Uma seleção de bluesmen clássicos gloficados entre os anos 50 e 60 tocando blues de maneiras não exatamente clássicas. Soul, funk, batidas latinas, rock e outros gêneros musicais influenciaram e foram influenciados também por esses medalhões do blues. Esse volume mostra que mesmo os medalhões do blues são capazes de proporcionar gravações fantásticas fora da linha básica de seus repertórios.
1- John Lee Hooker com Carlos Santana – Chill Out (Things Gonna Change)
Em 1989 John Lee Hooker com a ajuda de Carlos Santana e do violonista Roy Rogers (na produção) conseguiram o primeiro Grammy da carreira do cantor com a faixa título do álbum “The Healer” (1989). Em 1995 depois repetiram a mesma exata fórmula com o álbum “Chill Out” e conseguiram os mesmos resultados. Isso é ciência! Assim como a faixa “The Healer”, “Chill Out” mostra novamente que uma fusão entre blues e ritmos latinos não só é possível como também algo interessante e agradável.
2- Albert King – Shake’Em Down
Não confundir com “Shem’Em On Down”, canção rural que ficou conhecida com Bukka White, Mississippi Fred McDowell e outros contemporâneos do delta blues. Nessa canção, Albert King sai um pouco da sua zona de conforto e entrega uma performance cândida sobre um arranjo delicado, leve e também repleto de soul. Lançada no álbum “Hard Bargain”, em 1996 com faixas gravadas pelo artista entre 1966 e 1972 e com o line-up da gravadora Stax, “Hard Bargain” ainda conta com composições de Don Nix (sem parentesco comigo), incluindo “Shake’Em Down”.
Nota: Esse volume da coletânea ainda possui mais uma de Don Nix em um gênero diferente tocada por outro King: o Freddie (décima faixa).
3- B.B. King – Better Not Look Down
Dando continuidade à faixa anterior, podemos dizer que “Better Not Look Down”, segue a mesma direção acelerando levemente a marcha com uma letra mais humorada tongue-in-cheek. Ao contrário de Albert, B.B. King tem em seu repertório canções de diversos gêneros musicais enraizados no blues. “Better Not Look Down” é uma das que se sobressai pela levada mais pop e easy listening do que o resto de suas gravações.
4- Muddy Waters – Can’t Get No Grindin’
Com exceção do polêmico álbum “Electric Mud”, Muddy Waters nunca teve a tendência de passear muito longe de suas raízes. “Can’t Get No Grindin’” é uma das poucas canções que flertam com a influência do funk dos anos sessenta em seu repertório. lançada em 1973 no álbum homônimo, Grande parte disso está no trabalho de órgão de Pinetop Perkins, normalmente associado apenas às gravações de piano.
5- Albert Collins – Soul Food
Gravada entre 1968 e 1970 e lançada no álbum duplo contendo todas as gravações do artista pela Imperial Recordings, Soul Food é uma simples mistura de baixo e baterial funkeado com uma guitarra base mantendo um groove respectivo e a inserção da voz e da guitarra blues de Albert Collins. Uma mistura simples e eficaz.
6- Little Walter – My Babe
Quando Ray Charles estourou nas paradas com a canção “I Got A Woman”, um furor religioso surgiu. Aquele blues era na verdade uma versão pagã do gospel “It Must Be Jesus”. No alto de seus botões, Willie Dixon (O faz-tudo da gravadora Chess) deve ter pensado “Ei! Essa ideia deveria ter sido minha!” e resolveu não perder mais tempo. Adicionou uma batida latina no gospel “This Train (Is Bound For Glory)” (que fora sucesso com Sister Rosetta Tharpe em 1939), compôs uma nova letra e correu para o estúdio com Little Walter para gravar “My Baby”. O single foi lançado semanas seguintes à canção de Ray Charles e ultrapassou suas marcas. “My Baby” foi a única canção de Willie Dixon a atingir o primeiro lugar nas paradas R&B da Billboard (1955).
7- Sonny Boy Willliamson II – One Way Out
Gravada originalmente por Elmore James entre 1960 e 1961 de uma maneira porca e mal ensaiada, a canção teria morrido se Sonny Boy Williamson II não a resgatasse do limbo, criasse um novo arranjo e a apoiasse. Sonny Boy a regravou em setembro de 1961 sem sucesso e, como era um artista insistente e provavelmente chato, tentou mais uma vez em 1963 (dessa vez com Buddy Guy na guitarra e com o arranjo dando mais ênfase à gaita). Elmore James tentou então uma reaproximação e decidiu também regravá-la em 65, mas era tarde demais para recuperar o status de pai desertor.
“One Way Out” agora se comportava como uma cria bastarda e rebelde de passado difícil. Procurou novo lar em meados de 1965 em um álbum do desconhecido artista G.L. Crockett que a regravou com vocais “extremamente inspirados” no bluesman Jimmy Reed e com um temperinho de rockabilly. Com isso ela mudou seu nome para “It’s A Man Down There” e atingiu o décimo lugar das paradas R&B da Billboard. Jimmy Reed ao notar um pouco de si na criação, acreditou que poderia ser seu pai, regravando-a com o nome “I’m The Man Down There” e conseguiu um relativo sucesso.
No ano seguinte a mocinha resolveu sair novamente sob o nome de ”It’s a Man Down There” e com uma roupa country no álbum de estréia de Sir Douglas Quintet e mais tarde foi vista em 1969 com os Beatles numa faixa jam entitulada ”My Imagination” tendo seu nome gritado por Paul McCartney por sete minutos em uma espécie de mantra psicodélico. Mal sabia ela que seria usada pela madrinha Yoko Ono em versões de até 16min de duração.
Apesar dessa vida louca e transviada, “One Way Out” ficou estabelecida nas gerações futuras pela versão da banda “Allman Brothers” e o futuro encarregou de solidificar Sonny Boy Williamson como o verdadeiro pai da criança.
8- Howlin’ Wolf – Three Hundred Pounds Of Joy
Composta por Willie Dixon especialmente para Howlin’ Wolf que pesava 300 pounds (136kg) em 1963, “Three Hundred Pounds Of Joy” é uma divertida canção de blues do “The Howlin’ Wolf Album” (o álbum de blues com a capa mais legal já produzida até hoje). Nem todos os aprecidadores do artista gostam dessa canção por ela representar um caminho diferente de sua carreira onde a banda incorpora com mais presença os metais tirando o espaço centralizado da guitarra elétrica para dar lugar a um duo de saxes tenor e barítono.
9- Bo Diddley – Road Runner
Gravada em setembro de 1959 e lançada em jenairo de 1960 no álbum “Bo Diddley In The Spotlight”, a canção atingiu o vigésimo lugar na parada Hot R&B e o a septuagésima quinta posição da Hot 100 da revista Billboard.
Um rock’n'roll híbrido de blues com uma temática divertida que foi regravado pelos Rolling Stones, Who, Zombies, Aerosmith e outras bandas (Os Beatles e o Clash costumavam tocar durante turnês também).
10- Freddie King – Palace Of The King
Don Nix foi o compositor de duas canções lançadas por Freddie King no álbum “Getting Ready” de 1971: “Goin’ Down” e “Palace Of The King”. Das duas, a primeira foi a de maior sucesso por sua estrutura de rock puro e refrão simples e genérico, gerando diversas versões por artistas até hoje (principalment guitar heroes). A segunda canção além do arranjo mais trabalhado e letras específicas falando sobre o Texas encaixou bem demais com o bluesman texano e claramente foi composta para Freddie e por tanto não se tornou uma escolha popular entre outros artistas na hora de escolher uma canção do bluesman para uma versão.
“Palace Of The King” é um rock com pouco de blues e uma linha de baixo pesada e marcante. Uma pérola no repertório de Freddie e um exemplo de transição completa entre o blues e o rock’n'roll.
BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.3 (47 Mb)
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