1- Paul Pena - Jet Airliner
Conheci Paul Pena não pelo blues e sim pesquisando sobre a música de folclórica de Tuva (Mongólia). Assisti o documentário Genghis Blues como introdução à sua carreira e me interessei quando ouvi seu estilo que parece mesclar canções pop-rock sem que fiquem melosas ou comerciais demais com uma guitarra fortemente influenciada por Hendrix sem transparecer qualquer agressividade ou pretensão ao virtuosismo. “Jet Airliner”, assim como algumas canções do segundo álbum “New Train” são honestas e ricas em arranjos e pela suavidade da voz de Pena.
Nota: Essa canção foi um hit em 1977 pela versão de Steve Miller Band
2- Jimi Hendrix – Hear My Train A Comin’
O que dizer? Hendrix tocando blues acústico. Ele deveria ter gravado mais faixas assim.
3- John Hiatt - Feels Like Rain
John Hiatt é antes de um performer, um compositor de hits. Além de “Feels Like Rain” ter sido faixa-título do álbum de Buddy Guy (Grammy de melhor álbum de blues contemporâneo), John compôs também “Riding With The King” que também virou faixa título do álbum de parceria entre B.B. King e Eric Clapton (Grammy de melhor álbum de blues tradicional). Hiatt teve canções gravadas e apresentadas por Bob Dylan, Ry Cooder, Bonnie Raitt, Willie Nelson, Three Dog Night, Joan Baez, Paula Abdul, Iggy Pop, The Nitty Gritty Dirt Band, Joe Cocker, Chaka Khan… mas e Grammy? Nunca ganhou.
A versão de Buddy Guy na minha opinião é diferente e tão boa quanto a original. Entretando a gravação original consegue se afastar ligeiramente mais da linha tradicional de blues e passa um certo feeling maior de integridade sobre o que está sendo cantado (por motivos óbvios)
4- Robert Cray - Too Many Cooks
Antes de dar a louca e resolver ser um músico de world music medianamente sucedido (estou usando “medianamente” de maneira otimista), Robert Cray era um guitarrista e cantor de blues excelente e com todo um mundo aos seus pés. Seu ótimo álbum de estréia “Who’s Been Talkin’?” (1980) continha entre suas faixas a canção “Too Many Cooks” que se tornou a faixa-título do mesmo álbum em seu relançamento dez anos depois.
Um blues com base de rumba em tom menor que representaria por si só a ideia dessa coletânea.
5- The Paul Butterfield Blues Band - Mellow Down Easy
Lançada por Little Walter em 1954, “Mellow Down Easy” foi regravada por diversos artistas de blues (a maioria gaitistas) e rock (The Black Crowes, ZZ Top) e foi a sexta faixa da Paul Butterfield Bluesband em seu álbum de estréia homônimo lançado em 1965 pela Elektra Records. O Álbum atingiu a posição nº123 nas paradas pop da Billboard e em 2003 entrou na lista dos maiores 500 álbuns de todos os tempos pela revista Roling Stone.
Na minha lista pessoal é um dos 10 melhores álbuns de blues já realizados. Paul Butterfield se tornou um ídolo dos gaitistas com os anos (os que já eram da “escolinha Little Walter de gaita”). Paul infelizmente partiu cedo, morrendo em 1987 aos 45 anos por overdose de cocaína.
6- Taj Mahal - She Caught The Katy (and left me a mule to ride)
Quando John Belushi e Dan Aykroyd se uniram para discutir qual seriam os covers de blues que tocariam com os Blues Brothers, uma coisa apenas estava clara: eles não queriam uma série de blues com levadas clichês. “She Caught The Katy” foi uma das primeiras canções que lhe chamaram a atenção justamente por ser claramente um blues e ao mesmo tempo ser bem diferente de qualquer batida padrão do gênero.
Ao contrário de Robert Cray, Taj Mahal tem uma carreira muito boa com sua banda de world music e a usa para financiar suas incursões como bluesman e bon vivant. Figuraça simpática e integrante do “The Rolling Stones Rock and Roll Circus”, Taj tem um senso de humor peculiar e além de dar esporro na platéia volta e meia, gravou uma canção chamada “Jorge Ben” que tem a mesma levada da canção “Taj Mahal” de Jorge Benjor… só que com a letra também trocada.
7- The Kingsnakes - Peach Tree
The Kingsnakes são uma banda de músicos bem competentes que se não fosse por isso e pela excelência do baterista e gaitista, seriam apenas mais uma banda de bar… (Nota: me lembram o caso da banda Dr. Feelgood). Suas composições próprias são fortes e bem características, porém resolvi colocar uma versão de uma música não tão padrão de Sonny Boy Williamson II lançada em 1965 no álbum “The Real Folk Blues”. “Peach Tree” tem alguma qualidade piedmont nela e a versão dos Kingsnakes ainda traz um certo peso interessante.
Nota: Não confundir com Chicago Kingsnales Blues Band ou os The Kingsnakes de Detroit (banda de rock) ou Paul Lamb & The Kingsnakes (Reino Unido). Essa The Kingsnales é uma banda de Syracuse, New York.
8- Paul deLay – All My Money Gone
Outro gaitista americano branco que chutou o pau da barraca tanto na qualidade de execução de seus solos como no uso da cocaína. Paul deLay deixou várias gemas em seu repertório e a minha preferida é essa “All My Money Gone”… é um standart sim, mas nunca um standart possível de se ouvir apenas no background e ser ignorado.
A faixa foi lançada no álbum “Paul deLay Band” em 1988 e atingiu a décima posição nas paradas da revista Living Blues.
9- Luther Allison - You Can Run, But You Can’t Hide
Mais uma faixa do álbum “Reckless” já citado no volume III da série “Os Clássicos” dessa coletânea. “You Can Run, But You Can’t Hide” tem um peso e guitarra rock para um blues funkeado graças à cozinha marcante. Não há muito mais o que falar aqui sobre Luther, o álbum ou a faixa. São todos maravilhosos.
10- North Mississippi Allstars - New Orlean’s Walking Dead
Os North Mississippi Allstars são uma banda relativamente nova que tratam o blues como uma base para experimentar suas mais diferentes influências. “New Orlean’s Walking Dead” flerta entre o new blues e o swamp blues característico em várias canções que evocam New Orleans e a Louisiana. É provávelmente a canção mais recente de toda essa coletânea, sendo lançada no álbum “Keys To The Kingdon” em fevereiro de 2011.
BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.4 (49,6 Mb)













