Uma pequena nota introdutória: new blues não é um estilo musical popularizado. Resumidamente ele se apresenta como uma maneira moderna e sintonizada com os tempos atuais incorporando gêneros musicais como punk, hip-hop e música eletrônica ao blues e também se utilizando de instrumentos, temáticas e tecnologias comuns do século XXI.

1- Seasick Steve –  St. Louis Slim

Sem teto, hobo e faz-tudo, Seasick Steve começou sua carreira musical nos anos 60 em San francisco e no final dos anos 80 foi engenheiro de som e músico de estúdio de bandas independentes próximo a Seattle. Nos anos 90 trabalhou como engenheiro de som na gravação de diversos singles da banda Modest Mouse, viveu em Paris como músico de rua e em 2001 se mudou para a Noruega quando lançou seu primeiro álbum “Cheap” aos 60 anos de idade com a banda The Level Devils. Seu álbum solo “Dog House Music” esperaria mais 5 anos para ser lançado.

Em 2008 Seasick lançou seu segundo álbum solo “I Started Out with Nothin and I Still Got Most of It Left” pela Warner Bros. Records,com a música “St. Louis Slim” que alcançou o nono lugar na parada musical da grã-bretanha naquele ano.

Nota: St. Louis Slim também é um nome de um bluesman com quem toquei em New Orleans em 2004. Que eu saiba é só uma coincidência e os dois nunca se encontraram.

2- Son Of Dave - Devil Take My Soul

One-man-band ex-integrante da banda de rock Crash Test Dummies, Son Of Dave (capa dessa coletânea) se reinventou como um bluesman moderno. Misturando loops, efeitos de eletrônicos com percussão e gaita, Dave é considerados por muito um dos percussores do new-blues.

Ao contrário da maioria de suas canções completamente solo, em “Devil Take My Soul” Son Dave divide os vocais com a cantora britânica Martina Topley-Bird em seu segundo disco intitulado simplesmente “2″ lançado em 2006.

 3- Panny Lang – Lost And Found

Cantora de blues e folk canadense, Penny nasceu em uma família de músicos e aprendeu a tocar se apresentando com os pais em igrejas, hospitais, prisões e velhos teatros. O pico de sua carreira musical aparentemente se formou nos anos 60 com sua versão de “Suzanne” de Leonard Cohen que foi um hit momentâneo nos EUA. Após isso sua carreira e vida pessoal lhe deram uma rasteira e Penny entrou em um autoexílio em 1970 (em uma cabana nas florestas e Quebec) só retornando em 1988.
Aceita pelos músicos locais como uma pioneira do folk canadense, Penny lançou sem primeiro álbum em 1991 e mais sete até o momento. Atualmente ela excursiona frequentemente tocando com seu filho que também é músico.

Penny é um caso bem especial. Uma das poucas cantoras brancas nessa coletânea e a única repleta de cabelos brancos também. Fico feliz de incluir sua canção aqui.

4- Reid Paley – The Anesthestist’s Song

Sou fã do trabalho solo de Reid Paley. Conheci ele em Londres em um festival sensacional, bato papo com ele via web e sou louco pra dar um pulo no Brooklin só pra ver o homem tocando mais uma vez. Reid tem um estilo único como compositor, uma voz inconfundível e uma apresentação debochada que sempre faz com que a experiência ao vivo (independente da qualidade do equipamento na casa) seja divertida.

Eu defino as músicas de Reid Paley como “canções de bêbado”. Há canções para antes de ir beber, para ouvir enquanto se bebe e para ouvir quando se chega em casa trocando pernas. Essa não é diferente.

5- Mudlow – Drunken Turkey

No mesmo festival que conheci Reid, conheci também essa banda (que infelizmente não tocou com os metais). Mudlow é o filho negro britânico de Morphine e Tito & The Tarantulas batizado por Nick Cave.  Blues rock com um clima pesado e tarantinesco, Mudlow é uma banda de Brighton (Inglaterra) formada em 2002 que atualmente divide o palco com uma banda chamada The Silver Brazilians. Juro.

“Drunken Turkey” é faixa do álbum “Welcome to Mudlow Country” de 2004.

6- John Schooley An His One Man Band – Drive You Faster

Esse álbum está sendo quase um tributo aos one-men-band (no plural parece meio estranho). Músico de Austin, Texas (atualmente uma das mecas da música boa), John mistura tanto o blues do delta como o de Chicago em um estilo garage rock cru… o que dá basicamente um punk-blues.

Membro do trio The Revelators, Schooley lançou em carreira solo 3 EPs e 2 álbuns onde destila porrada em seu kit com bateria, guitarra slide, gaita e washboard.

7- Petit Vodo – Big Star

Petit Vodo começou sua carreira em 1997 como baterista de uma banda de blues em sua cidade natal, Bordeaux (França). Posteriormente começou a se apresentar como one-man-band (bateria, guitarra, gaita, vocal e efeitos eletrônicos) ou acompanhado de um ou dois músicoss.

Influenciado por bluesmen como Slim Harpo, Lightning Hopkins, assim como Becj, G-Love e Morphine, Sebastian Chevalier (seu nome de batismo) aposta no experimentalismo no rock e blues e levanta a bandeira do new blues.

“Big Star” é a quarta faixa do seu álbum “A Little Big Pig With A Pink Lonely Heart” lamçado em 2004.

8- Slidin’ Slim – They Call Me Mr. Misfit

Outro que também carrega a ideia do blues para o séc. XXI (a assinatura em seu site é “Not your ordinary blues”), Slidin’ Slim cresceu ouvindo rockabilly até que descobriu os Ramones, Dead Kennedys e Clash… assim como a cena punk da Suécia… o que seria ligeiramente incomum se ele não fosse sueco.

Começou sua primeira banda aos 12 anos até que nos anos 80 descobriu os bluesmen do delta e decidiu que aquela seria sua base musical. Desde 1994, Slidin’ Slim vem lançando CDs de blues e fazendo turnês européias quando não está escrevendo ficção como hobby.

9- Soledad Brothers – 44 Blues

Trio de Detroit de garage rock com forte influência de blues que gravou quatro álbuns de estúdio entre 2000 e 2006 até finalmente terminar.

Punk blues de primeira, a banda teve seu primeiro álbum homônimo com a ajuda de Jack White na engenharia de som e Meg White em algumas percussões.

Depois do primeiro álbum fortemente influenciado pelo blues a banda lançou um segundo influênciado por rock britânico dos anos 60 e 70 (“Steal Your Soul and Dare Your Spirit to Move.”), um terceiro com influência de jazz (“Voice Of Treason”) até retornar para o blues em seu álbum final: “The Hardest Walk”.

“Fourty Four Blues” é uma faixa do álbum “Live At Schubas” de 2004.

Nota: com um guitarrista chamado Johnny Walker, creio que é algo quase instantâneo ter influência de blues.

10- Chicken Legs Weaver – Street Cleaner

Outro trio de punk blues que infelizmente não existe mais. De Sheffield, Inglaterra, Chicken Legs Weaver lançou dois álbuns lançados: “Nowhere” em 2007 e “Silk Ripped Dress” em 2008.

“Street Cleaner” é a faixa do single homônimo de 2004.

Queria poder dizer mais sobre a banda, mas eu realmente não sei muito à seu respeito e pesquisas voltaram quase com nada de informações novas.

BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.5 (43,8 Mb)

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1- Paul Pena - Jet Airliner

Conheci Paul Pena não pelo blues e sim pesquisando sobre a música de folclórica de Tuva (Mongólia). Assisti o documentário Genghis Blues como introdução à sua carreira e me interessei quando ouvi seu estilo que parece mesclar canções pop-rock sem que fiquem melosas ou comerciais demais com uma guitarra fortemente influenciada por Hendrix sem transparecer qualquer agressividade ou pretensão ao virtuosismo. “Jet Airliner”, assim como algumas canções do segundo álbum “New Train” são honestas e ricas em arranjos e pela suavidade da voz de Pena.

Nota: Essa canção foi um hit em 1977 pela versão de Steve Miller Band

2- Jimi Hendrix – Hear My Train A Comin’

O que dizer? Hendrix tocando blues acústico. Ele deveria ter gravado mais faixas assim. :)

3- John Hiatt - Feels Like Rain

John Hiatt é antes de um performer, um compositor de hits. Além de “Feels Like Rain” ter sido faixa-título do álbum de Buddy Guy (Grammy de melhor álbum de blues contemporâneo), John compôs também “Riding With The King” que também virou faixa título do álbum de parceria entre B.B. King e Eric Clapton (Grammy de melhor álbum de blues tradicional). Hiatt teve canções gravadas e apresentadas por Bob Dylan, Ry Cooder, Bonnie Raitt, Willie Nelson, Three Dog Night, Joan Baez, Paula Abdul, Iggy Pop, The Nitty Gritty Dirt Band, Joe Cocker, Chaka Khan… mas e Grammy? Nunca ganhou.

A versão de Buddy Guy na minha opinião é diferente e tão boa quanto a original. Entretando a gravação original consegue se afastar ligeiramente mais da linha tradicional de blues e passa um certo feeling maior de integridade sobre o que está sendo cantado (por motivos óbvios)

4- Robert Cray - Too Many Cooks

Antes de dar a louca e resolver ser um músico de world music medianamente sucedido (estou usando “medianamente” de maneira otimista), Robert Cray era um guitarrista e cantor de blues excelente e com todo um mundo aos seus pés. Seu ótimo álbum de estréia “Who’s Been Talkin’?” (1980) continha entre suas faixas a canção “Too Many Cooks” que se tornou a faixa-título do mesmo álbum em seu relançamento dez anos depois.

Um blues com base de rumba em tom menor que representaria por si só a ideia dessa coletânea.

5- The Paul Butterfield Blues Band - Mellow Down Easy

Lançada por Little Walter em 1954, “Mellow Down Easy” foi regravada por diversos artistas de blues (a maioria gaitistas) e rock (The Black Crowes, ZZ Top) e foi a sexta faixa da Paul Butterfield Bluesband em seu álbum de estréia homônimo lançado em 1965 pela Elektra Records. O Álbum atingiu a posição nº123 nas paradas pop da Billboard e em 2003 entrou na lista dos maiores 500 álbuns de todos os tempos pela revista Roling Stone.

Na minha lista pessoal é um dos 10 melhores álbuns de blues já realizados. Paul Butterfield se tornou um ídolo dos gaitistas com os anos (os que já eram da “escolinha Little Walter de gaita”). Paul infelizmente partiu cedo, morrendo em 1987 aos 45 anos por overdose de cocaína.

6- Taj Mahal - She Caught The Katy (and left me a mule to ride)

Quando John Belushi e Dan Aykroyd se uniram para discutir qual seriam os covers de blues que tocariam com os Blues Brothers, uma coisa apenas estava clara: eles não queriam uma série de blues com levadas clichês. “She Caught The Katy” foi uma das primeiras canções que lhe chamaram a atenção justamente por ser claramente um blues e ao mesmo tempo ser bem diferente de qualquer batida padrão do gênero.

Ao contrário de Robert Cray, Taj Mahal tem uma carreira muito boa com sua banda de world music e a usa para financiar suas incursões como bluesman e bon vivant. Figuraça simpática e integrante do “The Rolling Stones Rock and Roll Circus”, Taj tem um senso de humor peculiar e além de dar esporro na platéia volta e meia, gravou uma canção chamada “Jorge Ben” que tem a mesma levada da canção “Taj Mahal” de Jorge Benjor… só que com a letra também trocada. :)

7- The Kingsnakes - Peach Tree

The Kingsnakes são uma banda de músicos bem competentes que se não fosse por isso e pela excelência do baterista e gaitista, seriam apenas mais uma banda de bar… (Nota: me lembram o caso da banda Dr. Feelgood). Suas composições próprias são fortes e bem características, porém resolvi colocar uma versão de uma música não tão padrão de Sonny Boy Williamson II lançada em 1965 no álbum “The Real Folk Blues”. “Peach Tree” tem alguma qualidade piedmont nela e a versão dos Kingsnakes ainda traz um certo peso interessante.

Nota: Não confundir com Chicago Kingsnales Blues Band ou os The Kingsnakes de Detroit (banda de rock) ou Paul Lamb & The Kingsnakes (Reino Unido). Essa The Kingsnales é uma banda de Syracuse, New York.

8- Paul deLay – All My Money Gone

Outro gaitista americano branco que chutou o pau da barraca tanto na qualidade de execução de seus solos como no uso da cocaína. Paul deLay deixou várias gemas em seu repertório e a minha preferida é essa “All My Money Gone”… é um standart sim, mas nunca um standart possível de se ouvir apenas no background e ser ignorado.

A faixa foi lançada no álbum “Paul deLay Band” em 1988 e atingiu a décima posição nas paradas da revista Living Blues.

9- Luther Allison - You Can Run, But You Can’t Hide

Mais uma faixa do álbum “Reckless” já citado no volume III da série “Os Clássicos” dessa coletânea. “You Can Run, But You Can’t Hide” tem um peso e guitarra rock para um blues funkeado graças à cozinha marcante. Não há muito mais o que falar aqui sobre Luther, o álbum ou a faixa. São todos maravilhosos.

10- North Mississippi Allstars - New Orlean’s Walking Dead

Os North Mississippi Allstars são uma banda relativamente nova que tratam o blues como uma base para experimentar suas mais diferentes influências. “New Orlean’s Walking Dead” flerta entre o new blues e o swamp blues característico em várias canções que evocam New Orleans e a Louisiana. É provávelmente a canção mais recente de toda essa coletânea, sendo lançada no álbum “Keys To The Kingdon” em fevereiro de 2011.

BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.4 (49,6 Mb)

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Uma seleção de bluesmen clássicos gloficados entre os anos 50 e 60 tocando blues de maneiras não exatamente clássicas. Soul, funk, batidas latinas, rock e outros gêneros musicais influenciaram e foram influenciados também por esses medalhões do blues. Esse volume mostra que mesmo os medalhões do blues são capazes de proporcionar gravações fantásticas fora da linha básica de seus repertórios.

1- John Lee Hooker com Carlos Santana – Chill Out (Things Gonna Change)

Em 1989 John Lee Hooker com a ajuda de Carlos Santana e do violonista Roy Rogers (na produção) conseguiram o primeiro Grammy da carreira do cantor com a faixa título do álbum “The Healer” (1989).  Em 1995 depois repetiram a mesma exata fórmula com o álbum “Chill Out” e conseguiram os mesmos resultados. Isso é ciência! Assim como a faixa “The Healer”, “Chill Out” mostra novamente que uma fusão entre blues e ritmos latinos não só é possível como também algo interessante e agradável.

2- Albert King – Shake’Em Down

Não confundir com “Shem’Em On Down”, canção rural que ficou conhecida com Bukka White, Mississippi Fred McDowell e outros contemporâneos do delta blues. Nessa canção, Albert King sai um pouco da sua zona de conforto e entrega uma performance cândida sobre um arranjo delicado, leve e também repleto de soul. Lançada no álbum “Hard Bargain”, em 1996 com faixas gravadas pelo artista entre 1966 e 1972 e com o line-up da gravadora Stax, “Hard Bargain” ainda conta com composições de Don Nix (sem parentesco comigo), incluindo “Shake’Em Down”.

Nota: Esse volume da coletânea ainda possui mais uma de Don Nix em um gênero diferente tocada por outro King: o Freddie (décima faixa).

3- B.B. King – Better Not Look Down

Dando continuidade à faixa anterior, podemos dizer que “Better Not Look Down”, segue a mesma direção acelerando levemente a marcha com uma letra mais humorada tongue-in-cheek. Ao contrário de Albert, B.B. King tem em seu repertório canções de diversos gêneros musicais enraizados no blues. “Better Not Look Down” é uma das que se sobressai pela levada mais pop e easy listening do que o resto de suas gravações.

4- Muddy Waters – Can’t Get No Grindin’

Com exceção do polêmico álbum “Electric Mud”, Muddy Waters nunca teve a tendência de passear muito longe de suas raízes. “Can’t Get No Grindin’” é uma das poucas canções que flertam com a influência do funk dos anos sessenta em seu repertório. lançada em 1973 no álbum homônimo, Grande parte disso está no trabalho de órgão de Pinetop Perkins, normalmente associado apenas às gravações de piano.

5- Albert Collins – Soul Food

Gravada entre 1968 e 1970 e lançada no álbum duplo contendo todas as gravações do artista pela Imperial Recordings, Soul Food é uma simples mistura de baixo e baterial funkeado com uma guitarra base mantendo um groove respectivo e a inserção da voz e da guitarra blues de Albert Collins. Uma mistura simples e eficaz.

6- Little Walter – My Babe

Quando Ray Charles estourou nas paradas com a canção “I Got A Woman”, um furor religioso surgiu. Aquele blues era na verdade uma versão pagã do gospel “It Must Be Jesus”. No alto de seus botões, Willie Dixon (O faz-tudo da gravadora Chess) deve ter pensado “Ei! Essa ideia deveria ter sido minha!” e resolveu não perder mais tempo. Adicionou uma batida latina no gospel “This Train (Is Bound For Glory)” (que fora sucesso com Sister Rosetta Tharpe em 1939), compôs uma nova letra e correu para o estúdio com Little Walter  para gravar “My Baby”. O single foi lançado semanas seguintes à canção de Ray Charles e ultrapassou suas marcas. “My Baby” foi a única canção de Willie Dixon a atingir o primeiro lugar nas paradas R&B da Billboard (1955).

7- Sonny Boy Willliamson II – One Way Out

Gravada originalmente por Elmore James entre 1960 e 1961 de uma maneira porca e mal ensaiada, a canção teria morrido se Sonny Boy Williamson II não a resgatasse do limbo, criasse um novo arranjo e a apoiasse. Sonny Boy a regravou em setembro de 1961 sem sucesso e, como era um artista insistente e provavelmente chato, tentou mais uma vez em 1963 (dessa vez com Buddy Guy na guitarra e com o arranjo dando mais ênfase à gaita). Elmore James tentou então uma reaproximação e decidiu também regravá-la em 65, mas era tarde demais para recuperar o status de pai desertor.

“One Way Out” agora se comportava como uma cria bastarda e rebelde de passado difícil. Procurou novo lar em meados de 1965 em um álbum do desconhecido artista G.L. Crockett que a regravou com vocais “extremamente inspirados” no  bluesman Jimmy Reed e com um temperinho de rockabilly. Com isso ela mudou seu nome para “It’s A Man Down There” e atingiu o décimo lugar das paradas R&B da Billboard. Jimmy Reed ao notar um pouco de si na criação, acreditou que poderia ser seu pai, regravando-a com o nome “I’m The Man Down There” e conseguiu um relativo sucesso.

No ano seguinte a mocinha resolveu sair novamente sob o nome de ”It’s a Man Down There” e com uma roupa country no álbum de estréia de Sir Douglas Quintet e mais tarde foi vista em 1969 com os Beatles numa faixa jam entitulada ”My Imagination” tendo seu nome gritado por Paul McCartney por sete minutos em uma espécie de mantra psicodélico. Mal sabia ela que seria usada pela madrinha Yoko Ono em versões de até 16min de duração.

Apesar dessa vida louca e transviada, “One Way Out” ficou estabelecida nas gerações futuras pela versão da banda “Allman Brothers” e o futuro encarregou de solidificar Sonny Boy Williamson como o verdadeiro pai da criança.

8- Howlin’ Wolf – Three Hundred Pounds Of Joy

Composta por Willie Dixon especialmente para Howlin’ Wolf que pesava 300 pounds  (136kg) em 1963, “Three Hundred Pounds Of Joy” é uma divertida canção de blues do “The Howlin’ Wolf Album” (o álbum de blues com a capa mais legal já produzida até hoje). Nem todos os aprecidadores do artista gostam dessa canção por ela representar um caminho diferente de sua carreira onde a banda incorpora com mais presença os metais tirando o espaço centralizado da guitarra elétrica para dar lugar a um duo de saxes tenor e barítono.

9- Bo Diddley – Road Runner

Gravada em setembro de 1959 e lançada em jenairo de 1960 no álbum “Bo Diddley In The Spotlight”, a canção atingiu o vigésimo lugar na parada Hot R&B e o a septuagésima quinta posição da Hot 100 da revista Billboard.

Um rock’n'roll híbrido de blues com uma temática divertida que foi regravado pelos Rolling Stones, Who, Zombies, Aerosmith e outras bandas (Os Beatles e o Clash costumavam tocar durante turnês também).

10- Freddie King – Palace Of The King

Don Nix foi o compositor de duas canções lançadas por Freddie King no álbum “Getting Ready” de 1971: “Goin’ Down” e “Palace Of The King”. Das duas, a primeira foi a de maior sucesso por sua estrutura de rock puro e refrão simples e genérico, gerando diversas versões por artistas até hoje (principalment guitar heroes). A segunda canção além do arranjo mais trabalhado e letras específicas falando sobre o Texas encaixou bem demais com o bluesman texano e claramente foi composta para Freddie e por tanto não se tornou uma escolha popular entre outros artistas na hora de escolher uma canção do bluesman para uma versão.

“Palace Of The King” é um rock com pouco de blues e uma linha de baixo pesada e marcante. Uma pérola no repertório de Freddie e um exemplo de transição completa entre o blues e o rock’n'roll.

 

BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.3 (47 Mb)

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O blues havia nascido e colonizado o sul, agora era a hora de outros artistas criarem estradas e descobrir até onde o gênero poderia levá-los. Essa coletânea conta com dez músicos que levaram o blues para direções diferentes.

1- Taj Mahall (com Toumani Diabaté) –  Queen Bee

Essa nova versão de sua própria canção foi produzida para o álbum Kulanjan (1999), feito em parceria com o músico maliano Toumani Diabaté e com participação da cantora Ramata Diakate. “Queen Bee” é um  regresso inspirador do blues ao continente africano. Intimista e catártico, provavelmente é a canção de blues mais delicada que já ouvi.

2- Professor Longhair – Tipitina

A quintessência do blues de New Orleans com a sua canção carro-chefe. Em New Orleans a língua, a comida e a arquitetura americana sofreram fortíssimas influências dos espanhóis, holandeses, franceses e caribenhos. Nada na cidade se parece com o resto do país e até o blues se viu misturado nesse “gumbo” maravilhoso de ritmos do caribe, com letras influenciadas pelo creole.

Professor Longhair é um dos mestres e expoentes do blues com uma discografia normalmente festeira e uptempo. “Tipitina” foi claramente uma versão da instrumental “Junker Blues” de Tuts Washington, o primeiro grande pianista do estilo e amigo de Professor Longhair. Segundo Tuts, “Tipitina” é uma versão de “Junker Blues” melhorada.

3- Earl Hooker – Apache War Dance

Earl Hooker era acima de tudo um guitarrista virtuoso e desafiou os padrões entre os bluesmen de diversas formas. Podia tocar slide magnificamente bem em qualquer afinação e de uma maneira completamente diferente do padrão consolidado por expoentes da época (Elmore James, Muddy Waters), não demonstrava nenhum problema em tocar outros gêneros musicais se desconfiasse que a platéia o preferisse, trafegando entre rock, pop, soul, R&B e country se assim fosse necessário e não dispensava efeitos, pedais e truques de gravação (que eram vistos com desdém entre os bluesmen)

Se por um lado o estilo primitivo de seu primo John Lee Hooker trazia fama e reconhecimento na indústria, Earl infelizmente não obteve o mesmo sucesso, tornando-se um “músico para músicos” e reverenciado como o melhor guitarrista de sua época por nomes como: Otis Rush, B.B. King, Albert King, Buddy Guy, Little Milton, Albert Collins, Willie Dixon entre outros.

“Apache Dance War” é uma das raras canções onde ouvimos a voz de Earl que raramente cantava devido a um impedimento de fala.  A música mistura pop/rock dos anos cinquenta e soul dos anos sessenta  ao mesmo tempo que evoca a música indígena americana.

4- Otis Rush – All Your Love

Uma das canções de trabalho de Otis Rush, “All Your Love (Is Missing Love)” transformou-se em um dos medalhões do blues quando foi regravada por Eric Clapton (na época que integrava a banda John Mayall and the Bluesbreakers) e posteriormente por Buddy Guy, Gary Moore, Stevie Ray Vaughan, entre outros.

Seu ritmo afro-caribenho misturado ao blues é sem dúvida alguma um dos maiores diferenciais da canção entre o repertório de Otis Rush. “All Your Love” foi gravada em 1958 e em 2010 entrou para o Blues Foundation Hall of Fame.

5- Big Joe Turner – Corrina, Corrina

“Corrina, Corrina” já era uma canção considerada como tradicional quando Big Joe a regravou e deu seu toque inconfundível de boogie/eary rock. Anteriormente gravada como “Corrine, Corrina” e tendo uma sorte de variações e referências diferentes em repertório de bluesmen (Mississippi Sheiks, Bo Carter, Blind Lemon Jefferson), curiosamente a canção não manteve sua força com o passar do século.

6- Brownie McGhee & Sonny Terry – Packin’ Up, Gettin’ Ready

A dupla mais duradoura da história do blues em uma canção alegre e com uma batida moderna comparada com seu material clássico.

Brownie McGhee deixa de lado por alguns momentos seu violão e adota aqui a guitarra elétrica para um pequeno solo, porém isso é uma das poucas novidades. O estilo da dupla se mantém, mesmo sendo acompanhado por uma banda. “Packin’ Up, Gettin’ Ready” é uma das canções retiradas dos raros álbuns com qualidade de som (gravação e mixagem) que ainda é considerada aceitável pelo público leigo.

7- Lowell Fulson – Tramp

Funk blues! Uma mistura perfeita dos dois gêneros que grita a questão: por que não existem mais músicas assim?

“Tramp” foi gravada em 1967 e atingiu o quinto lugar da Billboard R&B chart naquele ano, gerando regravações por diversos artistas como Otis Redding, Buddy Guy e Steve Miller Band. Em 1997 foi sampleada por Prince na canção “7″. Em 1985 Salt-N-Pepa fez o mesmo, mas manteve o título do autor.

8 – Clarence “Gatemouth” Brown – Pressure Cooker

“Eu não sou um maldito bluesman!” , disse Clarence várias vezes. É verdade, mas isso infelizmente não o impediu de ser considerado como tal até hoje. Afinal não é como se um bluesman tivesse de tocar apenas blues. Clarence mostra com “Pressure Cooker” uma grande mistura de blues com jazz uptempo.

9- Screamin’ Jay Hawkins – I Put A Spell On You

Percussor das performances macabras nos palcos musicais (Alice Cooper, Kiss e dezenas de outras bandas estão em dívida aqui por isso), esse baixo-barítono com sonhos de cantor de ópera e ex-peso pesado no Alaska, se viu reduzido a cantor de baladas românticas R&B até que certo dia, bêbado em um estúdio de gravação e cercado por uma banda igualmente bêbada, esguelou-se sobre uma nova composição. Era “I Put A Spell On You” e no dia seguinte ele nem se lembrava do que tinha feito no estúdio. Ao ouvir a gravação, teve um choque… gritos, sons macabros e gulturais, risadas histéricas… Jalacy Hawkins tornou-se então Screamin’ Jay Hawkins: criador de seu próprio gênero musical (e capa dessa coletânea).

“I Put A Spell On You” foi lançada em 1956 e seu impacto foi tão grande que músicos dos mais diferentes estilos gravaram suas versões (algumas com muito sucesso inclusive): Nina Simone, Marilyn Mason, Creedence Clearwater Revival, Betty Middler, Bryan Ferry, Manfred Mann, Animals, Iggy Pop, Roxy Music, Pete Townshend, Them entre quase uma centena de artistas.

10- Ike Turner – Ho Ho

Quando o nome de Ike é mencionado, todos reagem da mesma forma, pensando ou falando: “Ike Turner batia na Tina Turner.” . É irritante. James Brown bateu em várias esposas, Bach e Wagner eram nazistas, mas bater na Tina Turner parece ter sido um pecado tão grande que empalidece até o crédito da gravação do primeiro rock’n'roll da história. Sim. Credito “Rocket 88″ de Ike Turner como o primeiro rock composto em 1948.

Obvio que todo mundo sabe que bater em alguém é errado e que provavelmente a Tina não deveria merecer a porrada (eu não sei. Não estava lá), mas é preciso execrar o trabalho fantástico dele? Esqueça o homem se ele não viveu bem e aprecie a obra. “Ho Ho” é um blues-rock instrumental serelepe e feliz. Curta sem rancores.

BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.2 (53,8Mb)

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O Bloco “Não É Nada Igual” traz 5 álbuns divididos cronologicamente em um período de aproximadamente um século entre as primeiras composições até as performances do início do séc. XXI. A seleção foi criada levando em consideração cada canção pelas suas características únicas e que claramente as diferem das outras nos álbuns desse bloco.
A ideia aqui é que fique impossível até para um leigo e ignorante aceitar que “blues é tudo igual”. ;)

 

Volume I  (Ancestrais)

1- Lonnie Johnson - Summertime

Lonnie Johnson é conhecido pelo seu estilo sofisticado, suave e delicado e urbano. Uma das maiores influências de B.B. King, Lonnie veio de uma família grande de músicos e ganhou notoriedade ao vencer um concurso de música na sua juventude. Um histórico raro entre os bluesmen da época que transparece em seu estilo e escolha de repertório. Sua versão criando uma ponte de jazz e blues da ária de Gershwi na ópera Porgy and Bess (1935)  foi selecionada para provar esse ponto.

2- Tommy Johnson- Big Road Blues

Um dos bluesmen rurais do delta contemporâneos dos primeiros a terem suas canções gravadas. Tommy gravou pouco do seu repertório, que era considerado para os parâmetros da época, riquíssimo. Foi um dos músicos mais conhecidos em seu tempo e uma das grandes influências de Robert Johnson, que também aderiu a sua história sinistra de ter feito um pacto com o demônio.

Em 2000, o filme “O Brother, Where Art Thou?” trouxe como personagem um bluesman com o mesmo nome e histórico semelhante, mas que por alguma razão só tocava canções de outro bluesman: Skip James. Confuso esse povo de Hollywood.

3- Jesse Fuller – San Francisco Bay Blues

San Francisco Bay Blues foi a canção de trabalho de Jesse Fuller, one-man-band inventor de um instrumento bizarro chamado Footdella. A canção ganhou uma sobrevida nas mãos de Eric Clapton décadas depois em seu álbum acústico.

San Francisco Bay Blues teve também versões por Bob Dylan, John Lennon, Ramblin’ Jack Elliot, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Mungo Jerry entre outros.

4- Kokomo Arnold - Old Original Kokomo Blues

“Old Original Kokomo Blues” é a canção original que foi surrupiada por Robert Johnson em “Sweet Home Chicago” e alçou vôo como um dos clássicos absolutos do blues, sendo tocada por praticamente toda banda de blues no planeta até a exaustão.

Robert Johnson roubou pelo menos umas três músicas de Kokomo Arnold, que largou a música para trabalhar em fábricas em Chicago e não se interessou pela cena de revival do blues nos anos 60. Uma pena. Excelente compositor e violonista com um estilo ágil, preciso e a frente do seu tempo na certa.

5- Blind Willie McTell - Kill It Kid (versão 2)

Um dos bluesmen mais habilidosos da época e com uma enorme discografia (149 canções gravadas), Blind Willie McTell foi conhecido por ser um mestre do violão de doze cordas e do piedmont-style (subgênero de blues). Influenciado fortemente pelo ragtime e contemporâneos como Blind Blake e Blind Boy Fuller, McTell era fluente e exímio tanto em músicas de dedilhado complexo como no uso de slide. Além disso possuia facilidade em acompanhar outros músicos (coisa rara na época onde cada um tinha seu próprio timing caótico).

Uma versão de sua canção “Statesboro Blues” tornou-se música de trabalho da banda Allman Brothers e Bob Dylan fez durante a sua carreira diversas referências à McTell em suas gravações, assim como versões de suas canções.

6- Sonny Boy Williamson I – Good Morning Little Schoolgirl

Good Morning Little Schoolgirl é possivelmente a canção mais conhecida do gaitista Sonny Boy Williamson (acompanhado de Big Joe Willians em seu violão de nove cordas). Yardbirds, Rod Stewart, Chuck Berry, Taj Mahal, Greatful Dead, Johnny Winter, Muddy Waters, Jonny Lang, Van Morrison, Huey Lewis and The News e Eric Clapton foram alguns que regravaram essa canção.

John Lee Curtis Williamson, o primeiro e original Sonny Boy Williamson, foi um dos primeiros bluesmen a elevar a posição da gaita, transformando-a em um instumento principal em uma composição de blues. Todos os gaitistas nas próximas décadas: Billy Boy Arnold, Junior Wells, Sonny Terry, Little Walter e Snooky Pryor, foram influenciados por ele. A influência maior, claro, foi Alex Miller que se fez passar por ele por tanto tempo que adotou também seu nome de palco após a morte de John Lee.

7- Bukka White - Bukka’s Jitterbug Swing

Bukka White era o primo de B.B. King que já tocava antes dele e que tem um estilo completamente diferente. :)

Exímio violonista de slide, Bukka tocava em várias afinações próprias alternando até o slide para uma barra de ferro (lap-steal a moda dos havaianos) dependendo da ocasião. Seu  estilo agressivo, ritmado, sincopado e cru é quase a quintessência do blues rural do delta.

Bukka também foi uma grande influência para bluesmen, Bob Dylan com o movimento folk até o rock britânico do Led Zeppelin.

8- Dr. Ross - Dr. Ross’ Rock

One-man-band fazendo a ponte entre o blues e o rock, Charles Isaiah Ross, recebeu o apelido de “Doutor” por levar suas gaitas em uma maleta muito similar àquelas carregadas por médicos. Excelente músico, com um repertório de músicas de estilos variados, Dr. Ross acabou por gravar mais boogies tentado acompanhar o crescente fascínio do público pelo rock’n'roll.

9- Otha Turner - Station Blues

Provavelmente o único bluesman reconhecido por tocar fife (uma espécie de flauta de som agudo) que ele mesmo fabricava com cana.

Apesar de muitas décadas como músico, somente nos anos 90, Otha começou a ter seu trabalho reconhecido. Depois de uma participação em uma coletânea e dois discos,  ganhou mais notoriedade em 2002 quando uma de suas canções foi selecionada como trilha sonora do filme “Gangues de Nova Iórque” e no ano seguinte com a série documental “Blues” de Martin Scorsese.

“Fife and drum” é um sub-gênero de blues pouquíssimo popular e raro que se assemelha de certa forma com ritmos do nordeste brasileiro por, provavelmente, ter sido menos influenciado por outros gêneros musicais nos EUA e se assemelhar mais com suas raízes africanas.

10- Louis Jordan – Mop Mop

Louis Jordan foi o percussor do swing, o entertainer que fez a ponte entre o blues, jazz e rock ao mesmo tempo. Tudo o que disser sobre a importância dele para esses quatro gêneros musicais será pouco. Ele foi um dos maiores artistas de todos os tempos e cada uma de suas gravações é uma pérola.

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BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.I (36Mb)

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Os artistas de blues mais conhecidos e alguns não tão famosos fora do meio representados com uma ou duas canções que se tornaram seus standartsOs Clássicos é um bloco de quatro volumes com o ABC do básico ao intermediário. Se você não conhece nada ou muito pouco de blues, comece por aqui.

Volume IV

Sem nove horas, começamos logo com o grandechavão do blues, seguido por uma canção que todo mundo acha que é do Bill Haley (ou doElvis), o delicado Jimmy Reed com seu blues de quem parece que acabou de chegar do campo, Elmore James fazendo o céu chorar, Bo Diddley fugindo de sua batida padrão, J.B. Lenoir com um pé no campo e outro na cidade grande, Billy Boy Arnold como o gaitista que brigou com a Chess e ficou um bom tempo na geladeira, J.B. Hutto representando o terceiro escalão do blues em Chicago sem perder o sorriso, Louis Jordan mostrando seu pioneirismo no jump blues e Howlin’ Wolf fechando o que Muddy abriu (ambosna capa) com uma canção de blues moderna para os padrões da época.

 

1. Muddy Waters – Hoochie Coochie Man

Enquanto houver uma banda de blues ou alguém que saiba tocar mais ou menos uma gaita, piano ou violão e queira tocar blues, o riff de “Hoochie Coochie Man” assombrará o gênero musical inspirando a falsa ideia de que “blues é tudo igual”. Outras responsáveis são as canções que se utilizam da mesma estrutura de doze compassos de “Sweet Home Chicago”, popularizada por Robert Johnson.

Reza a lenda que Willie Dixon apresentou essa música à Muddy Waters entre um set e outro de sua banda quando os dois se encontraram para tirar a água do joelho em um bar de Chicago. E  que, segundo Muddy, era para ser uma canção jocosa de efeito cômico.

O sucesso do lançamento em 1954 provocou em Bo Diddley uma inveja danada na certa (afinal, ele era o cara da Chess responsável por músicas errr… ‘mais primitivas’). Bo Diddley então gravou sua rendição “I’m a Man”, simplificando ainda mais a canção. “I’m a Man” estourou nas paradas provocando uma resposta de Dixon & Muddy na forma de uma versão minimalista também intitulada “Mannish Boy”. O estrago estava feito e reverbera até hoje em uma lista infindável de artistas e bandas que parecem não se importar de repetir o mesmo riff até o final dos tempos.

Entre os mais notáveis covers: Dion, Motörhead, Steven Seagal (sim, ele mesmo), Steppenwolf, Jimi Hendrix, Eric Burdon, Supertramp, Chuck Berry, The Allman Brothers, Eric Clapton, The New York Dolls e praticamente todos os bluesmen que tocaram depois de 1954.

 

2. Big Joe Turner – Shake, Rattle and Roll

Escrita por Jesse Stone em 1954, sob encomenda da Atlantic Records que desejava um blues up-tempo para Big Joe Turner, a canção atingiu o topo da parada R&B da Billboard no mesmo ano. Na mesma semana que “Shake, Rattle and Roll” despontava na Billboard, Bill Haley & His Comets’ lançaram sua versão com a letra mais sanitizada e com uma levada um pouco diferente, incluindo uma influência country (que era o gênero base de Bill Haley). Bill acabou ajudando a expôr a carreira de Big Joe Turner e os dois ficaram amigos (até excursionando juntos).

Em 1956 Elvis Presley gravou sua versão em um single pela RCA Victor utilizando a letra original de Big Joe Turner com a batida da versão de Bill Haley.

Outros artistas que regravaram a canção: Beatles, Sam Cooke, Jerry Lee Lewis, Fats Domino, Huey Lewis and The News, Johnny Horton e Arthur Conley.

“Shake, Rattle and Roll” é uma das 12 músicas dos anos 50 que disputam o título de “Primeira Gravação de Rock”. Pessoalmente essa não entraria nem na disputa apesar de ser uma canção clássica e bacana.

Nota: Jesse Stone também foi o co-autor de “Flip, Flop and Fly” que é extremamente similar à “Shake, Rattle and Roll” e Elvis costumava cantar as duas como um medley.

 

3. Jimmy Reed – Honest I Do

“Bright Lights, Big City” e “Baby What You Want Me To Do” poderiam facilmente ter entrado no lugar de “Honest I Do”. Ambas fizeram mais sucesso quando lançadas e foram mais regravadas por artistas famosos (apesar de que “Honest I Do” foi versionada no primeiro álbum dos Rolling Stones).

Escolhi esse clássico por algumas razões: sua estrutura possui uma levada que aponta para o R&B, exibindo uma importante ponte entre os dois gêneros musicais e porque com o passar dos anos ela se tornou um clássico entre os gaitistas. Tecnicamente ela é um “clássico de blues em gaita na primeira posição”. O que é “primeira posição” na gaita? Grosseiramente dizendo, é uma forma diferente de tocar escalas no instrumento. Jimmy Reed tocava não só violão/guitarra, mas também gaita ao mesmo tempo em muitas de suas canções.

Nota: A maioria dos gaitistas de blues tocam a gaita na segunda posição, mas não é incomum gravações em primeira posição (muito porcamente utilizada em rock e folk). A quinta e terceira posição são encontradas também, mas muito raras.

 

4. Elmore James – The Sky Is Crying

Blues slow tempo de Elmore James que atingiu o décimo quinto lugar na parada R&B da Billboard em 1960. Em teoria é um blues de doze compassos padrão. Tecnicamente não possui nenhuma característica marcante que o diferencie de outros blues de mesma estrutura. Só posso creditar à Elmore James uma gravação cheia de feeling para explicar porque essa canção se tornou um clássico do blues gerando diversas versões.

Sonny Boy Williamson II, The Yardbirds, Hound Dog Taylor, Albert King (que se transformou em um dos clássicos do seu repertório), Luther Allison, Earl Hooker, Allman Brothers, Eric Clapton, George Thorogood, Magic Slim, Gary Moore, Johnny Winter, Etta James e Stevie Ray Vaughan (que foi título do seu álbum póstumo de 1991)… toda essa gente não pode estar errada. Essa música tem alguma coisa especial.

Nota: meses depois de seu lançamento original o próprio Elmore James gravou uma nova versão com letra diferente intitulada “The Sun Is Shining” (que também foi regravada por Hound Dog Taylor).

 

5. Bo Diddley – Before You Accuse Me

Composta e lançada por Bo Diddley em seu álbum homônimo de estréia em 1957, essa canção ganhou status de clássico ao entrar no repertório de Eric Clapton que a gravou duas vezes (em seu álbum de 1989, Journeyman, e em 1992 no Unplugged). “Before You Accuse Me” se tornou o blues padrão do repertório de Clapton em shows a partir de 1990, reverberando entre os músicos fãs do artista uma enxurrada de covers em bares, pubs e saraus pelo mundo inteiro.

Creedence Clearwater Revival lançara sua versão no álbum Cosmo’s Factory de 1970, mas assim como a original, não foi um sucesso instantâneo.

“Before You Accuse Me” entra também nessa coletânea por ser uma música com estrutura completamente diferente do jungle beat padrão de Bo Diddley mostrando que ele poderia tocar outras coisas além de sua batida clássica.

Curiosidade: Em “Blues Power: Songs of Eric Clapton”, um álbum de tributo a Eric Clapton tocado por bluesmen, Bo Diddley regravou “Before You Accuse Me”… o que ao meu ver é um tributo à si mesmo.

 

6. J.B. Lenoir – Mama Talk To Your Daughter

Apesar de ter tocado durante quase toda a década de 40 com Sonny Boy Williamson II e Elmore James, J.B. Lenoir só começou a gravar em 1951.

Seu repertório incluindo canções com temas de protesto político (“Korea Blues”, “Vietnam”, “Eisenhower Blues”) ou racial (“Alabama Blues”) podem ser vistos como um diferencial entre outros bluesmen até certo ponto. Lenoir na verdade só carregou consigo a tradição do papel de menestrel, comum no cancioneiro rural, para as gravações urbanas na grande Chicago.

Em 1954, gravou o que seria seu maior hit “Mamma Talk To Your Daughter”, atingindo a décima primeira posição na parada R&B da Billboard. Apesar disso e de seu interesse pela música (especialmente por percussão africana), Lenoir deixou de tocar para ser “redescoberto” por Willie Dixon em 1963.

“Mamma Talk To Your Daughter” foi regravada por John Mayall, Johnny Winter com Dr. john (e com Muddy Waters e Carey Bell no album “Breakin’ it UP, Breakin’ it DOWN”), Robben Ford, Alvin Youngblood Hart, Magic Sam, entre outros.

Curiosidade: O “J.B.” de seu nome não significa nada. Ele foi batizado com essas duas letras como primeiro nome e seu sobre nome não tem a pronúncia francesa. Lê-se: “lenór”.

 

7. Billy Boy Arnold – I Wish You Would

Gravadas como singles pela Vee-Jay Records em maio de 1955, “I Wish You Would” e “I Ain’t Got You” são duas canções de assinatura de Billy Boy Arnold. A segunda foi regravada por muitos artistas de blues e de rock (principalmente gaitistas), mas apenas “I Wish You Would” teve a graça de ser regravada por David Bowie em 1973, no álbum “Pin Ups”.

Billy Boy gravava com Bo Diddley nos estúdios da Chess a canção “Diddy Diddy Dum Dum” quando Leonard Chess a ouviu e disse que Bo deveria gravá-la sozinho pela Chess. Leornard por alguma razão antipatizava com Billy. Ao descobrir isso, Billy Boy Arnold gravou “I Wish You Would” pela Vee-Jay com praticamente a mesma batida, mas letra diferente.

Em 1964 os Yardbirds regravaram a música sem sucesso, mas ela foi catapultada no álbum americano “For Your Love” que entrou nas paradas de Top LPs da Billboard no ano seguinte. Em 1979 a banda Canned Heat também gravou sua versão (lançada dois anos depois) no álbum “Live at Topanga Corral”.

 

8. J.B. Hutto – Hip Shakin’

J.B. Hutto assim como Hound Dog Taylor foi fortemente influenciado por Elmore James, trabalhou duro nos bares de Chicago, mas nunca conseguiu a fama do companheiro. Hutto está nessa coletânea para representar o terceiro escalão de blues de Chicago e mostrar que até os que normalmente possuem sua luz ofuscada pelos seus companheiros mais bem sucedidos, também podem gravar uma ou duas canções marcantes. Em 1995, dois anos após sua morte, ele foi incluído no Blues Hall Of Fame.

Depois da morte de Hound Dog Taylor, em 1975, Hutto o substituiu como líder dos Houserockers por alguns anos chegando a gravar um álbum. Seu sobrinho, Lil’ Ed mantém seu legado tocando em um estilo muito similar de guitarra (e chapeuzinho estranho) até hoje na banda Lil’ Ed & The Imperials.

“Hip Shakin’” mantém a tradição do blues do lado do sul de Chicago, de Elmore James e ainda faz uma ponte firme para o Rockabilly.

Curiosidade: J.B. Hutto tinha como marca registrada sua guitarra vermelha Res-O-Glass Airline, de fibra de vidro. Esse modelo ficou famoso anos depois nas mãos de Jack White, do duo White Stripes. Outros artistas que já utilizaram em shows esse modelo foram: Bowie, The Cure e P.J. Harvey. Ou seja, virou guitarra hipster.


Lil’ Ed

 

9. Louis Jordan – Caldonia

Jump blues gravado em 1945 por Louis Jordan and his Tympany Five, “Caldonia” ganhou uma versão no mesmo ano por Erskine Hawkins. A gravação de Erskine ganhou pela primeira vez o cunho impresso de ser uma canção de “rock and roll” (Billboard Magazine).

Louis Jordan influenciou inúmeros músicos e foi a grande força do jump blues (uma levada up-tempo de swing com forte base no blues que representa grande parte da receita para o rock’n'roll).

“Caldonia” foi regravada por B.B. King e Clarence ‘Gatemouth’ Brown em dois álbuns tributos à Louis Jordan, assim como por vários artistas como: Muddy Waters, Carl Perkins, James Brown, The Band, Van Morrison, Memphis Slim e Pinetop Perkins.

Curiosidade: Alguns acreditam que Louis Jordan com essa música pode ter sido a inspiração para a criação do RAP. Pessoalmente acho um exagero.

 

10. Howlin’ Wolf – Wang Dang Doodle

Diferente das composições antigas de Willie Dixon (com maior influência da estrutura de blues rural), “Wang Dang Doodle” foi gravada em 1960 levando em conta a popularidade das canções up-tempo de rock e o estilo de Howlin’ Wolf, que entre os medalhões da Chess Records era o que possuia um repertório mais versátil até então. Mesmo assim Howlin’ Wolf nunca gostou da composição.

Em 1964, com a recente inclusão de Koko Taylor na Chess, Dixon produziu uma nova versão de “Wang Dang Doodle” para a segunda gravação da cantora na casa nova com Buddy Guy na guitarra e o próprio Dixon cantando com ela. A versão foi lançada em 1966 e atingiu a quarta posição na parada R&B da Billboard e a 58ª posição na parada Hot 100.

“Wang Dang Doodle” ainda foi regravada por PJ Harvey, Ted Nugent, Booker T. & The MG’s, Charlie Watts, Pointer Sisters, Savoy Brown e Grateful Dead.

Notas: Howlin’ Wolf provavelmente não era o cara mais tranquilo para se trabalhar e odiava muita coisa que fugisse do seu repertório básico. Mesmo assim topava experimentar. Reclamando, mas topava. É possível que Freddy King tenha sido o guitarrista na gravação original da canção, mas não há como confirmar.

Curiosidade: Wang Dang Doodle significa festança.

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Volume III

(O volume pianinho)

Selecionei a primeira metade desse álbum com canções de pianistas em ordem crescente de tempo (musical). O ritmo vai acelerando com o passar das faixas. Alguns de meus artistas preferidos de blues se encontram aqui: John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan, Professor Longhair, Luther Allison e Hound Dog Taylor (capa) são seis bluesmen que provavelmente estariam no meu Top 20 de todos os tempos. Para compensar um pouco a balança, há também o rocambolesco Junior Wells com seu clássico tantas vezes tocado com o grande parceiro Buddy Guy.

 

1. Charles Brown – Driftin’

Antes da carreira solo, Charles Brown era um dos três Blazers da banda Johnny Moore’s Three Blazers. Em 1945 ele compôs “Driftin’ Blues”“fora a primeira canção que escrevi e tentei cantar” – que atingiu o segundo lugar e permaneceu por vinte três semanas nas paradas R&B da Billboard naquele ano.

A popularidade de “Driftin’” elevou o nome de Charles Brown e influenciou vários músicos. Ray Charles no ano seguinte já a tocava regularmente em seus shows.

Eric Clapton se mostrou ao longo de sua carreira um fã da canção, tocando-a com diversos arranjos e a gravando no álbum de 1975 “E.C. Was Here” e no “From The Cradle” de 1994.

Nota pessoal: Em 1996, Charles Brown fez sua única visita ao Brasil e tocou ao lado do pianista Johnny Johnson (compositor de “Johnny B. Goode e membro da banda de Chuck Berry) em uma jam session espetacular no Hotel Méridien, no Rio de Janeiro. Foi uma madrugada mágica.

 

2. Eddie Boyd – Third Degree

Slow blues padrão de 1953, composto com a parceria de Willie Dixon. Assim como sua outra composição “Five Long Years”, foi regravada por vários artistas como Johnny Winter (em álbum homônimo), Jeff Healey, Rod Piazza e Eric Clapton. Eddie nunca teve um repertório de blues muito extenso. Saiu dos EUA para fugir do preconceito racial e se estabeleceu na Finlândia em 1970 onde passou a gravar apenas gospels.

“Third Degree” se sustenta como uma  relativamente famosa canção de blues graças às regravações de Eric Clapton que identificou uma belíssima atmosfera melancólica na interpretação de Eddie Boyd.

 

3. Memphis Slim –Everyday I Have The Blues (Nobody Loves Me)

Lançada em 1949 com o título de “Nobody Loves Me” (depois rebatizada como “Everyday I Have the Blues” e “Every Day I Have the Blues”). No mesmo ano Lowell Fulson gravou sua versão que virou um hit passando vinte e três semanas nas paradas R&B da Billboard e atingindo o terceiro lugar em 1950. Sucessos similares ocorreram nos anos seguintes nas versões de Joe Williams, Count Basie e B.B. King (que meio que se “apoderou” da canção, tornando-a uma de suas ‘músicas de trabalho’).

 

4. Professor Longhair – Mardi Gras in New Orleans

Professor Longhair representa a quintessência do blues de New Orleans. Tuts Washington foi o verdadeiro precursor do subgênero, criando uma linguagem nova para o piano de blues, mas Longhair foi quem popularizou o estilo polindo arestas e transformando a linguagem musical de Tuts em algo mais palatável para o público geral. Isso fica mais evidente nas versões das músicas de Tuts gravadas por Longhair (especialmente no caso de “Tipitina”) com acompanhamento de banda e organização da parte rítmica das canções.

Em 1949 “Mardi Gras in New Orleans” foi gravada e creditada como sendo de autoria de Longhair, mas meses antes uma canção muito similar de Joe Lutcher intitulada “Mardi Gras” fora lançada. É difícil apontar com certeza que plagiou quem, já que a gravação de Longhair ficou presa na gravadora por um ano por questões legais. Longhair não se utilizou de músicos sindicalizados e uma boa dose de burocracia foi necessária para que o lançamento da canção ocorresse. Suspeito que a razão disso seja a provável dificuldade dele de encontrar músicos que pudessem acompanhar seu estilo rítmico ‘rumba-blues-proto-funk’.

“Mardi Gras in New Orleans” nunca atingiu as paradas ou fez muito sucesso fora do sul dos EUA, mas se transformou no primeiro hit local e na música de assinatura de Professor Longhair e da identidade musical de New Orleans.

 

5. Pinetop Perkins – Pinetop’s Boogie Woogie

Pinetop Smith foi um pianista de blues que gravou em 1928 o “Pine Top’s Boogie Woogie”, um dos primeiros boogies que virara um hit e que popularizou o nome do subgênero de blues e fez sucesso durante e depois da Segunda Guerra Mundial, vendendo cinco milhões e cópias. Ele infelizmente não gozou muito desse sucesso, porque morreu três meses depois. Ray Charles adaptou essa canção na criação de “Mess Around” (e creditou a autoria a Ahmet Ertegun, presidente da Atlantic Records até então).

Joe Willie Perkins ficou conhecido nos anos 50 como “Pinetop Perkins” pela sua gravação de “Pinetop’s Boogie Woogie”, futuramente se tornou o pianista da Muddy Waters Band, está vivo, vivendo no Texas e lançou um novo áçbum ano passado. A versão de nossa coletânea foi gravada em 1992 no álbum homônimo.

Se a cantora Angela Strehli (The Fabulous Thunderbirds) tivesse feito seu dever de casa não teria composto uma canção intitulada “Hey, Mr. Pinetop Perkins” onde em sua letra pergunta para Perkins como foi compôr o primeiro boogie woogie. Pinetop ficou quieto e gravou a canção junto a Angela em seu álbum “Ladies Man”.

 

6. John Lee Hooker – One Bourbon, One Scotch, One Beer

A segunda canção de John Lee Hooker no bloco clássico dessa coletânea não é “Boom Boom” simplesmente porque já existe uma versão dessa canção em outro volume da coleção. No entanto acredito que “One Bourbon, One Scotch, One Beer” representa um clássico tão bom quanto outros da longa carreira do artista. Hits não faltam: “House Rent Blues”, “Crawlin’ Kingsnake”, “I’m In The Mood”, “The Healer”, “Dimples”, “Tupelo”… o que não dava para fazer era deixar apenas uma canção de Hooker, Muddy, Elmore James ou Howlin’ Wolf entre os clássicos.

“One Bourbon, One Scotch, One Beer” nasceu com o título um pouco diferente: “One Scotch, One Bourbon, One Beer” quando foi composta por Rudy Toombs e gravada por Amos Milburn in 1953. A versão de John Lee Hooker e a que deu mais sucesso à composição foi gravada em 1966 e inclui versos adicionais.

Nota: A versão de George Thorogood de 1977 traz ainda enxertos de outro hit de Hooker: “House Rent Boogie”. A mistura das duas letras criou uma história mais complexa “explicando” porque o sujeito deseja as três bebidas.

 

7. Junior Wells – Messin’ With The Kid

Canção do compositor e produtor Mel London lançada por ele em 1960 e regravada por Junior Wells em 1962, tornando-se a sua ‘música de trabalho’ até o fim de sua carreira.

“Messin’ With The Kid” foi regravada por artistas de rock e blues como: Blues Brothers, Johnny Winter, AC/DC, Rory Gallagher e Freddy King.

Nota pessoal: por pouco Junior Wells não entra nessa coletânea. Ele me causa certa antipatia pelo seu estilo rocambolesco, sua falta de respeito pelos músicos com que toca e pelo blues. Preferia muito mais colocar um gaitista mais digno aqui. James Cotton e Carey Bell, por exemplo, apesar de serem excepcionais músicos e terem trabalhado muito duro, nunca tiveram a sorte de emplacar com um hit que tenha se tornado um clássico do blues.

 

8. Hound Dog Taylor – Give Me Back My Wig

Lançada em 1971 em seu álbum de estréia (e o primeiro álbum da Alligator Records), “Hound Dog Taylor & The Houserockers”, a canção “Give Me Back My Wig” se tornou o carro chefe do repertório de Hound Dog Taylor, sendo versionada por guitarristas como Stevie Ray Vaughan, George Thorogood, Luther Allison, Omar & the Howlers e Magic Slim.

Esse boogie tocado com slide em uma guitarra extremamente distorcida para os padrões da época com certeza estava à frente do movimento punk. Uma levada frenética em uma letra sem a menor identificação com acontecimentos gerais na vida de seu público.

Como em quase todas as músicas da banda é sempre notável a habilidade do baterista Ted Harvey de “encher” o som do trio formado por sua bateria e duas guitarras.

 

9. Stevie Ray Vaughan – Pride And Joy

Lançada em 1983, mesmo ano em que gravava sua guitarra no épico “Let’s Dance” de David Bowie, “Pride and Joy” foi uma das faixas do primeiro álbum de Stevie Ray Vaughan and Double Trouble: “Texas Flood” e um dos dois singles lançados no mesmo ano. O álbum ganhou platina no Canadá e platina dupla nos EUA, vendendo mais de meio milhão de unidades.

A melodia de “Pride and Joy” provavelmente nasceu de outra música de Stevie, “Live Another Day”, lançada postumamente no álbum “In The Beginning” que possui a mesma estrutura e tema similar.

Stevie Ray Vaughan é um clássico desde seu álbum de estréia e é um dos melhores guitarristas de blues (se não o melhor) segundo seus colegas e outros proclamados “deuses da guitarra”. Quase toda a sua discografia é recomendada (Eu poderia pular o álbum “Family Style”).

Nota:“Pride and Joy” foi escrita para Lenora, esposa de Stevie na época. Lenora no entanto acreditara que a canção era uma homenagem para uma ex-namorada de Stevie, que se viu na obrigação de gravar outra música para ela: “Lenny”.

 

10. Luther Allison – Watching You (Cherry Red Wine)

Luther Allison foi o primeiro e um dos únicos bluesmen contratados pela Motown Records (em 1972), cinco anos depois de lançar seu primeiro disco pela Delmark. Infelizmente Luther nunca teve um verdadeiro hit. Talvez pelo fato de ter se auto-exilado na Europa durante a maior parte da sua carreira, ele não teve a projeção merecida por suas composições. Sua capacidade como arranjador, vocalista, guitarrista e performer estiveram sempre acima da média e por essas razões ele ingressa nessa coletânea como um penetra muito bem-vindo.

“Cherry Red Wine” (ou “Watching You”) é uma das canções marcantes de seu repertório que podem ser consideradas como uma de suas assinaturas em shows.

Nota pessoal: Considero “Reckless” um dos seus melhores trabalhos e um dos melhores álbuns de blues já produzidos até hoje. Uma de suas canções dessa pérola constará em outro bloco dessa coletânea.

 

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BLUES MECOPONE COLLECTION – Os Clássicos Vol.III (47Mb)

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Os artistas de blues mais conhecidos e alguns não tão famosos fora do meio representados com uma ou duas canções que se tornaram seus standarts. Os Clássicos é um bloco de quatro volumes com o ABC do básico ao intermediário. Se você não conhece nada ou muito pouco de blues, comece por aqui.

Volume II

Esse volume contempla o surgimento da guitarra elétrica com T.Bone Walker, a influência dela sob músicos como B.B. King e a completa rejeição desse estilo com Bo Diddley (capa). Ainda temos também os sidekicks da Chess Records: Buddy Guy, Lowell Fulson e Jimmy Rogers e  o terceiro escalão do blues de Chicago representado por Big Mama Thorton e John Brim em seus raros momentos de glória. De quebra o volume ainda traz o surgimento do primeiro hit de John Lee Hooker.

 

1. T. Bone Walker – Call It Stormy Monday

Alguns biógrafos acreditam que T.Bone Walker foi o primeiro músico a se apresentar com uma guitarra elétrica. Se isso é verdade ou não, é difícil determinar. O mais correto seria dizer que foi o primeiro artista conhecido a tocar guitarra sem tratá-la como um violão. Imagine isso… nunca ter visto alguém tocar uma guitarra elétrica antes e depois ver todo mundo tocar do jeito que você toca. Deve ter sido algo impressionante de se vivenciar.

Registrada como “Call It Stormy Monday (But Tuesday Is Just As Bad)” em 1947 para não haver conflitos com a canção “Stormy Monday Blues” de 1942 (por Earl Hines e Billy Eckstine), a gravação chegou ao quinto lugar na parada R&B da Billboard em 1948 e foi a inspiração de B.B. King para que ele começasse a tocar guitarra.

A canção foi regravada por vários artistas como: Allman Brothers, Bobby Bland, B.B. King, Jethro Tull, Eric Clapton, Albert King entre outros.

 

2. Otis Rush – Double Trouble

Considerada uma “obra prima em tom menor”, essa canção foi a inspiração para o nome da banda de Stevie Ray Vaughan. Com a produção (e baixo) de Willie Dixon e a guitarra de Ike Tuner, “Double Trouble” transformou-se em um clássico do blues de doze compassos em 1958, sendo regravada por diversos bluesmen.

Em 2008 ela entrou para o Blues Foundation Hall of Fame.

Nota: Outro clássico de Otis Rush, a canção “All Your Love (I Miss Loving)”, poderá ser ouvida no álbum “Não É Nada Igual – Vol. II” dessa coletânea. Por possuir uma sessão rítmica afro-cubana, decidi incluí-la entre os blues fora do padrão conhecido por quem não conhece muito blues.

 

3. Buddy Guy – The First Time I Met The Blues

Buddy Guy passou alguns anos amargando como músico de estúdio da Chess sem poder gravar do jeito que queria. Phil Chess dizia que a forma que tocava em seus shows era “ruído”.  Buddy continuou por muito tempo revolucionando o blues e o rock nos palcos e gravando seus blues tradicionais de uma forma relativamente tradicional. Como a fórmula deu certo, provavelmente essa deve ter sido a razão de tantas décadas sem que ele gravasse suas experimentações no blues.  Analisando sua discografia cronologicamente é possível perceber essa gradual liberdade sendo tomada até seus álbuns produzidos depois da virada do século.

Lançada pela primeira vez em 1936 pelo pianista Little Brother Montgomery, “The First Time I Met The Blues” tornou-se uma das ‘canções de trabalho’ do repertório de Buddy que a gravou diversas vezes com acompanhamento de metais. Escolhi para essa coletânea uma gravação minimalista com Jimmy Lee Robinson no baixo e Fred Below na bateria.

Buddy Guy é considerado como sendo a maior influência de Jimi Hendrix. Eric Clapton o considera o maior guitarrista vivo hoje e Stevie Ray Vaughan possuía a mesma opinião até sua morte prematura. Seus shows são completamente diferentes de acordo com suas turnês e bem diferente do estilo e do esmero dos álbuns.  Na última década produziu um punhado de álbuns excepcionais com experimentações variadas sem nunca sair do blues.  Recomendo sua discografia completa.

Nota: Nos anos 80, Buddy Guy assinaria seus shows com a sua versão de “Mustang Sally”, que também está presente nessa coletânea.

 

4. John Lee Hooker – Boogie Chillum

Também conhecida como “Boogie Chillen’” foi lançada em 3 de novembro de 1948 como o primeiro single oficial de John Lee Hooker e atingiu o primeiro lugar da parada R&B da Billboard em janeiro do ano seguinte, permanecendo ao todo nas paradas por 18 semanas. A canção é considerada por muitos como um dos marcos mais influentes da criação do Rock’n'Roll.

“Boogie Chillum’” foi regravada por White Stripes, Buddy Guy e Junior Wells, Canned Heat, George Thorogood, Van Morrison entre outros.

John Lee Hooker possui excelentes álbuns, mas é impossível recomendar toda sua discografia, pois você passaria a vida inteira tentando completá-la sem sucesso. Ele gravou mais álbuns que você pode imaginar com mais pseudônimos que ele mesmo poderia lembrar.

Nota: “Chilum’” e “Chillen’” são contrações para a palavra Children (“criança”).

 

5. Lowell Fulson – Reconsider Baby

Top Ten R&B hit de 1954, a canção ficou quinze semanas nas paradas da Billboard. Em 1993 foi incluída no Blues Foundation Hall of Fame na categoria “Classics of Blues Recordings”, mas sem dúvida alguma teve seu maior momento de popularidade no começo dos anos 60 quando foi regravada por Elvis Presley.

Alguns artistas que incluíram em seus álbuns esse clássico do blues em mid-tempo: Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Bobby Bland, Magic Sam, Ike e Tina Turner, Freddy King, Eric Clapton e Joe Bonamassa.

 

6. Jimmy Rogers – Walking By Myself

Membro da Muddy Waters Band durante os anos 50, Jimmy resolveu encarar sua carreira como líder da própria banda se unindo aos músicos da gravadora Chess. Em 1957 fez sua única marca nas paradas de R&B da Billboard com “Walking By Myself”. Infelizmente havia na época a lucrativa novidade chamada Rock’n'Roll e o dono da gravadora Chess decidiu focar seus esforços de produção e divulgação em outro artista: Chuck Berry.

Dois anos depois Jimmy abandonaria a carreira de músico para voltar apenas em 1968 depois que sua loja de roupas fora incendiada durante os tumultos nas ruas provocados pela notícia do assassinato de Martin Luther King.

“Walking By Myself” entra nessa coletânea não só como um clássico de Rogers, mas também como um clássico de Big Walter Horton que teve um papel fundamental no sucesso da gravação com seu excelente trabalho de gaita. A canção ganhou nova popularidade décadas depois graças à versão de Gary Moore em 1990. Freddy King e Johnny Winter foram outros guitarristas que gravaram esse blues peralta.

 

7. B.B. King – The Thrill Is Gone

Composta por Rick Darnell e Roy Hawkins em 1951 (e lançada pelo último sem muito sucesso no mesmo ano), “The Thrill Is Gone” se tornou uma das canções de blues mais famosas na versão de 1969 por B.B. King, atingindo o terceiro lugar da parada R&B e a 15ª posição na parada pop da Billboard.

“The Thrill Is Gone” foi um dos primeiros blues gravados com um arranjo de cordas, o que possivelmente ajudou muito na sua popularidade no começo dos anos 70. A canção se tornou a “música de trabalho” de B.B. King e lhe proporcionou um Grammy em 1971 na categoria Melhor Vocalista de R&B.

Hoje em dia essa canção é um dos poucos blues no repertório de shows de B.B. King que com o passar dos anos foi de certa forma se distanciando um pouco do gênero para aquilo que ele mesmo batizou de “B.B. King Music”. Assim como eu, o próprio músico afirma que o título de “Rei do Blues” não é devidamente merecido.

 

8. Big Mama Thorton – Hound Dog

Composta por Jerry Leiber and Mike Stoller (os mesmos de “Stand By Me“, “Searchin’”, “Yakety Yak” entre outros hits de R&B) e gravada por Big Mama Thorton em 1952.

Alcançou o topo das paradas R&B da Billboard em 1953, permanecendo na listagem por sete semanas.  Até 1964 foi regravada por pelo menos 26 artistas, mas sem dúvida alguma a versão mais popular estourou em 1956 pela voz de Elvis Presley.

Sem desmerecer o trabalho de Big Mama Thorton como vocalista, baterista ou gaitista, não tenho pudores em dizer que ela deu muita sorte e que sem esse hit, provavelmente nunca teria feito nome nem no segundo escalão do blues de Chicago durante os anos 60. Sua maior contribuição para a canção foi a linha vocal com micro-inflexões e estilo sincopado (coisas que ficariam ótimas na voz de Elvis, se ele não tivesse usado a versão de outro artista, Freddie Bell and the Bellboys, para se basear na criação da sua).

De qualquer forma imagino que Leiber e Stoller devem ter feito uma grana poderosa com royalties. Cada um tem o Sullivan e Massadas que merece, creio.

Sortuda até dizer chega, Big Mama se mudou para San Francisco nos anos 60, onde topou com Janis Joplin que resolveu gravar também uma de suas canções: “Ball and Chains”.

 

9. John Brim – Ice Cream Man

Gravada em 1953, a canção amargou mais de dez anos na geladeira da gravadora até ser lançada em 1969 no último single de Brim pela Chess Records. A banda contava com o onipresente baixista Willie Dixon, o guitarrista Robert Lockwood Jr., Fred Below nas baquetas e a gaita de Little Walter.

A versão mais popular de “Ice Cream Man” foi a gravada pela banda Van Halen em seu álbum de estréia homônimo de 1978.

Nota: John Brim recebeu um processo por lançar um plágio de “Hound Dog” intitulado “Rattlesnake” e teve sua ‘versão’ presa nas prateleiras da Chess Records por muitos anos.

 

10. Bo Diddley – Hey, Bo Diddley

Gravada em 1957 e produzida pelos irmãos Leonard e Phil Chess com a ajuda do backing vocal de Peggy Jones and the Flamingos.

Como várias músicas de Bo Diddley, essa canção se caracteriza pela batida que ficou conhecida como “Bo Diddley Beat” ou “Jungle Beat”.

“Hey! Bo Diddley” tem basicamente ritmo como ponto principal. Uma música animada em um blues de apenas um acorde. Não é preciso mais do que um para se fazer uma boa canção.

Versões notáveis: John P. Hammond, Kenny Rogers, Grateful Dead e The Temptations.

Curiosidade: os personagens de Super Mario Bros. chamados Boos eram originalmente chamados de “Boo Diddleys” em homenagem ao bluesman.

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BLUES MECOPONE COLLECTION – Os Clássicos Vol.II (47Mb)

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Os artistas de blues mais conhecidos e alguns não tão famosos fora do meio representados com uma ou duas canções que se tornaram seus standarts. Os Clássicos é um bloco de quatro volumes com o ABC do básico ao intermediário. Se você não conhece nada ou muito pouco de blues, comece por aqui.

Volume I

1. Albert King – Born Under A Bad Sign

Composição de Booker T. Jones (musica) and William Bell (letras) e lançada em 1967 em um álbum homônimo considerado um dos mais influentes e populares da década de 60.

2. Elmore James – Dust My Broom

Versão eletrificada da canção “I Believe I’ll Dust My Broom” de Robert Johnson (que por sua vez se utilizou da mistura de umas três canções para criá-la). Lançada em 1951, mesmo ano da versão de Robert Lockwood Jr. (enteado de Robert Johnson), tornou-se o padrão para futuras versões e um clássico do blues e do rock’n’roll com seu riff inicial.

3. Otis Rush – I Can’t Quit You Baby

Quando Willie Dixon apresentou essa canção para Otis Rush ele tinha acabado minutos antes de ter uma briga feia com sua mulher. A música havia sido composta justamente para ele baseada na sua terrível situação matrimonial.

Foram direto gravá-la e sem ensaio a banda entendeu a mensagem. Tudo foi gravado no primeiro take. Led Zeppelin, Little Milton, Dread Zeppelin, Nine Below Zero, John Mayall’s Bluesbreakers e Gary Moore foram artistas que versionaram essa canção que atingiu o sexto lugar na parada R&B da Billboard em 1956.

4. Freddy King – Hide Away

Música instrumental de 1960 que atingiu o 5º lugar na parada R&B da Billboard e o 29º lugar na Billboard Top 100. Ela é composta de vários temas em um formato de medley. O primeiro tema, e a ideia geral foi roubada, segundo Freddy King, da canção “Taylor’s Boogie” de Hound Dog Taylor, mas há controvérsias. Segundo o gaitista Shakey Jake, a canção havia sido roubada primeira por ele e Magic Sam e depois Freddy teria a roubado deles. Já Willie Dixon afirma que o verdadeiro autor foi um tal de Irving Spencer que a tocava há anos sem que ninguém desse muita atenção. Pessoalmente acredito mais na versão do Dixon do que do próprio Freddy. Por mais que adore Hound Dog Taylor, acho exagero afirmar que ele tenha qualquer autoria nessa música.

5. Howlin’ Wolf – Moanin’ At Midnight

Lançada em 1951 no album homônimo, essa música causou calafrios no jovem Eric Clapton quando ele a ouviu pela primeira vez no rádio.  Atingiu a décima posição no mesmo ano na #10 parada R&B da Billboard. Em 1959 foi relançada no LP “Moanin’ at Moonlight’. Uma reedição desse álbum recebeu em 1987 o W.C. Handy Awards na categoria Vintage/Reissue Album (US). “Moanin’ At Midnight’ foi um dos primeiros sucessos de Howlin’ Wolf que não foram compostos por Willie Dixon.

6. Sonny Boy Williamson II – Help Me

Canção de 1962 inspirada no Hit instrumental “Green Onions” de Booker T. & The MGs.

Presente na maioria das coletâneas de melhores canções de Sonny Boy Williamson II e tendo atingido o 29º lugar na parada R&B da Billboard naquele ano, “Help Me” teve versões de vários artistas como: John Mayall’s Bluesbreakers, Ten Years After, Peter Green, Junior Wells (conseguindo certo sucesso com a canção) e Canned Heat.

7. Little Walter – Juke

Em 1952, após passar os últimos dois anos gravando sua gaita nas canções de Muddy Waters, Little Walter, com apenas 22 anos de idade lança “Juke” uma composição instrumental que mudaria a forma como as pessoas pensariam sobre seu instrumento. “Juke” se tornou não só um clássico do blues, mas da gaita.

O sucesso foi tão grande que a canção atingiu o primeiro lugar da parada R&B da Billboard. Foi a primeira e única vez que uma música instrumental de gaita conseguiu tal feito. “Juke” também sofreu do mesmo mal de todos os blues de muito sucesso: um monte de outras pessoas declarando autoria da música.

Jimmy Rogers que gravou a guitarra na canção, afirmou que partes da música foram baseadas na gravação de “Get Up The Stairs Madamoiselle” do pianista Sunnyland Slim. O gaitista Snooky Pryor gravou quatro anos antes a canção “Snooky and Moody’s” que começa de forma extremamente parecida. Até Junior Wells afirmou (sem nenhuma prova) que a música era dele e Little Walter havia a roubado.

8. Albert CollinsFrosty

O single lançado em 1958 contendo “Frosty” conseguiu a marca de um milhão de vendas. Nada mal para um blues instrumental de um artista que iniciara sua carreira profissional há apenas seis anos. Provavelmente esse sucesso inicial deve ter influenciado bastante Albert Collins ao batizar suas futuras canções. Dezenas de canções possuem o tema “gelo” ou “frio” no seu nome: “Ice Pick”, “Frostbite”, “Avalanche”, “Hot and Cold”, “Icy Blue”, “Snow Cone”, “Cold Cuts”, “Snowed In”, “Cold Tremor”, “Deep Freeze”, “Iceman”…

9. Muddy Waters – Got My Mojo Working

Composta em 1956 pelo desconhecido  Preston Foster e tocada por Ann Cole, a canção foi ouvida por Muddy durante uma turnê no mesmo ano. Muddy reescreveu sua letra e tentou registrá-la como sua… o desfecho você pode ler aqui: http://cip.law.ucla.edu/cases/case_Strachborneoarc.html

“Got My Mojo Working” se transformou em uma das pérolas do repertório de pérolas de Muddy Waters, que costumava muito freqüentemente a tocar no encerramento de seus shows.

Dezenas de artistas também a regravaram. Alguns notáveis:  Elvis Presley , Louis Jordan, Canned Heat, Otis Rush, Asylum Street Spankers, Eric Clapton, Bobby Darin, B.B. King, J.J. Cale, Rory Gallagher, Manfred Mann, The Zombies, Jimmy Smith e The Paul Butterfield Blues Band.

10. Koko Taylor – Evil

Composta por Willie Dixon e lançada em 1959 na voz de Howlin’ Wolf, Evil se tornou um dos standarts da gravadora Chess e foi regravada por Koko Taylor em 1985. Dois anos depois fez parte da trilha sonora do filme “Adventures in Babysitting”.

Além dessa, outras canções de Dixon famosas por Howlin’ Wolf ganhariam nova vida na voz de Koko Taylor. “Wang Dang Doodle” e “Spoonful” são outras que se destacaram dessa forma.

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BLUES MECOPONE COLLECTION – Os Clássicos Vol.I (48Mb)

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Verbeat, a comunidade de blogs mais interessante e legal do Brasil está fechando suas portas.

Meses atrás eu tentei com a ajuda dos proprietários traçar uma estratégia e uma nova versão para a casa, mas a verdade é que não deu. Seria necessário um investimento bom de grana, tempo e esforço e me falta o primeiro elemento dessa trindade.

Desabafo sobre programação
Obviamente eu precisaria ter um pouco mais de estabilidade na minha vida louca para ter esse pet project e infelizmente não posso me dar esse luxo. A programação começou a ser feita, mas parou nos 7%. Eu realmente queria entender o que passa nas cabeças dos programadores no Brasil. Não sou só eu que tenho problemas com a classe. Todo mundo que conheço reclama da falta de profissionalismo deles. Não entendem prazos, somem, não sabem orçar… é um pé no saco ficar no calcanhar dos caras o tempo todo. Me dá vontade de aprender a programar, saca? Não pode ser algo tão monstruosamente complicado assim. Eu sei que é chato porque já era chato na época do BASIC, mas não tem desculpa.

Sobre o novo formato

Por mais maravilhoso que pudesse ficar, seria ainda um grande desafio continuar um projeto que seria visto como uma comunidade de blogs em uma época onde as pessoas estão cada vez mais interessadas em trabalhos solos com suas produções de internet. Eu não sei quanto aos outros, mas para mim é quase impossível manter um grupo de geradores de conteúdo onde não há remuneração envolvida no projeto.

Apesar do provável orgulho que me daria tocar uma nova Verbeat, seria uma luta diária para manter o troço funcionando e se houvesse um retorno financeiro, ele seria a longo prazo e isso é outra coisa difícil de se lidar no Brasil: longos prazos.

Ainda é possível?

É. E eu sou afins, mas tenho de organizar a vida primeiro. Com os proprietários da Verbeat sofrendo para mantê-la em pé por causa dos problemas técnicos frequentes (bugs, spams etc) eu fiquei me sentindo mega culpado de não poder dar aquela força bacana o mais rápido possível e a coisa esfriou. Uma pena mesmo. De qualquer forma eu não esqueci do que foi discutido e preparado. Resta saber se teremos colaboradores interessados.

Porque o que faz a coisa funcionar são os colaboradores e geradores de conteúdo. O resto é linha de código e design frufru.

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