
O Bloco “Não É Nada Igual” traz 5 álbuns divididos cronologicamente em um período de aproximadamente um século entre as primeiras composições até as performances do início do séc. XXI. A seleção foi criada levando em consideração cada canção pelas suas características únicas e que claramente as diferem das outras nos álbuns desse bloco.
A ideia aqui é que fique impossível até para um leigo e ignorante aceitar que “blues é tudo igual”.
Volume I (Ancestrais)
1- Lonnie Johnson - Summertime
Lonnie Johnson é conhecido pelo seu estilo sofisticado, suave e delicado e urbano. Uma das maiores influências de B.B. King, Lonnie veio de uma família grande de músicos e ganhou notoriedade ao vencer um concurso de música na sua juventude. Um histórico raro entre os bluesmen da época que transparece em seu estilo e escolha de repertório. Sua versão criando uma ponte de jazz e blues da ária de Gershwi na ópera Porgy and Bess (1935) foi selecionada para provar esse ponto.
2- Tommy Johnson- Big Road Blues
Um dos bluesmen rurais do delta contemporâneos dos primeiros a terem suas canções gravadas. Tommy gravou pouco do seu repertório, que era considerado para os parâmetros da época, riquíssimo. Foi um dos músicos mais conhecidos em seu tempo e uma das grandes influências de Robert Johnson, que também aderiu a sua história sinistra de ter feito um pacto com o demônio.
Em 2000, o filme “O Brother, Where Art Thou?” trouxe como personagem um bluesman com o mesmo nome e histórico semelhante, mas que por alguma razão só tocava canções de outro bluesman: Skip James. Confuso esse povo de Hollywood.
3- Jesse Fuller – San Francisco Bay Blues
San Francisco Bay Blues foi a canção de trabalho de Jesse Fuller, one-man-band inventor de um instrumento bizarro chamado Footdella. A canção ganhou uma sobrevida nas mãos de Eric Clapton décadas depois em seu álbum acústico.
San Francisco Bay Blues teve também versões por Bob Dylan, John Lennon, Ramblin’ Jack Elliot, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Mungo Jerry entre outros.
4- Kokomo Arnold - Old Original Kokomo Blues
“Old Original Kokomo Blues” é a canção original que foi surrupiada por Robert Johnson em “Sweet Home Chicago” e alçou vôo como um dos clássicos absolutos do blues, sendo tocada por praticamente toda banda de blues no planeta até a exaustão.
Robert Johnson roubou pelo menos umas três músicas de Kokomo Arnold, que largou a música para trabalhar em fábricas em Chicago e não se interessou pela cena de revival do blues nos anos 60. Uma pena. Excelente compositor e violonista com um estilo ágil, preciso e a frente do seu tempo na certa.
5- Blind Willie McTell - Kill It Kid (versão 2)
Um dos bluesmen mais habilidosos da época e com uma enorme discografia (149 canções gravadas), Blind Willie McTell foi conhecido por ser um mestre do violão de doze cordas e do piedmont-style (subgênero de blues). Influenciado fortemente pelo ragtime e contemporâneos como Blind Blake e Blind Boy Fuller, McTell era fluente e exímio tanto em músicas de dedilhado complexo como no uso de slide. Além disso possuia facilidade em acompanhar outros músicos (coisa rara na época onde cada um tinha seu próprio timing caótico).
Uma versão de sua canção “Statesboro Blues” tornou-se música de trabalho da banda Allman Brothers e Bob Dylan fez durante a sua carreira diversas referências à McTell em suas gravações, assim como versões de suas canções.
6- Sonny Boy Williamson I – Good Morning Little Schoolgirl
Good Morning Little Schoolgirl é possivelmente a canção mais conhecida do gaitista Sonny Boy Williamson (acompanhado de Big Joe Willians em seu violão de nove cordas). Yardbirds, Rod Stewart, Chuck Berry, Taj Mahal, Greatful Dead, Johnny Winter, Muddy Waters, Jonny Lang, Van Morrison, Huey Lewis and The News e Eric Clapton foram alguns que regravaram essa canção.
John Lee Curtis Williamson, o primeiro e original Sonny Boy Williamson, foi um dos primeiros bluesmen a elevar a posição da gaita, transformando-a em um instumento principal em uma composição de blues. Todos os gaitistas nas próximas décadas: Billy Boy Arnold, Junior Wells, Sonny Terry, Little Walter e Snooky Pryor, foram influenciados por ele. A influência maior, claro, foi Alex Miller que se fez passar por ele por tanto tempo que adotou também seu nome de palco após a morte de John Lee.
7- Bukka White - Bukka’s Jitterbug Swing
Bukka White era o primo de B.B. King que já tocava antes dele e que tem um estilo completamente diferente.
Exímio violonista de slide, Bukka tocava em várias afinações próprias alternando até o slide para uma barra de ferro (lap-steal a moda dos havaianos) dependendo da ocasião. Seu estilo agressivo, ritmado, sincopado e cru é quase a quintessência do blues rural do delta.
Bukka também foi uma grande influência para bluesmen, Bob Dylan com o movimento folk até o rock britânico do Led Zeppelin.
8- Dr. Ross - Dr. Ross’ Rock
One-man-band fazendo a ponte entre o blues e o rock, Charles Isaiah Ross, recebeu o apelido de “Doutor” por levar suas gaitas em uma maleta muito similar àquelas carregadas por médicos. Excelente músico, com um repertório de músicas de estilos variados, Dr. Ross acabou por gravar mais boogies tentado acompanhar o crescente fascínio do público pelo rock’n'roll.
9- Otha Turner - Station Blues
Provavelmente o único bluesman reconhecido por tocar fife (uma espécie de flauta de som agudo) que ele mesmo fabricava com cana.
Apesar de muitas décadas como músico, somente nos anos 90, Otha começou a ter seu trabalho reconhecido. Depois de uma participação em uma coletânea e dois discos, ganhou mais notoriedade em 2002 quando uma de suas canções foi selecionada como trilha sonora do filme “Gangues de Nova Iórque” e no ano seguinte com a série documental “Blues” de Martin Scorsese.
“Fife and drum” é um sub-gênero de blues pouquíssimo popular e raro que se assemelha de certa forma com ritmos do nordeste brasileiro por, provavelmente, ter sido menos influenciado por outros gêneros musicais nos EUA e se assemelhar mais com suas raízes africanas.
10- Louis Jordan – Mop Mop
Louis Jordan foi o percussor do swing, o entertainer que fez a ponte entre o blues, jazz e rock ao mesmo tempo. Tudo o que disser sobre a importância dele para esses quatro gêneros musicais será pouco. Ele foi um dos maiores artistas de todos os tempos e cada uma de suas gravações é uma pérola.
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BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.I (36Mb)
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