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ARGUMENTO 3: PEGÁ MULÉ!

Está aí a última parte do primeiro episódio da série Rompantes!

Pensando novamente em você, meu caro jovem festeiro, multitarefa e cheio do DDA, eu compactei ainda mais essa parte. Falei o mais rápido que pude (mantendo o mínimo de dicção permitido por mim) e reduzi em UM minuto essa parte do episódio. São dois minutos e cinquenta segundos apenas!

Se você curtiu a série, o primeiro episódio está no portal da MTV e aguarda seu voto (ao final do vídeo) para que ele possa, quem sabe, ir ao ar na TV. Foi dica da amiga Sarah. Vamos ver se dá em algo isso. :)
Update: Acho que esse site do FIZ tá bugado. :(

ARGUMENTO 2 : A MÚSICA!

Pensando em toda essa geração linda nascida com DDA, comprimi o que pude nesse vídeo. Cortei partes, falei rápido e o o resultado? MENOS UM MINUTO E QUATRO SEGUNDOS! Tudo para você, rapazote elétrico e moderno.

É claro que, para compensar, deixei uma “longa” introdução musical. Integridade artística, sabe? Tenho de pensar em mim também.

A Parte 3 está aqui!

Faltam 40min para dia 27, mas consegui postar a tempo. Hoje ainda é hoje. ;)

Conforme prometido, cá está o primeiro episódio de Rompantes. Essa é a primeira de quatro três partes onde trato das teorias furadas que tentam explicar a razão de um homem frequentar uma casa noturna, boate, gafieira ou qualquer coisa do gênero. Foi bem corrido, mas está aí. Espero que vocês curtam.

A Parte 2 está aqui!

EXT- Deserto ou ravina – Tarde

Doze homens reunidos em torno de JC.

JC

Chamei vocês hoje aqui para discutir a festa da noite passada.

TODOS murmuram entre si.

JC

Certos eventos ocorreram, a situação ficou meio fora de controle. Sei que bebi demais e, para que não seja a última festa, preciso esclarecer alguns pontos porque sinceramente, não lembro de mais da metade do que aconteceu.

PEDRO

(receoso)

Err... do que exatamente o senhor lembra?

JC

De muito pouco, Pedro. Sei que vocês querem seu lugar ao meu lado e que não esconderiam nada de mim, portanto quero a verdade. Eu fiz alguma bobagem?

PEDRO

Nããão! Imagina! O senhor foi um gentleman!

MATHEUS

Se você não falasse agora, eu nem saberia que o senhor tinha ficado bêbado.

JC

Sem puxar o saco, Matheus. Eu sei que bebi demais. André?

ANDRÉ

Hã?

JC

Você ficou encarregado dos convites. Você pode me explicar como é que tanta gente apareceu por lá? Devia ter umas três mil pessoas!

ANDRÉ

Bem... acho que a notícia se espalhou e...

JC

E você pode me explicar então porque essa notícia não foi junto com “Meninas trazem comida e meninos as bebidas?” Não tinha isso no convite? Como é que aquele monte de gente chega sem trazer nada?

ANDRÉ

Tinha... quer dizer... no começo tinha, mas eu tive um problema na gráfica.

JC

Que problema?

ANDRÉ

Eu tive que riscar essa parte porque ficou “Meninos tragam bebidas e meninas comidas”. Não ia pegar bem, sabe?

JC

É. Não ia. Tá certo. Isso eu posso perdoar, mas... nem umas coxinhas, pô? Mil pessoas! Precisei pedir a Madá pra fazer um PF improvisado. Sorte que ela é ótima na cozinha.

TODOS fazem uma expressão de nojo, mas tentam esconder.

JC

O que foi? Alguém discorda de mim?

Todos negam ao mesmo tempo e repetidamente sem convicção.

PEDRO

Imagina! Aquele peixe com pão tava delicioso.

JC

Também achei. E harmonizava maravilhosamente com o vinho que ela trouxe. Você provou o vinho, André?

ANDRÉ

Ma-ra-vi-lho-so! Néctar divino!

JC

Ela mesmo amassou aquelas uvas, como vocês sabem. Pedro?

PEDRO

Oh sim! Ambrosia dos céus!

JC

Matheus, você bebeu também, não é?

MATHEUS

Claro! Como não? O vinho da senhorita Madalena, a que o senhor tanto preza! Que todos nós prezamos imensamente! Vinho das uvas amassadas pelos celestiais e formosos...

TODOS concordam desconcertados. MATHEUS tapa rapidamente a boca, dá uma golfada e engole.

MATHEUS

(con’d)

Perdão, vomitei um pouco dentro da boca. Uhh... ufa... uh.. já passou. Desculpa. Como ia dizendo... amassada pelos celestiais e formosos pézinhos de Madalena! Nada poderia ser mais...

JC

Chega, Matheus! Deixa ver se eu entendi. Todos na festa beberam o vinho?

TODOS concordam.

JC

Todos, e digo todo mundo mesmo, comeram peixe e pão?

TODOS

(ao mesmo tempo)

Errr...

JC

Comeram?

TODOS concordam fingindo ainda mais.

JC

(pensativo)

Mas, espera! Se eram apenas um garrafão de vinho, uns cinco pães e dois peixes... um bando de gente esfomeada...

pausa

TODOS

(gritam e se ajoelham)

Milagre! É um milagre! Aleluia!

JC

É... só pode. Deve ter sido isso mesmo. Tá certo, mas da próxima vez quero uma reuniãozinha mais intimista. No máximo doze convidados e a gente vai manerar no pão e no vinho. Não quero ficar doidão de novo e fazer besteiras.

MATHEUS

Este é verdadeiramente o Profeta que há de vir ao mundo!

JC

Chega, Matheus!

FADE OUT

INT. BANCO / FILA DOS CAIXAS -- TARDE

Uma fila em forma de zigue e zague. Caixas trabalhando ao fundo e pessoas esperando sua vez. O MOÇO é o último da fila até a chegada do HOMEM que ao tomar seu lugar percebe no chão uma nota dobrada de cem reais. Rapidamente pisa nela com força, esticando a perna exageradamente e provocando barulho. O MOÇO à sua frente se assusta e olha para o HOMEM.

HOMEM

(fingindo alongar-se)

Opa! Alongamento, sabe? Eu tenho circulação ruim nas pernas e essas filas...

MOÇO

(se virando novamente)

Sei.

O HOMEM faz menção de se agachar para pegar a nota, mas uma MULHER chega na fila e ele se apruma.

HOMEM

Oi. Pode passar. Não estou com pressa não.

MULHER

Que gentileza!

HOMEM

O que não é a gentileza se não um dever natural de todo o ser humano, não é verdade?

MULHER

Agradecida.

A MULHER toma o lugar na fila, ficando de costas para ele. O HOMEM novamente tenta alcançar a nota, agachando-se e posicionando a cabeça muito próximo da bunda da MULHER, quando ela se vira subitamente.

MULHER

Sabe que... ué? Que isso?

HOMEM

(se levantando assustado)

O que? Não. Eu... só parei para...para... amarrar o sapato.

MULHER

Mas o seu sapato não tem cadarço.

HOMEM

É mesmo? É mesmo!

MULHER

Por acaso o senhor é um pervertido desses que ficam filmando as calcinhas das moças com o celular e depois coloca na internet? Olha que eu chamo a polícia!

HOMEM

Existe esse tipo de coisa na internet?

MULHER

Não se faça de inocente! O que o senhor estava fazendo aí agachado atrás de mim?

HOMEM

A senhorita entendeu errado. É apenas um mal entendido. Eu abaixei porque tenho má circulação nas pernas. Só isso. É que na hora que a senhora virou eu fiquei nervoso.

MULHER

Má circulação?

HOMEM

Justamente. Quando venho pra fila do banco faço até uns alongamentos. Pode perguntar pro moço aí da frente. Antes da senhorita chegar eu estava me alongando.

MULHER

Não. Não precisa não. Deixa quieto. Mas vê lá, heim?

A MULHER se vira novamente.

HOMEM

A senhorita ia dizer alguma coisa?

MULHER

O que?

HOMEM

Quando a senhora se virou. A senhorita ia me dizer alguma coisa.

MULHER

Ah... ia comentar sobre esse senhor na minha frente. Acho que ele perdeu alguma coisa.

Os dois olham para o MOÇO da frente procurando algo no chão.

HOMEM

Ih. Acho que perdeu mesmo.

MULHER

Será que foi dinheiro?

HOMEM

Nããão! Se fosse, alguém já teria achado.

MULHER

Isso é. De repente é uma caneta.

HOMEM

(Tirando uma caneta do bolso)

Uma caneta! Deve ser isso mesmo. Eu tenho uma aqui. Oferece para ele emprestado se ele tiver perdido.

MULHER

Eu acho que te julguei mal. É a segunda vez que o senhor faz uma gentileza desde que eu cheguei na fila. Me desculpe.

HOMEM

Imagina. Quem não vive para servir não serve para viver.

MULHER

Profundo isso. Espera um minutinho que eu vou falar com ele.

MULHER pega a caneta e vai falar com o MOÇO da frente (em off / segundo plano).

HOMEM olha para os lados para se certificar que ninguém o observa quando nota o SEGURANÇA do banco passando por perto.

HOMEM

Ai meu ca...

MULHER surge do outro lado do zigue e zague da fila, supreendendo o HOMEM.

MULHER

Tá aqui a caneta!

HOMEM

(assustado)

O que? Ah! Obrigado. Ele já terminou de usar?

MULHER

Não. Ele disse que não precisa. Deve ter perdido outra coisa.

HOMEM

Ah!

MULHER

A fila andou finalmente.

HOMEM

É mesmo? É mesmo!

MULHER

(gracejando)

O senhor vai ficar parado aí que nem um dois de paus?

HOMEM

Eu? Ah, hahaha.. sabe o que é? Me deu uma dormência na perna...

MULHER

Ah que chato! Mas é só andar que passa. Se ainda fosse câimbra...

HOMEM

Aaai!

MULHER

O que foi?

HOMEM

Câimbra!

MULHER

(saindo de cena)

Nossa! Deixa eu chamar alguém para te ajudar!

HOMEM

Não precisa!

O MOÇO percebe novamente o HOMEM, desconfia do que está acontecendo e se aproxima.

MOÇO

Está tudo bem com o senhor?

HOMEM

Ah. Sim sim... é só uma câimbra. Dói horrores.

MOÇO

Sei. Na perna direita, né?

HOMEM

É. Dizem que é falta de potássio.

MOÇO

Dizem que se levantar a perna, melhora.

HOMEM

Não. Não dizem não!

MOÇO

Sempre ouvi dizer.

HOMEM

É tudo boato! Crendice popular sem fundamento.

MOÇO

Eu tenho quase certeza que se o senhor levantar a perna, seu problema termina.

HOMEM

Bobagem. Ainda corro o risco de me apoiar na perna esquerda e ela ficar também com câimbra.

MOÇO

Segurança!

HOMEM

O que é isso? Segurança para que?

MOÇO

Para... auxiliar o senhor. Ele vai saber lidar com o seu caso. Assim é capaz do senhor até ir para a fila do atendimento especial. Pode deixar que quando ele chegar eu explico tudinho.

HOMEM

Não é preciso tanto também. Olha! A fila andou. Você vai ficar parado aí que nem um dois de paus?

MOÇO

Agora estou preocupado com o senhor.

HOMEM

É muita gentileza sua.

MOÇO

(fingindo amabilidade)

Culpamos as pessoas das quais não gostamos pelas gentilezas que nos demonstram... Friedrich Nietzsche.

HOMEM

(resmungando)

Ai, cacete...

Entram a MULHER e o SEGURANÇA. Ele empurra uma cadeira de rodas.

MULHER

(apontando para o HOMEM)

Está aí! Não consegue nem andar.

HOMEM

Também não é para tanto, minha gente.

SEGURANÇA

O senhor não se preocupe. É só sentar aqui. Eu te ajudo.

HOMEM

Não devo.

SEGURANÇA

Não deve?

MOÇO

Deve sim.

HOMEM

O senhor é enfermeiro treinado?

SEGURANÇA

Bem...não, mas eu posso ajudar...

HOMEM

Sem querer lhe faltar com o respeito, mas dá para ver que o senhor é forte e sem conhecimento técnico em enfermagem ou medicina é capaz do senhor me machucar. Pode acabar deslocando meu ombro, quebrando meu braço, rompendo uma artéria...

MOÇO

Imagina. Ele é pago para isso.

MULHER

Pago para machucar os clientes?

MOÇO

Não. Para ajudar clientes que se recusam a andar na fila.

MULHER

Ai meu deus! A fila! O senhor guardou o meu lugar?

MOÇO

Infelizmente agora é tarde. Vim em socorro desse senhor e só saio daqui quando ele voltar a andar.

MULHER

(se senta na cadeira de rodas)

Ah, cansei! Vou esperar a fila terminar sentada aqui mesmo.

SEGURANÇA

Na verdade não.

HOMEM

O que?

SEGURANÇA

Na verdade eu não sou pago para isso.

HOMEM

Exato! E aposto que ainda assim não te dão o merecido valor pelo seu serviço aqui, não é mesmo?

SEGURANÇA

O sindicato está até discutindo salário com os donos do banco...

HOMEM

Não é momento de discussão. É momento de ação!

MOÇO

Exatamente. Se move aí.

HOMEM

Não me interrompa. Meu colega segurança... é o momento das massas se levantarem e defenderem seu lugar.

SEGURANÇA

É?

MOÇO

O que diabos você tá dizendo?

HOMEM

O que eu estou dizendo é que o nosso colega aqui não é pago para ser enfermeiro e que poderia me machucar se resolvesse me sentar nessa cadeira. Isso causaria uma ação na justiça da minha pessoa, o cliente, para com essa instituição, o banco, que acarretaria no mínimo a demissão desse funcionário modelo. Imagine vocês. Mesmo munido das melhores intenções, o simples ato de me auxiliar a sentar na cadeira de rodas faria com que... o senhor é casado?

SEGURANÇA

Sou.

HOMEM

Tem filhos?

MULHER (em segundo plano) apóia a cabeça na mão e começa a dormir na cadeira.

SEGURANÇA

Duas meninas.

HOMEM

(cont’d)

... faria com que suas meninas e sua mulher não tivessem mais comida na mesa ou até um teto sob suas cabeças. Uma desgraça!

SEGURANÇA

Vendo por esse ângulo...

MOÇO (em segundo plano) aponta a câmera do celular para as pernas da MULHER.

HOMEM

Leve essa cadeira daqui, meu bom homem! Não é necessário o senhor colocar em jogo seu futuro, o futuro da sua esposa e o futuro das suas filhas.

SEGURANÇA

(saindo de cena com a cadeira e a MULHER sentada nela)

Eu agradeço muito o senhor por ter me informado disso tudo. Obrigado pela gentileza...

HOMEM

Gentileza gera gente ilesa.

MOÇO, indignado, vai atrás do SEGURANÇA tentando impedí-lo de abandonar a cena.

O HOMEM abaixa para pegar o dinheiro e percebe que confundiu-se. A nota é de dois reais.

HOMEM

(Faz menção de andar, mas sente a perna doendo)

Ai, cacete! E dois reais não cobre nem meu couvert artístico.

EXT. Pátio / Dia

A cena ocorre quase completamente em PLANO AMERICANO ou PLANO MÉDIO. Os três personagens conversam enquanto uma série de EXTRAS caminham de um lado para o outro em segundo plano.

A CORRETORA carrega uma prancheta com uma folha de papel.

CORRETORA

(verifica rapidamente a prancheta)

A construção é antiga, de 1931, mas já passou por três obras. Em 2000 foi refeita toda a parte elétrica e em 2003 foram instalados os elevadores.

HOMEM

(olhando para os lados)

É, mas ainda assim tem muita escada aqui e ali.

MULHER

Mas tem até escada rolante. Eu acho chique morar em um lugar que tem escada rolante.

CORRETORA

Sem contar que a parte exterior é toda coberta por mármore negro.

HOMEM

Pois é. Meio sinistro isso, né? Parece coisa de cemitério.

MULHER

Eu gostei do teto pintado de azul como se fosse o céu. Muito bonito com aquelas nuvenzinhas.

CORRETORA

É um imóvel único. Vocês não terão vizinhos nem em cima nem embaixo de vocês. Muita privacidade...

HOMEM

Tirando esse pátio. Pelo que eu entendi é de acesso público, certo?

CORRETORA

O pátio é coletivo e de acesso público, mas compensa pela vista. Não existe vista melhor na cidade.

HOMEM

É... isso eu tenho de concordar.

CORRETORA

(lendo a descrição em sua prancheta)

Uma vista de trezentos e sessenta graus você consegue vislumbrar bairros da Zonal Sul, Norte e Centro da cidade. Setecentos e nove metros acima do mar.

MULHER

(apontando para longe)

Até dá pra ver a nossa casa! Olha lá, môr.

PLANO ABERTO exibindo os três descendo um lance de escadas com a estátua do Cristo Redentor logo acima do lance, ao fundo.

HOMEM

Bem, acho que já vimos o que´tinhamos de ver. Eu não estou bem certo se queremos alugar o local. O preço está um pouco salgado. Principalmente o condomínio...

FADE OUT

Continuação em TAG FINAL (de preferência para ser inserido entre outros sketches de um mesmo programa).

INT. Ambiente cercado de janelas e pessoas – DIA

MULHER

Pena que o condomínio estava muito caro. Eu adorei ter a vista de lá.

HOMEM

A nossa vista não é tão ruim assim e eu nem podia utilizar aquele pátio para construir uma cozinha mineira...

MULHER

Acho chato voltar para casa sem ter encontrado nada hoje.

HOMEM

Assim que a gente chegar eu vou procurar na internet outra corretora, benzinho.

LONG SHOT dos dois subindo de bondinho o Pão de Açúcar.

INT. APARTAMENTO -- Indiferente

PROFESSOR

(abrindo a porta)

Quem é?

ASSASSINO entra com duas mulheres sob a mira de um revólver.

ASSASSINO

Professor Pasquale! Boa tarde!

PROFESSOR

O que é isso?

ASSASSINO

Não se preocupe, professor. Vocês duas! Fiquem juntas com o Professor Pasquale!

PROFESSOR

Olha, está aqui minha carteira...

ASSASSINO

Não quero o seu dinheiro! Eu quero saber qual das duas irá morrer primeiro. Só isso.

PROFESSOR

Elas estão doentes? Eu não sou médico...

ASSASSINO

Não é nada disso. Quero saber qual das duas mato primeiro.

PROFESSOR

Deve haver algum engano! Eu nem conheço essas moças!

ASSASSINO

Kelly e Letícia: Professor Pasquale. Professor Pasquale: Kelly e Letícia.

KELLY E LETÍCIA

Prazer. Muito prazer.

PROFESSOR

Oi. E quem é você?

ASSASSINO

Eu sou... o Assassino do Alfabeto.

PROFESSOR

Aquele que escolhe a vítima pela sequência alfabética dos nomes?

ASSASSINO

Exatamente. O que o senhor esperava? Que eu matasse letrinhas?

PROFESSOR

Não, mas...

ASSASSINO

Chega de papo. Então? Qual das duas morre primeiro?

PROFESSOR

Eu não estou entendendo.

ASSASSINO

Se o senhor não está, imagine eu! Vim aqui para confirmar com um especialista as novas regras da língua portuguesa. É verdade que incluíram K, W e Y no alfabeto português? Isso já está em vigor?

PROFESSOR

Sim. Está, mas...

ASSASSINO

Então é a Kelly!

KELLY

AAaaahhh! Não me mata!

PROFESSOR

(corrigindo)

Não me “mate”!

ASSASSINO

Não importa, professor! Essa inculta nunca mais cometerá esse erro.

ASSASSINO mira na cabeça de KELLY.

PROFESSOR

Não! Espera! Ainda não é obrigatório!

ASSASSINO

Como é?

PROFESSOR

Ainda não é obrigatória a mudança. O Brasil tem até 2012 para efetuar a transição das novas regras da língua.

ASSASSINO

Até 2012? Assim não dá. E agora?

PROFESSOR

Não sei! Por que você não esquece isso e se entrega para a polícia?

ASSASSINO

Mas eu seria preso! Não seria muito prático para mim. Imagine ter de continuar meu trabalho na cadeia para chegar na letra ípsolon e não encontrar nenhum detento chamado Yuri. Não, não... nada prático.

PROFESSOR

Então volta para sua casa e esquece a gente aqui. Em 2012 você pode retornar às suas atividade. Tire umas férias prolongadas...

ASSASSINO

(pondera por um momento)

Hummm... não, não. Tem toda essa história do mundo acabar em 2012. Não sou homem de deixar serviço por fazer. Tem de haver outra maneira.

PROFESSOR

Bem... não dá para matar as duas ao mesmo tempo!

ASSASSINO

Genial, professor! O senhor é um gênio. Como posso fazer isso?

PROFESSOR

Eu disse que não dá par...Eu não sei. Eu estou nervoso. Por favor não me mate!

ASSASSINO

Não vou matá-lo.

PROFESSOR

Não?

ASSASSINO

Quer dizer... ainda não. Em algumas semanas talvez. O seu nome começa com a letra “P”... eu costumo matar uma pessoa por semana (com exceção as duas de hoje, que será serviço dobrado)... o senhor tem aí mais umas cinco semanas de vida! Até lá a gente resolve toda essa questão antes que eu chegue no “w”.

PROFESSOR

Você é louco!

ASSASSINO

Não vou te matar, mas posso atirar nas suas duas pernas. Não crie um ambiente hostil, professor! Estamos todos aqui para colaborar com um problema em comum, entendeu?

PROFESSOR

Sim. Perdão.

ASSASSINO

Então? Como matar as duas ao mesmo tempo? Se eu enfileirar as duas e atirar, uma vai receber a bala antes da outra. Poderia ser tanto a Kelly quanto a Letícia.

ASSASSINO aproxima o revólver da cabeça de LETÍCIA.

LETÍCIA

Não! Por favor! Não me mata!

ASSASSINO

(olha para PROFESSOR)

Não é irritante? O senhor acabou de explicar...

PROFESSOR

Olha... se você atirar nas duas não significa que as elas morrerão ao mesmo tempo. Uma pode sobreviver por mais um segundo ou dois.

ASSASSINO

É verdade... não posso deixar esse furo. Já sei! Coloco as duas em uma banheira cheia d´água e jogo uma televisão em cima delas. O choque vai matar as duas ao mesmo tempo.

PROFESSOR

Mas eu não tenho uma banheira.

ASSASSINO

Uma bacia serve.

PROFESSOR

Eu também não tenho televisão.

ASSASSINO

Por que todo intelectual cisma Com essa mania? Água pelo menos você tem?

PROFESSOR

Com o salário de professor...

ASSASSINO

Eu poderia jogar as duas ao mesmo tempo pela janela... a velocidade de queda é sempre constante.

PROFESSOR

Não funcionaria.

ASSASSINO

Você tem razão. Uma está de vestido e a outra de calça jeans. Perderiam a sincronia durante a queda por causa da aerodinâmica e...

PROFESSOR

Eu moro no segundo andar.

ASSASSINO

Ah é.

ASSASSINO

(cont’d)

Bem... não tem outro jeito. Coloco uma bala na cabeça das duas e sequestro o senhor até que se passe cinco semanas. Aí te mato e ninguém saberá o que aconteceu exatamente aqui. Minha reputação como Assassino do Alfabeto continuará intacta. Resolvido.

ASSASSINO aponta o revólver para KELLY e LETÍCIA, que se desesperam ainda mais.

KELLY

(aos prantos)

Eu não quero morrer!

PROFESSOR

(se coloca na frente da arma, junto às moças)

Não faça isso, meu amigo! Elas são jovens! Possuem toda uma vida pela frente!

PROFESSOR

(cont’d)

Essa é praticamente uma criança. Qual é o seu nome mesmo?

KELLY

(enxugando as lágrimas)

Kelly... Kelly Luisa.

PROFESSOR

(saindo rapidamente da frente de KELLY)

Odeio nome composto. Paciência...

FADE OUT com som de tiro disparado.

COLD TAG

INT. Quarto -- Noite

Sentado em uma mesa iluminada por uma luminária, ASSASSINO consulta a lista telefônica ao som de “ABC” dos Jacksons Five.

ASSASSINO

Wellington Vaz... Wellington Vieira... Wellington Xavier!

FADE OUT

INT. BAR/RESTAURANTE -- DIA

FADE IN

Duas amigas sentadas a mesa terminando de comer a sobremesa, quando uma repara nos óculos da outra. Ela aproxima uma das mãos da lente do óculos da amiga, que levemente se retrai assustada.

MULHER 1

Calma aí que tem um cílio nos seus óculos.

MULHER 2

Ai... tira.

MULHER 1

Aperta ele com o seu dedo no meu e a gente faz um pedido.

As duas unem um de seus polegares em torno do cílio e o pressionam.

MULHER 2

Pronta?

MULHER 1

Pronta.

MULHER 2

Tira!

Elas afastam as mãos e examinam os polegares à procura do cílio. Ele está no polegar da MULHER 1.

MULHER 1

Iêii! O desejo é meu!

MULHER 2

(fingindo tristeza)

Ah... nem meu cílio me ajuda. Que sorriso é esse?

MULHER 1

Estou pensando no meu desejo.

MULHER 2

Huummm... não pode contar né? Se não, não se realiza.

MULHER 1

Pois é. Hihihi

MULHER 2

Olha! Caiu outro cílio meu!

MULHER 1

Oba!

MULHER 2

Poxa! Dessa vez tem de ser meu o pedido!

Elas repetem o ritual.

MULHER 1

Pronta?

MULHER 2

Pronta! E você?

MULHER 1

Tira!

MULHER 2

Iêi! Outro pedido! Vivaaaa!

MULHER 1

Sacanagem! Isso é injusto!

MULHER 2

E o melhor é que o primeiro pedido se realizou.

MULHER 1

Como assim?

MULHER 2

Pedi que todos os seus cílios caíssem. Olha outro ali! Peguei.

MULHER 1

Como é?

MULHER 2

Pedi que todos os seus cílios caíssem. Assim a gente teria um monte de desejos para gente!

MULHER 1

Cacete! Caiu outro! Como você me faz um pedido desse?

MULHER 2

Não esquenta não! Quando cair o último a gente pede pra todos crescerem de novo bem rapidinho, ok? Tá pronta?

FADE OUT

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O Flaming Circus é meu repositório de roteiros, vídeos, textos e outras produções envolvendo comédia. Uma espécie de portfolio online com criações em sub-gênero de humor e algumas homenagens. Sei lá... é o que eu mais gosto de fazer, sabe?

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