Uma pequena nota introdutória: new blues não é um estilo musical popularizado. Resumidamente ele se apresenta como uma maneira moderna e sintonizada com os tempos atuais incorporando gêneros musicais como punk, hip-hop e música eletrônica ao blues e também se utilizando de instrumentos, temáticas e tecnologias comuns do século XXI.

1- Seasick Steve –  St. Louis Slim

Sem teto, hobo e faz-tudo, Seasick Steve começou sua carreira musical nos anos 60 em San francisco e no final dos anos 80 foi engenheiro de som e músico de estúdio de bandas independentes próximo a Seattle. Nos anos 90 trabalhou como engenheiro de som na gravação de diversos singles da banda Modest Mouse, viveu em Paris como músico de rua e em 2001 se mudou para a Noruega quando lançou seu primeiro álbum “Cheap” aos 60 anos de idade com a banda The Level Devils. Seu álbum solo “Dog House Music” esperaria mais 5 anos para ser lançado.

Em 2008 Seasick lançou seu segundo álbum solo “I Started Out with Nothin and I Still Got Most of It Left” pela Warner Bros. Records,com a música “St. Louis Slim” que alcançou o nono lugar na parada musical da grã-bretanha naquele ano.

Nota: St. Louis Slim também é um nome de um bluesman com quem toquei em New Orleans em 2004. Que eu saiba é só uma coincidência e os dois nunca se encontraram.

2- Son Of Dave - Devil Take My Soul

One-man-band ex-integrante da banda de rock Crash Test Dummies, Son Of Dave (capa dessa coletânea) se reinventou como um bluesman moderno. Misturando loops, efeitos de eletrônicos com percussão e gaita, Dave é considerados por muito um dos percussores do new-blues.

Ao contrário da maioria de suas canções completamente solo, em “Devil Take My Soul” Son Dave divide os vocais com a cantora britânica Martina Topley-Bird em seu segundo disco intitulado simplesmente “2″ lançado em 2006.

 3- Panny Lang – Lost And Found

Cantora de blues e folk canadense, Penny nasceu em uma família de músicos e aprendeu a tocar se apresentando com os pais em igrejas, hospitais, prisões e velhos teatros. O pico de sua carreira musical aparentemente se formou nos anos 60 com sua versão de “Suzanne” de Leonard Cohen que foi um hit momentâneo nos EUA. Após isso sua carreira e vida pessoal lhe deram uma rasteira e Penny entrou em um autoexílio em 1970 (em uma cabana nas florestas e Quebec) só retornando em 1988.
Aceita pelos músicos locais como uma pioneira do folk canadense, Penny lançou sem primeiro álbum em 1991 e mais sete até o momento. Atualmente ela excursiona frequentemente tocando com seu filho que também é músico.

Penny é um caso bem especial. Uma das poucas cantoras brancas nessa coletânea e a única repleta de cabelos brancos também. Fico feliz de incluir sua canção aqui.

4- Reid Paley – The Anesthestist’s Song

Sou fã do trabalho solo de Reid Paley. Conheci ele em Londres em um festival sensacional, bato papo com ele via web e sou louco pra dar um pulo no Brooklin só pra ver o homem tocando mais uma vez. Reid tem um estilo único como compositor, uma voz inconfundível e uma apresentação debochada que sempre faz com que a experiência ao vivo (independente da qualidade do equipamento na casa) seja divertida.

Eu defino as músicas de Reid Paley como “canções de bêbado”. Há canções para antes de ir beber, para ouvir enquanto se bebe e para ouvir quando se chega em casa trocando pernas. Essa não é diferente.

5- Mudlow – Drunken Turkey

No mesmo festival que conheci Reid, conheci também essa banda (que infelizmente não tocou com os metais). Mudlow é o filho negro britânico de Morphine e Tito & The Tarantulas batizado por Nick Cave.  Blues rock com um clima pesado e tarantinesco, Mudlow é uma banda de Brighton (Inglaterra) formada em 2002 que atualmente divide o palco com uma banda chamada The Silver Brazilians. Juro.

“Drunken Turkey” é faixa do álbum “Welcome to Mudlow Country” de 2004.

6- John Schooley An His One Man Band – Drive You Faster

Esse álbum está sendo quase um tributo aos one-men-band (no plural parece meio estranho). Músico de Austin, Texas (atualmente uma das mecas da música boa), John mistura tanto o blues do delta como o de Chicago em um estilo garage rock cru… o que dá basicamente um punk-blues.

Membro do trio The Revelators, Schooley lançou em carreira solo 3 EPs e 2 álbuns onde destila porrada em seu kit com bateria, guitarra slide, gaita e washboard.

7- Petit Vodo – Big Star

Petit Vodo começou sua carreira em 1997 como baterista de uma banda de blues em sua cidade natal, Bordeaux (França). Posteriormente começou a se apresentar como one-man-band (bateria, guitarra, gaita, vocal e efeitos eletrônicos) ou acompanhado de um ou dois músicoss.

Influenciado por bluesmen como Slim Harpo, Lightning Hopkins, assim como Becj, G-Love e Morphine, Sebastian Chevalier (seu nome de batismo) aposta no experimentalismo no rock e blues e levanta a bandeira do new blues.

“Big Star” é a quarta faixa do seu álbum “A Little Big Pig With A Pink Lonely Heart” lamçado em 2004.

8- Slidin’ Slim – They Call Me Mr. Misfit

Outro que também carrega a ideia do blues para o séc. XXI (a assinatura em seu site é “Not your ordinary blues”), Slidin’ Slim cresceu ouvindo rockabilly até que descobriu os Ramones, Dead Kennedys e Clash… assim como a cena punk da Suécia… o que seria ligeiramente incomum se ele não fosse sueco.

Começou sua primeira banda aos 12 anos até que nos anos 80 descobriu os bluesmen do delta e decidiu que aquela seria sua base musical. Desde 1994, Slidin’ Slim vem lançando CDs de blues e fazendo turnês européias quando não está escrevendo ficção como hobby.

9- Soledad Brothers – 44 Blues

Trio de Detroit de garage rock com forte influência de blues que gravou quatro álbuns de estúdio entre 2000 e 2006 até finalmente terminar.

Punk blues de primeira, a banda teve seu primeiro álbum homônimo com a ajuda de Jack White na engenharia de som e Meg White em algumas percussões.

Depois do primeiro álbum fortemente influenciado pelo blues a banda lançou um segundo influênciado por rock britânico dos anos 60 e 70 (“Steal Your Soul and Dare Your Spirit to Move.”), um terceiro com influência de jazz (“Voice Of Treason”) até retornar para o blues em seu álbum final: “The Hardest Walk”.

“Fourty Four Blues” é uma faixa do álbum “Live At Schubas” de 2004.

Nota: com um guitarrista chamado Johnny Walker, creio que é algo quase instantâneo ter influência de blues.

10- Chicken Legs Weaver – Street Cleaner

Outro trio de punk blues que infelizmente não existe mais. De Sheffield, Inglaterra, Chicken Legs Weaver lançou dois álbuns lançados: “Nowhere” em 2007 e “Silk Ripped Dress” em 2008.

“Street Cleaner” é a faixa do single homônimo de 2004.

Queria poder dizer mais sobre a banda, mas eu realmente não sei muito à seu respeito e pesquisas voltaram quase com nada de informações novas.

BLUES MECOPONE COLLECTION – Não é Nada Igual Vol.5 (43,8 Mb)

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