, utilizarei com certeza mais de um animal sugerido.

Se ainda não bastasse a dificuldade (estou aqui é para treinar mesmo), resolvi que nesse sketcheorama vou:

1- Tentar inserir o máximo de sugestões possíveis.
2- Utilizar personagens de outro sketch.

Boa sorte para todos.

ARGUMENTO 2 : A MÚSICA!

Pensando em toda essa geração linda nascida com DDA, comprimi o que pude nesse vídeo. Cortei partes, falei rápido e o o resultado? MENOS UM MINUTO E QUATRO SEGUNDOS! Tudo para você, rapazote elétrico e moderno.

É claro que, para compensar, deixei uma “longa” introdução musical. Integridade artística, sabe? Tenho de pensar em mim também.

A Parte 3 está aqui!

Idéias que não entendo porque foram recusadas pelas redes de TV, mas agora publico pra vocês.

Vila do Amparo

Tema: Série de TV dramática que explora as relação de arquétipos genéricos da ficção em versões humanizadas e contemporâneas.

Argumento: Um grupo de ex-colegas de escola se reúne depois de anos através de uma rede social na internet (pegada moderna) e descobrem que cada um está passando uma fase difícil na vida. Todos resolvem unir suas forças e se mudam para uma vila na Mooca, São Paulo, onde precisam lidar com suas diferenças, seus problemas e seus sonhos pessoais. Os episódios se focarão na procura de emprego, amor e companheirismo dentro e fora da vila.

Personagens: Um detetive estilo noir e com impedimento na fala, um pirata boa praça e homossexual, um piloto de caças interestelares que é viciado em crack, um cowboy com Mal de Parkinson em estado avançado e o Fábio Júnior.

Notas extras: Só uma idéia, mas acho que o papel do Fábio Júnior poderia ser interpretado pelo Wagner Moura que tá super bombando. A direção tem de ser do Jayme Monjardim pra deixar a coisa com um tom mais épico. Sonhei com isso tudo ontem e até vi os comerciais. Só anunciante forte!

A Redoma

Tema: Novela de época passada no século XXIII. Uma revolução de conceito para atingir um público novo e jovem.

Argumento: Em um futuro pós-apocalíptico, três corporações controlam todo o planeta. Em uma cidadezinha praiana no interior da Bahia, personagens convivem com os malefícios da radiação, a opção única por alimentos da marca Qualitá enquanto lutam para que suas casas não sejam demolidas por uma das coorporações que pretende construir ali um bairro distopiano coberto por uma redoma de pau-a-pique retrô.

Núcleos: pobre radioativo, miseráveis mutantes (vilões ocasionais), homens de preto (corporações), pescadores (também muito pobres, mas humildes, bons e felizes na miséria) e o clone de Inri Cristo que deverá entrar na trama apenas nos capítulos finais como messias de uma nova era de muito amor e luz.

Notas extras: A novela deverá abordar com alusões discretas e subjetivas os temas: MST,  especulação imobiliária, ecologia, prática excessiva de merchandising na tv, a fusão das Casas Bahia com o Grupo Pão de Açúcar e de como os Maias estavam errados.

A redoma nunca deverá ser mostrada, só sugerida em níveis emocionais. Minha sugestão de diretor é o Wolf, que manda benzaço com pobreza na TV. Eu tenho o telefone dele e posso ligar se vocês quiserem.

FADE IN

|INSERT vidro fosco de uma porta com os dizeres pintados “DETETIVE CARUSO – INVESTIGADOR PARTICULAR”.

FADE para

INT. Escritório da agência de detetives – DIA

MÚSICA de jazz estilo noir.

O DETETIVE Caruso está em pé atrás de sua mesa olhando a rua através das persianas. O ASSISTENTE está sentado em sua mesa distraído com uma revista de palavras cruzadas. Um ventilador de teto gira lentamente e há um copo de whiskey pela metade na mesa do DETETIVE.

ASSISTENTE

Catinga, odor ruim... cinco letras.

DETETIVE

(sem tirar os olhos da janela)

Fedor.

ASSISTENTE conta com a caneta os espaços para preencher a palavra e a anota na revista.

DETETIVE

Essa cidade fede! Fede a desespero, insanidade e luxúria. Todos os dias milhões de almas desamparadas aguardam no limbo e observam mudas e desesperançosas as suas carcaças se arrastarem pelas ruas, escritórios e apartamentos emprestados por terceiros para atividades das mais sórdidas.

ASSISTENTE

Ô! Sei de uma garçoniere no Lido onde as paredes só não falam por vergonha. Amparo, arrimo, oito letras.

DETETIVE

Sustento.

ASSISTENTE

Isso. Você jogo no bicho ontem?

DETETIVE

(cont’d)

Animais se arrastando, se roçando e finalmente apodrecendo no esquecimento coletivo. O arrependimento e o desalento de cada uma dessas almas são o nosso maldito sustento.

ASSISTENTE

Sei. Eu disse para você jogar no macaco e cercar! Depois fica aí, todo borocochô. Já falei! Quando eu sonho com o Charlton Heston é batata!

DETETIVE

São suas vozes que me despertam e que me amaldiçoam. O azedo, o negrume e a carniça é o que me faz querer dormir e não acordar. As almas pelo menos não tem o menor odor, mas os corpos estão aí trapaceando, mentindo, traindo e pecando. Todos os dias alguém acorda nessa cidade e decide destruir a vida de outra pessoa. Muitas vezes, se possível, antes da hora do almoço. Dá para sentir até com a janela fechada.

Uma batida na porta é ouvida. O ASSISTENTE oculta a revista de palavras cruzadas, o DETETIVE se senta e se apruma na cadeira.

DETETIVE

Lá vamos nós de novo. Entre!

MULHER bem vestida com um chapéu com véu entra no escritório. O ASSISTENTE faz sinal para que ela se sente em uma cadeira. O DETETIVE a observa de sua mesa.

ASSISTENTE

Em que podemos ajudar?

MULHER

(se sentando)

Estou atrás de uma pessoa.

ASSISTENTE

Homem? Mulher?

MULHER

Um homem. O homem que me deu isso!

MULHER tira o chapéu e revela seu rosto. ASSISTENTE observa sua face por um instante.

ASSISTENTE

Herpes?

MULHER

(coloca a mão sobre a boca)

Não! O chapéu!

ASSISTENTE

É. Eu ia dizer que não parece herpes. Parecia mais uma espinha. A senhora andou espremen...

DETETIVE

Perdão! Ele é meu assistente. Chegou semana passada. Normalmente só limpa apontadores por aqui. Posso examinar o chapéu?

MULHER

(entrega o chapéu para o DETETIVE)

Por favor.

ASSISTENTE

(consigo mesmo)

Amanhã é pavão na certa.

DETETIVE inspeciona o chapéu por vários ângulos, pega uma lupa e observa um detalhe, observa a MULHER por um momento e volta a observar o interior do chapéu.

DETETIVE

Posso perguntara qual é o seu número de chapéu?

MULHER

36.

DETETIVE

Esse chapéu é tamanho 38. Você está mentindo para nós. Não é, mocinha?

MULHER

Não! Ele é meu, mas não foi comprado para mim.

DETETIVE

(devolve o chapéu)

Fale mais sobre esse homem.

MULHER

O nome dele é Moreira. Eu não sei o seu primeiro nome. Apenas isso: Moreira. Eu o conheci por causa de um cruzeiro em Havana.

ASSISTENTE

Conheço muito bem o tipo. Garoto de programa expatriado que não acompanhou a revolução monetária brasileira, cobrando preços módicos...

MULHER

Não é isso. Foi um cruzeiro de navio!

ASSISTENTE

Ah! Faz sentido.

DETETIVE

Perdão novamente. Deixe ver se completo o quebra-cabeças. Vocês se apaixonaram, ele quis lhe comprar um chapéu. Vocês estavam em alto mar e não havia o seu número na loja do navio.

MULHER

É exatamente isso. Como você descobriu?

DETETIVE

Qualquer um poderia descobrir isso pela etiqueta. Ela possui o nome da loja e essa loja só existe em um transatlântico que ancorou no porto de Santos faz uma semana antes de parar por um dia aqui na cidade.

MULHER

É incrível!

DETETIVE

Ainda tem mais. O chapéu também é um modelo muito especial. O véu é bordado a mão nas filipinas por criancinhas carentes e o tecido é linho marroquino.

MULHER

Eu não fazia idéia.

DETETIVE

Há duas marcas distintas de impressões na aba. Uma é fina, longa e delicada. A sua mão segurou esse chapéu por alguns momentos, mas a outra é evidentemente mais acentuada e provocou uma ligeira saliência na lateral. Um homem sem dúvida. Forte e impetuoso.

MULHER

Como você pode saber tanto só olhando para um chapéu?

DETETIVE

É extraordinariamente simples: eu te dei esse chapéu. Eu sou o Moreira.

MULHER

Isso... isso é ridículo!

DETETIVE

Será mesmo? Você não se lembra da noite no convés? Bebemos três dry-martinis. Você reclamou que o seu joanete doía. A Orquestra Tabajaras cover tocava o Luan e Vanessa e eu disse que sob a lua seus olhos pareciam com os de minha tia Dolores quando ela assistia o jornal e discutia com o Cid Moreira sobre as notícias do dia.

MULHER

Não é possível! O Moreira que conheci era moreno, forte, jovem e tinha uma covinha no queixo.

DETETIVE

Delírios de martini, querida! Tenho sessenta anos, sou caucasiano e mal tenho queixo.

ASSISTENTE

Praticamente um Noel Rosa reencarnado.

DETETIVE

Cale-se.

MULHER

(começa a chorar)

Eu não acredito!

DETETIVE

É melhor acreditar... aceitar os fatos de uma vez e desistir de mim. Você sabe muito bem que sou casado e ambos sabemos que aquilo tudo, por mais maravilhoso que tenha sido, foi apenas uma louca aventura sobre o Atlântico! Um delírio fantástico porém irreal e fugaz!

MULHER

(Chorando)

Moreira! Moreira!

DETETIVE

Vá! Vá e aceite o tempo como remédio. O tempo é teu único amigo e o láudano da tua alma. Só ele poderá aliviar nosso cruel destino! Carrasco vil que aprisiona nossos corações. O tempo romperá teus grilhões, mulher! Não eu! Não o Moreira que você conheceu!

MULHER grita de dor e chora encurvada sobre a cadeira. O ASSISTENTE faz menção de amparada, mas é detido por um gesto dramático do DETETIVE que continua a olhar para a MULHER.

DETETIVE

Vai te! Tua presença, por mais doce e febrilmente ansiada, compursca nossa única memória bela e irremediavelmente perdida! Se ainda tem algum apreço pelo que ela representa, vai te agora e corra veloz de volta para as sombras da minha vida!

MULHER sai chorando pela porta do escritório.

ASSISTENTE

Desde quando você é Moreira?

DETETIVE

Moreira é o caralho! Mulher maluca! Usando chapéu com véu em pleno século vinte e um. Corre lá e cobra a porra os honorários antes que ela chegue no elevador. Vai te!

ASSISTENTE sai correndo pela porta.

DETETIVE bebe um gole de whiskey e afasta com os dedos as persianas da janela para olhar para a rua.

DETETIVE

Mais um dia nessa cidade suja e insandecida...

FADE OUT

Sobre

O Flaming Circus é meu repositório de roteiros, vídeos, textos e outras produções envolvendo comédia. Uma espécie de portfolio online com criações em sub-gênero de humor e algumas homenagens. Sei lá... é o que eu mais gosto de fazer, sabe?

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