O blues havia nascido e colonizado o sul, agora era a hora de outros artistas criarem estradas e descobrir até onde o gênero poderia levá-los. Essa coletânea conta com dez músicos que levaram o blues para direções diferentes.
1- Taj Mahall (com Toumani Diabaté) – Queen Bee
Essa nova versão de sua própria canção foi produzida para o álbum Kulanjan (1999), feito em parceria com o músico maliano Toumani Diabaté e com participação da cantora Ramata Diakate. “Queen Bee” é um regresso inspirador do blues ao continente africano. Intimista e catártico, provavelmente é a canção de blues mais delicada que já ouvi.
2- Professor Longhair – Tipitina
A quintessência do blues de New Orleans com a sua canção carro-chefe. Em New Orleans a língua, a comida e a arquitetura americana sofreram fortíssimas influências dos espanhóis, holandeses, franceses e caribenhos. Nada na cidade se parece com o resto do país e até o blues se viu misturado nesse “gumbo” maravilhoso de ritmos do caribe, com letras influenciadas pelo creole.
Professor Longhair é um dos mestres e expoentes do blues com uma discografia normalmente festeira e uptempo. “Tipitina” foi claramente uma versão da instrumental “Junker Blues” de Tuts Washington, o primeiro grande pianista do estilo e amigo de Professor Longhair. Segundo Tuts, “Tipitina” é uma versão de “Junker Blues” melhorada.
3- Earl Hooker – Apache War Dance
Earl Hooker era acima de tudo um guitarrista virtuoso e desafiou os padrões entre os bluesmen de diversas formas. Podia tocar slide magnificamente bem em qualquer afinação e de uma maneira completamente diferente do padrão consolidado por expoentes da época (Elmore James, Muddy Waters), não demonstrava nenhum problema em tocar outros gêneros musicais se desconfiasse que a platéia o preferisse, trafegando entre rock, pop, soul, R&B e country se assim fosse necessário e não dispensava efeitos, pedais e truques de gravação (que eram vistos com desdém entre os bluesmen)
Se por um lado o estilo primitivo de seu primo John Lee Hooker trazia fama e reconhecimento na indústria, Earl infelizmente não obteve o mesmo sucesso, tornando-se um “músico para músicos” e reverenciado como o melhor guitarrista de sua época por nomes como: Otis Rush, B.B. King, Albert King, Buddy Guy, Little Milton, Albert Collins, Willie Dixon entre outros.
“Apache Dance War” é uma das raras canções onde ouvimos a voz de Earl que raramente cantava devido a um impedimento de fala. A música mistura pop/rock dos anos cinquenta e soul dos anos sessenta ao mesmo tempo que evoca a música indígena americana.
4- Otis Rush – All Your Love
Uma das canções de trabalho de Otis Rush, “All Your Love (Is Missing Love)” transformou-se em um dos medalhões do blues quando foi regravada por Eric Clapton (na época que integrava a banda John Mayall and the Bluesbreakers) e posteriormente por Buddy Guy, Gary Moore, Stevie Ray Vaughan, entre outros.
Seu ritmo afro-caribenho misturado ao blues é sem dúvida alguma um dos maiores diferenciais da canção entre o repertório de Otis Rush. “All Your Love” foi gravada em 1958 e em 2010 entrou para o Blues Foundation Hall of Fame.
5- Big Joe Turner – Corrina, Corrina
“Corrina, Corrina” já era uma canção considerada como tradicional quando Big Joe a regravou e deu seu toque inconfundível de boogie/eary rock. Anteriormente gravada como “Corrine, Corrina” e tendo uma sorte de variações e referências diferentes em repertório de bluesmen (Mississippi Sheiks, Bo Carter, Blind Lemon Jefferson), curiosamente a canção não manteve sua força com o passar do século.
6- Brownie McGhee & Sonny Terry – Packin’ Up, Gettin’ Ready
A dupla mais duradoura da história do blues em uma canção alegre e com uma batida moderna comparada com seu material clássico.
Brownie McGhee deixa de lado por alguns momentos seu violão e adota aqui a guitarra elétrica para um pequeno solo, porém isso é uma das poucas novidades. O estilo da dupla se mantém, mesmo sendo acompanhado por uma banda. “Packin’ Up, Gettin’ Ready” é uma das canções retiradas dos raros álbuns com qualidade de som (gravação e mixagem) que ainda é considerada aceitável pelo público leigo.
7- Lowell Fulson – Tramp
Funk blues! Uma mistura perfeita dos dois gêneros que grita a questão: por que não existem mais músicas assim?
“Tramp” foi gravada em 1967 e atingiu o quinto lugar da Billboard R&B chart naquele ano, gerando regravações por diversos artistas como Otis Redding, Buddy Guy e Steve Miller Band. Em 1997 foi sampleada por Prince na canção “7″. Em 1985 Salt-N-Pepa fez o mesmo, mas manteve o título do autor.
8 – Clarence “Gatemouth” Brown – Pressure Cooker
“Eu não sou um maldito bluesman!” , disse Clarence várias vezes. É verdade, mas isso infelizmente não o impediu de ser considerado como tal até hoje. Afinal não é como se um bluesman tivesse de tocar apenas blues. Clarence mostra com “Pressure Cooker” uma grande mistura de blues com jazz uptempo.
9- Screamin’ Jay Hawkins – I Put A Spell On You
Percussor das performances macabras nos palcos musicais (Alice Cooper, Kiss e dezenas de outras bandas estão em dívida aqui por isso), esse baixo-barítono com sonhos de cantor de ópera e ex-peso pesado no Alaska, se viu reduzido a cantor de baladas românticas R&B até que certo dia, bêbado em um estúdio de gravação e cercado por uma banda igualmente bêbada, esguelou-se sobre uma nova composição. Era “I Put A Spell On You” e no dia seguinte ele nem se lembrava do que tinha feito no estúdio. Ao ouvir a gravação, teve um choque… gritos, sons macabros e gulturais, risadas histéricas… Jalacy Hawkins tornou-se então Screamin’ Jay Hawkins: criador de seu próprio gênero musical (e capa dessa coletânea).
“I Put A Spell On You” foi lançada em 1956 e seu impacto foi tão grande que músicos dos mais diferentes estilos gravaram suas versões (algumas com muito sucesso inclusive): Nina Simone, Marilyn Mason, Creedence Clearwater Revival, Betty Middler, Bryan Ferry, Manfred Mann, Animals, Iggy Pop, Roxy Music, Pete Townshend, Them entre quase uma centena de artistas.
10- Ike Turner – Ho Ho
Quando o nome de Ike é mencionado, todos reagem da mesma forma, pensando ou falando: “Ike Turner batia na Tina Turner.” . É irritante. James Brown bateu em várias esposas, Bach e Wagner eram nazistas, mas bater na Tina Turner parece ter sido um pecado tão grande que empalidece até o crédito da gravação do primeiro rock’n'roll da história. Sim. Credito “Rocket 88″ de Ike Turner como o primeiro rock composto em 1948.
Obvio que todo mundo sabe que bater em alguém é errado e que provavelmente a Tina não deveria merecer a porrada (eu não sei. Não estava lá), mas é preciso execrar o trabalho fantástico dele? Esqueça o homem se ele não viveu bem e aprecie a obra. “Ho Ho” é um blues-rock instrumental serelepe e feliz. Curta sem rancores.
BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.2 (53,8Mb)
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Valeu pela visita Alexandre no meu blog Living in Nola…
New Orleans é uma cidade diferente de todas as outras dos EUA.
Infelizmente a vida aqui em termos de emprego não é simples nem para os americanos, imagina para os imigrantes?? Mas com certeza é uma cidade que ficará pra sempre no meu coração e sempre que eu puder, voltarei…não só pela música mas pelas pessoas, comida e alto astral que apesar de tantas catastrofes continua no povo!!! Abs